Alfabetização para idosos.


Sugestão: Professora Marisa Mathias

Alfabetização de Adultos e Pessoas na Terceira Idade: Novos Horizontes
Autores

Professora Carmen V. de A. R. Nóbrega, Elizabeth Souza da Rocha Germana Correia de Oliveira, Johniere Alves, Luisa Albuquerque Cavalcanti

… Neste sentido, objetivo deste projeto foi favorecer o desenvolvimento de processos
construtivos necessários ao aprendizado da leitura e da escrita da língua materna por adultos e pessoas na terceira idade. Em nossa metodologia didática utilizamos aspectos significativos da pedagogia freiriana, especialmente no que se refere às etapas do método dialógico.
…Neste contexto, a nossa proposta de trabalho partiu da necessidade de auxiliarmos
aquelas pessoas que, às vezes, são excluídas do contexto social por não saberem decifrar e
fazer uso do código lingüístico.
…é necessário promover o encontro entre processo educativo e realidade social dos alunos na
medida em que se incentiva a reflexão crítica perante o mundo atual e se aproveita o potencial
lingüístico prévio do educando na aprendizagem.
Metodologia
O conceito de alfabetização não deve se restringir ao processo de aquisição e
desenvolvimento da linguagem sob seu aspecto material (fonêmico e grafêmico), ou seja, não
consiste apenas na aquisição individual das habilidades requeridas para a leitura e escrita,
transpondo o âmbito do puramente formal e enveredando pelos caminhos de uma abordagem
sócio-interacionista da língua, seja ela falada ou escrita.
…Segundo as premissas freirianas, alfabetizar passa a ser, sobretudo, conscientização do
nível social em que as pessoas estão inseridas.Como sabemos, o método freiriano apresenta
três etapas peculiares: a investigação, a tematização e a problematização. A investigação diz
respeito àquela fase em que cabe ao alfabetizador delimitar, a princípio, o grupo social que
será alfabetizado, em seguida, se infiltrar nesse grupo, no sentido de observar as palavras
comuns entre eles, ou melhor, as palavras e temas “geradores”, que particularizam a
comunidade em evidência. A partir, dessas informações, inicia-se a tematização, isto é,
codifica-se e decodifica-se aqueles temas que foram escolhidos na fase anterior,
contextualizando-os, com o intuito de possibilitar ao alfabetizando uma percepção crítica de
sua realidade. Com isso, surgem, então, novos temas, que também serão aludidos pelos
alfabetizadores. Por fim, através da problematização desses temas, desenvolve-se nos alunos a
consciência em relação ao papel social que eles ocupam na sociedade e, sobretudo
concernente à possível superação, através do código lingüístico, de sua realidade opressiva.
…o ideal seria alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a ler e a escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o indivíduo se tornasse, ao mesmo tempo, alfabetizado e letrado, pois não basta apenas aprender a ler e a escrever, mas incorporar leitura e escrita às práticas sociais.
… resolvemos optar por uma atitude metodológica bastante eclética, com a mescla de vários recursos didáticos que viessem a se adequar à realidade de ensino em que atuávamos e convergissem para os fins que planejamos – a alfabetização funcional e pragmática de adultos e idosos, o que deu ao projeto um caráter dialógico, no qual aluno e professor interagem por meio da troca de experiências.
…Assim, a fim de familiarizar os alunos com a modalidade escrita do uso da linguagem
e, a partir disto, proporcionar uma mais rápida e melhor apreensão das capacidades
lingüísticas necessárias à alfabetização, apresentamos os conteúdos inseridos em unidades
temáticas que tinham relação direta com o contexto social dos alfabetizandos. A experiência
de trabalho com unidades temáticas vem sendo desenvolvida desde o primeiro ano do projeto
e tem sido bem sucedida, uma vez que possibilita-nos realizar atividade de leitura e escrita
dentro de um contexto coerente e interessante aos alunos. Essas unidades temáticas foram
