Interpretação de hipóteses de escrita

Fonte: Nova Escola

Língua Portuguesa

Alfabetização inicialPrática pedagógicaEscrita pelo aluno

Você sabe interpretar as hipóteses de escrita de seus alunos?

Identificar corretamente as hipóteses de escrita dos alunos é fundamental para um bom planejamento das atividades e para a formação de grupos produtivos.

As crianças, os jovens e os adultos não alfabetizados formulam ideias sobre o funcionamento da língua escrita, antes mesmo de frequentarem (ou voltarem a frequentar) a escola. Essas teorias internas evoluem por meio de reflexões que o próprio aluno faz sobre o sistema de escrita ao longo do tempo (e ninguém pode fazer por ele) e também por meio das interações que realiza com as informações que o ambiente lhe oferece. Trata-se de uma evolução conceitual e não exclusivamente gráfica.

Por isso, o professor precisa buscar descobrir o que o aluno está pensando sobre a escrita naquele momento, mais do que avaliar se consegue desenhar bem cada uma das letras. Identificar as hipóteses de escrita de cada aluno é condição primordial para planejar as atividades adequadas e, principalmente, os agrupamentos produtivos na turma.

Clique na imagem abaixo e faça o teste para ver se você está realmente apta a interpretar as hipóteses de escrita dos seus alunos.

Aproveito para compartilhar o PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES ALFABETIZADORES promovido pelo MEC.

Excelente material! Você pode salvá-lo no seu computador e acessar sempre que necessário.

Para acessá-lo clique AQUI

Disgrafia e disortografia – exercícios

Já falei anteriormente aqui no Educa Já! sobre Disgrafia e Disortografia, porém tenho recebido vários comentários de leitores pedindo para que além de falar mais sobre o assunto, eu coloque algumas orientações para os professores.

Assim sendo, segue abaixo:

Disgrafia

Fonte: Centro de Fonoaudiologia

DisortografiaA escrita disgráfica pode observar-se com traços pouco precisos e incontrolados. Há uma desorganização das letras, letras retocadas e “feias”. O espaço entre as linhas, palavras e letras são irregulares. Há uma desorganização do espaço ocupado na folha e pode-se referir à problemas de orientação espacial.
Há falta de pressão com debilidade dos traços, ou traços demasiadamente forte o que causa cansaço e lentidão na hora da escrita. Além disso, devido a letra ilegível há dificuldades de entendimento na hora da leitura por parte dos alunos e professores.

Recomendação da fonoaudióloga Luciana Reis

Não recomendo usar caderno de caligrafia esse poderá sobrecarregar o punho podendo dar dores no braço indo até os ombros. É preciso intervenção fonoaudiológica!

Tratamento

É importante que se faça uma avaliação fonoaudiológica o quanto antes melhor evitando-se assim o fracasso escolar.

Paciente no 3 ano com queixa de cansaço ao escrever:

Disortografia Caso Exemplo
Letra com traço forte e “feia”, desorganização espacial do espaço ocupado na folha e com escrita lenta.

Letra mais legível com traçado menos forte, melhor organização espacial e sem cansaço ao escrever. Depois do tratamento de 2 meses:

Disortografia Caso Exemplo

Disortografia (Dificuldade de

Aprendizagem)

Fonte: Centro de Fonoaudiologia

DisortografiaA Disortografia caracteriza-se por troca de fonemas na escrita, junção (aglutinação) ou separação indevidas das palavras, confusão de sílabas, omissões de letras e inversões. Além disso, dificuldades em perceber as sinalizações gráficas como parágrafos, acentuação e pontuação.

Devido à essas dificuldades o indivíduo prepara textos reduzidos e apresenta desinteresse para a escrita. A Disortografia não compromete o traçado ou a grafia.
Um sujeito é disortográfico quando comete um grande número de erros. Até a 2ª série é comum que as crianças façam confusões ortográficas porque a relação com sons e palavras impressas ainda não estão dominadas por completo.

Causa

Considera-se que 90% das disortografias têm como causa um atraso de linguagem ou atraso global de desenvolvimento.

Tratamento

Depois de uma avaliação fonoaudiológica o profissional irá traçar um plano de tratamento para que a disortografia não se torne uma vilã na aprendizagem.
O fonoaudiólogo poderá desenvolver um atendimento preventivo antes mesmo do terceiro ano (antiga 2ª série).
Quanto antes o tratamento com um fonoaudiólogo melhor será o prognóstico!

Veja um caso clínico de um paciente com 9 anos, no 4º ano:

Disortografia Caso Exemplo
Exemplo de disortografia com aglutinações, omissões e separação indevida de palavra.

Após 3 meses de tratamento:

Disortografia Caso Exemplo

Escrita sem aglutinações e omissões.

