EUA substitui letra cursiva por teclado

Este final de semana participei de um debate polêmico cujo tema  foi a oficialização da substituição do ensino da letra cursiva pelo teclado no processo de alfabetização nos Estados Unidos.

Compartilho minhas reflexões e gostaria muito de obter a opinião de vocês.

Primeiramente, antes de registrar aqui o meu ponto de vista, quero deixar claro que sou totalmente digital, que sou formadora de professores para o uso da tecnologia em sala de aula e que escrevo muito mais digitando do que usando papel e lápis, porém quando tomo ciência deste tipo de mudança, confesso que fico profundamente preocupada.

Particularmente sou contra todo tipo de mudança radical, substituição e massificação do ser humano. Sou a favor do somar em detrimento do substituir. Sou a favor do livre arbítrio e para que este possa ser exercido o ser humano precisa ter acesso às opções. A partir do momento que suprem as opções acabando com o livre arbítrio e consequentemente sufocam a individualidade massificando as pessoas.

No caso do não mais ensinar a letra cursiva na fase de alfabetização estão interferindo na base, no início da aprendizagem do ler e escrever.

Algumas habilidades psicomotoras importantes são priorizadas e, portanto desenvolvidas no processo de alfabetização principalmente quando a letra cursiva começa a ser ensinada no primeiro ano escolar para crianças de 5 e 6 anos. Juntamente com o ensino da letra cursiva vem a importância da lateralidade (escrever da esquerda para a direita), da noção espacial (dosar o tamanho da letra entre uma linha e outra e escrever de cima para baixo), a pressão gráfica entre o lápis e o papel (encontrar o equilíbrio para alcançar maior destreza e consequente rapidez), aprender que as palavras são independentes e por esta razão não devem ser escritas unidas umas nas outras (ação normal nas crianças em processo de alfabetização). O espaço entre uma palavra e outra fica mais clara quando a criança escreve com letra cursiva uma vez que a palavra se forma com a união das letras. Diferente de quando é escrita com letra bastão (de forma) cujos caracteres são individuais.

É nesse momento que o professor tem a oportunidade de conhecer cada um dos seus alunos, de reconhecer suas dificuldades e particularidades e de trabalhá-las respeitando o tempo de cada um sabendo que esta construção implica em grande esforço cognitivo para o aluno.

Agora pergunto: “Será que o aprender a escrever com letra cursiva é um processo tão insignificante que pode ser substituído pelo teclado de forma tão impulsiva?

Será que vale a pena usar esta nova geração como cobaias num processo tão importante quanto o da alfabetização?

Após a apropriação da escrita cada pessoa caracteriza a sua grafia de acordo com a sua personalidade. Vocês que estão lendo agora este meu artigo não podem imaginar como é a minha caligrafia! Isto porque ela expressa a minha personalidade e faz com que a minha caligrafia, assim como eu, sejam únicas. Ser único é o privilégio que somente nós, seres humanos, podemos desfrutar com consciência.

Todos nós somos identificados em diferentes lugares pelo número do nosso Registro Geral (RG), porém não perdemos a identidade em razão disso, pois temos um nome –PESSOAL –  que veio antes deste registro GERAL. Acredito que o mesmo deva acontecer com a nossa caligrafia.  Podemos escrever a maior parte do tempo usando o teclado (igualmente estou fazendo agora), porém tenho uma caligrafia e posso ser, inclusive, identificada por ela.

É justo privarmos nossos alunos deste privilégio, uma vez que somente o ser humano é capaz de escrever cursivamente?

Vamos dar opções e liberdade para que cada um dos nossos alunos escolha quando quer escrever cursivamente e quanto quer usar o teclado e o editor de texto, afinal ele é da geração digital e não precisa de pressão para fazer uso deste recurso.

E você é a favor da substituição da letra cursiva, no processo de alfabetização, pelo uso do teclado?

Deixe sua opinião, ela é muito importante.

Feliz retorno às aulas

Hoje todas as escolas estão novamente em atividade. As municipais e estaduais retornaram na semana passada e as particulares voltaram hoje.

Pensando neste retorno o portal Conteúdos Educacionais preparou uma bela atividade envolvendo as disciplinas de História e Geografia podendo trabalhar como tema transversal a Língua Portuguesa e Educação Artística.

Pode ser adaptada à sua realidade escolar a partir do 3º ano do Ensino Fundamental.

Você já tem, inclusive, o Plano de aula prontinho.

Para ter acesso a esta aula e tantas outras basta que você entre neste endereço http://www.conteudoseducacionais.com.br/ se cadastre (é gratuito) e faça o login.

Feito isto é só navegar por todas as opções.

Feliz retorno à todos!

 

 

Educação Financeira

Matemática Financeira

Fonte: Brasil Escola

A Matemática Financeira possui diversas aplicações no atual sistema econômico, algumas situações estão presentes no cotidiano das pessoas, como financiamentos de casa e carros, realizações de empréstimos, compras a crediário ou com cartão de crédito, aplicações financeiras, investimentos em bolsas de valores, entre outras situações. Todas as movimentações financeiras são baseadas na estipulação prévia de taxas de juros. Ao realizarmos um empréstimo a forma de pagamento é feita através de prestações mensais acrescidas de juros, isto é, o valor de quitação do empréstimo é superior ao valor inicial do empréstimo, a essa diferença damos o nome de juros.

O conceito de juros surgiu no momento em que o homem percebeu a existência de uma afinidade entre o dinheiro e o tempo. As situações de acúmulo de capital e desvalorização monetária davam a ideia de juros, pois isso acontecia devido ao valor momentâneo do dinheiro. Algumas tábuas matemáticas se caracterizavam pela organização dos dados e textos relatavam o uso e a repartição de insumos agrícolas através de operações matemáticas. Os sumérios registravam documentos em tábuas, como faturas, recibos, notas promissórias, operações de crédito, juros simples e compostos, hipotecas, escrituras de vendas e endossos.

Essas tábuas retratavam documentos de empresas comerciais, algumas eram utilizadas como ferramentas auxiliares nos assuntos relacionados ao sistema de peso e medida. Havia tábuas para a multiplicação, inversos multiplicativos, quadrados, cubos e exponenciais. As exponenciais com certeza estavam diretamente ligadas aos cálculos relacionados a juros compostos e as de inverso eram utilizadas na redução da divisão para a multiplicação.


Tábua que relatava o sistema de escrita dos sumérios

Nessa época os juros eram pagos pelo uso de sementes e de outros bens emprestados, os agricultores realizavam transações comerciais onde adquiriam sementes para constituírem suas plantações. Após a colheita, os agricultores realizavam o pagamento através de sementes com a seguida quantidade proveniente dos juros do empréstimo. A forma de pagamento dos juros foi modificada para suprir as exigências atuais, no caso dos agricultores, era lógico que o pagamento era feito na próxima colheita. A relação tempo/ juros foi se ajustando de acordo com a necessidade de cada época, atualmente, nas transações de empréstimos, o tempo é preestabelecido pelas partes negociantes.