nominalisadas de acordo com o tema central a que fazíamos referência, desta forma
desenvolvemos 08 (oito) unidades temáticas, descritas a seguir:
- Unidade Sentimentos: paz e amor; esta unidade foi caracterizada por trazer à tona
questões referentes aos sentimentos afetivos, cultivados pelas pessoas, principalmente entre
parentes, o que suscitou um debate sobre as várias significações dos sentimentos em nossa
sociedade.
- Unidade Direitos Humanos: educação, saúde, moradia, segurança e trabalho; nesta
unidade, que teve maior feição conscientizadora, suscitamos a criticidade dos alunos em
relação aos direitos humanos, que, por muitas vezes, são desrespeitados e não priorizados pela
classe política, isto de acordo com a realidade de cada turma com que atuamos. Neste
momento, devido ao desenrolar das discussões, foi dada ênfase às questões relacionadas ao
trabalho e, em específico, às várias profissões existentes em nossa sociedade, sempre
enfatizando a relação existente entre trabalho, profissão e emprego, as atitudes sociais que os
envolvem e a prática de escrita que estão atrelados ao mundo do trabalho;
- Unidade Documentos do cidadão: identidade, carteira de trabalho, CPF e título de
eleitor: o enfoque principal desta atividade era a orientação aos alunos quanto à documentação
necessária, em nossa sociedade, com relação ao reconhecimento legal do cidadão,
enfatizando-se o caráter intrinsecamente escrito que estes possuem;
- Unidade Urbanismo: cidade, sociedade e meios de transporte; esta unidade se
caracterizou pela abordagem das características gerais do meio urbano em que vivem os
alunos; bem como das diferenças e semelhanças entre algumas sociedades existentes (rural e
urbana), a fim de promover a reflexão e conhecimento dos diversos costumes e linguagens
que estas cultivam e pelos quais são caracterizadas; por fim, abordamos a temática dos meios
de transporte característicos do meio urbano e rural;
- Unidade Literatura: livros, cordel, escrita; esta foi uma unidade temática inovadora
neste ano do projeto e a sua relevância incidiu em informar aos alunos sobre a importância
dos registros literários das sociedades durante os anos, bem como levá-los a conhecer melhor
este universo da escrita em livros e suas peculiaridades artísticas.
- Unidade Meios de comunicação: jornal, bilhete e carta; esta fase de estudo tinha o
objetivo de trazer à discussão em sala de aula as funções sociais da escrita através dos meios
escritos que as pessoas de uma sociedade se utilizam para comunicarem-se entre si. Neste
sentido, estudamos o jornal, a carta, o bilhete, formulários diversos, dentre outros veículos de
comunicação escrita.
- Unidade Festas natalinas: Jesus, nascimento, festas, cartão de natal, salvação;
compreendendo a importância dos festejos de final de ano para a sociedade em que vivemos,
tanto no que diz respeito ao aspecto religioso e cultural, quanto no que se refere às intenções
do mercado financeiro, conduzimos, através de discussões, os alunos a desenvolverem uma
percepção crítica e esclarecedora acerca dos acontecimentos que ocorrem no final de ano,
promovendo o contato com as expressões escritas mais comuns deste período do ano.
A partir dessas unidades temáticas, foram desenvolvidas dinâmicas, construção de
textos orais e escritos, debates, etc. Todas essas atividades foram subsidiadas pelos aspectos
teóricos anteriormente descritos e por materiais didáticos, dos quais retiramos aquilo que
consideramos pertinente para a nossa prática pedagógica.
Dentre esses materiais didáticos, temos: cartilha do MEC e outros livros de alfabetização, revistas, jornais, material personalizado (elaborado pela equipe), textos variados, a Bíblia, literatura de cordel, cartazes, rótulos, embalagens, alfabeto móvel, etc. Todo este material foi articulado de acordo com a unidade temática trabalhada e as atividades orais sempre partiam de pressupostos resultantes da utilização deste.

