Conduzir alguém ao conhecimento é fácil?

Conduzir ao conhecimento - Cybele Meyer

Há quem diga que sim e há quem diga que não.

Eu particularmente acredito que só conseguimos conduzir alguém ao conhecimento quando esse alguém se sente motivado para isso.

Por mais técnicas que sejam utilizadas, por mais recursos que sejam envolvidos, se a pessoa não estiver interessada, ela não aprenderá.

Já que estamos falando de conhecimento, eu te pergunto: O que é conhecimento?

Não vou reproduzir aqui os diversos conceitos encontrados nos sites de busca. Tenho minha própria definição:

Conhecimento é o resultado obtido pelo indivíduo quando processa as informações.

Porém as informações estão ai, ao alcance de todos, o tempo todo, vindo dos mais diversos veículos.

Como então processá-las e transformá-las em conhecimento?

É ai que habita a eficácia do professor em relação à aprendizagem do aluno.

Antes de prosseguirmos com o foco na sala de aula, quero dar um exemplo de uma situação que presenciei fora da sala de aula.

Todos sabemos que criança adora fazer perguntas. Ao longo da minha vida presenciei inúmeras situações em que o adulto, seja ele pai, mãe, avó, avô, tia se vê em uma “saia justa” com perguntas inesperadas como, por exemplo: “Tia, uma pessoa que não enxerga conhece as cores?

Sei que há adultos que respondem com muita responsabilidade, mas, infelizmente é a minoria, pois a grande maioria tem duas formas clássicas de responder:

– Responde como se fosse óbvio: Claro que não, pois se ele não enxerga como vai conhecer as cores?

– Responde se desvencilhando da pergunta: Meu amor vai brincar porque a titia está muito ocupada e não pode te dar atenção agora.

Voltando para a sala de aula, o professor, quando está diante de uma pergunta feita pelo aluno, leva em consideração dois pontos importantes e que não foram respeitados nas respostas acima:

– Levar a sério a pergunta que a criança faz;

– Ter consciência de que é justamente através da pergunta que a criança manifesta sua necessidade de aprender.

É nesse momento que a atitude do professor se diferencia das demais, pois antes de dar a resposta ele, provavelmente fará novas perguntas, como por exemplo: Por que você está fazendo essa pergunta? Qual a sua curiosidade?

É nesse momento que o professor começa a conduzir o aluno ao conhecimento.

O aluno pode responder: Porque meu vizinho não enxerga e eu queria saber se ele sabe qual é a cor do céu.

O professor vai continuar questionando: se a deficiência visual é de nascença ou se foi ocasionada por algum acidente, enfim, vai mostrar para o aluno que para se chegar a uma resposta há todo um processo de captura de informações que vai contribuir para personalizar a reposta.

No nosso exemplo, se o amiguinho é deficiente visual de nascença a resposta será uma, se ele ficou em razão de algum acidente a resposta será outra completamente diferente.

Esse é o processo que o professor mostra para o aluno na prática justamente por valorizar as perguntas feitas em sala de aula. Como dizia Rubem Alves, “É na pergunta que a inteligência se revela”.

O professor nunca desperdiça uma única oportunidade de conduzir seu aluno ao conhecimento.

#ValordeSerProfessor

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