Letra feia pode ser distúrbio de aprendizagem

Por Raquel Caruso* Fonte: ClockWork Comunicação

A Disgrafia (dis=dificuldade e grafia=grafar/escrever) é um transtorno da escrita resultante de um distúrbio de integração visual-motora, que afeta a capacidade de escrever ou copiar letras, palavras e números. Trata-se de um transtorno funcional e apresenta-se em crianças com capacidade intelectual normal, sem transtornos neurológicos, sensoriais, motores e/ou afetivos que justifiquem tal dificuldade. Apesar de alguns autores terem visões diferentes quanto ao termo disgrafia e disortografia, abordaremos a disgrafia como sendo um prejuízo que o indivíduo possui na execução do ato motor destinado à escrita e não das trocas, omissões, inversões e contaminações de letras/palavras, que seriam características da disortografia. De modo geral, a escrita é uma linguagem visual expressiva, que faz uso de uma série de operações cognitivas, tais como percepção auditiva, visual, discriminação tátil, cinestésica. Ou seja, é um sistema visual simbólico, que converte pensamento, sentimento e idéias em símbolos gráficos, que envolve análise de todos estes subsistemas. Para o desenvolvimento da escrita adequada, existem alguns pré-requisitos, como aspectos cognitivos, afetivo, motor e linguagem que são necessários observar: – Esquema corporal (planta do indivíduo) é a organização das sensações relativas ao seu próprio corpo em relação ao mundo exterior; – Lateralidade (dominância=força e precisão) conceito de direita e esquerda será mais fácil de ser interiorizado a medida que sua dominância for mais homogênea; – Estruturação espacial: o indivíduo deve ser capaz de situar-se e situar objetos uns em relação aos outros; – Orientação temporal: envolve a capacidade de situar-se em função da sucessão dos acontecimentos (antes, após, durante), duração dos intervalos, noções de tempo longo e curto (hora, minuto), ritmo regular, irregular (aceleração, freada); – Pré-escrita: domínio do gesto e da direção gráfica (da esquerda para direita). Quando realizamos uma avaliação psicomotora, observamos algumas características que podem auxiliar no diagnóstico, e que diferenciam os subtipos de disgrafia: Pura (inconsciente): quadro disgráfico em crianças com conflitos emocionais importantes, que usam a escrita para chamar a atenção pela “letra defeituosa”. Conflito emocional importante: . escrita instável, com proporções inadequadas; . deficiente espaçamento e inclinações Mista: apresenta conflitos emocionais associados à déficits perceptivo-motor (tipo de disgrafia mais freqüente): – dificuldade na forma, tamanho da letra; – inclinação defeituosa (inicia uma frase no canto superior esquerdo e acaba no canto inferior direito); – deficiente espaçamento entre letras, margens; – ligamento defeituoso entre letras da palavra; – não direciona o giro da escrita; – pressão do lápis ou caneta na escrita ou falta desta; – rasuras; – transtorno de ritmo; – alteração de postura; – letra ininteligível – lentidão; – alteração dos fatores psicomotores; – impulsividade; – transtorno da atenção; – transtorno do esquema corporal; Reativas: devido a transtorno maturativo, pedagógico ou neurológico. Inicialmente não possuem componentes de alteração emocional. Há ainda a Disgrafia caligráfica ou motora, que ocorre alteração na forma das letras e na qualidade da escrita em seus aspectos percepto-motores. Em crianças menores, podemos observar dificuldades motoras de ritmo. Porém, somente após a alfabetização pode ser feito o diagnóstico. Para tanto é fundamental uma avaliação com profissional especializado na área. Os exercícios de pré-escrita e grafismo são necessários para aprendizagem das letras e números. Sua finalidade é fazer com que a criança atinja o domínio do gesto e do instrumento, a percepção e a compreensão da imagem a reproduzir. É importante que o indivíduo seja estimulado a realizar exercícios para o ombro, como movimentos de abrir e fechar com o brinquedo vai e vem e bolas; cotovelo (peteca), punho, mão e dedos. Estes exercícios poderão ser feitos utilizando técnicas de percepção corporal, como por exemplo relaxamento, massagens, prancha de equilíbrio e com a utilização de alguns materiais (argila, massinha, tinta , jogos). A seguir exercícios de grafismo para professores trabalharem em sala de aula: . Gestos no plano vertical (utilizando lousa, papel, pincéis, giz de cera e canetas hidrocor) para aprender a segurar corretamente o lápis; . Grandes desenhos que vão diminuindo a medida que a criança desenvolve habilidade de ombro, cotovelo e passa a adquirir destreza de punho e dedos; . O trabalho deve ser realizado sempre da esquerda para a direita. *Raquel Caruso é fonoaudióloga, psicopedagoga, psicomotricista e coordenadora da EDAC – Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico, além de professora convidada da Associação Brasileira de Dislexia (ABD)

Dicas para criar materiais visuais para disléxicos

Fonte: Espaço Aprendizagem Quando se pretende criar algum tipo de material para disléxicos é importante ter em atenção vários factores que podem facilitar a compreensão dos conteúdos:

  • Use um tipo de letra clara e direita, tipo verdana, no tamanho 12 ou superior, preferencialmente num tom escuro;
  • Use espaçamento de 1,5 ou 2;
  • Opte pelo negrito em vez de itálico ou sublinhado;
  • Use texto não justificado ou justificado à esquerda, os espaços brancos distraem o leitor disléxico;
  • Faça frases e parágrafos curtos e objectivos;
  • Estruture o melhor que for possível: use títulos, listas com números ou bolas, esquemas;
  • Comece sempre uma nova frase no início da linha e não no fim da frase anterior;
  • Opte pelas colunas em vez de linhas compridas;
  • Use um fundo claro, mas sem ser branco;
  • Use e abuse de imagens ou gráficos, ajuda o disléxico a reter a informação;
  • Não use abreviações e evite a hifenização;
  • Use caixas de texto para evidenciar partes importantes do texto.

Dicas para professores de disléxicos

Fonte: Espaço Aprendizagem A melhor abordagem perante uma aluno disléxico é a  multissensorial, ou seja facilitar a aprendizagem utilizando todos os meios  disponíveis: visual, auditivo, oral, táctil e cinestésico. Esta abordagem permite que o aluno use  os seus pontos fortes para colmatar os mais fracos. Assim, algumas dicas que poderão ajudar o professor no contexto de sala de aula:

  • Interessar-se genuinamente pelo aluno disléxico e pelas suas dificuldades e especificidades e deixar que ele perceba esse interesse, para se sinta confortável para pedir ajuda;
  • Na  sala de aula, posicionar o aluno disléxico perto do professsor, para receber ajuda facilmente;
  • Repetir as novas informações e verificar se foram compreendidas;
  • Dar o tempo suficiente para o trabalho ser organizado e concluído;
  • Ensinar métodos e práticas de estudo;
  • Encorajar as práticas da sequência de ver/observar, depois tapar, depois escrever e depois verificar, utilizando a memória;
  • Ensinar as regras ortográficas;
  • Utilizar mnemónicas;
  • Incentivar o uso do computador como ferramenta de  digitação de texto;
  • Incentivar o uso do corrector ortográfico de um processamento de texto;
  • Permitir a apresentação de trabalhos de forma criativa, variada e diferente: gráficos, diagramas, processamento de texto, vídeo, audio, etc;
  • Criar e enfatizar  rotina para ajudar o aluno disléxico adquirir um sentido de organização;
  • Elogiar ,de forma verdadeira, o que aluno disléxico fizer ou disser bem,  dando-lhe a oportunidade de “brilhar”;
  • Incentivar a participação em trabalhos práticos;
  • Nunca partir do pressuposto que o aluno disléxico é preguiçoso ou descuidado;
  • Nunca fazer comparações com o resto da turma;
  • Não pedir ao aluno disléxico para ler em voz alta na sala de aula;
  • Não corrigir todos os seus erros (evitar o uso da cor vermelha, para não ser tão evidente os seus erros);
  • Não insistir na reformulação, a menos que exista um propósito claro.