Idosos de até 85 anos de idade são alfabetizados pela UEMG e recebem certificados (13/12/04)
A Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) entrega nesta Quarta-feira (15/12), certificados a 130 pessoas que foram alfabetizadas, em Belo Horizonte, através do curso Alfabetização Solidária/Brasil Alfabetizado. A faixa etária dos alfabetizandos varia entre 20 e 85 anos de idade. Eles são moradores de dez regiões periféricas da capital, onde o curso foi ministrado. O curso é promovido em parceria com a ONG Alfabetização Solidária/Brasil Alfabetizado. A aluna mais idosa, Hermínia Petrina, de 85 anos, moradora do aglomerado da Serra , será homenageada. …Os alunos que participaram do Alfabetização Solidária asseguram que a qualidade de suas vidas melhorou depois de freqüentarem as aulas. Eles relatam que se tornaram mais independentes e auto-confiantes. Apontam razões cotidianas, como ir sozinhos ao centro da cidade, identificar ônibus, preencher cheques ou ler carta de um parente.

Parceria garante alfabetização de idosos – Volta Redonda

Dentro dos programas desenvolvidos no município para a inclusão social e o bem-estar da Terceira Idade, 200 idosos, a partir dos 45 anos, estão tendo a oportunidade de estudar. O sonho de voltar à sala de aula só é possível graças ao Projeto Renascer, criado pela parceria entre o Instituto de Educação Professor Manoel Marinho, e a AAPVR (Associação dos Aposentados e Pensionistas de Volta Redonda). Inicialmente, foi instalado uma turma de alfabetização, com apenas 14 alunos, na unidade de ensino. Hoje, são 8 turmas do primeiro segmento do ensino fundamental, do CA à 4ª série. De acordo com a diretora do Instituto de Educação Professor Manoel Marinho, Áurea Lino Passos Machado, a instituição é pioneira na educação de idosos no município.
… É uma iniciativa que possibilita uma troca de experiências e que está beneficiando a população e a escola – afirmou a diretora.
…Para os estudantes, o projeto é importante para resgatar a auto-estima. A aposentada Camila Júlia Monteiro, de 86 anos, aluna mais alta do projeto, nunca teve a oportunidade de aprender a ler e escrever.
- Agora, graças a esse projeto, estamos aprendendo muitas coisas. Eu até já consigo gravar algumas palavras e frases – disse a estudante.

PROJETO RENASCER – ALFABETIZAÇÃO DA TERCEIRA IDADE
Objetivos gerais: Possibilitar ao aluno o domínio da leitura e da escrita, abandonando o grupo de exclusão, elevando a auto-estima e a condição emocional de opinar no dia a dia, ampliando os horizontes de interação aluno/meio, com um enfoque curricular de reconstrução social e de resgate da cidadania;
Possibilitar ao educando idoso o processo construtivo de ampliação do próprio conhecimento, através da interação sistemática do educador e da vivência com os colegas, numa relação dialógica, fortalecendo sua identidade;
Contribuir para o bom desenvolvimento da capacidade funcional dos idosos com SAÚDE, considerando a visão holística de HOMEM, elevando a qualidade de vida como fonte de alegria e prazer.
e-mail: disqueidoso@pbh.gov.br

Alfabetização de idosos: uma pesquisa introdutória a partir da experiência do MOVA-Guarulhos
PATRICIA CLAUDIA DA COSTA FRIDMAN.

…O apoio necessário foi encontrado na obra do psicanalista Donald WoodsWinnicott que postula o ato criativo como um elemento fundamental para o bem-estar subjetivo e, conseqüentemente, para a manutenção da vontade de viver. Estudar a alfabetização de idosos, de acordo com a proposta desta pesquisa,implica em buscar compreender como o ato criativo ocorre nesta fase da vida e quais os efeitos que ele tem proporcionado aos sujeitos pesquisados.Winnicott entende como ato criativo todo pensamento ou ação que decorre da interação do sujeito com um objeto, de maneira espontânea. A leitura e a escrita são atos criativos na medida em que se manifestam como expressão da subjetividade, como um sinal de existência daquele que age, aprende, cria e recria. …Para isso, temos recorrido à autobiografia educativa como metodologia de pesquisa no intuito de compreender, nas perspectivas brevemente descritas acima, o que motiva um sujeito com mais de sessenta anos a se colocar no papel de alfabetizando. Metodologia de pesquisaA autobiografia educativa, realizada através da coleta de narrativas de histórias de vida, tem sido a metodologia condutora desta investigação.
As narrativas autobiográficas evidenciam especial interesse pelo convívio social que ocorre no âmbito das atividades propostas pelo Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos. Convívio que, em alguns casos, representa um papel mais importante do que a simples aquisição do domínio da leitura e da escrita – objetivo principal do Movimento.Desta observação decorre também a importância da metodologia de pesquisa e de formação autobiográfica como meio de proporcionar aos sujeitos que dela participam a oportunidade de vivenciarem, simultaneamente, o papel de sujeito e de objeto de sua formação
…O relato de cada uma dessas experiências tem nos mostrado algumas pistas de como compreender a motivação para freqüentar um núcleo de alfabetização. Temos, por exemplo, o indício de que o simples fato de sair da privacidade de seus lares, e gozar da convivência de outras pessoas com histórias de vida semelhantes ou completamente díspares da sua, tem servido como mote para a assunção da identidade de aluna.

Referências bibliográficas

KRAMER, S. Alfabetização: dilemas da prática. Rio de Janeiro: Dois Pontos, 1986.

POSSAS, Wânia Machado. “Compreensão e domínio da escrita: vale o escrito” In: MEC.Educação de Jovens e adultos. Brasília: SEED, 1999.

ACOSTA-ORJUELA, Guillermo M. Como e porque idosos brasileiros usam a televisão: um estudo dos usos e gratificações associado ao meio. Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Campinas, 2001.

DEBERT, Giuta G. A reinvenção da velhice: socialização e processo de reprivatização do envelhecimento. São Paulo EDUSP : FAPESP, 1999.

