Conheça o Mundo do Sítio

O Mundo do Sítio é a primeira rede social infantil totalmente brasileira que terá diversos jogos e atividades inspiradas na obra de Monteiro Lobato, o pai da literatura infatojuvenil brasileira.

O Mundo do Sítio ainda está em construção, mas você já pode dar uma espiadinha e participar dos testes que estão disponibilizados. O Mundo do Sítio vai reunir um público de 5 a 10 anos por isto a segurança é preocupação constante.  Lá a criançada vai encontrar muita diversão, cultura, educação e vão poder conhecer ou relembrar as Aventuras da Emília, do Pedrinho, Narizinho, Visconde e todo o resto da turma. É claro que também irão ouvir as histórias da Tia Nastácia e da Dona Benta.

Acessando o Blog do Sítio você poderá jogar um jogo que tem a cara do Sítio – Piquenique.

Depois de jogar mande um e-mail para faleconosco@mundodositio.com.br e conte o que achou sobre ele. Sua opinião é muito importante. Lembre-se que o Mundo do Sítio está em fase de testes e você pode ajudá-lo a se tornar uma Rede Social ainda melhor.

Na Biblioteca do Visconde

“Os textos de Lobato ganharam recursos digitais modernos. Imagens animadas, leitura acompanhada (o texto é grifado conforme a leitura), uma trilha sonora composta por Sergio Wontroba, integrante da 1/2 Dúzia de 3 ou 4 e da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, e a narração inspirada de Denise Fraga. Isso mesmo. A talentosa atriz deu vida aos moradores do Sítio do Picapau Amarelo com muita criatividade, respeitando (é claro) a essência de cada personagem.”

As crianças vão poder andar pelo reino e ver de pertinho tudo que Monteiro Lobato criou.

Já imaginou você na casa da Dona Benta? Caminhando pelo pomar e apreciando a famosa jabuticabeira que Narizinho tanto gosta? Poder ir até o curral da vaca mocha?

Pois você poderá fazer tudo isto e muito mais acessando Um mundo e seus reinos.

Ah! Pensou que eu ia esquecer de falar da Cuca, não é? Pois saiba que além de lembrar dela você poderá ter uma Cuca bem pertinho de você. Ficou com medo? Não! Fique sossegada! Você é que irá montá-la.

Clique AQUI e tenha acesso ao paper toy da Cuca. Veja como ela ficará linda!

Está bem, chamar a Cuca de linda é um exagero, mas que ficou legal, isto ficou.

Monte a sua, bata uma foto e depois mande para este endereço faleconosco@mundodositio.com.br. O pessoal que está trabalhando no Mundo do Sítio vai adorar!

E por falar no pessoal que está trabalhando no Mundo do Sítio, vou apresentá-los para vocês.

Eles estão se empenhando ao máximo para que este espaço fique incrível e que você possa brincar sempre.

Ainda estão em testes, mas podemos dizer que já está legal demais!

Primeira Constituição Republicana – 24 de fevereiro de 1891

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Acesse  sobre este tema também AQUI

1824: Uma contituição Antidemocrática

Fonte: História Net

“Causa-me horror só ouvir falar em revolução”.
Muniz Tavares, antigo revolucionário de 1817 na Assembléia Constituinte (21/mai/1823). Anais do Parlamento Brasileiro – Assembléia Constituinte, 1823, tomo I, Rio de Janeiro, pág. 90.

“Durante as discussões da Constituinte ficou manifesta a intenção da maioria dos deputados de limitar o sentido do liberalismo e de distingui-lo das reivindicações democratizantes. Todos se diziam liberais, mas ao mesmo tempo se confessavam antidemocratas e antirevolucionários. As idéias revolucionárias provocavam desagrado entre os constituintes. A conciliação da liberdade com a ordem seria o preceito básico desses liberais, que se inspiravam em Benjamim Constant e Jean Baptiste Say. Em outras palavras: conciliar a liberdade com a ordem existente, isto é, manter a estrutura escravista de produção, cercear as pretensões democratizantes”.
Emília Viotti da Costa
Da Monarquia à República: Momentos Decisivos
Livraria Editora Ciências Humanas
São Paulo, 1979, pág.116, Segunda Edição.

O primeiro processo constitucional do Brasil iniciou-se com um decreto do príncipe D. Pedro, que no dia 3 de junho de 1822 convocou a primeira Assembléia Geral Constituinte e Legislativa da nossa história, visando a elaboração de uma constituição que formalizasse a independência política do Brasil em relação ao reino português. Dessa maneira, a primeira constituição brasileira deveria ter sido promulgada. Acabou porém, sendo outorgada, já que durante o processo constitucional, o choque entre o imperador e os constituintes, mostrou-se inevitável.

A abertura da Assembléia deu-se somente em 3 de maio de 1823, para que nesse tempo fosse preparado o terreno através de censuras, prisões e exílios aos opositores do processo constitucional.

A) ANTECEDENTES: DIVERGÊNCIAS INTERNAS
O contexto que antecede a Assembléia foi marcado pela articulação política do Brasil contra as tentativas recolonizadoras de Portugal, já presentes na Revolução do Porto em 1820. Neste mesmo cenário, destacam-se ainda, divergências internas entre conservadores e liberais radicais. Os primeiros, representados por José Bonifácio resistiram inicialmente à idéia de uma Constituinte, mas por fim pressionados, acabaram aderindo, com a defesa de uma rigorosa centralização política e a limitação do direito de voto. Já os liberais radicais, por iniciativa de Gonçalves Ledo, defendiam a eleição direta, a limitação dos poderes de D. Pedro e maior autonomia das províncias.

Apesar da corrente conservadora controlar a situação e o texto da convocação da Constituinte ser favorável à permanência da união entre Portugal e Brasil, as Cortes portuguesas exigem o retorno imediato de D. Pedro, que resistiu e acelerou o processo de independência política, rompendo definitivamente com Portugal, a 7 de setembro de 1822. Sofrendo severas críticas de seus opositores e perdendo a confiança do imperador, José Bonifácio e seu irmão Martim Francisco demitiram-se em julho de 1823, assumindo uma oposição conservadora ao governo, através de seus jornais A sentinela da Liberdade e O Tamoio. Rompidas definitivamente as relações com Portugal, o processo para Constituinte tem prosseguimento, discutindo-se a questão dos critérios para o recrutamento do eleitorado que deveria escolher os deputados da Assembléia.

O direito de voto foi estendido apenas à população masculina livre e adulta (mais de 20 anos), alfabetizada ou não. Estavam excluídos religiosos regulares, estrangeiros não naturalizados e criminosos, além de todos aqueles que recebessem salários ou soldos, exceto os criados mais graduados da Casa Real, os caixeiros de casas comerciais e administradores de fazendas rurais e fábricas. Com esta composição social, ficava claro o caráter elitista que acabará predominando na Constituinte, já que retirava-se das camadas populares o direito de eleger seus representantes.

B) O ANTEPROJETO: LIBERAL E ANTIDEMOCRÁTICO
Com um total de 90 membros eleitos por 14 províncias, destacavam-se na Constituinte , proprietários rurais, bacharéis em leis, além de militares, médicos e funcionários públicos. Para elaborar um anteprojeto constitucional, foi designada uma comissão composta por seis deputados sob liderança de Antônio Carlos de Andrada, irmão de José Bonifácio.

O anteprojeto continha 272 artigos influenciados pela ilustração, no tocante à soberania nacional e ao liberalismo econômico. O caráter classista e portanto antidemocrático da carta, ficou claramente revelado com a discriminação dos direitos políticos, através do voto censitário, onde os eleitores do primeiro grau (paróquia), tinham que provar uma renda mínima de 150 alqueires de farinha de mandioca. Eles elegeriam os eleitores do segundo grau (província), que necessitavam de uma renda mínima de 250 alqueires. Estes últimos, elegeriam deputados e senadores, que precisavam de uma renda de 500 e 1000 alqueires respectivamente, para se candidatarem.

A postura elitista do anteprojeto aparece também em outros pontos, como a questão do trabalho e da divisão fundiária. O escravismo e o latifúndio não entraram em pauta, pois colocariam em risco os interesses da aristocracia rural brasileira. Segundo Raymundo Faoro “o esquema procurará manter a igualdade sem democracia, o liberalismo fora da soberania popular”. Tratava-se portanto, de uma adaptação circunstancial de alguns ideais do iluminismo aos interesses da aristocracia rural.

Destaca-se ainda, uma certa xenofobia na carta, que expressava na verdade, uma lusofobia marcadamente anticolonialista, já que as ameaças de recolonização persistiam, tanto no Brasil (Bahia, Pará e Cisplatina), como em Portugal, onde alguns setores do comércio aliados ao clero e ao rei, alcançam uma relativa vitória sobre as Cortes, no episódio conhecido como “Viradeira”. A posição anti-absolutista do anteprojeto, fica clara devido a limitação do poder de D. Pedro I, que além de perder o controle das forças armadas para o parlamento, tem poder de veto apenas suspensivo sobre a Câmara. Dessa forma, os constituintes procuram reservar o poder político para a aristocracia rural, combatendo tanto as ameaças recolonizadoras do Partido Português, como as propostas de avanços populares dos radicais, além do próprio absolutismo de D. Pedro I.

“Afastando o perigo da recolonização; excluindo dos direito político as classes inferiores e praticamente reservando os cargos da representação nacional aos proprietários rurais; concentrando a autoridade política no Parlamento e proclamando a mais ampla liberdade econômica, o projeto consagra todas as aspirações da classe dominante dos proprietários rurais, oprimidos pelo regime de colônia, e que a nova ordem política vinha justamente libertar.” (PRADO JR., Caio. Evolução política do Brasil).

C) A DISSOLUÇÃO DA ASSEMBLÉIA
A posição da Assembléia em reduzir o poder imperial, faz D. Pedro I voltar-se contra a Constituinte e aproximar-se do partido português que defendendo o absolutismo, poderia estender-se em última instância, à ambicionada recolonização. Com a superação dos radicais, o confronto político se polariza entre os senhores rurais do partido brasileiro e o partido português articulado com o imperador. Nesse ambiente de hostilidades recíprocas, o jornal “A Sentinela”, vinculado aos Andradas, publica uma carta ofensiva a oficiais portugueses do exército imperial. A retaliação dá-se com o espancamento do farmacêutico David Pamplona, tido como provável autor da carta. Declarando-se em sessão permanente, a Assembléia é dissolvida por um decreto imperial em 12 de novembro de 1823. A resistência conhecida como “Noite da Agonia” foi inútil . Os irmãos Andradas, José Bonifácio, Martim Francisco e Antônio Carlos, são presos e deportados.

Perdendo o poder que vinham conquistando desde o início do processo de independência, a aristocracia rural recua, evidenciando que a formação do Estado brasileiro não estava totalmente concluída.

“. . . Havendo eu convocado, como tinha direito de convocar, a Assembléia Constituinte Geral e Legislativa, por decreto de 3 de junho do ano passado, a fim de salvar o Brasil dos perigos que lhe estavam iminentes: E havendo esta assembléia perjurado ao tão solene juramento, que prestou à nação de defender a integridade do Império, sua independência, e a minha dinastia: Hei por bem, como Imperador e defensor perpétuo do Brasil, dissolver a mesma assembléia e convocar já uma outra na forma de instruções feitas para convocação desta, que agora acaba, a qual deverá trabalhar sobre o projeto da Constituição que eu lhe ei de em breve lhe apresentar, que será mais duplicamente liberal do que a extinta assembléia acabou de fazer .” (Decreto Da dissolução da Assembléia Constituinte). 12/nov/1823

D) A CONSTITUIÇÃO DE 1824
Foi a primeira constituição de nossa história e a única no período imperial. Com a Assembléia Constituinte dissolvida, D. Pedro I nomeou um Conselho de Estado formado por 10 membros que redigiu a Constituição, utilizando vários artigos do anteprojeto de Antônio Carlos. Após ser apreciada pelas Câmaras Municipais, foi outorgada (imposta) em 25 de março de 1824, estabelecendo os seguintes pontos:

– um governo monárquico unitário e hereditário.
– voto censitário (baseado na renda) e descoberto (não secreto).
– eleições indiretas, onde os eleitores da paróquia elegiam os eleitores da província e estes elegiam os deputados e senadores. Para ser eleitor da paróquia, eleitor da província, deputado ou senador, o cidadão teria de ter, agora, uma renda anual correspondente a 100, 200, 400, e 800 mil réis respectivamente.
– catolicismo como religião oficial.
– submissão da Igreja ao Estado.
– quatro poderes: Executivo, Legislativo, Judiciário e Moderador. O Executivo competia ao imperador e o conjunto de ministros por ele nomeados. O Legislativo era representado pela Assembléia Geral, formada pela Câmara de Deputados (eleita por quatro anos) e pelo Senado (nomeado e vitalício). O Poder Judiciário era formado pelo Supremo Tribunal de Justiça, com magistrados escolhidos pelo imperador. Por fim, o Poder Moderador era pessoal e exclusivo do próprio imperador, assessorado pelo Conselho de Estado, que também era vitalício e nomeado pelo imperador.