Dicas para Pais de Disléxicos

Fonte: Espaço Aprendizagem

Como qualquer criança, os disléxicos necessitam do apoio dos pais.  Não só para a satisfação das suas necessidades imediatas e físicas, mas também para os ajudar a criar mecanismos para ultrapassar as suas dificuldades.

Usar exercícios criativos que envolvam a memória, tais como recitar poemas infantis em conjunto, ler poemas, utilizar mímica, teatro, falar de imagens, utilizar a acção, os jogos de tabuleiro, jogar a pares, aplaudir as sílabas e cantar músicas, podem ser muito úteis.

Estas são algumas dicas/estratégias que também se poderão revelar importantes:

  • Incentivar a prática de exercício físico, em que se promova o atirar, capturar, chutar bolas, saltar e treinar o equilíbrio;
  • Incentivar a prática de actividades lúdicas e artísticas, como dança, pintura ou outra que a criança se sinta inclinada;
  • Incentivar o gosto pela leitura,  usando a linguagem dos livros — as imagens, as palavras e as letras — para perceber que os livros podem ser analisados, lidos e desfrutados, vezes sem conta;
  • Mostrar como segurar num livro, de que forma ele abre, onde começa a história, onde é o topo da página e que direcção segue o texto, apreciar as imagens;
  • Promover o aspecto cultural: visitar museus, assitir peças de teatro ou musicais,conhecer outras cidades, etc
  • Ajudar a criança disléxica a aprender a seguir instruções,  por exemplo, “por favor pega no lápis e coloca-o na caixa”, e fazer gradualmente sequências mais longas, por exemplo, “ir à prateleira, encontrar a caixa vermelha, trazê-la para mim”. Incentivar a criança disléxica a repetir a instrução antes de a realizar.

Valorizar o disléxico na sala de aula

Fonte: Espaço Aprendizagem

Raramente o disléxico recebe certificados ou prêmios academicos. No entanto, pode e deve valorizar o disléxico por tudo aquilo que ele alcança, mesmo sem ser academicamente:

* Ajuda dada aos colegas;

* Demonstração de esforço (independentemente do sucesso);

* Materiais organizados;

* Simpatia para com os colegas;

* Vontade em participar;

* Permanecer atento e calmo;

* Boas maneiras / boa educação;

* Dar o exemplo para outros;

* Desejo de se envolver noutras actividades da escola (clubes, produções, etc);

Trabalhar a auto-estima do disléxico

Fonte: Espaço Aprendizagem

Todos os dias na escola, o disléxico enfrenta o fracasso, desde a escrita até à matemática. Assim, o disléxico constata que não consegue fazer o que os outros fazem e considera-se “burro, “estúpido”.

E como a dislexia não é como partir um braço – visível – o próprio sistema escolar promove este tipo de pensamento:

“- Oh, tem o braço partido, claro que não consegue escrever, isso não tem nada a ver com inteligência!”

Mas ninguém diz:

“ Oh, claro que não consegue ler, o cérebro funciona de forma diferente, mas não há nada de errado com a sua inteligência!”

Torna-se, assim, importante trabalhar a auto-estima e auto confiança de cada criança ou jovem disléxico. Só palavras não são suficientes para motivar o disléxico, ele precisa de perceber na prática que é capaz e inteligente como os demais.

Pegue numa folha e divida-a em duas colunas. De forma objectiva e verdadeira escreva numa coluna “Coisas em que eu sou bom” e noutra coluna “Coisas em que eu sou menos bom”.

Provavelmente terá duas colunas assim:

Coisas em que eu sou bom

* Nadar

* Basquetebol

* Desenhar

* Tomar conta dos  meus ratos

* Pintar

* Fazer rir

* Ajudar os outros

* Decorar

* Etc

Coisas em que sou menos bom

* Soletrar

* Ler

* Escrever

* Calcular

* Etc

Constatem juntos que afinal a lista de “defeitos” é menor e portanto o disléxico tem razões para se sentir bem e apreciar a sua personalidade.

Disléxicos e auto estima

Fonte: Espaço Aprendizagem

Auto estima é a característica vital para qualquer adolescente disléxico, sendo essencialmente desenvolvida no lar. Sentir-se livre da pressão é muito importante e é mais fácil de manter em casa.

Os pais podem construir a confiança/ auto-estima dos seus filhos, elogiando-os verdadeiramente e mostrando-lhes que apreciam o seu valor e a sua companhia.

A educação dada pelos pais pode ajudar com problemas de concentração e mais tempo pode ser gasto em interesses especiais do jovem, dando-lhes oportunidades de experimentar o sucesso.

Chega um momento em que, para se tornarem adultos bem sucedidos, os adolescentes disléxicos deve reconhecer e aceitar a sua combinação única de pontos fortes e dificuldades.

Até que isto suceda, adolescentes disléxicos não vão assumir a responsabilidade e agir para superar os obstáculos e os problemas que a dislexia cria.

Adultos disléxicos bem sucedidos têm invariavelmente sucedido por se concentrarem nos seus próprios dons particulares e não incidindo sobre as suas dificuldades.

Esta é, na realidade o grande segredo para lidar com a dislexia.

Comentários (4) 05/17/2010

Alunos com Deficiência Auditiva

De acordo com o site http://www.ines.gov.br/ a inclusão do aluno com surdez no ambiente escolar requer trabalho e dedicação de todos os envolvidos no processo: aluno surdo, família, professores, fonaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, alunos ouvintes, demais elementos da escola, são fundamentais para a efetivação do processo.
Além da utilização da Lingua Brasileira de Sinais – Libras que deve ser propiciada no ambiente escolar é necessário repensar a prática que está sendo utilizada nesse ambiente para que de fato ocorra o conhecimento e acessabilidade por parte do educando.
É necessário fazer uma ação-reflexão-ação permanente, visando a inclusão escolar da pessoa com surdez, favorecendo novas práticas educacionais.

