Lições do velho professor – Rubem Alves #PapirusEditora

“Um jovem educador pode nos ensinar muitas coisas. Mas o velho professor é aquele que oferece as iguarias: conhecimento com sabor, sabedoria temperada com experiências de vida, humor e uma pitada de livre pensar”. (Livro “Lições do velho professor” – Papirus Editora)

Eu estava emocionada pela oportunidade de estar, mais uma vez, tão perto do grande Mestre Rubem Alves. Eu e minha irmã, Lúcia Meyer, sentamos na primeira fileira para não perdermos nenhuma vírgula.

“Muitas vezes, o conhecimento se origina do vivido. O “olhar crepuscular”, como bem diz Rubem Alves, é mais terno, pois já compreende a multiplicidade de conexões que estão ali, prontas para nascer, a cada gesto, a cada palavra entre mestre e aprendiz”. (Livro “Lições do velho professor” – Papirus Editora)

Tudo estava preparado esperando a chegada do querido Rubem Alves. E então entram os convidados: Carlos R. Brandão, Regis de Morais , ambos amigos de longa data do tão aguardado RUBEM ALVES.

“Neste livro encontra-se um conjunto de textos de diferentes épocas. A fim de apresentar um amplo panorama das ideias do autor, foram reunidas as crônicas que contêm as principais lições do velho (e querido) professor Rubem Alves”. (Livro “Lições do velho professor” – Papirus Editora)

Ao falar com o grande Mestre Rubem Alves lhe dou o meu livro “Inteligências na Prática Educativa” que é recebido com muito carinho e entusiasmo.

No dia seguinte recebo este email do próprio Rubem Alves.

Privilégio inestimável!

Para finalizar quero compartilhar com vocês uma fala do Mestre Rubem Alves, que eu achei incrível, e por esta razão não poderia deixar de registrar aqui.

Tem o audio, mas como a gravação não ficou muito nítida, transcrevi o conteúdo abaixo para que vocês possam acompanhar.

Peço desculpas por alguma falha. Acredito que o essencial esteja registrado.

Os Yanomamis

Os índios Yanomamis,  dentre os costumes que conceituam a sua cultura, estão os rituais antropofágicos.

Eles devoram seus mortos.

Os Yanomamis têm o conceito diferente de cultuar os seus mortos,  e vocês querem se livrar deles, por isso enterram seus mortos  em covas profundas para ficarem longe dos seus narizes e seus olhos para serem comidos pelos vermes.

Mas nós amamos os nossos mortos. Não queremos que sejam mortos. Por isso os devoramos para que ressuscintem de sua morte e continuem a viver no nosso sangue e na nossa carne.

Para os Yanomamis a antroprofagia é um festival morbido cujo objetivo é fazer com que os amados mortos voltem a viver no corpo daqueles que os devoram. Como se o morto fosse o cemitério jardim onde os corpos são sementes.

O Poeta   perguntava: E aquele cadáver que você plantou no seu jardim no passado, já começou a brotar? Será que vai dar frutos este ano?

No ritual eles comem a carne e bebem o sangue do morto para que o morto continue vivo e isto sirva pelo poder do morto.

Na verdade não consigo que vocês comam a carne desse homem e bebam seu sangue.

Você não poderá  definir por não ter sido em si mesmos.

Minha carne é comida de verdade e eu sou bebida de verdade. Quem come a minha carne e bebe do meu sangue dorme constantemente  em mim e eu nele.

Mas nós não entendemos. Mas nós nos esquecemos.

Murilo Mendes , no seu livro “A hora do serrote”, escreveu o seguinte: no tempo em que eu não era antropófogo,  isto é, no tempo em que eu não devorava livros…  E os símbolos não são homens, não contém a substância do próprio sangue do homem. Ele tem um código e diz o simbolo que toca a coisa material gramaticamente transformada tornando-se uma parte que  contém o sentido do sonho.

O trânsito investidor no livro do leitor … é por causa disso que dava o nome de “transubstanciação” transformação da substância.  O pão e o vinho, por conta da manobra, deixam de ser pão e vinho e  tornam-se em carne e o Verbo se faz carne.

Identifico-me com os Yanomamis, minhas escrituras são pedaços de mim que ofereço aos meus amigos para serem devorados. E se vocês me devorarem eu continuarei a viver mesmo depois de morto.

Portanto, estou aqui para pedir que vocês me devorem.

3 thoughts on “Lições do velho professor – Rubem Alves #PapirusEditora

  1. Bom dia querida Cybele….
    Belo post… Rubem Alves com certeza é um grande referencial para nós Educadores! Gosto muito dele!

    AMiga, estou com um blog novo sobre livros e gostava de publicar os seus trabalhos, permita-me?
    Bem, cliquei no primeiro ai do blog que é o Inteligências na Prática Educativa, mas não aparece no site… se puder me enviar ou dizer onde posso encontrar as referências dele e onde comprar, agradeço. Os outros dois O Diário de Juliana e Menina Flor, tem como referenciar. Também se preferir, posso indicar seu e-mail para entrarem em contacto com vc para adquirir os livros.
    Espero em breve um retorno seu, sei que sua agenda deve ser apertadíssima…mas gostaria mto de publicar seus trabalhos. Sou sua admiradora.

    Um bjinho e bom fds.

    http://livrosleituraeciadacris.blogspot.com

    Cybele Reply:

    Olá Cristiane, bom dia!

    Obrigada pelo carinho do seu comentário.
    Fico muito feliz com a divulgação dos meus trabalhos.
    Vou te dar mais detalhes por email, ok!
    Obrigada e seguimos em parceria!
    Beijos e ótimo final de semana para você também.

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