Nossa primeira constituição fica assim marcada pela arbitrariedade, já que de promulgada, acabou sendo outorgada, ou seja, imposta verticalmente para atender os interesses do partido português, que desde o início do processo de independência política, parecia destinado ao desaparecimento. Exatamente no momento em que o processo constitucional parecia favorecer a elite rural, surgiu o golpe imperial com a dissolução da Constituinte e consequente outorga da Constituição. Esse golpe, impedia que o controle do Estado fosse feito pela aristocracia rural, que somente em 1831 restabeleceu-se na liderança da nação, levando D. Pedro I a abdicar.

HISTÓRIA – Constituição

História em Quadrinhos como Recurso Pedagógico

Já falei aqui em posts anteriores sobre o uso do recurso HQ – Histórias em Quadrinhos como ferramenta de aprendizagem. Confira os posts anteriores:

As Histórias em Quadrinhos na sala de aula – 04/12/2008

História em Quadrinhos 2 – 18/11/2008

Agora retorno com a sugestão robustecendo as postagens anteriores com esta postagem do meu amigo Profº Michel que tem o blog História Digital que abordou este tema e  achei tão interessante que irei compartilhar com vocês.

Segue o post:

Fonte: Historia Digital

Oi, galera, como História em Quadrinhos (HQ) é uma atividade bastante solicitada pelos professores – e geralmente uma atividade agradável para os alunos – resolvi escrever sobre o assunto. Procurei selecionar algumas dicas voltadas para um público não profissional, e que possam atender as demandas didáticas mínimas.

Estas dicas foram adaptadas dos textos de Evelyn Heine, que possui um vasto currículo como redatora e roteirista de HQ’s da Disney. Suas dicas podem ser acessadas e baixadas (PDF) no site Divertudo.

1- Elabore um roteiro: coloque no papel como será a história toda, incluindo personagens e suas falas.
2- Faça as contas: calcule quantos quadrinhos sua história inteira vai ter. Aí tente descobrir de quantas páginas ela precisa. Por exemplo, se forem 12 quadrinhos, você pode colocar em 2 páginas, com 6 quadrinhos cada uma.
3- Pense na digramação: “diagramar” é decidir a forma e o tamanho dos quadrinhos, lembrando que um pode ser o dobro dos outros e ocupar uma tira inteira.
4- Invente os personagens: Qualquer coisa que existe pode virar um personagem. Basta um par de olhos, duas pernas ou qualquer característica para “animar” algo que não tem vida. Se preferir, pode fazer colagem ao invés de desenhar.
5- Comece pelos balões dos personagens: só depois faça os desenhos. Geralmente, a gente se empolga com o cenário, os personagens, e depois não cabem mais os balões. Fica tudo encolhido e ninguém consegue ler direito.
6- Use apenas letras MAIÚSCULAS: Capriche bem nas letras para ficarem mais ou menos do mesmo tamanho. Você pode destacar palavras importantes ou gritos com cores mais fortes. Escreva as letras antes de fazer o balão em torno.
7- Capriche no desfecho: O final é muito importante. É o desfecho do seu trabalho. Imagine que todo leitor gosta de uma surpresa no final. Coloque a palavra “fim” no último quadrinho.
8- Não esqueça do título: Quando souber como será sua história, invente um título para ela. Lembre-se de deixar espaço no início da primeira página.
9- Não complique!: Se a cena for complicada demais pra desenhar, pense em outra. Sempre há uma solução mais simples. Se a frase for comprida demais, tente cortar o que não faz falta.
10- Faça a lápis primeiro: assim dá pra mudar algo errado, diminuir o textos, entre outras coisas.

Você pode usar também o ToonDoo que é gratuito bastando apenas você se inscrever. Lá você encontra cena de fundo e uma enomidade de opções para personagens e detalhes para enriquecer o seu quadrinho.

Se você quiser saber mais sobre HQ acesse o blog Gibiteca da querida Natalia Nogueira que você irá encontrar tudo sobre gibi e técnicas para fazer Histórias em Quadrinhos

História em quadrinhos 2

Lançamento: A Incrédula História de Lucíola do Amado Getúlio
Por Humberto Yashima


A Incrédula História de Lucíola do Amado Getúlio (Livrinho de Papel Finíssimo Editora, 64 páginas, formato A6, papel sulfite, impressão off-set, capa em papel cartão), de Vitor Batista, narra a história de Lucíola – moradora do edifício Amado Getúlio -, que mantém uma rotina diária na qual sobe e desce escadas, anda em ônibus lotados, trabalha com telemarketing e conversa com suas (duas e únicas) amigas por telefone; rotina essa que será quebrada com a instalação de um elevador no prédio em que mora. “Inspirado no primeiro livro que li (aos cinco anos de idade), Lucíola é um resgate do meu primeiro contato com a leitura. Procuro explorar os signos lingüísticos dessa literatura infantil, simples em códigos, e transpor para um roteiro contemporâneo, situando-o num indefinido momento da modernidade. Lucíola é a memória bizarra de uma criança que decidiu contar uma história para os adultos”, escreveu o autor sobre sua obra no blog em que divulga seu trabalho, o Território Marginal. A Incrédula História de Lucíola do Amado Getúlio custa R$ 6,00 (já incluídas as despesas de envio pelo correio) e pode ser pedida por carta endereçada à Rua do Sossego, 179 – IRAQ – CEP 50050-080 – Recife-PE ou pelo e-mail vitorfanzine@gmail.com.

Agatha Christie em quadrinhos


Uma notícia particularmente me deixou entusiasmada esta semana: A editora norte-americana HarperCollins vai lançar uma série de graphic novels baseadas npos livros de mistério de Agatha Christie. Todas as 83 obras literárias da Rainha do Crime serão adaptadas para os quadrinhos. Os primeiros 12 álbuns serão lançados agora em setembro e o restante em 2008. O lançamento coincide com o Agatha Christie Week, que ocorre de 9 a 15 de setembro, celebrando os 31 aos da morte da escritora.

Eu sou uma fã declarada dos livros de mistério de Agatha Christie. Devo ter lido quase todos durante a minha adolescência e acho difícil dizer quais são os melhores. Suas obras fora adaptadas para a televisão, o cinema, o teatro e para os quadrinhos. Bom, pelo menos uma, que eu li e que temos na Gibiteca: Assassinato no expresso do Oriente.

A idéia é atrair mais leitores jovens para a obra da destacada autora inglesa.Entre os títulos que serão publicados no próximo mês estão: “Assassinato no Expresso Oriente”, “Morte na Mesopotâmia” e “Primeiros casos de Poirot”. Durante a “Semana Agatha Christie”, serão comemorados os 70 anos da publicação de “Morte no Nilo”, com a projeção do filme baseado na obra, protagonizado por Maggie Smith.

Christie nasceu em 1890 nessa tranqüila cidade no sudoeste da Inglaterra e morreu em Londres, em 1976. Seu primeiro livro – com o personagem Hercule Poirot – foi publicado em 1920. A autora publicou 66 romances, 154 contos e 20 peças em uma carreira de 50 anos. Agatha Mary Clarisse Christie foi essencialmente uma escritora de romances de mistério mas chegou também a escrever livros românticos sob o pseudônimo de Mary Westmacott.

Seus livros venderam mais de um bilhão de exemplares em língua inglesa e outro um bilhão em mais de 45 idiomas. Sua obra de teatro “La Ratonera” (baseada em seu relato Three Blind Mice and Other Stories) tem o recorde de permanência em cartaz em Londres, com mais de 20 mil apresentações desde sua estréia no teatro “Ambassadors” no dia 15 de novembro de 1952 até hoje.

Christie publicou mais de oitenta romances e obras de teatro, principalmente sobre assassinatos misteriosos e com a presença de dois de seus personagens principais, Hercules Poirot e Miss Marple. Alguns de seus livros mais famosos foram “O misterioso caso de Styles” (1920), “Assassinato no campo de golfe” (1923), “Poirot Investiga” (1924), “O mistério do trem azul” (1928), “Os treze problemas” (1933), “Assassinato no Expresso Oriente” (1934), “Morte na Mesopotâmia” (1936), “Morte no Nilo” (1937) e “Primeiros casos de Poirot” (1974).

Segundo estimativas um bilhão de cópias de livros de Agatha Christie já foram vendidas em inglês. Apenas William Shakespeare já foi mais lido que a autora, segundo o Livro Guinness dos Recordes. Agatha, que morreu em 12 de janeiro de 1976, já teve sua obra traduzida para mais de 70 idiomas.

A adaptação do Assassinato no expresso do Oriente, em português, pode ser encontrada em boas livrarias e em lojas especializadas em quadrinhos. Pesquisando sobre o notícia eu me deparei com um site dedicado a esta escritora – em português – , criado por fãs e que me pareceu muito legal, a primeira vista. Para quem estiver interessado, o linlk é http://acbr.luky.com.br/index.php

A LITERATURA NACIONAL NOS GIBIS


Não é nova a prática de se transpor para os quadrinhos clássicos da literatura mundial e nacional. Nas décadas de 50 e 60, diversas obras da literatura – como A Moreninha, Senhora e O Guarani, entre outras – foram quadrinizadas pelas editoras La Selva e Ebal. Trata-se de uma forma de se popularizar obras consagradas, deixando-as mais próximas do público infanto-juvenil e mesmo adulto. A comunhão entre imagem e texto facilita a compreensão da obra e torna a leitura muito mais agradável. Este tipo de adaptação ajuda a desmitificar a idéia de que quadrinhos são apenas para crianças. Afinal, essas obras podem atrair várias pessoas, de todas as idades.

Com este intuito, e apostando em um mercado que tende a crescer, a Editora Escala Educacional lançou a coleção Literatura Brasileira em Quadrinhos, voltada para as salas de aula. “Já foram publicados: O Alienista, A causa secreta, Uns braços e O enfermeiro, de Machado de Assis; A nova Califórnia, Miss Edith e seu tio e Um músico extraordinário, de Lima Barreto; e O cortiço de Aluísio Azevedo, com desenhos e roteiros de Vilachã. Jo Fevereiro roteirizou e desenhou Brás, Bexiga e Barra Funda, de Antônio de Alcântara Machado; A cartomante, de Machado de Assis e O homem que sabia javanês, de Lima Barreto. Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, com desenhos de Bira Dantas” (fonte: UniversoHQ).

Os livros são vendidos a R$ 12,90 cada, e trazem ainda um resumo da biografia dos autores e um questionários sobre a compreensão do texto. Integram a série Literatura em Quadrinhos, que conta com releituras de outros autores renomados como Machado de Assis, Lima Barreto e Antônio de Alcântara Machado.

A obra-prima de Azevedo, um dos pioneiros do naturalismo no Brasil, descreve o cotidiano degradante de um cortiço no Rio de Janeiro, no século XIX. A adaptação do texto de O Cortiço ficou por conta de Ronaldo Antonelli e as ilustrações foram produzidas por Francisco Vilachã. O romance de Almeida teve sua narrativa adaptada pelo roteirista Indigo e pelo desenhista Bira Dantas. Narra a história do malandro Leonardo, personagem que se mete em confusões, mas sempre encontra proteção.

No final de 2002 um outro projeto semelhante chegava às bancas: o primeiro volume de CQ – Contos em Quadros. Contando com a adaptação de Célia Lima, arte de J. Rodrigues e com Djalma Cavalcante como organizador; Contos em Quadros traz a adaptação em quadrinhos de três contos de grandes nomes de nossa literatura: Pai Contra Mãe (Machado de Assis), O Bebê de Tarlatana Rose (João do Rio) e Apólogo Brasileiro Sem Véu de Alegoria (António de Alcântara Machado). Além das adaptações, também é publicado o conto em sua forma original, dando a opção ao leitor de comparar as duas versões, e até incentivar a leitura de nossas obras literárias. Há ainda uma mini-biografia de cada um dos autores.

O projeto tem o apoio do Programa Comped (Comitê dos Produtores da Informação Educacional) e sua reprodução contratada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (INEP), com o objetivo de estimular a publicação e a distribuição de livros-textos, obras de referência e outras que contribuam para formação inicial e continuada de professores.

Caso haja interesse em se adquirir estas obras, visite o site da Editora Escala http://www.editoraescala.com.br/ e o da UFJF http://www.ufjf.br/

Resenha: O Alienista (Escala Educacional)
Por Humberto Yashima


O Alienista (Escala Educacional, 2006), adaptação do conto homônimo de Machado de Assis (1839-1908) feita por Francisco S. Vilachã (roteiro e desenhos) e Fernando A.A. Rodrigues (cores) para a Coleção Literatura Brasileira em Quadrinhos, apresenta a história em 13 capítulos (De como Itaguaí ganhou uma Casa de Orates; Torrente de loucos; Deus sabe o que faz!; Uma teoria nova; O terror; A rebelião; O inesperado; As angústias do boticário; Dois lindos casos; A restauração; O assombro de Itaguaí; O final do § 4; e Plus Ultra!), da mesma forma que a original. Mas o que é um alienista? Alienista é o especialista em tratamento de doenças mentais, o médico que cuida dos alienados (loucos, doidos).
O Alienista narra as experiências do Dr. Simão Bacamarte na pequena vila de Itaguaí, onde o ilustre médico constrói um manicômio com a finalidade de recolher e tratar os dementes da vila (lembrando que o conto foi escrito por Machado de Assis em 1881 e publicado no ano seguinte em Papéis avulsos; a história se passa na mesma época). A versão em Quadrinhos contém todos os principais elementos que fizeram o conto original se tornar um clássico da Literatura, substituindo boa parte dos trechos descritivos por ilustrações e, dessa foram, tornando a leitura mais acessível ao público jovem. Mas isso não quer dizer que a HQ é um “resumo” do conto, pois muitos trechos permaneceram na íntegra e o “gibi” contém muito mais texto do que a grande maioria dos Quadrinhos lançados hoje em dia.
Além de mostrar como um homem da ciência pode levar seus estudos às últimas conseqüências, O Alienista também explora um tema interessante: afinal, os doentes são os loucos ou são aqueles em seu perfeito juízo? A edição da Escala Educacional é bem feita, toda impressa em papel couchê, e traz em seu final o texto Um pouco da vida de Machado de Assis e um caderno de exercícios. As obras da Coleção Literatura Brasileira em Quadrinhos são uma excelente porta de entrada para os não-iniciados na saudável prática da leitura.