As pessoas com necessidades especiais devem ter Atendimento Educacional Especializado – AEE em horário oposto ao que estuda. Para maiores informações consultar material do MEC: Atendimento Educacional Especializado (Pessoa com Surdez)

Você poderá ler mais sobre Deficiência Auditiva Aqui

Fonte: Educação sem Barreiras

Por Jaciara Moreira

A proposta pedagógica da professora Rosângela Ramos de Barros, da Escola Municipal Getúlio Vargas – localizada em Bangu, Zona Oeste do Rio – poderia inspirar roteiros como os do filme Adorável Professor, de Stephen Herek, ou Amy, uma vida pelas crianças, de Vincent McEveety.

Para ajudar estudantes com deficiência auditiva, Rosângela se propôs a aprender LIBRAS – Linguagem Brasileira de Sinais –, investiu em pesquisas e desenvolveu uma metodologia específica de ensino de Português para surdos. Graças ao novo método, as crianças conseguiram se integrar melhor às turmas regulares do Ensino Fundamental e também à sociedade.

“A Getúlio Vargas é uma escola de integração e eu já trabalhava com surdos há mais de 10 anos. Mas percebia que não havia rendimento, pois o método que usávamos em sala de aula era todo voltado para alunos ouvintes”, revela a professora.

Preocupada com o aprendizado das crianças, Rosângela vem desenvolvendo uma Metodologia de Ensino de Português para surdos como segunda língua, com base na Teoria da Gramática Gerativa, modelo proposto por Halle e Marantz, denominado Morfologia Distribuída, que propõe a existência de marcas morfológicas que caracterizam as palavras nas línguas orais. Assim, justifica, foi possível mostrar as correspondências morfológicas entre palavras de classes diferentes. Exemplo: belo – beleza; mole- moleza; grito – gritar; ziguezague – ziguezaguear; indicar – indicação; proceder – procedimento; sebo – sebento.

“Classe de palavras sempre foi a maior dificuldade para eles. No método tradicional, nós trabalhávamos com o concreto, o ensino da língua oral era fundamentado na semântica lexical com referência nos vocábulos, e não na gramática. Eu conseguia explicar o que era cadeira, maçã, carro, flor. Mas como explicar o que era cedo, tarde, quando, agora? Neste ponto, o processo de aprendizagem não evoluía, porque havia um equívoco no uso da metodologia. Isso me levou a buscar uma forma de atuação pedagógica mais eficaz”, justifica Rosângela, que atualmente leciona para 25 alunos surdos, 15 da Classe de Alfabetização e 10 do segundo segmento do Ensino Fundamental.

A idéia de criar um método específico para os alunos surdos surgiu há aproximadamente cinco anos, quando, para tentar diminuir as dificuldade das crianças, Rosângela convidou um menino deficiente auditivo, matriculado na escola em uma série mais avançada, para participar de suas aulas, que acontecem na Sala de Recursos (específica para alunos com necessidades educacionais especiais), duas vezes por semana, sempre com duração de quatro horas.

“Além de ser surdo, o menino também tinha pais surdos e, por isso, dominava plenamente a linguagem oral e a de sinais. Inicialmente, ele participava contando histórias infantis, depois ia conversando com as crianças. Com isso, nós fomos aprendendo a linguagem de sinais. Até então, boa parte dos alunos nem sabia que ela existia. O contato com ele fez com que, aos poucos, eu fosse abandonando a proposta oralista e passasse a me comunicar com os surdos em ambas as línguas. Sabe-se que essa proposta, conhecida como proposta bilingüe, é a que melhor possibilita o acesso do surdo ao conhecimento”, conta a professora, que, para melhorar a comunicação com o grupo, fez o curso de Linguagem Brasileira de Sinais (Libras).

O menino participou das aulas durante dois anos, período suficiente para que Rosângela estruturasse seu método de ensino da Língua Portuguesa para surdos. A Literatura Infantil continuou sendo uma das ferramentas principais da proposta pedagógica. Com a ajuda de fitas de vídeo produzidas e distribuídas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) – através das quais clássicos infantis são contados em Libras por professores do Instituto Nacional de Educação de Surdos – ela implementou um modelo de educação bilíngüe.

“Começamos o trabalho assistindo a uma das histórias. Depois, os alunos têm contato com a narrativa na modalidade escrita. Em seguida, o filme é recontado por eles, que devem fazer a seqüência dos fatos através da dramatização. Nesse momento, relembram as partes mais interessantes, os momentos mais tristes, as características de cada personagem, seus nomes e o desfecho da história. A sistematização é fundamental para garantir o processo de aprendizagem”, explica a docente.
Construindo a identidade

Algumas atividades, adaptadas de acordo com a faixa etária e a série das crianças, também foram desenvolvidas. Uma delas foi um jogo que ajudava os alunos a entender a diferença entre a linguagem de sinais e a linguagem oral.

“Muitas crianças surdas, filhas de pais ouvintes, têm seu primeiro contato com a língua de sinais na escola. Algumas nem sabem que são surdas. Por isso, elaborei a atividade para possibilitar às crianças a percepção da singularidade do grupo e, assim, contribuir para a construção de suas identidades”, acrescenta Rosângela.

Na brincadeira, uma criança não-deficiente é convidada a participar da aula. O objetivo é mostrar que os dois alunos – o surdo e o ouvinte – entendem as coisas por meios diferentes (língua de sinais e língua oral). Atrás das duas crianças, a professora explica, em Libras, a ordem que será dada para os dois participantes. Em seguida, ela dá uma ordem, em língua oral, do tipo: “Corra como a Branca de Neve”. A criança surda não atende à solicitação. A brincadeira se repete com várias ordens. Os alunos surdos que estão em frente à dupla vêem as ordens, que são primeiramente dadas em Libras e, em seguida, em linguagem oral, mas observam que elas não são cumpridas pelo colega surdo. De costas para a professora, ele não tem acesso visual ao que está sendo pedido em linguagem de sinas. Então, o ouvinte ganha o jogo.

Na segunda fase do jogo, as regras são invertidas. De frente para a dupla, a professora dá as ordens em Libras. Nesse momento, para a alegria dos surdos, há uma virada: a criança ouvinte, que não domina a língua de sinais, não consegue cumprir as tarefas e perde.

“Deste modo, eles percebem a diferença entre as duas línguas e passam a compreender o significado real das expressões surdo e ouvinte. Em seguida, sugiro que andem pela escola e perguntem aos funcionários, professores e colegas se eles são surdos ou ouvintes e se conhecem, ou não, a Libras”, conclui a professora.