Por Marcos Noé
Graduado em Matemática
Equipe Brasil Escola

Investindo em Ações

Fonte: Brasil Escola

Bolsas de Valores: investindo no mercado de ações

Uma economia centrada no capitalismo gira em torno de investimentos, quanto mais desenvolvida é a economia mais ativo é o mercado de capitais. As bolsas de valores surgem como entidades organizadoras do dinâmico mercado de ações e títulos, oferecendo tranquilidade àqueles que investem seu dinheiro. Esse tipo de negócio fortifica a economia, pois cria opções para que pessoas comuns e empresários apliquem suas reservas financeiras.

O mercado de ações existe em razão da forma de administração de algumas empresas, que abrem seu capital na busca por recursos extras. Abrir o capital significa vender ações na bolsa de valor, quem compra uma ação se torna sócio da empresa e participa dos lucros e dividendos da instituição. Mas como investir em ações?

Existem várias formas de investir em ações e não tem uma quantia mínima para investir, o valor depende do preço do título de cada empresa. As formas de investimento podem ser:

? Individualmente: a pessoa procura uma corretora que irá representá-lo junto à bolsa de valores. Auxiliado pelos membros da corretora, o investidor escolhe as ações da empresa que deseja e comunica ordem de compra diretamente à corretora.

? Clube de investimento: um grupo de pessoas busca assessoria de uma corretora, a qual se responsabiliza pelo auxílio na compra de ações na bolsa de valor. Nesses casos, uma pessoa do grupo é indicada para ser o representante junto à corretora.

? Fundos de Investimento: O investidor adquire cotas num fundo de ações, administrado por uma Corretora de Valores, um Banco ou um Gestor de Recursos independente, autorizado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Acompanhe passo a passo como investir em ações:

1º passo: procurar uma corretora e preencher o cadastro.

2º passo: com a ajuda da corretora, o investidor escolhe a ação que deseja comprar e transmite a ordem de compra para a corretora.


3º passo: a corretora executa a ordem recebida e compra as ações na bolsa.


4º passo: o cliente efetua o pagamento à corretora (os recursos costumam ser previamente depositados).


5º passo: a corretora guarda as ações adquiridas pelo investidor em sua conta de custódia e o investidor passa a ser sócio da empresa.

Por Marcos Noé
Graduado em Matemática
Equipe Brasil Escola

Sangari – O jeito gostoso de estudar

Recebi esta dica da amiga Simone Smiletic que está encantada com a nova escola de sua filha e com este método de aprender Ciências. Estou falando da Sangari que cria, desenvolve e implementa metodologias e materiais educacionais para o aprendizado de Ciências no Ensino Fundamental.

E reconhecido pelo MEC e a UNESCO aponta o Programa da Sangari como exemplo único de educação em Ciências.

O Programa instiga a investigação.

São apresentadas atividades que oferecem condições para que os estudantes formulem hipóteses, resolvam situações-problema, desenvolvam experimentações, produzam registros escritos, entre outros procedimentos que contribuem para o avanço consistente da construção de conhecimentos.

Navegue pelo site (http://www.sangari.com.br/index.cfm) e comprove você mesmo.

Fica a dica!

Entenda o que aconteceu no Japão

Entenda o desastre no Japão

Fonte: Nova Escola

O mundo segue atento os desdobramentos da tragédia ocorrida no Japão, na última sexta-feira. O terremoto de grau 8,9 na escala Richter e o tsunami devastador que se seguiu provocaram no país a maior tragédia desde os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. Entenda, nos links abaixo, o que está por trás dos fenômenos naturais que deixaram milhares de mortes e ocasionaram uma nova ameaça nuclear na região.

O que são terremotos e como se mede sua intensidade?

Eliza Kobayashi (novaescola@atleitor.com.br)

Placas tectônicas - foto: Beto Uechi/Pingado
As placas tectônicas se movimentam e o choque entre elas provoca os terremotos

Terremotos ou sismos são vibrações na crosta terrestre provocadas pela movimentação de placas tectônicas presentes na litosfera, logo abaixo da superfície da Terra. Essas placas deslizam lenta e constantemente sobre uma camada de magma chamada astenosfera.

Os movimentos delas são também responsáveis pela deriva dos continentes e pela formação de montanhas e vulcões. O atrito entre as placas gera uma energia em potencial que, quando liberada, provocam vibrações que se propagam pela crosta, causando os abalos sísmicos.

Há duas formas de medir a força dos tremores: pela sua magnitude e pela sua intensidade. “A primeira está associada com a energia liberada pelo terremoto, enquanto a segunda é o efeito causado por ele na superfície da Terra”, explica Célia Fernandes, geofísica e técnica em sismologia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP). “Para medir a energia liberada pelo sismo, utilizamos a escala Richter, e para avaliar seus efeitos, utilizamos a escala Mercalli-Modificada”, complementa.

A escala Richter foi desenvolvida em 1935 na Califórnia, Estados Unidos. Ela é calculada a partir dos sismogramas (registros dos sismos) produzidos pelos sismógrafos, aparelhos que possuem sensores de vibração que monitoram a movimentação da superfície onde estão localizados. Cada unidade de magnitude representa uma energia liberada dez vezes maior que o grau anterior, ou seja, um terremoto de 4 graus na escala Richter libera uma energia dez vezes maior que um terremoto de 3 graus. Não há limites nessa escala. “Ela é aberta, isto é, vai desde menos infinito até mais infinito”, afirma Célia. “O terremoto de maior magnitude já registrado foi no Chile, em maio de 1960. Sua magnitude foi de 9,6”. Abaixo de 2 graus, os tremores são praticamente imperceptíveis.

Já a escala Mercalli, que mede a intensidade dos terremotos, foi proposta pelo vulcanólogo italiano Giuseppe Mercalli em 1902, e alterada em 1931, quando passou a ser chamada de Mercalli-Modificada. “Ela possui 12 graus indicados por algarismos romanos de I a XII. A intensidade não é calculada, apenas se observam os efeitos que o sismo causou na superfície, ou seja, é uma medida qualitativa dele”, explica a especialista, que mostra como a escala funciona no quadro abaixo:

ESCALA DE INTENSIDADE MERCALLI-MODIFICADA (ABREVIADA)