Adaptação das obras de Machado de Assis encontra dificuldades
Por Samir Naliato

No final do ano passado, foi divulgado o projeto do jornalista Marcelo de Andrade, para adaptar quatro contos de Machado de Assis para os quadrinhos. Os contos escolhidos foram O Enfermeiro, Pai contra mãe, A causa secreta e A Cartomante, que seriam ilustrados, respectivamente, por Spacca, Maringoni, Lourenço Mutarelli e Newton Foot. O ilustrador Orlando ficou encarregado do projeto gráfico da revista; e Osvaldo Pavanelli deve assinar a capa, além de desenhar uma biografia de Machado de Assis, roteirizada pelo idealizador do projeto.

As revistas serão distribuídas, gratuitamente, em escolas públicas localizadas em áreas de alto risco social da Grande São Paulo, segundo estudo da Secretaria Estadual da Educação.

Recentemente, Lourenço Mutarelli saiu do projeto, sendo substituído pelo desenhista Jô de Oliveira.

No início de 2001, o projeto – batizado de Literatura² (Literatura ao quadrado) – foi aprovado pela Lei Rouanet, que autoriza a captação de recursos junto a empresas. Quem financia-lo, recebe um desconto no imposto de renda de até 30% do valor investido. Mas, até agora, apesar da intensa divulgação, não apareceram patrocinadores. O Universo HQ conversou com Marcelo de Andrade, para saber como andam as negociações.


“Nenhuma das mais de cem pessoas jurídicas consultadas – entre empresas e ONG´s, dos mais variados segmentos – manifestaram intenção concreta de patrocinar o projeto, que está orçado em R$ 81.700,00, para uma tiragem de 30 mil revistas”, informou. A revista será em preto e branco, no formato 23 x 31 cm; 40 páginas; papel alta alvura, 120g; com capas coloridas, em papel couché fosco 180 g. A Fundação para o Desenvolvimento da Educação, órgão subordinado à Secretaria Estadual da Educação, já se comprometeu em distribuir as revistas. O início da produção só acontecerá quando entrar essa verba.

Segundo Marcelo, o orçamento não assusta as empresas. “O custo não envolve só a impressão de 30 mil exemplares. Cobre meu pró-labore de idealizador, elaborador, organizador, coordenador e assessor de imprensa (estou trabalhando nisso desde junho do ano passado, com gastos de correspondência, celular, transporte etc); o pagamento dos desenhistas e do designer gráfico; assessoria de marketing, noite de lançamento (afinal, todo patrocinador quer aparecer), clipping, fotógrafo, banners, convites, buffet etc. Enfim, o orçamento para tudo isso está enxuto. É um pacote de marketing cultural completo”, explicou.

O prazo para conseguir patrocínio é até dezembro deste ano, e, caso não consiga, Marcelo oferecerá o projeto para editoras, que produziriam uma versão comercial. “Uma grande editora nos procurou. A princípio, ela se proporia a lançar uma versão comercial e bancar uma tiragem gratuita de 30 mil. Mas nunca mais nos deu retorno. Estou correndo atrás de editoras e de empresas, simultaneamente. Uma outra topou lançar, mas não tem como fazer a distribuição gratuita”, lamenta.

No entanto, desistir parece não estar em seu vocabulário. “Pode ter certeza: até o final do ano sai, ou de um jeito – com tiragem gratuita – ou de outro – sem Lei Rouanet e sem exemplares grátis, isto é, com venda ao consumidor por alguma editora”, garantiu.

O Universo HQ continua acompanhando as notícias sobre o projeto. Fique de olho, pois, se surgirem novidades, divulgaremos.

Introdução à Filosofia – Nietzsche
Valéria Fernandes

Para contrariar a impressão de que filosofia é coisa séria, sisuda e que não combina com linguagens mais descontraídas, a Editora Relume Dumará está lançando uma série de edições em quadrinhos destinada a importantes filósofos. Apresentando Nietzsche é o novo volume da coleção. Desenhado pelo premiado ilustrador Piero e escrito pelo professor de filosofia Laurence Gane (tradução de José Gradel), ambos ingleses, apresenta, em textos curtos, as principais concepções teóricas do alemão e um pouco de sua vida conturbada. Há um complicador para a melhor compreensão das idéias de Nietzsche: elas não são simples nem de fácil apreensão, de modo que muita coisa vai permanecer inacessível ao leigo. Tópicos como as formulações em torno da ética do nobre e da ética do escravo, a vontade de poder, a proposição do Super-homem e outros exigiriam maior aprofundamento, o que o formato HQ não comporta.
Há, no entanto, esclarecimentos úteis, principalmente em relação à associação das idéias de Nietzsche com as do nazismo. Gane esclarece o mau uso de certas propostas. Segundo ele, o próprio conceito de Super-homem, que diria respeito à superação do homem no sentido da evolução, nada tem a ver com a figura de Hitler, como quiseram os defensores das políticas nazistas. Muito menos o anti-semitismo, que Nietzsche explicitamente condenou e que erroneamente lhe foi posteriormente atribuído. As propostas de Nietzsche, na revista, são colocadas a partir de cada um de seus livros, como Assim falou Zaratustra, Acima do bem e do mal, Humano, demasiado humano, Genealogia da moral e outros.
Primeiro, o autor narra um pouco da trajetória acadêmica do filósofo, seu rompimento com a academia, as relações com o compositor Richard Wagner (com quem também vem a romper). Seguem-se as idéias a partir do confronto com outros autores, como Schopenhauer, Kant, e mais adiante Marx, Freud, Lacan. Sartre, Foucault, Derrida e Heidegger. Ao final, tomamos um pouco de conhecimento do colapso mental de Nietzsche, seus delírios e crises de megalomania, as turbulentas relações com o sexo feminino (foi criado por mãe, irmã e tias, sem uma figura masculina mais presente), a única ligação mais importante com uma mulher, com quem viveu um triângulo amoroso malsucedido.
Tudo no tom que dá título à revista, Apresentando Nietzsche: o tom de introdução à filosofia de um pensador dos mais difíceis. Os desenhos de Piero são um caso à parte. A partir da figura de um centauro que possui a cara de Nietzsche, o ilustrador explora as mais diversas inspirações do imaginário (chega a brincar com a figura de Superman, que nada tem a ver com a formulação do autor, no capítulo sobre o Super-homem). Citações, ressignificações, brincadeiras, tudo ajuda a compor o universo histórico e filosófico em torno do personagem Nietzsche. Se os textos sozinhos já nos levariam a pensar – e dariam trabalho –, as imagens ajudam a viajar por idéias, tempos e personalidades, num exercício difícil e prazeroso.

História

Resenha: A Caravela
Por Matheus Moura

Como mencionado na resenha de Shima, o livro A Caravela é o segundo lançamento da série Biografix da Editora Marca de Fantasia. Segundo número e a segunda vez publicada em forma de coletânea. A primeira se deu pela Editora Crisálida – com apenas dois mil exemplares – de Belo Horizonte, motivada por Wellington Srbek, o qual fez a seleção das tiras apresentadas, além de também fazer este segundo resgate. Na primeira vez em que a compilação A Caravela foi lançada, o país estava em “comemoração” aos 500 anos de descobrimento (?) motivo maior dela ter sido publicada em tal data.

Sete anos depois A Caravela está disponível mais uma vez aos leitores brasileiros, agora sem o risco de ficar muito tempo fora de catálogo, já que a produção da Marca é rotativa. Assim como a maioria do material da editora o livro possui formato 14 x 20 cm, 48 páginas e sai ao preço de R$ 10,00. O livro é aberto com uma introdução escrita por Srbek falando a respeito da obra e seu autor, Nilson. É sempre bom haver textos que situem o leitor ao que ele está prestes a ler. Faltou a data do texto, pois como a coletânea já havia sido publicada antes fica a dúvida: é a introdução original ou foi feita em exclusividade para essa versão? Em seguida temos a apresentação dos principais personagens – para não haver erro durante a leitura – mais um item que aumenta a imersão do receptor à obra.

As tiras narram a vida da tripulação da Caravela que sai de Portugal rumo ao novo mundo. Os principais personagens são a tripulação de marinheiros com seus percalços durante a viagem; além da dupla de marujos, Joaquim e Manoel, os quais possuem destaque especial, há o padre, o capitão-mor, o cavaleiro e o carrasco, todos com participações fundamentais na construção da crítica social empregada na narrativa de Nilson à sociedade contemporânea. Não é para menos, no último FIQ, o autor “ateou fogo” na discussão acerca de Humor e Política, se mostrando bastante indignado com a situação atual do humor crítico no Brasil. Ao final há uma rápida biografia do autor.

Como é quase impossível chegar à perfeição, há alguns erros de português durante as tiras e na introdução de Srbek, nada que não possa ser corrigido em novas impressões. Detalhes estes que chegam a ser irrelevantes perto do excelente conteúdo encontrado na obra. Uma aula de como se fazer tiras, de modo simples e contundente. Com certeza Nilson se mostra um dos grande tiristas brasileiros e que infelizmente andava um tanto esquecido. Só nos resta esperar mais coisas de sua autoria serem publicadas. Para adquirir este ou qualquer outro material da editora basta acessar o site da Marca de Fantasia ou escrever para o email contato@marcadefantasia.com.br.

HQ comemora a chegada de D. João ao Brasil


A antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, pesquisadora e professora da USP, lança este mês – no dia 28 de novembro – sua mais nova empreitada no mundo dos quadrinhos: Dom João Carioca A Corte Portuguesa no Brasil (1808-21), juntamente com o quadrinista Spacca. O álbum conta de forma bem humorada as peripécias de Dom João, enquanto ele esteve no Brasil, entre 1808 e 1821 e é mais uma entre as muitas manifestações referentes ao bicentenário da vinda da família real portuguesa, que se instala no Brasil para escapar de Napoleão Bonaparte. Segue o resumo oficial desta HQ:

“Há quem diga que d. João gostou tanto do Brasil que por aqui foi ficando. Mesmo depois que os franceses foram expulsos de Portugal, que aconteceu o Congresso de Viena, que a paz foi decretada e a guerra chegou ao fim, o príncipe português preferiu não voltar a ocupar o seu trono em Portugal. Na nova capital do Império, sediada no Rio de Janeiro, o príncipe regente reproduziu a pesada estrutura portuguesa, criou instituições e escolas, fundou jornais e o Banco do Brasil. Além do mais, encontrou um belo lugar para morar – a Quinta da Boa Vista -, onde ficava apartado da esposa, Carlota Joaquina, que vivia em Botafogo. Esqueceu da guerra, sarou da gota e aproveitou o clima e as frutas dos trópicos. Acomodou-se de tal maneira que virou um ‘João carioca’ – personagem popular de nossa história e cuja passagem pelo Brasil completa cem anos em 2008. Para lembrar dessa data especial, o cartunista Spacca e a historiadora Lilia Moritz Schwarcz narram a aventura da casa real que atravessa o oceano e pela primeira vez governa um império a partir de sua colônia americana. O livro reconta essa história usando a linguagem dos quadrinhos, elaborada com base em extensa pesquisa não só documental e historiográfica,como fielmente pautada na iconografia da época.


A obra traz ainda uma bibliografia sobre o tema, uma cronologia que ajuda a entender os fatos no calor da hora e inclui uma galeria de esboços preliminares e estudos de personagens, cenários e vestimentas. D. João nunca foi tão brasileiro!”

Lilia Moritz Schwarcz já havia lançado outros dois álbuns sobre a História do Brasil, dos quais se destacam: Da Colônia ao Império – Um Brasil pra inglês ver e latifundiário nenhum botar defeito, realizado juntamente com o Miguel Paiva, e Cai o Império! – República Vou Ver!, produzido juntamente com Angeli – onde reconta de forma descontraída os principais episódios da História do Brasil do período que vai um período que vai do golpe da maioridade até a Proclamação da República.


Acho que vale a pena conferir este trabalho. Eu já li, e tenho na minha coleção, Cai o Império e posso atestar a qualidade do trabalho desta pesquisadora. Enfim, mais um bom material que pode em breve estar disponível nas gibitecas e bilbiotecas escolares.