Outra atividade elaborada pela professora ajuda os alunos surdos a compreender o uso das formas simbólicas que caracterizam a escrita. Mais uma vez recorrendo à Literatura Infantil, ela pede a um adulto ouvinte que participe da aula. A tarefa do convidado é contar para a turma a trama do livro sem ter acesso à escrita. Ele só poderá recorrer às gravuras. Depois de um tempo de tentativa e diante da dificuldade que certamente surge, a professora oferece o texto. As crianças percebem, então, que, através da leitura, fica mais fácil identificar os fatos da narrativa e, assim, compreendem uma das funções da escrita.

“Poucas crianças surdas conseguem avançar na escola. E, na maioria das vezes, elas não têm qualquer problema cognitivo, simplesmente não conhecem a linguagem. Se a língua estrutura o pensamento, que pensamento terá o surdo que não tem língua?”, questiona Rosângela, que atualmente faz mestrado em Lingüística na UFRJ – pesquisa em Linguagem e Surdez – e coordena um curso de Japonês para surdos também na universidade federal.

Aquisição x aprendizado

Segundo Rosângela Ramos, a Libras é uma língua com todas as características fonológicas, morfológicas, sintáticas e semânticas das línguas orais.

“A Língua de Sinais é a língua materna dos surdos. Ela é uma língua de modalidade visual-gestual, ou seja, as informações são percebidas pela visão e expressadas por meio de movimentos gestuais e expressões faciais. Portanto, a despeito do que muitos pensam, as línguas de sinais são línguas naturais que possuem a mesma complexidade e expressividade das línguas orais. É possível discutir qualquer assunto. Infelizmente, alguns mitos sobre as línguas de sinais têm prejudicado os surdos. No Brasil, por exemplo, ela só foi reconhecida como língua em 2001. Está tudo muito recente”, pondera.

A professora defende ainda que, ao aprender a Libras, o aluno surdo faz uma aquisição de conhecimento, e não um aprendizado. Aprender, na opinião dela, seria, no caso de surdos, apenas uma imitação ou repetição dos sons emitidos pelos ouvintes.

“A segunda língua você pode aprender por já ter como suporte a primeira. O processo de oralização para os surdos é penoso, porque, neste modelo, eles se limitam a repetir sons que não têm qualquer significado”, esclarece.

O método, afirma Rosângela, contribuiu para a integração das crianças surdas às turmas regulares que elas freqüentam, conforme a escolaridade de cada uma, quando não estão na sala de recursos. De acordo com a professora, são permitidas adaptações curriculares para possibilitar uma melhor avaliação desses alunos durante o ano letivo. Entretanto, todo o trabalho conta com o apoio do professor especializado.

O método desenvolvido por Rosângela já foi apresentado no 4.º Encontro de Literatura Infantil e Juvenil, realizado na UFRJ, em maio deste ano. No segundo semestre, a professora viaja para Nova Iorque (EUA) para expor o seu método no “Encontro Anual 2005 da American Association of Teachers of Spanish and Portuguese (AATSP)”, que acontecerá de 28 de julho a 1.º de agosto no Sheraton Hotel.


Professora: Rosângela Ramos de Barros

VÍDEO AULA SOBRE SURDEZ – PARTE 1

VÍDEO AULA SOBRE SURDEZ – PARTE 2

Livro – Ideias para Ensinar Português para alunos surdos

Fonte: Secretaria de Educação Especial

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Este livro contém um conjunto de propostas de atividades para ensinar língua portuguesa escrita para alunos surdos, desde a alfabetização até os anos iniciais do ensino fundamental. Auxilia o professor no desenvolvimento de práticas educacionais na sala de aula comum e no atendimento educacional especializado.

A versão eletrônica desse documento está disponível para download nos dois formatos abaixo:

  • Idéias para ensinar português para alunos surdos – txt | pdf

18 de fevereiro – Dia Internacional do Asperger

Síndrome de Asperger

Fonte: Bengala Legal

A Síndrome de Asperger compreende outro transtorno invasivo do desenvolvimento, entretanto diferentemente do autismo infantil, a criança com Síndrome de Asperger apresenta desenvolvimento cognitivo e intelectual normal e não apresenta atraso no desenvolvimento da fala.

O desenvolvimento da criança parece normal, mas no decorrer dos anos seu discurso torna-se diferente, monótono, peculiar e há com freqüência a presença de preocupações obsessivas. Sua capacidade de interagir com outras crianças torna-se difícil, é pouco empática, apresenta comportamento excêntrico, suas vestimentas podem se apresentar estranhamente alinhadas e a grande dificuldade de socialização tende a torná-la solitária. Há prejuízo na coordenação motora e na percepção visoespacial.

Esse jovem freqüentemente apresenta interesses peculiares e pode passar horas assistindo ao canal da previsão do tempo na televisão ou estudando exaustivamente sobre temas ou assuntos preferidos como dinossauros, carros, aviões ou mapas de ruas, por exemplo.

Algumas coisas são aprendidas na idade “própria”, outras cedo demais, enquanto outras só serão entendidas muito mais tarde ou somente quando ensinadas.

Alguns pesquisadores acreditam que Síndrome de Asperger seja a mesma coisa que autismo de alto funcionamento, isto é, com inteligência preservada. Outros acreditam que no autismo de alto funcionamento há atraso na aquisição da fala e na Síndrome de Asperger não.

Muitas pessoas afirmam que a importância da diferenciação entre Síndrome de Asperger e Autismo de Alto Funcionamento seja mais de cunho jurídico do que propriamente para escolhas relacionadas ao tratamento. Por um lado, para algumas pessoas dizerem que alguém é portador de Síndrome de Asperger parece mais leve e menos grave do que ser portador de autismo, mesmo que de alto funcionamento. Por outro lado, a maioria das instituições de autismo no mundo alegam que esta divisão em duas patologias diferentes enfraquece um movimento que necessita de tanto apoio, como o dos que trabalham pelo autismo.

Síndrome de Asperger

Fonte: Comportamento infantil

Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID) ou Pervasive Developmental Disorder (PDD) ou Espectro Autístico se referem a um grupo de quadros clínicos diagnosticados em crianças cujo comportamento apresenta o tripé de sintomas descritos por Wing: falha na interação social recíproca; dificuldade na comunicação verbal e não-verbal; comprometimento da imaginação com repertório restrito de interesses e atividades.