I. Não sentido.
II. Sentido por pessoas em repouso eu em andares superiores.
III. Vibração leve. Objetos pendurados balançam um pouco.
IV. Vibração como a causada pela passagem de caminhões pesados. Chacoalhar de janelas e louças. Carros parados balançam.
V. Sentido fora de casa. Acorda as pessoas. Objetos pequenos tombam e quadros nas paredes se movem.
VI. Sentido por todos. Deslocamento de mobília. Louças e vidros se quebram. Queda de objetos. Rachadura no reboco de casas
VII. Percebido por motoristas dirigindo. Dificuldade em manter-se em pé. Sinos tocam em igrejas, capelas etc. Danos, como quebra de chaminés, ornamentos arquitetônicos e mobília; queda de reboco; rachaduras em paredes, algumas casas podem até desabar.
VIII. Motoristas de automóveis sentem o tremor. Galhos e troncos se quebram. Rachaduras em solo molhado. Destruição de torres de água elevadas, monumentos, casas de adobes. Danos severos a moderados em estruturas de tijolo, casas de madeira (quando não estão firmes com fundação), obras de irrigação e diques.
IX. Solo rachado, como “crateras de areia”. Desabamentos. Destruição de alvenaria de tijolo não armado. Danos severos a moderados em estruturas inadequadas de concreto armado e tubulações subterrâneas
X. Desabamentos e solo rachado. Destruição de pontes, túneis e algumas estruturas de concreto armado. Danos severos a moderados de alvenarias, barragens e estradas de ferro
XI. Distúrbios permanentes no solo
XII. Danos quase totais

Apesar de existirem formas de medir a força dos terremotos, eles ainda não podem ser previstos pelos cientistas. “Esse é um dos grandes objetivos da sismologia”, afirma Célia Fernandes. Atualmente a região que possui a maior quantidade de sismos é a que circunda o Oceano Pacífico, desde o sul do Chile até a Nova Zelândia, passando por vários países da América do Sul, Central e do Norte, além do Japão.

O que é um tsunami? Um deles pode atingir o Brasil?

“Tsunami: A Onda Mortal”, documentário
do National Geographic Channel. Foto:
Agência National Geographic Channels
International/Divulgação. Clique aqui para
ampliar

Renata Costa (novaescola@atleitor.com.br)

É possível definir um tsunami de maneira simples, como sendo um terremoto entre as placas tectônicas sobre as quais está o oceano. Esse tremor de terras no solo do mar provoca uma agitação imensa das águas, resultando em ondas que chegam de maneira violenta e desordenada ao litoral. As consequências são terríveis, como foi possível observar na Ásia em 2004, com cerca de 200 mil mortos e desaparecidos, e agora, na Oceania, com pelo menos uma centena de mortos e um número indeterminado de desaparecidos.

No Brasil, as chances de um tsunami são praticamente inexistentes, conforme explica Wilson Teixeira, professor do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP). “O país fica no interior de uma placa tectônica bem antiga. Todos os registros de tremor ou movimento das bordas das placas que chegam ao nosso continente são muito fracos, o que elimina o risco. E, além disso, o oceano Atlântico não tem registros de terremotos da mesma magnitude que o Índico”, afirma o geólogo, que foi o responsável pela criação de um ambiente simulador de tsunami no museu Estação Ciência de São Paulo.

Além disso, o professor explica que as placas que recobrem o planeta se movem em velocidades diferentes e aquela sobre a qual o Brasil está se move com uma velocidade muito menor do que as da Ásia e da Oceania. “Por ano, as placas do oceano Atlântico sofrem uma separação de 2 centímetros, enquanto naquelas regiões são 8 centímetros. Por isso, não há chance de eventos agressivos aqui”, diz.

Na época da tragédia na Ásia, em 2004, especulou-se que o oceano Atlântico também tenha sofrido reflexos da movimentação das águas no Índico. “Houve muita discussão a esse respeito, porque alguns dias depois foi medida uma movimentação estranha de ondas do nosso litoral. No entanto, jamais se chegou a uma conclusão se isso seria uma resposta muito distante do que aconteceu lá ou somente picos anômalos de maré no Atlântico”, explica o professor.

Outra especulação é se um evento vulcânico nas Ilhas Canárias espanholas poderia causar um tsunami. “É uma hipótese meramente teórica que não se confirma”, declara o especialista.

Para agendar visitas de escolas à Estação Ciências e ver o simulador de tsunamis, é só entrar em contato pelo telefone (11) 3675-6889 ou (11) 3672-5364. Outras informações: http://www.eciencia.usp.br/

Por que é raro ocorrer terremotos no Brasil?

Ilustração: Cássio Bittencourt

Beatriz Vichessi (bvichessi@abril.com.br). Com reportagem de Daniela Almeida e Rita Trevisan

Pergunta enviada por Maria do Carmo Nascimento de Jesus, Euclides da Cunha, BA

Tremores de terra ou abalos causados pela liberação de energia acumulada no interior da crosta terrestre não são raridades aqui. Ao contrário: o território nacional sofre cerca de 90 tremores todos os anos.

Incomuns, na verdade, são os sismos de grande magnitude porque o país está em uma zona intraplacas tectônicas, com maior estabilidade, afastado das zonas de contato ou de separação de plataformas (veja a ilustração ao lado, que também indica, com as setas vermelhas, o sentido de movimento das placas).

Essas áreas de contato são muito instáveis, como é o caso do arquipélago japonês, que sofre com abalos fortes. Mas grandes terremotos já foram registrados aqui.

Em 1955, em Mato Grosso, um sismo atingiu 6,2 graus na escala Richter. Ele teria sido devastador se tivesse ocorrido em uma área mais povoada.

Como analisar fenômenos naturais como os terremotos

Para ensinar os fenômenos da natureza e garantir que ela não seja encarada como vítima ou vilã, a saída é discutir a dinâmica da Terra
Beatriz Vichessi (bvichessi@abril.com.br)

Nos últimos meses, grande terremoto, ocorridos no Japão  tomou conta da imprensa, que mostrou imagens de pessoas mortas e desabrigadas enfrentando a escassez de alimentos e a falta de água potável.

Como não poderia deixar de ser, o assunto chegou às escolas e abriu espaço para afirmações curiosas. “Os terremotos são a resposta do meio ambiente às ações desordenadas do homem.” “Todo início de ano tem desgraças. Neste ano, deslizamento de terra em Angra dos Reis, os desabamentos de casas construídas em áreas de encostas, os tremores de terra e o tsunami no Chile… Lembra-se do naufrágio do Bateau Mouche, no Rio de Janeiro, em 1988?” Como se tudo estivesse relacionado a reações da natureza.

Para que os alunos encontrem respostas para fatos como esses, sem deixar brechas para teorias fantasiosas ou desconexas, o caminho é instruí-los a buscar informações em textos científicos e outras fontes confiáveis que expliquem o caráter natural de fenômenos como ciclones e erupções vulcânicas. “É assim que eles vão distinguir as causas, que são manifestações naturais, das consequências, que envolvem a sociedade”, diz Ana Clara Fernandes, professora do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ou seja, não existem catástrofes naturais. Depois de um evento como um terremoto, tudo se reorganiza. Catástrofe é social. Quando não há humanos no local, fala-se em tragédia? Se o sismo no Japão tivesse ocorrido em um deserto, os problemas seriam os mesmos? Questões como essas ajudam a observar como o homem ocupa o espaço – ignorando que algumas regiões são propensas à ocorrência de fenômenos naturais – e o que tem de ser feito para minimizar os danos. Em locais em que são comuns os terremotos, por exemplo, prédios devem ter uma estrutura adequada e a população precisa ser instruída a se abrigar em áreas seguras nos momentos de abalos.