A saga de um sobrevivente, um vencedor
A série Gen Pés Descalços, de Keiji Nakazawa, lançada no Brasil pela Conrad Editora, é uma obra-prima dos quadrinhos, que mostra, com muita dor e sofrimento, as terríveis conseqüências trazidas pela guerra
Por Sidney Gusman


Nos últimos tempos, os mangás (quadrinhos japoneses) vêm ganhando força no mercado editorial brasileiro. Se na década passada pudemos contar nos dedos os lançamentos dessa poderosa indústria por aqui (Lobo Solitário; Akira; Mai, a Garota Psíquica; Crying Freeman; Ranma ½), o século 21 começa a “todo vapor”, com a publicação das revistas Cavaleiros do Zodíaco (mensal) e Dragon Ball Z (quinzenal) e, futuramente, o fenômeno de merchandising Pokémon, todos pela Conrad Editora, que teve a perspicácia de aproveitar o sucesso das três séries nos desenhos animados, para atrair um número enorme de leitores potenciais.

No entanto, não são apenas os mangás “comerciais” que a Conrad está trazendo ao Brasil. Em 1999, a editora lançou o primeiro livro de Gen Pés Descalços, escrito e desenhado por Keiji Nakazawa, uma verdadeira obra-prima da arte seqüencial. Até o momento, já foram lançados três álbuns e o quarto, que conclui a série, deve ser publicado ainda no primeiro semestre de 2001.

Trata-se de um trabalho autobiográfico, que mostra a dura história de vida do garoto Gen (lê-se Güen), o alterego do autor, desde os dias que precederam a destruição de sua cidade natal, Hiroshima, pela bomba atômica, durante a segunda guerra mundial.

O pai do personagem principal, não concordava com o conflito e, por isso, sua família sofreu retaliações de todos os tipos. Seus filhos foram surrados, molestados e tachados como covardes, os alimentos que plantavam foram destruídos e ele próprio foi preso, por “traição ao imperador”.

O traço simples e, na maioria das vezes, engraçado de Nakazawa contrasta com a seriedade dos temas abordados. Logo no primeiro livro, Uma história de Hiroshima, desde as crises familiares, que, invariavelmente, terminavam em surras de seu pai, até a catástrofe que se abate sobre eles quando a bomba é lançada; tudo comove o leitor, de tal forma, que é impossível não pensar como agiríamos se acontecesse algo semelhante conosco, principalmente, por sabermos que tudo ocorreu de verdade! Não é ficção!

O autor não mascara ou “sugere” os fatos ocorridos. Não! Ele escancara a realidade que viveu, de forma nua e crua. Assim, expõe assuntos como fome, dor, suicídio, humilhação, violência, racismo e morte, da maneira como ele viu acontecer.

A saga continua em O dia seguinte, segundo álbum da série, um relato dramático do cenário pós-bomba atômica. Corpos espalhados por todos os lados; pessoas literalmente “derretendo” ou se despedaçando, por causa da radiação; cadáveres sendo incinerados em pilhas, para evitar a proliferação de doenças; gente gravemente ferida sendo sacrificada ou devorada viva por larvas e moscas; entre outras agruras. Como se tudo isso não bastasse, há a derrota “moral” dos sobreviventes.

No terceiro livro da série, chamado A vida após a bomba, as coisas continuam piorando para o garoto Gen. É num cenário apocalíptico que ele tenta reconstruir a vida do que restou de sua família (a mãe e uma irmã recém-nascida), saindo do zero e dependendo de favores. Com a roupa do corpo, recorrem a amigos num vilarejo vizinho, para terem um teto e algo para comer, mas, acontecia com os outros sobreviventes, também são hostilizados e vítimas de preconceitos.

Gen Pés Descalços é considerado um clássico dos quadrinhos japoneses. Ganhou versões para cinema, desenho animado e até mesmo uma ópera. Em 1976, um grupo de jovens (japoneses e estrangeiros) que moravam em Tóquio, criou um projeto para traduzir a obra de Kenji Nakazawa para outros idiomas, para que pessoas de vários países pudessem conhecer esse trabalho. O resultado: a história já foi publicada em mais de 10 países, vendendo cinco milhões de exemplares em todo o mundo e sendo, inclusive, indicada para ser lida nas escolas norte-americanas.

Entre a legião de fãs de Gen, está Robert Crumb. “É uma das melhores histórias em quadrinhos já realizadas. Nakazawa, com certeza, será considerado um dos maiores quadrinhistas deste século”, disse o “papa” das HQs underground americanas.

Quem compactua dessa opinião é o não menos fantástico Art Spiegelman, autor de Maus. Para ele, “Gen é uma dessas raras histórias em quadrinhos que realmente conseguem realizar a mágica: traços em papel que adquirem vida”.

Gen e sua família sendo humilhados
As edições nacionais da Conrad estão muito bem produzidas. Papel de qualidade, acabamento de primeira e boa impressão. O único escorregão – e grave, por sinal – ocorre no primeiro livro, onde todas as vezes que apareceu a palavra “tigela”, ela estava grafada com “j”! Um erro crasso de português, corrigido nas edições seguintes! Também ficou estranha a mudança da fonte utilizada nos balões, no terceiro álbum, mas esse detalhe é basicamente estético.

Nakazawa transferiu toda a sua vivência para os quadrinhos. O incrível é que, apesar de seu sofrimento, ele transmite uma mensagem sem rancores. A sua intenção é apenas alertar a humanidade sobre os horrores que uma guerra pode trazer. Por isso, para definir Gen, com absoluta precisão, basta acrescentar o sufixo “ial” ao seu título! Assim: GENIAL!

Sidney Gusman é editor-chefe do Universo HQ e jornalista especializado em quadrinhos. No dia em que leu o primeiro livro de Gen, havia sido assaltado, pela primeira vez na vida, aos 34 anos (um recorde, numa cidade violenta como São Paulo). Ao chegar à última página, constatou que o seu drama, acontecido algumas horas antes, era absolutamente insignificante…

Maus, o holocausto em quadrinhos
Uma história que mostra ao leitor, de maneira inusitada, com os judeus sendo representados por ratos, os horrores da segunda guerra mundial
por Marcelo Naranjo


A segunda guerra mundial, um dos tantos marcos cruéis na história da humanidade, rende, até hoje, estudos, livros, ensaios e filmagens. Porém, um dos mais marcantes e verdadeiros relatos do que aconteceu em meio à tragédia que teve início na Alemanha foi apresentado ao mundo na forma de uma história em quadrinhos. Maus, de Art Spiegelman, publicado no Brasil pela Editora Brasiliense, em duas partes (formato livro), nos traz um impressionante relato da trajetória de um Judeu em meio à guerra.

O judeu em questão é o pai do autor, que é apresentado na história já como uma pessoa de idade, narrando ao filho sua passagem pela guerra. Portanto, o livro é baseado em fatos reais, um relato detalhado, minucioso até, que nos apresenta tudo em detalhes, inclusive a personalidade das pessoas envolvidas, principalmente do protagonista, mesquinho, avarento e racista, embora inteligente, perspicaz, dotado de uma intuição fantástica e, principalmente, de muita, muita sorte.

Em Maus, mais que os desenhos, o que salta aos olhos é o roteiro. Os personagens são muito bem caracterizados, têm vida própria, pulsante. É difícil permanecer indiferente à leitura desta obra. A crueldade dos fatos é gritante, machuca, incomoda. A qualidade com que o autor associa texto e imagens é tal, que é impossível não imaginar na própria pele a dor, a angústia, o medo e o terror impostos pelos nazistas.

A caracterização dos personagens é um capítulo à parte. Os judeus são retratados como ratos, os alemães como gatos, os americanos como cachorros e os poloneses como porcos. Isso não diminui a grandeza da obra. Pelo contrário! Aumenta ainda mais, pois, além da originalidade, torna a leitura ainda mais fluente. Outro mérito é o humor, muitas vezes ácido e corrosivo, mas sempre inteligente.

Os personagens secundários, alguns com passagens relâmpagos pela história, são marcantes. São diversos fatos ocorridos ao redor do protagonista, em toda sua caminhada no decorrer da guerra. Homens, mulheres, velhos, jovens e crianças, todos jogados a um destino incerto e quase sempre terrível, tentando, de todas as maneiras, possíveis e impossíveis, buscar a sobrevivência através da esperança, uma esperança vã, que não resiste à certeza dos fatos. E a única certeza, para as vitimas dessa guerra, era a morte.

Infelizmente, não posso entrar em maiores detalhes, pois estragaria as surpresas que ocorrem no decorrer da leitura, página após página. Mas devo dizer que é tão envolvente, que não existe a possibilidade do leitor parar a leitura no meio. É um frenesi! Você começa e só parar no final.

Por fim, na minha humilde opinião, toda grande obra fica gravada em nossa memória, e nos faz refletir. “Maus” encaixa-se nessa categoria. Tente colocar-se no lugar do personagem principal, e você entenderá o que quero dizer. Além do que, com certeza, nunca mais você colocará comida no prato e deixará sobras…

Spiegelman foi procurado por diversas vezes com propostas para transformar a obra em filme, porém recusou-se. “Não entendo porque em nossa cultura ninguém parece acreditar que algo não é real, até que seja transformado em filme”, declarou. Em sua opinião, Maus encontrou seu formato ideal nos quadrinhos.

Imprescindível tanto para colecionadores de HQ’s quanto para aqueles que apreciam obras literárias, Maus não deve faltar em nenhuma biblioteca particular que se preze.

Título: Adeus, Chamigo Brasileiro
Uma história da Guerra do Paraguai (Companhia das Letras)


Autores: André Toral (Roteiro e desenhos)
Preço: R$ 35,00
Data de lançamento: 1999

Sinopse: A Guerra do Paraguai é um dos mais importantes capítulos da história do Brasil. Nesse álbum, André Toral mostra como esse evento mudou drasticamente a vida de várias pessoas. É interessante notar que o autor cria várias tramas paralelas, alternando o foco da narrativa em vários personagens, de acordo com a trama. No final, ele converge todos para um ponto comum, arrematando a história com maestria.

A sordidez da guerra é mostrada em detalhes. Nordestinos eram “convocados” para o combate, na marra (ou iam ou morriam nas mãos dos policiais); mortes em batalhas sangrentas; e até uma aliança entre dois sobreviventes inimigos – um brasileiro e um paraguaio -, para que ambos pudessem sobreviver.

Positivo/Negativo: Trata-se de um belíssimo trabalho de pesquisa de André Toral. No final do álbum há várias páginas de texto com a história, a iconografia e a cronologia da Guerra do Paraguai. Um adendo fundamental para a melhor compreensão da trama.

Além do mérito de contar um capítulo de nossa história, os desenhos estão belíssimos! Parecem feitos com lápis de cor, efeito conseguido pelo fato de o autor não ter usado nanquim na artes.

De negativo, só o letreiramento. A fonte é apropriada, mas, em várias páginas, sobraram grandes espaços em branco nos balões e recordatórios, comprometendo o visual e deixando um tremendo “vazio” nas artes.

Tesouro à vista: onde?
Nos Quadrinhos da Índia…

Por Sonia Bibe Luyten


Se os portugueses chegassem à Índia, quinhentos anos após ter sido “descoberta” pelos navegadores lusos, em 1498, encontrariam muitos tesouros ainda não suficientemente conhecidos pelo mundo ocidental.

Entre estes tesouros, figura uma florescente produção de Histórias em Quadrinhos. Isto pode, à primeira vista, chocar certas pessoas que ainda não consideram os “comics” como uma Arte e, ainda por cima, não gostariam de colocá-los na categoria de tesouro dentro do legado cultural hindu.

No entanto, este tesouro existe. Imaginem só 80 milhões de cópias e 650 títulos diferentes, de uma só editora, que foram, e ainda são publicados e lidos, tanto na Índia como em países onde há grandes contingentes de hindus.

Quando eu falava, nos anos 70 e 80, da produção milionária do Japão, ninguém acreditava. Hoje, porém, com os mangás e animês mais próximos do Ocidente, não há quem duvide destas afirmações. Com a Índia é a mesma coisa.

A produção de quadrinhos na Índia, enquanto “produto” dos meios de comunicação de massa é recente, datando de 1969. Isto não quer dizer, porém, que a Índia não tenha uma longa tradição na arte de contar histórias em imagens seqüenciais.

Boa parte desta arte seqüencial narrativa encontra-se estampada em tiras de couro ou de tecido, que os contadores de histórias da antiguidade hindu levavam consigo em suas andanças pelo país. As que mais se aproximavam das Histórias em Quadrinhos atuais eram as tiras pintadas que evocavam as histórias de Ramayana e Mahabharata, originalmente escritos antes da era cristã e que são compostos de mais de 24 mil versos. Ambos foram os grandes inspiradores para os desenhistas. Os temas inspirados no Ramayana e no Mahabharata são, em sua maioria, desconhecidos para o leitor habitual dos quadrinhos do Ocidente. Ramayana quer dizer, em sânscrito, a história de Rama, e narra o nascimento e vida deste príncipe, a sétima encarnação do Deus Vishu, além de contar em detalhes como conseguiu a mão da princesa Sita em casamento.

Já o Mahabharata, que em sânscrito quer dizer “A grande história”, é o mais longo dos dois poemas. O tema central é uma disputa entre duas famílias nobres pela posse de um reino no norte da Índia.