O prejuízo de interação social recíproca e na linguagem, seria aspectos centrais da Tríade proposta por Wing (1992) na qual o Autismo faria parte de um spectrum ou continuum no qual essas características podem variar quanto ao tipo e grau de severidade. A Síndrome de Asperger seria a parte mais elevada deste espectro.

Na Síndrome de Asperger os aspectos formais da linguagem estariam preservados, contudo a comunicação humana abrange aspectos verbais e não-verbais que combinadas permitem a transmissão de informações. Neste transtorno os aspectos não verbais encontram-se comprometidos.
Ex: dificuldade em identificar a expressão corporal de outra pessoa.

Muitas vezes, por seu Alto QI verbal, estas crianças atravessam toda a vida sem um diagnostico correto, sendo consideradas desatentas (ou com TDAH), tímidas ou cheias de manias.

Características:

*
Dificuldade no estabelecimento do contato visual face-a-face
*
Dificuldade em mostrar objetos
*
Orienta-se pelo nome quando chamadas
*
Inversão pronominal (uso da terceira pessoa do singular no lugar da primeira)
*
Podem aprender a ler sozinhas (Hiperlexia)
*
Ecolalia (repetição de palavras ou expressões ouvidas anteriormente)
*
Rigidez de significados (a dificuldade em associar diversos significados a um único significante)
*
Brincar de faz de conta
*
Dificuldade em colocar-se na perspectiva dos outros (Teoria da Mente)
*
Manifesta interesses sociais e engaja-se em brincadeiras conjuntas
*
Uso de palavras difíceis ou pouco usuais para a idade cronológica e a construção de frases rebuscadas
*
Dificuldade de compreensão pela tendência em entender de forma literal, não conseguindo abstrair duplo sentido ou metáforas

A excelente capacidade de memória é utilizada para um campo restrito de interesses, decorando tudo sobre assuntos não usuais como Astrologia, Matemática, ruas, mapas, aranhas, dinossauros, logomarcas, jingles…

Nestes casos a presença dos sintomas vem desde o nascimento ou estes podem aparecer antes dos três anos de idade. Através da terapia e com o passar do tempo um sintoma pode se tornar mais leve.

O diagnóstico é clínico, os exames complementares somente irão investigar a presença de outras patologias associadas (comorbidades).

A terapia deve aliar o tratamento psicoterápico aliado à terapia fonoaudiológica. Na terapia fonoaudiológica o principal objetivo é estimular a linguagem verbal e não verbal, aliada a psicomotricidade, minimizando dificuldades apresentadas.

Dentro as terapias psicológicas, a Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) tem se mostrado eficaz e se baseia na teoria que um problema comportamental ou psicológico como depressão e ansiedade e que aparece como resultado de distorções cognitivas. Deste modo, o objetivo desta abordagem é identificar e re-estruturar os pensamentos irracionais, aliviando assim suas conseqüências emocionais e comportamentais. Os princípios da TCC podem ser adaptados para que sejam aplicáveis de maneiras diferentes, mas seus componentes típicos são:

1. Acessar o Problema
2. Psicoeducação – para ilustrar as conexões entre pensamentos deficitários ou destorcidos e as emoções e comportamentos;
3. Reestruturação Cognitiva: para lidar com o pensamento disfuncional de uma forma mais lógica, implementando formas mais saudáveis de pensar;
4. Manejo do Estresse e da Ansiedade
5. Reflexões sobre si: para melhorar insights sobre os pensamentos
6. Prática diária dos princípios aprendidos nas situações do dia-a-dia.

A TCC é utilizada no trabalho com pessoas com a Síndrome de Asperger, que tendem a apresentar um funcionamento cognitivo elevado, um alto QI verbal e são receptivos ao pensamento lógico, além de serem suscetíveis a distúrbios emocionais que, como se sabe, são aliviados pela TCC. Um mínimo de cognição é necessária para esta abordagem, o que a torna não eficaz para crianças muito pequenas ou com uma baixo intelectual cognitivo.

A terapia é então orientada para a diminuição da ansiedade em trocas de rotina, a orientação dos pais e da escola, treino das habilidades sociais e reconhecimento emocional, adequação social e psicomotricidade. Nem sempre o psicólogo é habilitado para tratar todas as questões envolvidas na Síndrome de Asperger e faz-se necessário o trabalho de equipe com uma fonoaudióloga ou psicomotricista treinada para tal.

JULIANA PEREIRA
Fonoaudióloga
fgajuliana@hotmail.com
PRISCILA TENENBAUM
Psicóloga Cognitivo Comportamental
priscila@canadabrasil.com.br

Sintomas da síndrome de Asperger

Fonte: Guia Infantil

por Vilma Medina

Um diagnóstico preciso e seguro do Asperger

Como sempre afirmamos, cada criança é um mundo e não se pode generalizar. Menos ainda nos casos de Asperger. Um diagnóstico preciso e seguro só poderá ser dado por um médico especialista, assim como o devido tratamento.

No entanto, existem algumas características que podem ser observadas pelos pais quando seus filhos tenham entre 2 e 7 anos de idade. Normalmente, uma criança com Asperger pode apresentar algumas características com maior frequência. Aqui, apresentamos algumas:

1- Habilidades sociais e controle emocional

- Não desfruta normalmente do contato social. Relaciona-se melhor com adultos que com crianças da mesma idade. Não se interessa pelos esportes.

- Tem problemas de brincar com outras crianças. Não entende as regras implícitas do jogo. Quer impor suas próprias regras, e ganhar sempre. Talvez por isso prefira brincar sozinho.

- Custa-lhe sair de casa. Não gosta de ir ao colégio e apresenta conflitos com seus companheiros.

- Custa-lhe identificar seus sentimentos e os dos demais. Apresenta mais birras que o normal. Chora com facilidade por tudo.

- Tem dificuldades para entender as intenções dos demais. É ingênuo. Não tem malícia. É sincero.

2- Habilidades de comunicação

- Não pode olhar nos olhos quando fala contigo. Crê em tudo aquilo que lhes dizem e não entende as ironias. Interessa-se pouco pelo que dizem os outros. Custa-lhes entender uma conversa longa, e muda de tema quando está confusa.

