Fórum sobre MEDICALIZAÇÃO da Educação e da Sociedade

Estou divulgando o evento acima e como o assunto é de extrema relevância aproveito a oportunidade para fazer algumas considerações.

Em 2005 rotular a criança sapeca como Hiperativa fazia parte de 95% dos comentários daqueles que viam uma criança correndo, pulando ou fazendo estripulias.

Incomodada com isso escrevi o artigo “Construindo Identidades” que reproduzo uma parte abaixo:

Hoje em dia é muito comum pais e professores comentarem sobre crianças hiperativas.
Na verdade hiperatividade é o assunto da moda.
E por estar na moda está sendo aplicado em demasia.

Qualquer criança “levada”, bagunceira ou até mesmo desobediente está sendo rotulada como hiperativa.

Aquela criança que não fica parada um único momento, que em sala de aula senta e levanta o tempo todo, aponta o lápis inúmeras vezes, fala com o amiguinho da frente, vira para trás, “cutuca” o colega do lado, ou mesmo quando está em casa, pula no sofá, escala o batente da porta, dá cambalhota ou vira estrela, corre do quarto para a sala, da sala para o quarto e assim por diante, é tida como “hiperativa em potencial”.

Aí então perguntamos: “Tem algo errado com esta criança?”.

Na verdade o que esta criança faz hoje é o mesmo que as crianças de 30, 40 anos atrás faziam, só que naquela época elas faziam tudo isso enquanto brincavam na rua, longe dos olhares das mães. Elas corriam, pulavam, brincavam e quando voltavam para casa, imundas, recebiam o rótulo de “criança saudável”.
Toda esta energia despendida era sinal de saúde.
Hoje, como as nossas crianças estão impossibilitadas de brincar na rua, ficam correndo em volta das mesinhas da sala, ou pulando de um sofá para o outro e então são tidas como crianças “hiperativas”.

Que contraste não! A criança saudável de ontem é a criança hiperativa (doente) de hoje!

A indignação sobre o rótulo de hiperatividade de ontem se transformou na forte preocupação de hoje diante da inconsequente ação dos profissionais da saúde em receitar “drogas” que acalmam crianças e jovens. E o pior é que tudo é feito em parceria com a família.

Leia com atenção o texto abaixo que me foi enviado pela Lucy Duró que integra o movimento sobre “Medicalização da Educação e da Sociedade”.

Medicar é prescrever e oferecer medicamento para qualquer pessoa que esteja sofrendo uma patologia. Somos a favor e entendemos ser de grande importância.

Medicalizar é prescrever e oferecer medicamento para pessoas diagnosticados com supostos distúrbios ou transtornos na tentativa de justificar problemas  de ordem social.Isso tem acontecido muito nas escolas. Ou seja, aquilo que, nós educadores sérios, entendemos como  problemas do não aprender, ou seja: a  desvalorização do professor, as precárias condições de formação e atuação do professor;  políticas   públicas;  sistema educacional aquém das demandas da sociedade contemporânea, etc,  estão sendo desviados.  Assim, a criança e jovem, de forma perversa, continuam assumindo a responsabilidade pelo seu fracasso, e o pior, tomando psicotrópicos tarja preta  tidos como “drogas da obediência” e,  o mais sério, correndo sérios risco de drogadição. Para se ter uma ideia, foi feito um levantamento pelo IDUM, órgão que fiscaliza a venda de medicamentos no Brasil e o número de caixas de metilfenidato, Ritalina® e Conserta® vendidas em 2000 foram 40 mil e em 2010 esse número cresceu para 2.000.000 de caixas.

É hora de parar e refletir.

One thought on “Fórum sobre MEDICALIZAÇÃO da Educação e da Sociedade

  1. Sou médica pediatra e recebo cartas de professores das escolas solicitando que se faça a medicação da criança após um extenso relatório escolar sobre comportamentos e sobre a dificuldade que a escola apresenta para ensinar e lidar com a criança.Vemos que são erros na educação escolar,classes cheias,falta de paciência,perseverança.Retratos da educação no Brasil!

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