O QUE TEZUKA OSSAMU, O MÉDICO, E ANANT PAI,
O ENGENHEIRO QUÍMICO, TÊM EM COMUM?

A figura de Tezuka Ossamu, chamado no Japão como “deus dos mangás”, é idolatrada por tudo que fez aos quadrinhos japoneses. Sua família queria que ele fosse estudar Medicina, mas, depois de se formar, voltou-se para aquilo que mais gostava de fazer: desenhar. Graças a Tezuka, os mangás tiveram inovações tanto no conteúdo como no estilo que caracteriza o moderno quadrinho japonês.


Anant Pai, na Índia, sai do anonimato como engenheiro químico e entra para a história como grande inovador dos quadrinhos. A fórmula desta química de Pai foi bastante simples. Reuniu desenhistas hindus e propôs perpetuar a mitologia de seu povo em forma de revistas em quadrinhos. Ele chegou a esta brilhante conclusão em 1967, quando estava no cruzamento de duas importantes ruas de Nova Delhi, esperando o farol se abrir para passar, conforme conta: “No cruzamento destas duas ruas havia uma loja de aparelhos eletrônicos com uma TV ligada. Nesta havia um programa com uma competição entre estudantes de duas escolas. Uma das questões era qual o nome da mãe de Rama e ninguém soube responder. A outra era sobre o nome dos deuses do Monte Olimpo e todos tinham a resposta na ponta da língua. Esta espécie de ignorância era alarmante. E eu senti que devia fazer alguma coisa…”.

E fez mesmo!

As crianças hindus, até a década de 70, liam histórias em quadrinhos importadas e, durante o tempo de dominação britânica, os valores culturais ocidentais estavam mais presentes no imaginário infantil do que as próprias tradições locais. Anant Pai, também jornalista por convicção, observando o sucesso das histórias estrangeiras, quando trabalhava no Times of India, vendeu a idéia de se publicar temas nacionais para a editora India Book House, radicada em Bombaim. O primeiro título, Krishna, o menino-deus da mitologia hindu, inaugurou a grande façanha editorial.

Desta forma, os deuses voltaram, outra vez, a povoar a vida das crianças e dos adultos, através das centenas de títulos sugestivos da coleção Amar Chitra Katha, que quer dizer “histórias imortais em desenhos”.

O que nunca faltou no enredo destas histórias foi a ação, ingrediente básico para uma boa HQ: batalhas, intrigas divinas, destinos cruzados, mitos que já estavam perpetuados desde a antigüidade, como as histórias baseadas no Ramayana, Mahabharata, a vida de Khrisna, dos gurus, dos valentes reis, príncipes e princesas da antiga Índia, chegando-se até Gandhi e outros heróis e mártires da independência. E tudo revivido com uma nova roupagem.

As histórias de maior sucesso foram reeditadas inúmeras vezes; outras, agrupadas em edições especiais, percorrendo-se um longo caminho de sucesso. Na década de 80, as vendas chegaram a um milhão de cópias, preenchendo o grande vácuo que existia na produção de histórias em quadrinhos nacionais.


A India Book House, após exaurir os temas mitológicos, parte para uma nova coleção, a Tinkle, voltada mais para temas educacionais, com ênfase na cultura contemporânea, mesclando humor e ciência, para atrair novos leitores.

Trilhando o sucesso temático, outras editoras também lançaram suas coleções. A Dreamland Publications, radicada em Nova Delhi, lança uma série com o mesmo nome. A Diamond Comics, da mesma cidade, segue uma linha editorial com histórias ilustradas dos clássicos e também revistas com o formato de livros de bolso, com histórias em quadrinhos voltadas mais para novos personagens e super-heróis. Já a Jaico Publishing House, de Bombaim, lançou alguns títulos tradicionais no mercado em mini-formato, sob o nome da coleção Weva Chitra Katha.

Baseados nos temas de Amar Chitra Katha, outras editoras radicadas na Índia passam a publicar novas revistas voltadas para o público residente no exterior, com mais explicações didáticas sobre os personagens, o enredo e o contexto cultural. Desta forma, o grande contingente de hindus (e seus descendentes) espalhados pelo mundo aprendem, de forma divertida, tudo sobre os seus deuses, príncipes e princesas de seu País.

A coleção Chakra, do Cultural Institute for the Vedic Arts, sediada em Nova York, além de ser distribuída na África do Sul, Ilhas Maurício, Quênia, Canadá e Estados Unidos, faz inovações numa diagramação mais dinâmica, no estilo das histórias em quadrinhos japonesas e, didaticamente, oferece explicações desde significado do seu logotipo Chakra, até um roteiro completo sobre os personagens mitológicos das histórias.

Na Índia dos anos 90, além das histórias em quadrinhos que evoluíram de temas mitológicos para outras categorias, nota-se uma imensa produção diária de cartuns políticos nos jornais. É um dos poucos países da Ásia onde os artistas não hesitam em satirizar os líderes políticos e criticar a posição da Índia no cenário político mundial, inclusive com os testes de bombas atômicas.

Mas este é um assunto que continua numa outra coluna…

Sonia M. Bibe Luyten é a autora dos livros: O que é Histórias em Quadrinhos, Histórias em Quadrinhos – leitura crítica e Mangá, o poder dos quadrinhos japoneses. Sua coleção, com revistas de países do mundo inteiro, é de deixar qualquer um maluco. Mas o melhor, mesmo, é que, mensalmente, ela vai estar passando um pouco desse seu conhecimento pros leitores do Universo HQ.

SAÚDE

Zeca & Nico vão ao veterinário


Lendo o site do Bigorna hoje cedo encontrei um dica excelente de HQ para download: Zeca & Nico vão ao veterinário. A revista tem de 6 páginas e foi criada por Bira Dantas e mostra o cãozinho Nico morrendo de medo de ser vacinado contra a raiva; o menino Zeca, dono de Nico, precisa convencê-lo de que a prevenção contra doenças é importante para todos.

Esta HQ pode ser usada na sala de aula, no estudo de doenças e sua prevenção. A dica é propor aos alunos que também produzam suas próprias HQs falando sobre doenças e as melhores maneiras de evita-las. Seria uma forma de avaliação bem criativa e estimularia os alunos a pesquisarem e se inteirarem mais sobre o tema.

HQ leva esclarecimento sobre a Hanseníase

Já conheço o trabaho da pesquisadora Karina Cabello, por contatos que já fizemos via e-mail, mas eu me deparei, por acaso com esta nota, enquanto fazia minhas habituais pesquisas sobre quadrinhos, na internet. Achei ainda mais legal, depois de ter mais detalhes. Vale conhecer a iniciativa e verificar como o uso das HQs pode ser abranger as mais diversas áreas.


Hoje curável em 100% dos casos e com tratamento gratuito disponível para a população, a hanseníase ainda carrega o estigma e o preconceito que levaram seus portadores ao isolamento durante séculos. A falta de informação sobre a doença é um dos fatores que levam o Brasil a ocupar a triste quinta posição entre os nove países endêmicos listados pela Organização Mundial de Saúde em 2005. Com o objetivo de contribuir para vencer o preconceito através do esclarecimento, o Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) desenvolveu uma história em quadrinhos sobre a doença tendo como público-alvo alunos do ensino fundamental.

A iniciativa é fruto do trabalho da bióloga Karina Saavedra Acero Cabello no curso de especialização no Programa de Pós-Graduação em Ensino em Biociências e Saúde do IOC, orientada pelo pesquisador Milton Ozório Moraes. O material surgiu com a idéia inicial de uma simples cartilha e ganhou forma. “Eu mesma comecei a rascunhar os desenhos e, aos poucos, percebi que uma história em quadrinhos era mais dinâmica e atrativa para as crianças. Queria que elas aprendessem sobre a doença de uma forma divertida”, explica a bióloga, que contou com a colaboração do ilustrador Bruno Esquenazi, do Setor de Produção e Tratamento de Imagens do IOC. “Esta parceria foi de vital importância, pois o Bruno deu uma excelente formatação aos desenhos.”

A história em quadrinhos narra a divertida aventura de dois amigos que, ao encontrarem uma coleguinha que tem manchas brancas na pele, são levados pelo Micobac (personagem criado com base na Mycobacterium leprae, bactéria causadora da hanseníase) a uma viagem imaginária pelo interior do corpo humano. Lá, conhecem mais sobre a doença e conversam com um macrófago, que fala sobre suas atribuições no organismo. De forma divertida e clara, o roteiro informa e esclarece sobre a doença.

Para o mestrado desenvolvido no mesmo programa, a bióloga aplicou o trabalho em três escolas da rede pública e privada. “O objetivo foi conhecer o impacto e ver como as crianças receberiam o projeto. Pude comprovar nessa trajetória que o preconceito ainda é muito forte”, avalia. Antes da introdução da história em quadrinhos, um questionário foi realizado com professores e alunos das escolas escolhidas para dar a dimensão do quanto conheciam sobre o tema. A aplicação foi iniciada com alunos de uma escola privada no Rio de Janeiro. “Trabalhamos a história e depois fizemos uma discussão em grupo. Os alunos foram muito receptivos e não se restringiram a responder o que eu perguntava, também fizeram muitas perguntas. Superou as expectativas”, Karina comemora.

A aplicação na rede pública de ensino foi realizada em escolas de Itaboraí, no interior do estado. Considerada uma região endêmica, o município abriga o Hospital Estadual Tavares Macedo, especializado no atendimento da doença. Na primeira tentativa, a maior parte dos pais dos alunos da escola escolhida relutaram em autorizar a participação dos filhos no projeto. “Dos cem questionários prévios enviados, recebi apenas 20 de volta. Foi um choque para mim”, dispara Karina, que preferiu não prosseguir o estudo nesta instituição. Em outras duas escolas, uma próxima e a outra distante do hospital, a timidez dos alunos ao falar sobre o assunto foi uma característica comum. “Os alunos ficaram sem graça e eu senti que não estavam à vontade. A diferença é que os alunos da escola mais próxima ao hospital sabiam mais sobre o tema, enquanto que os da escola mais distante tinham o mesmo nível de conhecimento dos que o da instituição privada”, considerou.

Outro aspecto importante levantado pelo estudo é que temas como a hanseníase não são abordados por professores de ciências, mesmo em uma região endêmica como Itaboraí. “Conversei com coordenadores pedagógicos e professores e todos confirmaram que não trabalham o tema em sala de aula. Como as crianças irão saber que a doença tem cura?”, indaga a bióloga, ressaltando que os pais também contribuem para que o preconceito ainda exista. “A criança é prejudicada, já que os pais alimentam este preconceito, passado dentro de casa”, conclui. Karina foi convidada pelo Programa de Hanseníase de Itaboraí para dar continuidade ao trabalho de divulgação e esclarecimento, não só através da história em quadrinhos, mas também treinando e capacitando agentes de saúde para atuar na região.

Hq educacional ensina a prevenir o câncer


Um material muito bom para ser trabalhado nas aulas de biologia e ciências está disponível para download pelo linkhttp://www.hqemfoco.com.br/uro/uro.zip . Trata-se de uma hq criada para informar sobre o câncer de pênis. A notícia saiu no site especializado em quadrinhos Bigorna. Segundo o site, a HQ Jogue limpo com seu amigo foi criada para o Projeto Urologista Cidadão da Sociedade Brasileira de Urologia por Daniel Esteves (roteiro), Bira Dantas(desenhos e arte-final) e Wanderson Souza (cores digitais). A história de 12 páginas alerta para os perigos do câncer de pênis, doença que atinge muitos homens nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Ela conta com personagens bem regionais e, apesar do bom humor, trata o assunto com muita seriedade.

Experiência de ensino: A turma da Mônica e a matemática

A professora Roseane Peres Rocha está tornando as avaliações de matemática uma gostosa brincadeira para os alunos da 5ª série do Ensino Fundamental da E. M. Jutith Lintz Guedes Machado. Ela está utilizando tirinhas da Turma da Mônica para montar problemas matemáticos e desafiando os alunos a fazerem o mesmo. Esta experiência está sendo colocada em prática há aproximadamente um mês e tem dado ótimos resultados.
Segundo a professora, os alunos prestam muito mais atenção aos problemas quando eles são apresentados nas tirinhas. A professora ainda destaca que é interessante o fato dos alunos se preocuparem com pequenos detalhes quando preenchem os balões: “Eles colocam a fala errado do Cebolinha e sublinham as palavras que estão erradas”. Roseane dá uma dica: ela usa os quadrinhos com balões em branco que ela retira do site http://www.4shared.com/. Ela vai em shearch files e digita quadrinhos. Lá há diversos documentos em word e pdf. É de lá que ela tira o material que usa em suas aulas.

Mangá ensina matemática


Uma contribuição da minha amiga Valéria Fernandes (http://www.shoujohouse.clubedohost.com) para os professores de matemática interessando em trabalhar com quadrinhos.

Enquanto uns se preocupam com os clássicos, no Japão os mangás são usados para educar. Claro que existe a discussão. De acordo com o Comi press (http://comipress.com/news/2007/04/09/1788), o governo japonês autoriou o uso de mangá nos livros de matemática do ensino médio no ano de 2006. Alguns especialicialistas acham que mangá não combina com matemática ou com ciência e que há muito mais mangá do que teoria nas publicações posteriores à permissão.