- Fala muito, em tom alto e peculiar, e usa uma linguagem pedante, extremamente formal e com um extenso vocabulário. Inventa palavras ou expressões idiossincrásicas.

- Em certas ocasiões, parece estar ausente, absorto em seus pensamentos.

3- Habilidades de compreensão

- Sente dificuldade em entender o contexto amplo de um problema. Custa-lhe entender uma pergunta complexa e demora para responder.

- Com frequência não compreende uma crítica ou um castigo. Assim como não entende que ele deve portar-se com distintas formas, segundo uma situação social.

- Tem uma memória excepcional para recordar dados e datas.

- Tem interesse especial pela matemática e as ciências em geral.

- Aprende a ler sozinho ainda bem pequenos.

- Demonstra escassa imaginação e criatividade, por exemplo, para brincar com bonecos.

- Tem um senso de humor peculiar.

4- Interesses específicos

- Quando algum tema em particular o fascina, ocupa a maior parte do seu tempo livre em pensar, falar ou escrever sobre o assunto, sem importar-se com a opinião dos demais.

- Repete compulsivamente certas ações ou pensamentos para sentir-se seguro.

- Gosta da rotina. Não tolera as mudanças imprevistas. Tem rituais elaborados que devem ser cumpridos.

5- Habilidades de movimento

- Possui uma pobre coordenação motora. Corre num ritmo estranho, e não tem facilidade para agarrar uma bola.

- Custa-lhe vestir-se, desabotoar os botões ou fazer laço nos cordões do tênis.
6- Outras características

- Medo, angústia devido a sons como os de um aparelho elétrico.

- Rápidas coceiras sobre a pele ou sobre a cabeça.

- Tendência a agitar-se ou contorcer-se quando está excitado ou angustiado.

- Falta de sensibilidade a níveis baixos de dor.

- São tardios em adquirir a fala, em alguns casos.

- Gestos, espasmos ou tiques faciais não usuais.

Que tipo de mãe você é?

Como já falei no post sobre o aniversário do Educar Já! propondo que vocês participem da comemoração elaborando um texto o qual os três escolhidos receberão uma apresentação em slideshare para ser divulgado na web.

Para dar uma mãozinha na criatividade indiquei os vídeos Mãe Paparazzi, Mãe Polvo e Mãe Carrapato.
Acredito que nós mães sejamos um pouco de cada uma delas.

Me identifiquei profundamente com a conversa das mães dos vídeos contando um pouco da rotina diária delas e que, acredito, faça parte da rotina de cada uma de nós.

Quem nunca foi um pouco atriz para conseguir fazer o filho comer, tomar banho, tomar remédio…

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Mãe está sempre ligada na tomada, tem que dar conta de tudo mesmo que o filho consuma 80 e muitas vezes 90% do dia. Quantas vezes fiz o almoço balançando o carrinho de bebê com o pé. Falar então era o tempo todo “mamãe já vai! Já estou indo! Olha que vou te pegar…”

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E louca? Que mãe que nunca fez nada de loucura? Uma vez, minha prima comprou uma fantasia linda de Mulher Maravilha para a filha dela participar da festa à fantasia que ia acontecer na escola. Chegou em casa com a fantasia e a pequena não quis colocar de jeito nenhum. A mãe usou todos os meus argumentos e nada de convencê-la. Então se lembrou que seus vizinhos eram animadores de festa infantil e foi lá perguntar se eles emprestavam a fantasia de Mulher Maravilha. Claro que emprestaram. Voltou para casa feliz da vida e colocou a fantasia. A pequena ao ver a mãe vestida daquele jeito concordou em colocar. Estavam as duas fantasiadas quando chega o marido para o almoço. Aparecem na sala as duas fantasiadas de Mulher Maravilha, e qual não foi a surpresa – Ele havia trazido o chefe dele para almoçar. Rssssss

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E você, que tipo de mãe você é?

Então conte a sua história.

Veja como proceder:

Vou então propor o seguinte:

1- Que vocês contem alguma situação vivida seja com filho, irmã, pai, mãe, aluno, professor, avó, vizinha ou qualquer outro personagem, engraçada ou não, para virar uma apresentação personalizada no SlideShare.
2- Deverá conter no máximo 2000 caracteres.
3- Deverá ser uma narrativa com diálogos.
4- O texto deverá ser postado nos comentários até o dia do aniversário do blog, ou seja, 21 de agosto de 2009.
5- Após esta data será votada a história mais criativa e as três histórias ganhadoras serão ilustradas em SlideShare e apresentadas aqui para serem divulgadas.

Estou te aguardando!

Dia Internacional da Síndrome de Down – 21 de março

Dia 21 de março comemora-se o Dia Internacional da Síndrome de Down.
Você poderá ler as postagens anteriores clicando AQUI

AMEM – Associação de Mães Em Movimento

A AMEM nasceu de um grupo de mães cujos filhos nasceram com síndrome de down.

Lurdinha Danezy Piantino liderou então algumas reuniões e chegaram a conclusão de que não ficariam a mercê do futuro. Criaram um grupo em que discutiam todos os detalhes que ocorriam com seu próprios filhos. Estudaram, pesquisaram, freqüentaram simpósios e encontraram a ajuda e liderança da Dra. Elizabeth Tunes que se propôs a apoiá-las e vestiu a camisa do projeto. Assim foi criada a AMEM que hoje como associação legalizada e sem fins lucrativos recebem pais com problemas e dominados pela dor de não terem uma direção para seus filhos necessitados de cuidados especiais.

Veja abaixo o livro que nasceu do profundo amor de Lurdinha e Elizabeth empenhadas em orientar esses pais.