Conhecer a natureza ajuda a entender os fenômenos

Abordar os eventos naturais também permite que o professor coloque em cena a história do planeta (leia a sequência didática). Essa é mais uma maneira de naturalizar os fatos e fazer a moçada pensar sobre o tempo geológico. A Terra tem 4,56 bilhões de anos e o Homo sapiens existe somente há 100 mil. A flutuação das placas tectônicas no magma e os choques entre elas ocorrem muito antes de o homem aparecer. “O Globo é um organismo vivo e tem dinâmicas próprias, que ocorrem independentemente da intervenção humana”, diz Christine Bourotte, docente do curso de Licenciatura em Ciências da Natureza para o Ensino Fundamental da Universidade de São Paulo (USP).

“Aprendizagens como essas encaminham o aluno a compreender o funcionamento da natureza e a influência do homem no ambiente”, diz Marcos de Carvalho, também da USP. Em outras palavras, proporciona a apropriação de alguns dos objetos de estudo da Geografia, permitindo que se descubra como atuar de maneira consciente no espaço em que vivemos.

Entenda o acidente nuclear em Fukushima, no Japão

Após ter parte de seu território devastado por um terremoto seguido de tsunami, japoneses enfrentam vazamento de radiação em usina nuclear afetada. Acidente, porém, não é comparável à maior tragédia nuclear da história

Ricardo Ampudia (novaescola@atleitor.com.br)


O terremoto de 8,9 graus na escala Richter e o tsunami que abalaram o Japão na madrugada do último dia 11 de março (horário de Brasília) provocaram danos na usina nuclear de Fukushima, localizada na região nordeste da ilha. Vazamentos radioativos foram registrados e um iminente desastre nuclear mobilizou a comunidade internacional.

No momento do terremoto, 11 usinas localizadas na região entraram em processo de desligamento. Como parte do procedimento, os reatores precisam ser resfriados, uma vez que a fissão nuclear permanece ocorrendo mesmo após a interrupção na geração da energia. Cerca de uma hora depois do tremor, a usina de Fukushima foi atingida pelo tsunami. O sistema de resfriamento foi avariado e os técnicos japoneses passaram a adotaram medidas alternativas, como a injeção de água do mar nos reatores. Mesmo assim, três explosões se sucederam, a última delas na manhã da segunda-feira (14).

Segundo informações do governo japonês, houve vazamento radioativo, mas os reatores estão preservados. Os níveis de radiação no entorno da usina superaram em oito vezes o limite de segurança, forçando a evacuação da população em um raio de 20 km ao redor da usina (Saiba quais os efeitos da radiação sobre o corpo humano).

Segundo Laércio Vinhas, diretor de Radioproteção e Segurança Nuclear, da Comissão Nacional de Energia Nuclear brasileira, as medidas tomadas pelo governo japonês estão de acordo com o manual de operações para crises em usinas.

Em Fukushima, explica o especialista, as explosões ocorreram quando a água usada para o resfriamento se tornou vapor de alta temperatura – liberando hidrogênio, altamente inflamável. Ainda que o reator seja danificado, Vinhas acredita que o acidente não deverá atingir grande magnitude. “Ainda sabemos pouco sobre a dimensão dos acontecimentos.
Mas mesmo com o núcleo exposto, a estrutura da usina japonesa tem capacidade para evitar uma exposição exagerada. Caso isso ocorra, as consequências serão bem locais”, afirma.

Vinhas afirma que não é possível comparar o acidente de Fukushima ao ocorrido em Chernobyl, na Ucrânia, em 1986. “Naquele caso, as estruturas eram defasadas. E o acidente aconteceu com o reator em funcionamento”, explica o diretor. O evento do Japão é mais parecido com o acidente na usina Three Mile Island, em 1979, nos Estados Unidos”, avalia Vinhas.

Na ocasião, em TMI, não houve vítimas nem vazamento de radiação para além dos limites da usina. No entanto, no Japão, com o acidente ainda fora de controle e dificuldade das autoridade em mensurar seus efeitos, os estragos podem ser maiores.

Quais são os efeitos da radiação no corpo humano?

Ricardo Ampudia (novaescola@atleitor.com.br)

Em física, radiação é a emissão de energia por meio de ondas. Determinados elementos químicos, por possuírem núcleos instáveis (quando não há equilíbrio entre as partículas que o formam), liberam raios do tipo gama, capazes de penetrar profundamente na matéria. É o caso dos combustíveis utilizados nas usinas nucleares, como o urânio e o plutônio.

Quando exposto a esse tipo de radiação, o corpo humano é afetado, sofrendo alterações até mesmo no DNA das células. “A radiação tem a capacidade de alterar a característica físico-química das células. As mais afetadas são as células com alta taxa de proliferação, como as reprodutivas e as da medula, que são mais radiossensíveis”, explica Giuseppe d´Ippólito, professor do Departamento de Diagnóstico por Imagem da Universidade Federal Paulista (Unifesp).

Os efeitos da radiação são classificados como agudos ou crônicos. Os crônicos se manifestam ao longo de anos após uma exposição não direta mas significativa de radiação. Já os agudos são imediatos. Ocorrem naqueles indivíduos que tiveram contato com material radioativo ou que se expuseram a grande quantidade de radioatividade.
Segundo Gilson Delgado, oncologista e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), os efeitos agudos variam de queimaduras nas mucosas até alterações na produção do sangue, com rompimento das plaquetas (células que atuam na coagulação do sangue) e queda na resistência imunológica. “Esses efeitos são pouco comuns em acidentes em usinas, pois só ocorrem quando há uma exposição intensa e próxima”, explica.

No entanto, em eventos como o ocorrido no Japão, a radiação pode contaminar o ambiente por meio do vazamento de componentes radioativos. O risco passa a ser a entrada de material contaminado na cadeia alimentar humana, por meio do consumo da água, de vegetais ou de carne de animais mantidos com alimentação contaminada. “Com essa exposição frequente aparecem problemas crônicos como câncer de pulmão, de pele ou de sangue (leucemia), problemas na tireóide e esterilidade”, conta Delgado.
Pesquisadores apontam que as alterações no DNA das células podem se estender por gerações. Pesquisas recentes com netos de sobreviventes do ataque nuclear a Hiroshima (Japão), durante a Segunda Guerra Mundial, apontaram alta taxa de infertilidade. A explicação estaria no fato de que as células reprodutoras são muito sensíveis e especialmente afetadas pela radiação.