O livro criticado contém uma história que começa com 5 estudantes pegando um livro didático. Depois que um deles rasga uma página sem querer, o matemático grego Arquimedes aparece e os leva por uma viagem pelo tempo e por diferentes lugares, como as Grandes Pirâmides e os palácios europeus e lá os alunos são confrontados por problemas de matemática apresentados por diferentes pessoas, como um cortesão europeu, um nativo americano e um samurai. Os alunos só poderão voltar para casa depois de resolverem todos os problemas contidos no livro.

E os críticos acham que falta “caráter educativo” a este material… De acordo com os “educadores” do comitê que pretende reprovar o livro, as ações e os problemas no livro não casam e que eles não conseguiram “entender” o quadrinho. Desconfio porquê… Já o responsável pela edição, diz que tentaram fazer um livro que fosse agradável e educativo mesmo para os alunos que não fossem bons ou gostassem de matémática. Eu acredito nele.

Hqs e matemática

A pedido das professoras de matemática da E M Judith Lintz Guedes Machado (em especial a Neusa), estou disponibilizando alguns textos e dicas sobre o uso das hqs em matemática e outras ciências exatas. Segue o primeiro, retirado do www.cosmohq.com.br.

Matemática das HQs

Proporções, percentagens e até mesmo frações. Tudo isso é possível de ser ensinado ou, pelo menos, fixado por meio de exercícios práticos com histórias em quadrinhos. Como? Bom, primeiro basta mostrar ao aluno que é impossível desenhar a história no tamanho que ela é lançada. Na verdade, todo quadrinhista que se preza produz sua história em um formato bem maior do que aquele que acaba sendo publicado na revistinha ou nas páginas de jornais, afinal, é preciso desenhar uma série de detalhes que, por mais que sejam visíveis no tamanho publicado, seriam impossíveis de fazer naquele espaço. Ou seja, uma história é produzida em um tamanho maior e depois disso acaba sendo reduzida proporcionalmente para que seja publicada. O professor pode mostrar, então, uma tira de jornal (normalmente publicada com 14,5 de largura com 4,5 de altura) e explicar aos alunos que ela foi produzida em formato maior. Suponha, por exemplo, que um quadro de 4 cm de altura por cinco de largura, por exemplo, pode ter sido feito originalmente com 8 cm. por 10 cm.; 16 por 20 e assim por diante. Pode-se mexer aqui com proporções, porcentagens (o original é 100% maior, 200% maior e assim por diante) e até frações, mostrando a similaridade entre 20/16, 10/8, 5/4 e assim por diante. Um exercício que pode se propor aos alunos é pedir que produzam suas próprias tiras. O professor pode determinar o tamanho em que a tira seria publicada e pedir a cada aluno que produza uma tira em uma determinada proporção – duas vezes maior ou 35% maior e assim por diante. Ele pode pedir, anda, que o estudante verifique o tamanho da letra usada nos balões da tira original e que siga a mesma proporção na sua tira (afinal, a letra também é reduzida na publicação e, se o quadrinista não leva isso em conta, o diálogo vai ficar ilegível).
Segue, também, link com diversas questões de Questões de Ciências da Natureza & Matemática – UERJ: http://www.cbpf.br/~eduhq/html/questoes/questoes_uerj_ciencia_natureza_e_matem.htm

SUGESTÕES

Um olhar especial sobre a infância


Com a honestidade da perspectiva infantil, falar da criança como o ser inteligente e crítico que é, capaz de discutir o comportamento adulto.
E junto com o Lucas, discutir o relacionamento do mundo adulto com a infância, talvez o único momento da vida em que somos quem nascemos para ser, sem tantas máscaras sociais, sem tantos preconceitos…

O Fala Menino! nos conta de diferenças físicas ou sociais, de superação de limites, de inclusão, de RESPONSABILIDADE SOCIAL com a naturalidade das lições que apenas a infância sabe dar.
Os Livros Fala Menino!, com texto e arte premiados de Luis Augusto, falam de respeito à infância e sua relação com o mundo adulto, de diferenças, inclusão social e sonhos, de uma maneira tão divertida, sincera e sensível que gente de todas as idades apaixona-se pelo Lucas. Por seu jeitinho gostoso de viver, crescer e discutir tanta coisa séria, como só criança sabe fazer.

Coleção Diário de Lucas

Livros ilustrados, ricamente coloridos, onde Lucas, o menino de quaze dez anos que não sabe falar, nos apresenta seus amigos e suas idéias sobre cidadania, diferenças e inclusão, sexualidade, gravidez na adolecência, entre outros temas, em episódios recheados de aventura e carinho.
O primeiro livro desta coleção – Lucas – foi distribuido pelo MEC para 36.000 escolas públicas em todo o pais!


Lucas
Lucas, menino de quase dez anos que não sabe falar, nos apresenta sua família e seus amigos e reflete junto conosco como cada diferença de cada um enriquece o grupo numa emocionante e divertida história inclusiva

Sonhos de Ícaro
Lucas sonha com um menino de asas postiças que aparece para lhe mostrar que tudo é possível para quem não tem medo de tentar. Uma aventura sobre sonhos e cidadania.
Dureza
Felipe, primo adolescente do Lucas, chega e traz consigo muitas questões sobre o que é a puberdade e o significado de crescer. Tudo isso enquanto a turma se prepara para mais um campeonato de futebol de botão.

Filho de Peixinho
Com sensibilidade e bastante maturidade para seus quase dez anos de idade, Lucas nos conta como é crescer filho de pais adolescentes. Os dramas e as aventuras de ser pai e mãe quando mais precisavam ser filhos.

Cada livro desta coleção apresenta mais de 200 tirinhas com o Lucas e seus amigos. Intolerância, preconceito, cidadania, escola, separação de pais, entre outros temas importantes, são abordados com humor e lirismo em meio às brincadeiras e descobertas desta turma de meninos e meninas que continua crescendo.

E a Conversa Continua…
ISBN: 85-99007-03-3
Número de páginas: 111
Lançamento: 2000

Asas da Imaginação.
ISBN: 85-99007-01-7
Número de páginas: 111
Lançamento: 2002

Fazendo Arte.
ISBN: 85-99-007-05-X
Número de páginas: 111
Lançamento: 2003

Ouvindo Estrelas.
ISBN: 85-99-007-26-2
Número de páginas: 191
Lançamento: 2005

Inocente, até que se prove o contrário.
ISBN: 978-85-99007-33-4
Número de páginas: 191
Lançamento: 2006

Coleção Papo Sério
Cada cabeça é um mundo

Mateus é o irmão mais novo de Lívia e um menino muito interessante. Junto com o Lucas você descobrir o que é o autismo. Uma história inclusiva com Mateus é o irmão mais novo de Lívia e um menino muito interessante. Junto com ele, Lucas e a gente, vai descobrir o que é o autismo. Uma história inclusiva com humor e reflexões.

Abra os olhos que eu vou falar
Lucas nos apresenta Mirela e Pedro Souza que, além de grandes amigos, são surdos e sabem falar com as mãos! Uma história inclusiva com humor e reflexões.

Olhos de ver
Lucas nos apresenta Rafael, amigo gordinho e divertido, que, além de goleiro e um ótimo escultor, é cego! Uma história inclusiva com humor e reflexões.

Se essa rua fosse minha
Diogo e Esmolinha são crianças que vivem na rua onde Lucas mora. Junto com ele, vamos conhecer mais sobre essa realidade que faz tanta gente fechar as janelas dos carros. Uma história inclusiva com humor e reflexões.

Rodas gigantes
Caio é um intelectualzinho de seis anos de idade. É com ele, na sua cadeirinha, que Lucas aprende que, tantas vezes, o corpo humano é formado por cabeça, tronco, membros e… RODAS. Uma história inclusiva com humor e reflexões

Que droga!
Lucas reencontra seu primo Felipe (do livro “Dureza”) que traz uma história muito triste e importante sobre drogas e outros vícios… Uma história sobre a importância do diálogo franco e do coração aberto.

Tive um sonho
Junto com Lívia, sua amiguinha sonhadora, Lucas faz uma reflexão sobre a violência e o que cada um de nós pode fazer pela paz.

Tem dias que a gente se sente
Lucas reflete sobre a exploração do trabalho infantil.

Acredite se quiser
Lucas e Leandro, seu amigo do peito, refletem sobre tolerância religiosa e as diferentes formas de acreditar… ou não. Uma história inclusiva com humor e reflexões.

Lápis de cor
Lucas, ao lado de Martin e Winnie, reflete sobre preconceito racial em pleno século XXI. Uma história inclusiva com humor e reflexões.

Lá do lado de cá, cá do lado de lá
Lucas lembra como foi a separação dos seus pais e o que aconteceu no coração dele e dos seus irmãos.

Igualzinho e diferente
Lucas e seus irmãos gêmeos, Vítor e Gabriel, refletem sobre as vantagens da diversidade social e humana.

Tudo que é bom…
Lucas e Carol discutem o que pode ser feito para a preservação da natureza.


juvenis escritos por Monteiro Lobato. O primeiro é “Dom Quixote das Crianças”. Escrita por Monteiro Lobato em 1936 e que, por sua vez, é uma adaptação de Dom Quixote de La Mancha, do escritor espanhol Miguel de Cervantes. Na aventura, Emília, Pedrinho, Narizinho e outros personagens contracenam com o mentalmente afetado cavaleiro andante e seu fiel ajudante Sancho Pança. O lançamento será na Bienal e o preço ainda não foi anunciado. Os próximos lançamentos serão : “O Minotauro”, “Hans Staden”, “Peter Pan”, “Fábulas” e “Os Doze Trabalhos de Hércules”. A série irá se chamar “Monteiro Lobato em Quadrinhos”.

– Outra dica Lançado no Brasil terceiro livro de Scott McCloud sobre quadrinhos “Desenhando Quadrinhos”. Na obra, McCloud narra as informações desenhando a si próprio como personagem de uma história em quadrinhos. Ele usa o mesmo estilo das suas últimas duas obras, “Desvendando os Quadrinhos”, e “Reinventando os Quadrinhos”. Para quem se interessa para o tema (professores, jornalistas, quadrinistas), este autor é uma referência (Não tenho 100% de certeza de que ele estará disponível na Bienal, mas vale a pena dar uma conferida).

– A Panini, a maior editora de quadrinhos do Brasil estará presente com muitos lançamentos. Talvez o mais interessantes seja a edição comemorativa “Marvel – 40 Anos no Brasil”. Uma boa fonte de pesquisa para quem se interessa em conhecer mais sobre o universo dos super-heróis, os preferidos entre os nossos alunos, principalmente adolescentes. Além de aventuras clássicas, ainda há curiosidades e informações que poucos leitores conhecem. Conhecer mais estes personagens ajuda a entender melhor os alunos, pois eles buscam neles valores e aspirações que também são suas.

– A Panini também estará lançando as novidades da Turma da Mônica, de Maurício de Sousa. Entre elas estão: “Turma da Mônica – Coleção Histórica” traz os primeiros números das revistas “Mônica”, “Cebolinha” (ambas da primeira metade da década de 1970), “Cascão”, “Chico Bento” e “Magali”. “As Tiras Clássicas da Turma da Mônica – Volume 1”, segundo a editora, traz tiras cômicas publicadas no jornal “Folha de S.Paulo” entre 1962 e 1964. Os outros dois lançamentos -uma biografia em quadrinhos de Mauricio de Sousa e uma minissérie de Tina- serão vendidas na bienal por volta do dia 19, segundo a assessoria da editora.
– Entre os lançamentos estão o novo volume das tirinhas de Calvin & Haroldo; BigHatBoy, primeiro manga nacional publicado pela editora e voltado ao público infanto-juvenil; Lugar Nenhum, primeiro romance escrito por Neil Gaiman e a premiada HQ Black Hole, de Charles Burns, vencedora do Eisner Awards (2006), o Oscar da indústria norte-americana de quadrinhos.

Lançamento: Subterrâneo
Por Humberto Yashima


O grupo Edições Subterrâneo acabou de lançar o fanzine Subterrâneo #20 (impresso em preto e branco em uma folha A4, frente e verso, e dobrado de maneira especial, fica no formato A6) que conta com um convidado especial: Daniel Esteves, vencedor do Troféu HQ Mix 2007 na categoria Melhor Roteirista. O premiado autor participa do também premiado fanzine – que ganhou o Troféu HQ Mix 2007 como Melhor Fanzine de 2006 – na criação de uma história que fará todos os personagens do Subterrâneo se depararem com um único mistério: o segredo da Arca de Ciro. Além da costumeira equipe que produz as HQs do fanzine, composta por Will (Sideralman), Samuel Bono (Bucha), Marcos Vensceslau (Piratas), Mario Silva (Bombado) e Márcio Garcia (Derek, o Detetive), esta edição conta com a colaboração de Paulo Mansur, antigo participante do Subterrâneo que retornou como ilustrador convidado para produzir a segunda capa do fanzine (imagem acima, à direita). O Subterrâneo é distribuído gratuitamente em eventos de Quadrinhos; saiba mais aqui ou pelo e-mail subterraneo.zine@gmail.com.