“Cadê a síndrome de Down que estava aqui? O Gato comeu…”
Livro De Elizabeth Tunes e L. Danezy piantino

Mães admiráveis…
Vânia Moreira Diniz

Muitas vezes o sofrimento afasta as pessoas mas não é uma regra. Foi muita união e solidariedade que reuniu em Brasília- Brasil, algumas mães de crianças especiais, com vários tipos de diagnóstico de deficiência e sofriam pelos preconceitos que elas poderiam enfrentar. Toda uma visão do futuro aparecia e por isso mesmo resolveram reagir contra a agressão de uma sociedade que ignorava que deficiência não é doença.
Uma delas Lurdinha Danesy começou a pesquisar sobre a síndrome de down e reuniu em volta outras mães que estavam angustiadas pelo mesmo motivo formando o “Clube de Mães” . Elas se reuniam com soberba coragem, retiravam do amor a força para estudarem e serem orientadas, discutiam, riam, choravam, concordavam, conversavam cada uma expondo as dúvidas que surgiam e foi aumentando o número de pessoas que se agregavam. Com a caminhada vigorosa, alguns sucessos e reações positivas, muitos acertos Lurdinha e Bety resolveram escrever um Livro “Cadê a Síndrome de Down que estava aqui? O gato comeu” que fez um sucesso entre pessoas que procuravam soluções para seus sofrimentos em relação aos filhos e até foi indicado para o prêmio Jaboti.
Começava-se a delinear pelo menos certas alegrias, claro que muitas vezes havia momentos de muitas e inumeráveis dificuldades e opressões dolorosas. Mas o importante é que nada as faziam arrefecer.
O importante é que essas mães valorosas que esqueceram tudo para cuidar de seus filhos, resolveram criar uma OSCIP ( Organização da Sociedade Civil de interesse público) que é uma sociedade sem fins lucrativos que realiza atividades de apoio à pessoas carentes ou que exijam cuidados especiais Assim nasceu a Associação de Mães em Movimento- Amem
cujo objetivo é promover o desenvolvimento e melhoria de vida das pessoas socialmente instituídas como deficientes.
A associação criou a “Casa Ímpar”, espaço voltado para o acompanhamento daquelas crianças fazendo estimulação precoce, alfabetização e promoção das habilidades motoras e
realizando palestras.
Conheci essa instituição, soube de sua história ficando comovida com cada passo dado por essas mulheres que ultrapassaram dificuldades quase instransponíveis numa sociedade preconceituosa.

Uma mãe valorosa e duas autoras competentes e ternas
Vânia Moreira Diniz

Esse livro comove e ensina. Uma mãe valorosa como Lurdinha cujo filho nasceu com síndrome de down. Mas ela não fica se queixando ou desesperada. Parte para a luta,e ela mesmo diz que a desesperança se instala porque todos “tem em mente o estereótipo da pessoa com síndrome de down de vinte anos atrás”.

Não é um livro para ser lido apenas por mães e educadores que estejam voltados para essa síndrome mas para todas as pessoas que se propõem fazer de seus filhos pessoas felizes, realizadas e empreendedoras.

Obra que foi indicada para o “Prêmio Jaboti”
Só o fato de ter sido indicado revela o valor do livro.

Palestra de Lurdinha sobre seu filho Lúcio Na UnB (Universidade de Brasília)
Amigos,

Eu quero aproveitar essa plenária para fazer uma declaração.

Quando meu filho Lucio nasceu ele não veio sozinho, com ele veio um diagnóstico: o da síndrome de Down e um prognóstico: o da deficiência mental e todas as questões a ela relacionadas como, por exemplo, atraso no desenvolvimento, dificuldade de aprendizado e toda aquela lista que todos conhecem.

O nascimento do Lucio mudou a minha vida e a minha história.

Desde então venho trabalhando para o desenvolvimento dele e também na promoção de mudanças na maneira como a sociedade vê essas crianças.

É por isso que estou participando desse fórum.

Acredito na real possibilidade de toda pessoa que nasce com uma condição biológica diferente da nossa, se desenvolver dentro dos padrões esperados pela sociedade.

Acredito também que, para que isso aconteça, é necessário que as pessoas se dispam dos preconceitos e procurem olhar para eles como pessoas e não como portadores dessa ou daquela deficiência.

Acredito que rompendo a barreira do preconceito muita coisa pode mudar.

Estamos aqui discutindo o papel da Universidade no processo de inclusão das pessoas especiais, e percebo que muitos dos discursos ainda vêm embutidos de uma grande carga de preconceito.

Enquanto predominar na Universidade o olhar essas pessoas com os óculos do preconceito, o distanciamento e as barreiras criadas por esse olhar serão reforçadas e repassadas para os estudantes que, sendo formados dentro desse mesmo modelo cuidarão de perpetuá-lo e reforçá-lo.

O preconceito da superioridade do saber acadêmico diante do desconhecimento científico dos leigos como eu, é um desafio a ser enfrentado.

Eu sou apenas mãe de uma criança com síndrome de Down e coordenadora do Clube de Mães em Movimento que luta contra o preconceito. A nossa luta também inclui o preconceito da superioridade do saber acadêmico em relação ao saber que, a duras penas, construímos na nossa luta cotidiana. Não é preciso ser cientista para lutar contra o preconceito, basta apenas compromissar-se. Mas é preciso que o cientista também tenha esse compromisso.

Os olhos do preconceito vêem-me apenas como mãe e do púpito colocam-me no meu lugar, num distanciamento que pode impelir-me à alienação.

Mas eu não sou uma estranha na Universidade.

Estou aqui apenas como Mãe e é como mãe que eu venho cobrar da Universidade que cumpra o seu papel de formadora de profissionais que vão passar pela vida do meu filho e dos filhos de muitas mães que, como eu, foram surpreendidas com um filho diferente do esperado.

Quero cobrar da Universidade que ela possa promover uma mudança no olhar em relação a essas pessoas e que os profissionais que saem daqui tenham condições de orientar as mães na melhor maneira de conduzir o desenvolvimento dos seus filhos diferentes, e que esses profissionais sejam sensibilizados, por vocês, a serem capazes de olhar as crianças como crianças e não como anomalia e que elas possam ter a oportunidade de, desde o início da sua vida, serem valorizadas pelo que podem e não desvalorizadas pelo que não podem. Que os profissionais da educação tenham a sensibilidade de buscar estratégias diferenciadas para atender as necessidades de cada aluno e dar a ele a oportunidade de diminuir as estatísticas de PNEs dentro da Universidade por eles serem tratados conforme suas possibilidades como pessoas.

Gostaria de dizer ainda que é como M Ã E que eu espero que os PUs possam ensinar aos EUs que as pessoas especiais não são apenas PNEs.
L. Danezy Piantino

Lurdinha, mãe do Lúcio é hoje a Presidente da Amem (Associação De Mães Em Movimento)