Incidentes nucleares são recentes na história. Por isso, ainda não é possível conhecer todos os efeitos que a radiação pode causar a longo prazo, nas próximas gerações. “Hoje, sabemos que, para quem é afetado, não existe tratamento possível. A radiação pode até sair do corpo, mas o efeito biológico não”, afirma Delgado.

As usinas nucleares são seguras?

No ocidente, usinas possuem um rigoroso sistema de segurança para evitar contaminação do meio ambiente

Paula Sato (novaescola@atleitor.com.br)

Usina de Angra dos Reis

Entenda o desastre no Japão

Um acidente na Usina de Angra dos Reis em maio de 2009 fez os brasileiros relembrarem o eterno fantasma do vazamento em Chernobyl, que ocorreu na Ucrânia em 1986, e levantou a questão: será que esse tipo de usina é seguro? Os especialistas garantem que sim. “Verificando o histórico de operação de usinas ocidentais, é possível constatar que se passaram mais de 50 anos sem acidentes com vítimas fatais. Aqui no Brasil, a usina de Angra 1 já tem 15 anos de operações sem acidentes graves, número bem menor do que o registrado em outras atividades industriais”, afirma Edson Kuramoto, diretor da Associação Brasileira de Energia Nuclear. A mesma opinião é compartilhada por Luís Antônio Albiac Terremoto, pesquisador do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), “as pessoas têm essa idéia de que a energia nuclear pode ser perigosa porque não têm idéia do grau de segurança das usinas. Para vazar ao meio ambiente, a radiação precisa passar por seis barreiras. O que aconteceu em Chernobyl é que não haviam várias dessas barreiras e houve uma operação negligente. Mesmo assim, até hoje morreram apenas 45 pessoas em decorrência do acidente”, explica o físico.

Além de ser segura, a energia nuclear ainda tem a vantagem de ser considerada limpa, ou seja, não provoca emissões de gases estufa. Fora isso, a área ocupada por uma usina nuclear é pequena se comparada à quantidade de energia gerada. A quantidade de resíduos gerados também é menor do que em outras atividades industrias. Ou seja, as usinas nucleares são a aposta para o futuro. “Atualmente, os brasileiros consomem apenas 1/3 da energia utilizada em Portugal, por exemplo. Se o Brasil se desenvolver, vai ter que no mínimo duplicar a geração de energia. E isso não é possível só com as usinas hidrelétricas e as usinas nucleares são uma alternativa melhor do que as termoelétricas, que utilizam combustíveis fósseis”, afirma Edson Kuramoto. O especialista ainda conta que, segundo o planejamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, até 2030 devem ser construídas entre quatro e oito novas usinas nucleares no Brasil.

Apesar de todas essas vantagens, quando se fala em energia nuclear, levanta-se duas questões: o que fazer com o lixo nuclear e como garantir que as reservas de urânio não serão esgotadas. O problema da geração de lixo parece já ter sido solucionado. “Todos os dejetos são medidos, colocados em armazenados em repositórios que ficam nas próprias usinas, de forma segura. Sem contar que a produção de dejetos nucleares é muito pequena se comparada à de outras atividades. Não há o menor risco de contaminação do meio ambiente. Para se ter uma referência, alguns gases produzidos por termoelétricas ou por carros permanecem na atmosfera por 800 anos. Já o plano para os resíduos nucleares é que eles precisem ser armazenados por 500 anos”, explica Edson Kuramoto. O problema do esgotamento do minério de urânio também não é uma preocupação para os especialistas da área. No Brasil, apenas 30% das reservas de urânio já foram prospectadas e, mesmo assim, o país tem a 6a maior reserva do mundo. Em primeiro lugar estão Cazaquistão e Austrália, que nem possuem a tecnologia para produzir energia nuclear. “E mesmo que se dobre a capacidade dos reatores, ainda teríamos combustível para mais de 300 anos de geração de energia. Outra alternativa é reprocessar o urânio utilizado para gerar plutônio, que também pode ser usado nas usinas”, afirma Luís Antônio Terremoto.

Portfólio na Educação

Veja a postagem anterior:

Educação – Portfólio

Portfólio na Educação Infantil

Fonte: Espaço para Brincar e Aprender

O que é Portfólio

É uma técnica inovadora, de avaliar o progresso das crianças através de um conjunto de procedimentos contínuo, são instrumentos de estimulação do pensamento reflexivo.

Essa técnica, pode-se dizer que é uma avaliação contínua mais autêntica, objetiva e compreensiva, permitindo acompanhar todos os processos de aprendizagem.

Resumindo PORTFÓLIO não é um deposito de trabalhos “organizados”é sim um suporte para podermos observar e respeitar o ritmo e auxiliando e dialogando com as crianças sendo um ser singular.

Assume-se então uma estratégia conjunta de reflexão ,ação e avaliação

1-Reflexão(ões) crítica(s) individualizada acerca do grau de participação nos projetos de ação-intervenção com objetivos previamente formulados.

2-Participação dos pais

3-Reflexão crítica do processo de desenvolvimento do projeto e suas limitações;

4-Produtos em suportes áudio, vídeo.

5-Reflexões final: auto avaliação da participação no processo de avaliação.


CRITÉRIOS DO PORTFÓLIO:

1-Registra idéias, experiências e opiniões acerca do processo de formação.Registar e refletir, de forma sistemática, as suas idéias, motivações, opiniões, propósitos, registra todas as considerações de ordem crítica que considera pertinentes.

FICHA AVALIATIVA:

CRITÉRIOS USADOS PARA AVALIAÇÃO:

NÍVEL I:Satisfaz: Revela intenções claras ,mostra curiosidade e persistência.

Nível ll: Não satisfaz: com algumas dificuldades em concretizar suas idéias.

2-Desenvolve idéias através de experimentação, exploração e avaliação.
FICHA AVALIATIVA:CRITÉRIOS USADOS PARA AVALIAÇÃO:

Mostra que é capaz de explorar ideias de várias formas através de experimentação de possibilidades. Conseguindo encontrar várias possibilidades novas.

NÍVEL I : Satisfaz: Seleciona, analisa e interpreta criticamente.

Nível ll: Não satisfaz: Mostra algum interesse na descoberta ,mas limita na organização da informação.

3-Revela capacidades de análise crítica dos produtos elaborados.Consegue avaliar os mesmos e (re)adequá-los à prática educativa.

4-Analisa criteriosamente os materiais produzidos.Coerência entre o todo e as partes, em termos do processo global; Coerência entre o discurso de reflexão crítica (anteriori-posteriori);Avaliação global do seu trabalho em si.

FICHA AVALIATIVA:CRITÉRIOS USADOS PARA AVALIAÇÃO:

NÍVEL I :Satisfaz: utiliza problemas pré estabelecidos fazendo sempre uma auto reflexão

Nível ll: Não satisfaz: explicita vagamente os problemas pré estabelecidos,limia-se apenas em repetir.