Resenha: Humortífero
Por Humberto Yashima


Humortífero, o mais recente álbum de Quadrinhos do cartunista Marcio Baraldi, realmente justifica a junção das palavras Humor e Mortífero em seu título: as histórias nele reunidas, publicadas na revista Metahead há 11 anos, são “mortalmente divertidas”. O humor contagiante de Baraldi, que não poupa nada nem ninguém, pode ser notado já nos títulos das histórias: Rockorrida Maluca; Almoço com as Estrelas, Vida Privada de Michael Jackson; Roqueiros no Futuro; Nevermind; As Camas dos Roqueiros; Turnê do Supermercado; Inútil (de Ultraje a Rigor); Famílias dos Roqueiros; Revista ROCkARAS apresenta César e Giovana (O casamento mais rock’n’roll do ano!); Quem é mais?; Bandas Pioneiras; Surfista Calhorda; Divina Comédia; Uma Mensagem Diabólica; Gêmeos: Mórbida Semelhança; Drag-Kirk; Ei, você aí, me dá um Wonderwall aí!; Rock (?) in Rio 4; Xô, Satanás!; Heavy Metal Thunder; Bichinhos da Parmarock; Aluga-se (de Raul Seixas); Santa Batida Feia; Como Enlouquecer um Roqueiro; Acenda meu Fogo!…; Os Veículos dos Roqueiros; Zuão Goldo contra o terrível Playboy da Machadinha; Olimpíadas do Rock; A Luxuosa Vida do Roqueiro Brasileiro; Chiquinho Black-Metal; Vai um Pecadinho aí?; Shaaman versus Salim-Babá; Black Reality; 10 Anos de Crazy Legs; Um Grito contra o Senhor da Guerra!; Flagrantes de Nirvana; Flagrantes de Bon Jovi; Flagrantes de Metallica; Flagrantes de Pink Floyd; Flagrantes de Raimundos; e Flagrantes de Elvis Presley.
Roqueiros, “celebridades” e personagens de desenhos animados e Histórias em Quadrinhos são as estrelas de Humortífero; Baraldi usa e abusa de referências a acontecimentos reais que foram amplamente divulgados pela mídia, dando o seu toque especial a situações absurdas. O próprio cartunista e a equipe da revista Metalhead fazem participações especiais em algumas das HQs da publicação, com direito a “foto” do casamento de César (editor da Metalhead) e Giovana (editora da Tattoo). Indicado para os admiradores do trabalho de Marcio Baraldi – e também para quem ainda não for fã, pois vai acabar virando após ler o livro. Falando no Baraldi, ele também lançou o game/DVD Roko-Loko no Castelo do Ratozinger Remix, que traz a mais recente versão do jogo estrelado pelo seu mais famoso personagem e um vídeo com o making of do divertido videogame. Além das novas fases do jogo, outra grande sacada desse lançamento é o DVD que mostra os bastidores da criação de Roko-Loko no Castelo do Ratozinger, com o passo-a-passo da produção do game desde os esboços iniciais até chegar ao produto finalizado. Os comentários de Baraldi, do designer gráfico Sidney Guerra e do programador Richard Aguiar esclarecem tudo sobre o “nascimento” do jogo. Os Extras do DVD trazem as participações de Baraldi nos programas Clip Gospel, Metrópolis, Sleevers, Jornal da Noite, Pra Você, Rock Forever, Game Zone e Fala + Joga, mais um clipe da banda Exxótica cantando A Culpa e o Comercial do Roko-Loko (no qual o personagem é interpretado pelo próprio Baraldi). Para jogar/assistir depois de ler o álbum Humortífero…

Resenha: Brado Retumbante
Por Humberto Yashima


A revista independente Brado Retumbante #5, produzida em Natal-RN pelo Estúdio Reverbo em parceria com a Cooperativa Brado Retumbante, é editada por Lula Borges, que em seu editorial comenta o problema da HQ nacional e fala sobre esse grupo de amigos que resolveu fazer Quadrinhos. Em seguida vem O Duque: A Segunda Lágrima, uma história de ficção científica/fantasia escrita por Fernando Aureliano e (muito bem) ilustrada por Wendell Cavalcanti que tem a vingança como tema principal; o roteiro trabalha com eficiência alguns lugares-comuns nesse tipo de HQ (morte de uma pessoa querida; desejo de vingança, intrigas políticas, etc) e mantém o interesse até o final. A seção Entrelinhas – A História por trás da História traz o ótimo texto Passos de tartaruga… peso de elefante!, no qual Miguel Rude conta um pouco da trajetória das HQs nacionais dos anos 1990 até hoje. WinBlack, com roteiro e arte de Wanderline Freitas, mostra o surgimento de um misterioso herói – aparentemente indestrutível – que cruza o caminho de uma dupla de policiais. O visual do personagem lembra um pouco o do Spawn de Todd McFarlane, mas a história tem potencial.
A seção Quem é Quem na Brado (Especial), assinada por Miguel Rude e Lula Borges, desvenda a origem de Cabala, heroína criada pelos dois quadrinhistas, e antecede a história Dor!, escrita por Miguel Rude a partir de idéia de Rude, Joseniz e Wendell, e desenhada por Wendell Cavalcanti com arte-final de Carlos Alberto. Desta vez, a feiticeira é chamada por um padre – que foi auxiliado por Cabala no passado – para encontrar o autor de violentos assassinatos. Terríveis segredos são revelados durante a investigação e Cabala acaba enfrentando o assassino, nesta HQ que aborda temas “pesados” de maneira exemplar e conta com a excelente arte de Wendell. Encerrando a revista vem o “texto ilustrado” sobre a nova série Os Quânticos, escrito por Wagner Michael, desenhado por Wendell Cavalcanti e arte-finalizado e “tonalizado” (houve aplicação de tons de cinza) por Wanderline Freitas. Pela complexidade de história, essa introdução foi uma boa saída encontrada pelos autores para explicar do que se trata a série. O grande destaque da Brado Retumbante #5 é a bela arte de Wendell Cavalcanti, que ilustrou três das quatro HQs desta edição, além da capa e da 4ª capa. As tramas são bem elaboradas e a impressão da revista é de ótima qualidade; há alguns errinhos de digitação aqui e ali, mas nada que comprometa o resultado final. Boa opção de leitura.

Lançamento: O Gaúcho
Por Humberto Yashima


A SM Editora lançou O Gaúcho #2 (76 págs. de miolo em preto e branco, capa colorida em papel couchê, formato 15 x 21 cm), revista independente editada por José Salles, que reúne mais das clássicas histórias escritas e ilustradas pelo Mestre Julio Shimamoto com o personagem Fidêncio, O Gaúcho. A bela capa (imagem ao lado) foi criada por Shimamoto especialmente para a revista; Edu Manzano produziu uma pin-up para esta edição, que também contém seção de cartas. Essas HQs foram originalmente publicadas no suplemento Folhinha de S. Paulo do jornal Folha de S.Paulo entre 29 de dezembro de 1963 e 23 de agosto de 1964. O Gaúcho #2 custa r$ 6,00 (mais as despesas postais) e pode ser pedido por carta à SM Editora – Caixa Postal 95 – CEP 17201-970 – Jaú-SP ou pelo e-mail smeditora@yahoo.com.br.

Lançamento: Tangos & tragédias em Quadrinhos
Por Humberto Yashima


Tangos & tragédias em Quadrinhos (L&PM Editores, 48 págs., formato 21 x 28 cm, R$ 22,00), de Cláudio Levitan (roteiro) e Edgar Vasques (desenhos), foi baseada na peça Tangos & tragédias, que narra a história de dois músicos – encarnados no Teatro por Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky – nascidos na fictícia ilha chamada Sbórnia. A HQ tem supervisão de roteiro, texto e finalização de Hique Gomez e foi publicada anteriormente pela Sulina (em 1990).

Lançamento: Benjamin Peppe
Por Humberto Yashima


Benjamin Peppe #1 (SM Editora, 24 págs. de miolo e preto e branco, capa colorida em papel couchê, formato 15 x 21 cm), revista editada por José Salles, reúne tiras e HQs do personagem Benjamin Peppe, escritas e desenhadas por Paulo Miguel dos Anjos, que assina seus trabalhos apenas como Anjos. Nas histórias de Benjamin Peppe (criado por Anjos em 1973), o jovem surfista se mete em mil confusões e está sempre acompanhado por uma turma de amigos. Benjamin Peppe #1 custa R$ 5,00 (já incluídas as despesas de envio pelo correio); pedidos pelo e-mail smeditora@yahoo.com.br ou por carta endereçada à SM Editora – Caixa Postal 95 – CEP 17201-970 – Jaú-SP. As revistas da SM

Resenha: Nova Hélade
Por Matheus Moura


Um dos males das HQs brasileiras – discutido no livro O que é História em Quadrinhos brasileira – é a pouca pesquisa para sua feitura. Entretanto não só autores já renomados – vide Spacca – se dão ao “luxo” de fazerem as pesquisas necessárias para suas histórias. Cadu Simões em Nova Hélade #1 (20 páginas, formato 15 x 21 cm, R$ 1,00), construiu um mundo extremamente detalhado e profundo; todo baseado na cultura grega e se inspirando no mundo Cyberpunk do RPG Shadowrun. O zine é aberto com o editorial que expõe as motivações do autor e o que vem a ser esse mundo criado por ele.
Logo em seguida há o texto Nova Hélade, explicitando ao leitor o contexto desse terreno Cyberpunk; após, há a apresentação dos personagens principais e um pequeno texto que dá o gancho para o início da HQ propriamente dita. Tudo isso serve para aprofundar ainda mais a imersão do leitor na história que está prestes a ler. O gancho para a HQ ficou ótimo. Os desenhos de Ângelo Ron estão bons, dando uma boa noção do ambiente onde se passa a história. Há uma boa caracterização dos personagens, apesar de vez por outra haver pequenas falhas na anatomia. O destaque fica para a diagramação dos quadros.

No todo a HQ é muito boa e promete bastante, caso continue da maneira como começou; entretanto os Quadrinhos são muito curtos. Quando a coisa esquenta, acaba. Chega a ser decepcionante. Terminados os Quadrinhos, ainda há mais três textos: A Mega-Polis de Atenas, Hércules ou Heracles? e Pankration; mais uma página de esboços. No todo Nova Hélade agrada como HQ e como fonte de informação da cultura grega. Fica o “gostinho de quero mais”. Para quem quiser conferir o trabalho da dupla, entrar em contato com Cadu pelo email homemgrilo@gmail.com ou pelo endereço: Av. dos Autonomistas, 6.098 – Quitaúna – CEP 06194-060 – Osasco-SP.

Lançamento: Clube dos Heróis
Por Eloyr Pacheco


O jovem editor independente Luiz Gustavo, depois de relançar as edições de 1 a 7 do fanzine Clube de Heróis, anunciou o lançamento da 8ª edição da sua publicação. Em e-mail ao Bigorna.net, Luiz Gustavo informou que foi influenciado a produzir o Clube dos Heróis por Francinildo Sena, criador do Crânio e editor das publicações Crânio e Heróis Brazucas. “Tenho apenas 13 anos e sou fã de Quadrinhos. Moro perto do Francinildo Sena e foi ele que me incentivou e me ajudou a editar o meu fanzine”, comentou ele. Clube dos Heróis #8, que tem capa de Marcelo Salaza, apresenta uma aventura do Felino, escrita e desenhada pelo seu criador Elton Brunetti; traz a Ficha do Herói, e a Galeria de Heróis com Superman, Mulher-Maravilha e Supergirl. Este número tem 16 páginas, formato A5, capa e miolo em preto e branco, e custa R$ 2,00. Pedidos e mais informações: Rua Desembargador Hemetério Fernandes, 229 – CEP 59900-000 – Pau dos Ferros-RN ou pelo e-mail luizgustavorm12@yahoo.com.br

Referências

http://gibitecacom.blogspot.com/
http://www.xaxado.com.br/noticias/noticias01.html
http://www.anime.com.br/
http://www.quadrinho.com/index.php?option=com_content&task=view&id=275&Itemid=1
http://www.bigorna.net/index.php?secao=lancamentos
http://www.ucdb.br/gibiteca/index.php
http://www.mafalda.net/pt/index.php
http://www.cbpf.br/~eduhq/
http://gibitecacom.blogspot.com/search/label/educa%C3%A7%C3%A3o%20f%C3%ADsica
http://gibitecacom.blogspot.com/search/label/esporte
http://www.universohq.com/quadrinhos/beco_01.cfm
http://falamenino.locaweb.com.br/index.html
http://subterraneo.zine.zip.net/

História em quadrinhos

O papel do gibi no processo de aprendizagem, na afetividade e nas emoções.
Ronilço Cruz de Oliveira

Este relatório de pesquisa tem como objetivo analisar qual o espaço que as revistas em quadrinhos – gibis, ocupam no processo de aprendizagem, afetividade e emoções da criança, visando basicamente acompanhar as etapas de seu crescimento e desenvolvimento.
A proposta deste trabalho é promover uma leitura critica do gibi, no sentido de proporcionar aos educadores e psicólogos a possibilidades de usarem os quadrinhos como meio de investigação, interpretação e intervenção, principalmente porque os quadrinhos contém uma linguagem prática e colorida, que encanta e desperta na criança o desejo pela leitura, bem como a criatividade e a imaginação, alem é claro de enriquecer seu vocabulário.
Trata-se também da possibilidade de sistematização de uma prática pessoal desenvolvida ao longo de cinco anos, através de um projeto social denominado Gibiteca.
A Gibiteca nasceu em 1995, conta com o apoio da Universidade Católica Dom Bosco e também se constitui num campo de estágio e desenvolvimento comunitário.
Este projeto parte também do encantamento e envolvimento do seu autor com as leituras em quadrinhos.