FILIZZOLA, M. A velhice no Brasil. Rio de Janeiro: Companhia Brasileira de Artes Gráficas, 1972.

KLEIMAN, Ângela B. O ensino e a formação do professor: alfabetização de jovens e adultos. Porto Alegre : Artmed, 2000

LIMA, M.P. Gerontologia educacional : uma pedagogia específica para o idoso :uma nova concepção de velhice. São Paulo : LTr, 2000

NOVAES, Maria H. Psicologia da Terceira Idade: conquistas possíveis e rupturas necessárias. Paulo de Frontin: Grypho, 1995.

http://64.233.167.104/search?q=cache:eJ0JnNTlkuQJ:www.ufmg.br/congrext/Educa/Educa1.pdf+%22idosos%22+alfabetiza%C3%A7%C3%A3o&hl=ptBR&ct=clnk&cd=14&gl=br&lr=lang_pt

http://64.233.167.104/search?q=cache:hxnC8q_4EeEJ:www.uemg.br/cadastro2/PHP/downloads/06.doc+%22idosos%22+alfabetiza%C3%A7%C3%A3o&hl=ptBR&ct=clnk&cd=19&gl=br&lr=lang_pt

http://www.diarioon.com.br/arquivo/4247/cidade/cidade-40238.htm

http://www.pbh.gov.br/leisdeidosos/renascer01.htm

Deficiente auditivo.


Diante da reivindicação da professora Marisol “Projetos e ações para trabalhar com alunos surdos incluso na rede regular de ensino. Por uma educação mais justa, que inclua de fato. Marisol”

Selecionei alguns artigos que espero possam auxiliar e quem sabe despertar novas idéias e abrir novos caminhos.

Programa de Apoio às Classes Especiais de Deficientes Auditivos:
Propostas de Atuação Interdisciplinar

Luci Pastor Manzoli

O presente trabalho teve início no ano de 1996, para atender a solicitação de alguns pais e uma professora de classe especial de deficientes auditivos da rede estadual de ensino.: “Estratégias de Ensino de Leitura e Escrita ao Portador de Surdez”, que se propõe a desenvolver as seguintes linhas de ação: a) Escola e família; orientação e apoio às professoras e pais em todas as áreas possíveis, aproximando escola e família num trabalho conjunto. b) Oferecimento de cursos e palestras sobre Educação e Saúde e Prevenção, bem como conversas informais com a comunidade escolar sobre os assuntos discutidos nos cursos. c) Acompanhamento junto à criança, que consiste em desenvolver e aplicar programas pedagógicos alternativos, individualizados e em pequenos grupos, e encaminhamentos para as áreas fonoaudiológica, psicopedagógica e psicológica, de acordo com as necessidades apresentadas.
…”O efeito do ensino da musicalização na socialização e comunicação da criança portadora de surdez”. Este trabalho visa a formação da criança no que se refere aos aspectos cognitivos, motor, afetivo e social. São feitas semanalmente aulas de expressão corporal com o ensino de diversos instrumentos musicais nas quais as crianças tem a oportunidade de manusear e escolher o instrumento que mais a atrai para acompanhar os ritmos musicais. É ensinado também, as crianças tocarem a flauta doce, que é uma atividade aceita com muito entusiasmo pelas crianças e seus pais. Devido ao encaminhamento de algumas dessas crianças ao ensino regular, surgiu um outro sub-projeto denominado “A Integração do Portador de Surdez no Ensino Regular”. Esse projeto visa encaminhar as crianças já com domínio da escrita alfabética, noções básicas de matemática e um nível satisfatório de leitura labial e gestos, para o ensino regular e oferecer orientação aos pais, professora e acompanhamento escolar. Visando fazer um estudo comparativo dessas crianças que não tiveram ou que tiveram muito pouca estimulação anterior ao da escola, pois pertencem a um nível sócio econômico bastante comprometidos, surgiu um outro sub-projeto denominado “Estimulação fonoaudiológica com crianças surdas de “zero a 07 anos. Um estudo comparativo de casos”. Esse trabalho visa estimular a linguagem oral da criança desde o momento em que for detectada a surdez..
Este projeto encontra-se em andamento e conta com o apoio da PROEX , FUNDUNESP, CEUAC e CEAO.