5-Avalia o portfólio como um todo.Esta parte será feita após a conclusão do portfólio, tentando responder a questões como:- Forma de desenvolvimento do projeto;

FICHA AVALIATIVA:CRITÉRIOS USADOS PARA AVALIAÇÃO:

NÍVEL I :Satisfaz: o resultado foi selecionado criteriosamente demonstrando assim compreenção.

Nível ll: Não satisfaz: o resultado final revelam baixa capacidade técnica do domínio da linguagem escrita.
6-Avalia o resultado como um todo:

FICHA AVALIATIVA:CRITÉRIOS USADOS PARA AVALIAÇÃO:

NÍVEL I :Satisfaz: Analisa o progresso ocorrido referindo as intenções e fontes.

Nível ll: Não satisfaz: Utiliza critérios de avaliação ,não fundamenta a qualidade do seu trabalho nem a forma como desenvolveu.

CLARO QUE OS CRITÉRIOS VARIAM DE ACORDO COM A IDADE, A TURMA, ENFIM, CADA HISTÓRIA É UMA…..VAMOS OBSERVAR……E TRABALHAR……….BEIJOS

RETIREI ESTE ESTUDO DO LIVRO MANUAL DE PORTIFÓLIO

Os portfólios e os processos de ensinagem

Fonte: Canal do Educador – Brasil Escola

O portfolio (do inglês) é uma modalidade de avaliação retirada do campo das artes e que aparece com o objetivo de criar novas formas de avaliação para o desenvolvimento das inteligências artísticas. (ALVES, Leonir Pessate)

O portfólio começou a difundir-se em espaço escolar na década de 90, com ênfase nos Estados Unidos. O portfólio vem sendo evidenciado como um dos mais novos subsídios para uma avaliação dinâmica e eficiente do ensino. O portfólio com variada terminologia distingui-se de acordo com sua intenção, como: porta-fólios, processo-fólios, diários de bordo, dossiê. “Reflete a crença de que os estudantes aprendem melhor, e de uma forma mais integral, a partir de um compromisso com as atividades que acontecem durante um período de tempo significativo e que se constrói sobre conexões naturais com os conhecimentos escolares”. (Kátia Stocco Smole)

A construção dos portfólios, através dos CD ROOMS, caracteriza os Webfólios, que podem guardar toda a história escolar de um indivíduo desde a Educação Básica até a Educação Superior, e servirá como processo de ressignificação de suas aprendizagens e colaboração no processo de avaliação tanto formativa, como somativa dos procedimentos escolares. Esse portfólio construído ao longo da vida acadêmica, pode ser utilizado para ilustrar o desempenho no desenrolar de sua trajetória escolar. O portfólio é usado como ferramenta de acompanhamento, desenvolvimento e qualidade do ensino/aprendizagem. Os conhecimentos são registrados, enfatizando a finalidade, as competências e práticas adquiridas no processo de ensinagem.

No Estágio Supervisionado e na Educação Infantil a utilização do portfólio é feita com a finalidade de documentar ações e reflexões. O portfólio é usado como ferramenta que facilita a ressignificação do processo de ensinagem e aprendizagem ao longo de um momento de ensino. Sua preparação apresenta a propriedade de ponderar sobre a melhoria e qualidade da aprendizagem dos estudantes, e concomitantemente propicia inserir reelaborações de ações indispensáveis para o sucesso do processo de ensinagem.

De acordo com HERNÁNDEZ, Fernando (2000, p.166) o portfólio é : …” um continente de diferentes tipos de documentos (anotações pessoais, experiências de aula, trabalhos pontuais, controles de aprendizagem, conexões com outros temas fora da escola, representações visuais, etc) que proporciona evidências do conhecimento que foram sendo construídos, as estratégias utilizadas para aprender e a disposição de quem o elabora para continuar aprendendo”.

Portfólios são trabalhos ilustrativos dos alunos. Representam o seu pensamento, sentimento, a sua maneira de agir; as suas competências e habilidades e a maneira como colocou em prática o seu trabalho acadêmico. Essa ferramenta a serviço da educação tem como finalidade primordial proporcionar uma visão integral do conhecimento formal do educando e sua atuação na aprendizagem das diferentes áreas curriculares, assim como o seu desenvolvimento no campo comportamental e sua evolução na área pessoal e educacional.

Os portfólios permitem uma avaliação de cooperação e participação , havendo interação do professor e aluno. Ambos escolhem os trabalhos mais expressivos do educando, através da criticidade e reflexão, estabelecendo padrões em busca da qualidade e assertividade. Há também um processo interdisciplinar com professores de outras áreas , que opinam em relação ao trabalho do aluno, fornecendo opiniões e depoimentos relativos à melhoria e qualidade do ensino/aprendizagem.

Existe uma gama enorme de registros em portfólios, tais como: desenhos; fotos, artes, exposição de documentos; avaliação acadêmica de desempenho; registro de entrevistas; comentários e documentários de eventos musicais, de dança , de canto; lista de livros lidos; registro de leituras; correspondências; atuações gravadas em vídeo e áudio, etc.
Os portfólios são registros produzidos em períodos de aprendizagem, e para isso podemos usar a fotografia como documento desse momento, não como cristalização, mas como comentários abertos, através de uma evolução histórica do acontecimento, completados e avaliados sempre, procurando buscar de maneira metódica e ordenada a melhor atuação do aluno dentro do seu desenvolvimento acadêmico.
Referências:CHAVES, Idália de Sá- Portfólios Reflexivos: estratégias de formação e de supervisão.

Autora: Amelia Hamze
Educadora
Profª UNIFEB/CETEC e FISO – Barretos

Sobre Portfólio

Fonte: Professora Mary Lins

O QUE É PORTFÓLIO?


É uma técnica inovadora, de avaliar o progresso das crianças através de um conjunto de procedimentos contínuo, são instrumentos de estimulação do pensamento reflexivo. Essa técnica, pode-se dizer que é uma avaliação contínua mais autêntica, objetiva e compreensiva, permitindo acompanhar todos os processos de aprendizagem. Resumindo PORTFÓLIO não é um deposito de trabalhos “organizados” é sim um suporte para podermos observar e respeitar o ritmo e auxiliando e dialogando com as crianças sendo um ser singular. Assumimos então uma estratégia conjunta de reflexão ,ação e avaliação
1-Reflexão (ões) crítica(s) individualizada acerca do grau de participação nos projetos de ação-intervenção com objetivos previamente formulados.
2-Participação dos pais :
3-Reflexão crítica do processo de desenvolvimento do projeto e suas limitações;
4-Produtos em suportes áudio, vídeo.
5-Reflexões final: auto avaliação da participação no processo de avaliação.

CRITÉRIOS DO PORTFÓLIO:

1-Registra idéias, experiências e opiniões acerca do processo de formação. Registrar e refletir, de forma sistemática, as suas idéias, motivações, opiniões, propósitos, registra todas as considerações de ordem crítica que considera pertinente.

FICHA AVALIATIVA: CRITÉRIOS USADOS PARA AVALIAÇÃO:
NÍVEL I:Satisfaz: Revela intenções claras ,mostra curiosidade e persistência.
Nível ll: Não satisfaz: com algumas dificuldades em concretizar suas idéias.
2-Desenvolve idéias através de experimentação, exploração e avaliação.

FICHA AVALIATIVA: CRITÉRIOS USADOS PARA AVALIAÇÃO:
Mostra que é capaz de explorar idéias de várias formas através de experimentação de possibilidades. Conseguindo encontrar várias possibilidades novas.
NÍVEL I :Satisfaz: Seleciona, analisa e interpreta criticamente.
Nível ll: Não satisfaz: Mostra algum interesse na descoberta ,mas limita na organização da informação.
3-Revela capacidades de análise crítica dos produtos elaborados. Consegue avaliar os mesmos e (re) adequá-los à prática educativa.
4-Analisa criteriosamente os materiais produzidos. Coerência entre o todo e as partes, em termos do processo global; Coerência entre o discurso de reflexão crítica (anteriori-posteriori); Avaliação global do seu trabalho em si.

FICHA AVALIATIVA: CRITÉRIOS USADOS PARA AVALIAÇÃO:
NÍVEL I :Satisfaz: utiliza problemas pré estabelecidos fazendo sempre uma auto reflexão
Nível ll: Não satisfaz: explicita vagamente os problemas pré estabelecidos,limita-se apenas em repetir.
5-Avalia o portfólio como um todo. Esta parte será feita após a conclusão do portfólio, tentando responder a questões como: – Forma de desenvolvimento do projeto;

FICHA AVALIATIVA: CRITÉRIOS USADOS PARA AVALIAÇÃO:
NÍVEL I :Satisfaz: o resultado foi selecionado criteriosamente demonstrando assim compreensão.
Nível ll: Não satisfaz: os resultados finais revelam baixa capacidade técnica do domínio da linguagem escrita. 6-Avalia o resultado como um todo:

FICHA AVALIATIVA: CRITÉRIOS USADOS PARA AVALIAÇÃO:
NÍVEL I :Satisfaz: Analisa o progresso ocorrido referindo as intenções e fontes.
Nível ll: Não satisfaz: Utiliza critérios de avaliação ,não fundamenta a qualidade do seu trabalho nem a forma como desenvolveu. A MESMA FICHA SERÁ TRABALHADA NO MÍNIMO TRÊS VEZES POR ANO.

Portfólio Integra a proposta pedagógica

Após a constatação de que havia a necessidade de novos métodos que contribuíssem para a melhor organização do cotidiano escolar, o grupo pedagógico da escola apresentou ao corpo docente, no ano de 2002, o Manual de Portfólio. Esta apresentação motivou a leitura do material pelos professores e, em fevereiro de 2003, iniciaram-se os estudos teóricos acerca do uso do Portfólio. A partir da análise das possibilidades oferecidas pelo portfólio, optou-se pelo uso de fichas, registro de memórias de aula, amostra de trabalhos, observações sobre o comportamento dos alunos, agenda escolar permanente. Tais estratégias contribuem sobre- maneira na orientação e aproveitamento do tempo nas atividades escolares.

Vale aqui ressaltar que o portfólio não é utilizado apenas no acompanhamento do dia-a-dia de sala de aula, mas também na documentação das reuniões pedagógicas realizadas pela escola. Outrossim, justifica-se a escolha do Portfólio porque representa uma alternativa eficaz no acompanhamento dos alunos, o que favorece o processo de avaliação feito pelo professor, bem como o envolvimento da família através de estratégias como o portfólio particular do professor, onde se registra o dia-a-dia, do aluno ou da agenda, permanente onde são comunicados dados relevantes sobre o aluno e as atividades realizadas na ou pela escola, envolvendo a comunidade escolar. Além disso, os pais têm a oportunidade de acompanhar a cronologia da realização dos trabalhos pela organização de pastas onde consta a seleção de trabalhos em seqüência, demonstrando a caminhada do aluno no processo de aprendizagem. Desta forma, pode-se avaliar o portfólio como sendo um instrumento importante e eficaz na organização do professor, pois, de maneira geral, constitui-se em um histórico, um documento onde constam dados fundamentais à prática docente.

Apresentamos a seguir uma síntese do Manual de Portfólio: coletânea de trabalhos realizados e selecionados pelos estudantes durante um curso ou período. No portfólio podem ser agrupados dados de visitas técnicas, resumos de textos, composições, trabalhos artísticos, projetos, relatórios, anotações diversas, provas, testes, auto-avaliações dos alunos, entre outros. A finalidade deste instrumento é auxiliar o educando a desenvolver a capacidade de avaliar seu próprio trabalho, refletindo sobre ele, melhorando. Ao professor, oferece a oportunidade de traçar referenciais da classe como um todo, a partir das análises individuais, com foco na evolução dos educandos ao longo do processo de ensino e de aprendizagem. A idéia é utilizá-lo seguindo seu propósito original, que é o de encorajar a reflexão e o estabelecimento de objetivos a cada aprendiz e comprometendo os pais com a avaliação por meio de comunicação variada e freqüente. O processo de montagem de um portfólio em dez passos é projetado para permitir que professores e administradores escolares implementem o uso desse recurso gradualmente. Pode-se começar com um único e pequeno passo e complementar o processo dentro de dois ou três anos letivos. O portfólio permite que cada um prossiga em seu próprio ritmo; mostra como um professor pode se tornar mais bem capacitado e mais eficiente e concentrar-se em descobrir como as crianças são diferentes ao invés de provar que são iguais. O processo de montagem de portfólio em dez passos encoraja: a instrução individualizada para crianças pequenas no contexto de objetivos de aprendizagem amplos; o desenvolvimento profissional contínuo para professores e afins e, o envolvimento completo da família no programa de educação infantil.

Passos:

1 – Estabelecer uma política para o portfólio;
2 – coletar amostras de trabalhos;
3 – tirar fotografias;
4 – conduzir consultas nos diários de aprendizagem;
5 – conduzir entrevista;
6 – realizar registros sistemáticos;
7 – realizar registros de casos (ocorrências);
8 – preparar relatórios narrativos;
9 – conduzir reuniões de análises de portfólios em três vias;
10 – usar portfólios em situações de transição.