Informática é usada como forma de integração em escola de educação especial para deficientes auditivos em São Paulo.
Olívia Rangel Joffily
Habituados ao silêncio, os alunos têm muita dificuldade de compreender um mundo cujos códigos de comunicação passam pela sonoridade e dependem em grande parte da fala. Outro aspecto fundamental é quanto à melhor forma de letramento e alfabetização dos deficientes auditivos. Algumas correntes defendem que a primeira “língua” do surdo é o sinal. Outras correntes são favoráveis ao aprendizado de leitura labial e estimulação da fala. E outras ainda defendem que é importante que o surdo domine as duas linguagens.
… Neste sentido, a informática parece representar mais uma porta aberta para o aprendizado. Os alunos adoram os computadores e amam viajar pela Internet. Sentem-se incluídos e iguais às demais crianças nesta viagem, já que o importante na Internet é a comunicação visual.
… Seja usando a Libras ou a leitura labial, é necessário haver professores especializados, habilitados e muita dedicação para conseguir interessar as crianças (e também adultos) a se comunicar com o mundo.
Um professor sem habilitação especial, sem dúvida, teria muita dificuldade para entrar em contato com o aluno surdo e garantir que o processo cognitivo e o desenvolvimento geral da criança ocorram.
O letramento e a alfabetização são processos que desafiam educadores em todo o mundo, porque tem sido difícil assegurar que todas as crianças aprendam a ler e a escrever. O problema torna-se ainda mais complexo se imaginarmos crianças que possuem uma dificuldade a mais nos seus contatos com o mundo que as cerca. É como se um fio estivesse desconectado.
O xis do problema é restabelecer a ligação. Isso exige estudo, experiência, especialização. Por isso, colocar um aluno numa classe comum sem assistência especializada significa incluí-lo apenas formalmente, sem garantir seu desenvolvimento.

O aluno com deficiência auditiva
Madalena Aparecida Silva Francelin
Telma Flores Genaro Motti

Couto-Lenzi (1997) expõe muito claramente a condição do indivíduo com deficiência auditiva. Sua única limitação seria na percepção dos sons, que pode afetá-lo em diferentes graus.
… Historicamente, segundo Soares (1999), a educação do surdo voltou-se mais ao desenvolvimento da comunicação do que à transmissão de conhecimentos, situando-se no âmbito da caridade e filantropia, desvinculada da educação como direito de liberdade e igualdade. Manteve assim o estereótipo da incapacidade de aprender por não ouvir.
… A Declaração de Salamanca promulgada nessa época, reconhece a Língua de Sinais e a possibilidade de sua utilização para a educação dos surdos, bem como a manutenção dos sistemas especiais de ensino como classes e escolas especiais (Bueno, 2001).
… As escolas carecem de investimentos, precisam ser equipadas para atenderem a clientela portadora de deficiências e os professores precisam ser preparados. Poucos são os professores que passaram por cursos na área do ensino especial.
A simples transferência do aluno portador de deficiência para a sala de aula comum só vai garantir a convivência com os colegas. Para o sucesso acadêmico, por menor que seja, são necessárias mudanças estruturais, pedagógicas, até para que o professor não se sinta responsável por falhas que não lhe dizem respeito diretamente.
… A escola inclusiva depende de adaptações de grande e médio porte. As de grande porte são de responsabilidade dos órgãos federais, estaduais e municipais de educação; as pequenas mudanças competem aos professores, que devem procurar recursos para especializar-se.

Inclusão social do surdo: um desafio à sociedade, aos profissionais e a educação.
Ely Souza
Josenete Ribeiro Macêdo

…Ressalta-se a contribuição do professor de sala de aula que tem papel fundamental nesse processo que lida diretamente com o aluno surdo. Para que a inclusão do aluno surdo avance, é imprescindível que haja o esclarecimento para os alunos ditos normais, para os familiares e toda comunidade escolar.
… Esperamos que no futuro, o valor das pessoas surdas, seja realmente reconhecido e aquilo que está sendo ofertado, a ele no presente, seja efetivado de forma global e irrestrita, ou melhor, que não seja só da “boca para fora”, posto que os mesmos já perderam muito do seu tempo, sendo segregados durante anos a fio em escolas especializadas que só serviram de pano de fundo para a grande discriminação que assola o país, além de não acrescentarem em nada o seu processo de desenvolvimento enquanto pessoa ou como cidadão. Então não é justo que a inclusão faça o mesmo.

Referências
http://proex.reitoria.unesp.br/congressos
http://www.educarede.org.br
http://www.ines.org.br/paginas/revista/TEXTO3.htm

A única limitação do deficiente auditivo é a percepção dos sons. Não há porque haver atividades diferenciadas para os deficientes auditivos. Ele tem e deve desenvolver toda e qualquer atividade junto com todos os alunos não portadores de necessidades especiais. O que é necessário e fundamental é justamente o ajuste da linguagem para que ele saiba do que se trata.