Livrando-se da dificuldade em preparar relatórios escritos

O processo de montagem de portfólio em dez passos, além dessas possibilidades, ajuda profissionais de educação a se livrarem do obstáculo que derruba muitos de nós: as anotações escritas. Uma das razões para esse impasse é que muitos professores e administradores escolares consideram o ensino por um lado e a avaliação por outro, como sendo atividades educacionais separadas. Os relatórios escritos consomem muito tempo, e os professores não querem ocupar “tempo demais” com a avaliação. Ainda assim, não podemos realmente separar esses processos! Avaliação, estimativa e ensino são partes de um ciclo contínuo de ensino e aprendizagem.

Envolva as famílias


O portfólio pode abrir o processo de ensino para pais, irmãos e outros membros da família, encorajando-os a fazer parte da vida da sala de aula ou da escola. Dessa forma, o portfólio torna-se uma ferramenta para um desenvolvimento curricular centrado na família. Educadores e pais que já estão rotineiramente se comunicando com as famílias percebem essa troca como sendo uma oportunidade para desenvolver um círculo de aprendizado que se estende da escola até o lar e vice-versa.

A participação familiar baseada em um portfólio pode ocorrer em três estágios:

Estágio 1 – Os familiares ajudam com recursos para centro de ensino ou para classe, fornecendo materiais, informações e apoio voluntário para investigação de tópicos selecionados pelo professor (a criança escreve no seu diário sobre sua ajuda na montagem de uma cadeira para seu avô –a professora convida-o para demonstrar a arte da carpintaria na sala de aula).

Estágio 2 – Os familiares participam no planejamento de estudos sobre história local, ecologia local, artistas locais, governo local ou outros tópicos (convidam familiares ou pessoas da comunidade para falar de determinados assuntos que tenham conhecimento mais aprofundado).

Estágio 3 – Os pais tornam-se “intermediários entre o currículo e os estudantes”(uma aluna traz fotos do cachorro para mostrar aos colegas e falar sobre ele e conta o que sabe a respeito desse animal).

Reflexão

O processo de montagem de portfólio em dez passos não pode ser um substituto para uma avaliação padronizada em ampla escala. Ele não pode garantir esse tipo de avaliação sem uma quantidade imensa de trabalho por parte dos professores e dos administradores escolares.Graves (1992) sugere que os portfólios sejam “uma idéia simplesmente boa demais” para serem limitados a coleções padronizadas de itens com o propósito de comparar crianças umas com as outras ou com padrões de desempenho. Infelizmente, existe pressão para obtenção de dados mensuráveis. A avaliação com portfólio pode enfatizar a preocupação com o progresso das crianças em caminhos limitados ou na ção entre elas. Ao mesmo tempo, deveríamos trabalhar mais para educar os pais a respeito dos benefícios e das limitações de diferentes estratégias de avaliação, de modo a fazer com que eles entendessem que um teste padronizado não irá revelar nada de novo sobre seus filhos, e um portfólio não irá dizer como seu filho se compara em relação a outras crianças da sala de aula, do estado país ou do país em que vive.

Vamos preservar os portfólios como sendo a base e o contexto para o aprendizado, como sendo o registro das experiências e das realizações únicas de cada criança!

O conhecimento das crianças individualmente

Os encontros individualizados entre crianças pequenas e seus familiares são oportunidades de aprender mais sobre o modo como as crianças aprendem, assim como sobre suas habilidades, seus interesses e suas necessidades particulares. Desta maneira, você acrescenta novas informações ao seu conhecimento sobre a criança, e assim, tomará decisões precisas de como direcionar o seu trabalho. A montagem do portólio irá fortalecer seu relacionamento com cada criança e com sua família. Observar, conhecer e entender as crianças como indivíduos é a base do ensino e da avaliação afetiva, até mesmo do envolvimento familiar. No ensino fundamental, os benefícios são maiores, quando os professores engajam as crianças e suas famílias em verdadeiras comunidades de ensino.

O conhecimento sobre desenvolvimento infantil

Ao implantar o uso do portfólio, os profissionais continuamente observam e avaliam eventos nos programas de educação infantil: Tal atividade foi efetivada com todas as crianças? Por que certas crianças não responderam à atividade? Por que determinadas crianças estão preocupadas com uma atividade específica? Como eu deveria reagir? Quanto mais o profissional observa o desenvolvimento de crianças pequenas, mais ele precisa entendê-lo.

O conhecimento sobre diversidade

Um envolvimento familiar efetivo automaticamente garante diversidade cultural no programa de educação infantil, pois as famílias são todas diferentes – na estrutura familiar, nos seus passa-tempos, nas suas ocupações e em suas habilidades físicas. A coleta de amostras de trabalho, fotografias dedemonstração, ou os trabalhos gravados em vídeo, garantem que se observem as diferentes inteligências (lingüísticas, lógico-matemática, espacial, corporal-cinestésica, interpessoal e naturalista). Desenvolvimento profissional: como os portfólios ajudam os professores a aprender?

O professor necessita do conhecimento do desenvolvimento infantil, de uma ampla variedade de técnicas de entrevista e de observação, da habilidade de adaptar ambientes de aprendizagem para suprir as necessidades individuais de certas crianças. Os métodos de desenvolvimento curricular estão centrados na criança e nas técnicas para envolver as famílias na vida de seus filhos, no centro de ensino ou na escola, trazendo sua vivência para a sala de aula.

RECUPERAÇÃO

“Diz-me como avalias e eu te direi que professor és” (Zabala-1999) Estudo de recuperação: que bicho é esse? Estamos chegando ao final do ano, período em que começamos a definir os rumos dos nossos alunos pelo processo de avaliação. Mas sabe de uma coisa? Quase nenhuma escola utiliza um instrumento importante chamado Estudo de Recuperação. E ele está na LDB, sabiam?! Artigo 24, inciso V, alínea e: “obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos”. Você pode estar se perguntando: não são as Provas de Recuperação? Definitivamente, não! As provas são uma outra história. Devemos prestar atenção a alguns pontos: o Estudo de Recuperação não visa melhoria de nota, pois não se caracteriza como recuperação da mesma, esta deve ser feita pelas Provas de Recuperação. Ele procura desenvolver o aluno para que não fique em desnível ou atraso diante da turma. Outro ponto importante é que a lei obriga que sejam feitos estudos, e não aulas de recuperação, apenas com os alunos com baixo rendimento, excluindo aqueles que tiveram pouca freqüência e um bom rendimento. A escola deve organizar os momentos de Estudo de Recuperação em horários que não interfiram nas 800h de aula anuais, ou seja, eles devem ser realizados no turno em que o aluno não esteja em sala. Devem ser paralelos ao período letivo, isso quer dizer que podem ser feitos durante o ano, portanto, não é necessário acontecer todos os dias. Vale salientar que as provas ainda são um tabu para os alunos da maioria das escolas brasileiras. O Estudo de Recuperação carrega a concepção de que o aluno estará desenvolvendo um trabalho de aprendizagem e não estará diante de uma situação formal de avaliação. Portanto, é bem provável que ele se saia melhor no Estudo de Recuperação do que na Prova de Recuperação