As histórias em quadrinhos no contexto escolar e acadêmico

Várias pessoas não entenderam no inicio como os gibis iriam fazer parte de instrumento de pesquisa, investigação e atuação em psicologia em uma universidade, principalmente devido ao grande preconceito que até então existia em relação a esse tema. Waldomiro Vergueiro (Núcleo de Pesquisas de Histórias em quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, 1998) afirma que “Quadrinhos e Universidade realmente nem sempre fizeram uma dupla lá muito dinâmica”. Waldomiro comenta que os intelectuais universitários até pouco atrás tinham a tendência de “amarrar” o nariz para os produtos da indústria de massa. Custaram a aceitar meios de comunicação de impacto mundial incontestável, como o cinema ou o rádio, demorando para acreditar que eles pudessem apresentar um objeto de estudo digno para os bancos acadêmicos ou que pudessem oferecer como resultado verdadeiras obras de arte.
A ciência, em conseqüência a universidade, tem que se ocupar apenas com coisas importantes e que levem a pensamentos profundos, diziam os intelectuais (e muitos ainda dizem). “Gibi”? Isso é coisa de criança. É totalmente supérfluo, que se lê e joga fora. Como se pode dar valor para algo que é produzido aos milhares, em “papel vagabundo”, cheio de desenhos de gosto inacreditáveis, de personagens que usam roupas espalhafatosas? Até pode representar um produto interessante para os outros, mas… enfim, história em quadrinhos não é coisa séria”, afirma Vergueiro (1998, Pag. 78). E com isso colocavam um ponto final no assunto. As historias em quadrinhos, definitivamente, não pertenciam ao ambiente universitário.
Felizmente isso mudou um pouco, afirma Vergueiro, porém, nem todo o ranço acadêmico foi eliminado, é claro, mas já é mais fácil encontrar-se, nas universidades do mundo inteiro, professores interessados nas histórias em quadrinhos, que realizam e orientam pesquisas, ministram disciplinas sobre elas e realizam um contato muito frutífero com produtores e consumidores desse meio de comunicação de massa, ajudando a ampliar a compreensão sobre as particularidades e potencialidades do meio.
Este movimento de absorção das histórias em quadrinhos pelo ambiente acadêmico começou em fins da década de 60 e início da de 70, quando alguns interessaram-se pelo assunto e passaram a abordá-lo sob o ponto de vista semiológico, histórico, estético, etc. A partir daí, as historias em quadrinhos passaram a ser um pouco melhor vista pelos acadêmicos.
Segundo Waldomiro Vergueiro o Brasil de uma certa forma, foi pioneiro nesse aspecto, pois foi aqui que mais precisamente na Universidade de Brasília, que foi criada a primeira disciplina sobre Histórias em Quadrinhos em um curso de graduação, ministrada pelo professor Francisco Araújo, que até hoje continua trabalhar com esse assunto em curso de terceiro grau. Foi no Brasil também, que uma das primeiras pesquisas sobre quadrinhos foi realizada em ambiente universitário, coordenada pelo professor José Marques de Melo, na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Foi nessa mesma escola, ligada ao Núcleo de Pesquisas em Histórias em quadrinhos, que surgiu mais de 20 anos depois, o primeiro curso de Especialização em Quadrinhos, durante a década de 90 (que infelizmente, deve curta duração).
A universidade pode representar um ambiente privilegiado para a criação de quadrinhos, principalmente poder trabalhar com aspectos de vida do povo brasileiro, podendo promover uma ampla avaliação do pensamento, expressar sentimento e principalmente sendo válvula de escape para a criatividade e emoções dos alunos.

O papel do Gibi no processo de aprendizagem, nas afetividades e emoções.

Vivemos em uma sociedade onde as coisas acontecem muito rápidas, onde os computadores invadem nosso cotidiano de forma extraordinária, e as pequenas coisas às vezes são deixadas de lado e esquecidas. Precisamos redimensionar o “brincar”, voltar a fantasiar, que para o professor Fontoura (1970,Pag 102), chama-se fase fantasista ou animista da criança (3 a 7anos), que é a tendência de dar alma aos seres inanimados e aos animais (do latim anima, significa alma). Fontoura afirma que a fase fantasista sempre foi parte integrante da vida do homem primitivo, que via sempre nos animais, nas plantas, nas forças da natureza (tais como o raio, o trovão, a lua, o eclipse) expressões de sorte ou de desgraça. Então, segundo o autor, a criança repete os homens da antigüidade e os nossos selvagens: ela é profundamente animista; conversa com os animais, com as bonecas, com os objetos que a rodeiam. De uma caixa vazia faz um navio, que, no momento seguinte, será uma casa ou um carro.
Estas construções míticas da criança são conhecidas por vários nomes: “síntese fantasista”, “capacidade de fabulação”, “exaltação da imaginação”, “mitomania”, etc.
Todo esse animismo, segundo Fontoura (1970), propicia a criança a criação de um mundo à parte, para elas, impedidas, pela falta de idade, de penetrarem no mundo adulto, então elas criam o seu próprio mundo, inconscientemente onde vivem felizes.
Fadas, duendes, animais que falam, gigantes, super-homens, mônica, cascão, cebolinha, mickey e outros, tudo isso existe realmente no mundo da criança. Através da capacidade de fantasiar a criança se afirma, realiza seus desejos, supera suas incapacidades.
O gibi de uma certa forma é um grande elo de ligação entre o meio interno e externo da criança. É através do Gibi que começamos a entrar em um mundo “mágico” da leitura e da fantasia, a imaginar e estar frente a situações presentes em nossas vidas. Como afirma PIAGET, “não existem fronteiras entre o mundo objetivo e o mundo subjetivo da criança”, (Psicologia Educacional, pag 93). A criança não possuindo experiência da vida e sendo pequena sua capacidade de raciocínio, a criança preenche essas duas lacunas com a imaginação. Ela não sabe como as coisas são: então, imagina-as. Essa com certeza é a causa do enorme desenvolvimento da imaginação infantil.
A partir do gibi a criança começa a despertar o interesse pela leitura e melhorar a criatividade, a sensibilidade, a sociabilidade, o senso crítico e a imaginação criadora, além e claro de aprender o português (Dinorah, 1995).
A criança faz duas leituras do gibi, uma das figuras – onde imagina os diálogos, sem se importar com que esta escrito. A medida que a criança começa a entender a leitura ela começa a ler e entender os quadrinhos, porém jamais deixando de imaginar e adivinhar.
Hoje em dia encontramos gibis em salas de aulas, onde percebemos a importância do mesmo na aprendizagem da criança, porém nem sempre foi assim, pois os quadrinhos eram considerados prejudiciais, pois fazia uma espécie de “antileitura”, mas aos poucos a experiência mostrou que, longe de ser prejudiciais, os gibis podem ser um gostoso incentivador da leitura, “as imagens ajudam as crianças em fase de alfabetização a compreender o texto que estão lendo”, afirma Alice Vieira, professora e coordenadora do laboratório de leitura da Faculdade de Educação da USP (2000, Pag 83).

Gibi é literatura?


“O livro ou o gibi é aquele brinquedo,
por incrível que pareça,
que, entre um mistério e segredo,
põe idéias na cabeça”
(Em poesia sapeca, L&PM Editores, Porto Alegre, RS)
Carlos Drumond de Andrade assim se expressou sobre o tema (O livro Infantil e a formação leitor, pag 27) :
“O gênero literatura infantil tem, a meu ver, existência duvidosa.
Haverá música infantil? Pintura infantil? A partir de que ponto uma obra literária deixa de se constituir alimento para o espírito da criança ou jovem e se dirige ao espirito adulto? Qual o bom livro de viagens ou aventuras destinado a adultos, em linguagem simples e isento de matéria de escândalo, que não agrade a criança?”.
Já Cecília Meireles, criadora e mestra, afirma: “A literatura infantil melhor é a que as crianças lêem com prazer”, (O livro infantil, pag 29).
Alceu Amoroso Lima, afirma que “Se a criança perceber desde logo que a leitura é apenas uma forma de educação, e, portanto, mais um empecilho à sua liberdade, não há como lhe impedir a repugnância espontânea a essa nova limitação”.
Podemos então concluir que literatura para criança é aquela que ela gosta de ler, ou seja, o gibi é considerado um livro de literatura a medida que a criança goste de ler. Devemos dar a liberdade para a criança escolher aquilo que quer ler, jamais ser imposto. A criança gosta de ler o gibi porque pensa que é uma brincadeira, um jogo, mas se ela descobrir que esta desenvolvendo técnicas de leitura a mesma pode até deixar de lado o gosto de ler o gibi.
Jogo e brinquedo para Rabelo (1996, pag 67l) são sinônimos, aliás, em francês jouer tanto significa “jogar” como “brincar” e em inglês to play significa igualmente ambas as coisas.
A criança gosta de gibi porque é um jogo de imaginação. Como diz Rabelo, “o brinquedo é a atividade fundamental da criança”. E acrescenta: “é o brinquedo a grande expressão da vida da infância”.
Walt Disney e Maurício de Sousa e a identificação
com os personagens
Devemos despertar nosso interesse pelas diferenças dos gibis brasileiros (Maurício de Sousa) e dos americanos (Walt Disney), onde podemos observar que os do Maurício possui uma linguagem simples e voltada a coisas do dia-a-dia, relacionada a afetividade. Maurício de Sousa da importância ao elo familiar, das coisas simples da vida e da identificação do personagem com aquilo que fazemos. Como afirma Maurício de Sousa na revista Família Cristã (Ed. 778, pag 10): “Faço estórias que sei fazer, com personagens infantis e para um público infantil. Assim, não é de se estranhar que as crianças que estão aprendendo a ler se interessem por personagens de historinhas parecidas com as que elas vivem . Afinal, há uma inevitável identificação. Basta lembrar: quem de nós nunca foi criança como Mônica, Magali, Cebolinha, Cascão, Franjinha etc?. Quando atingimos esse ponto de identificação e de qualidade, devemos ter cuidado para manter nosso público”.
Um exemplo é o personagem Chico Bento, que vive em um lugarejo muito parecido com nossa realidade, onde encontramos uma vila de casas, uma escola, amigos e animais de estimação e acima de tudo uma família ; o Cebolinha tem pai, tem mãe e uma irmã, etc. Já os gibis americanos – Walt Disney, possui uma descaracterização total em relação à família dos personagens, pois não existem famílias completas, onde podemos perceber por exemplo o Pato Donald, que mora em companhia de três sobrinhos (Huguinho, Zezinho e Luizinho) que ninguém sabe onde estão seus pais e quem são. Pato Donald namora a Margarida há muito tempo, cada um vive em uma casa – parece uma “amizade colorida”.

Os personagens, a identificação e sua importância na afetividade:
Como trabalhar com os gibis?


É interessante quando falamos em personagens de estórias em quadrinhos e como as crianças se identificam com eles. Podemos trabalhar de diferentes formas e temas com os personagens. Partindo da personagem chave da Turma da Mônica, onde a própria Mônica possui um título de “Dona da rua” por possuir um temperamento forte, que não aceita desaforos e “joga seu coelhinho” em quem tentar passar pelo seu caminho. Podemos trabalhar com as crianças no sentido de tentar coloca-las no lugar da personagem, ou seja, de que forma as crianças aceitam alguém brigando e mandando nelas. Por outro lado perguntamos a elas se gostam que coloquem apelido e rotulem suas atitudes. Assim podemos fazer um jogo de identificação. Vale ressaltar da importância dos personagens “heróis”, pois pude perceber que quando a criança não tem uma família estruturada, um pai ausente, ou uma mãe super protetora, esta criança quase sempre adora ler estórias com personagens de heróis, seja super-homem, Homem Aranha, Batmam e outros do gêneros.
Outra maneira de se trabalhar com a criança e promover leituras de gibi e em grupo e conversar sobre a estória lida. Cada um do grupo conta o que achou e o que entendeu da estorinha e depois em grupo conversamos o “certo e o errado”, e onde a estória combina com a vida de cada um, depois novamente em grupo conversamos sobre os relacionamentos, seja familiar ou social dos personagens e trazer para a nossa realidade o contexto da estória.
As diferenças também podem ser trabalhadas com os gibis. O Cebolinha e o Chico Bento não falam totalmente errados, mas sim diferentes. O cebolinha tem um problema de articulação que e denominado “dislalia”, que segundo Issler (1990, Pag18), e o padrão articulatório da criança desviado fonemicamente do padrão normalmente aceito pela comunidade lingüistica adulta daquela língua, persistindo além da idade esperada numa linguagem em aquisição. Para Issler (1990), a dislalia não se característica uma lesão cerebral e não se trata de uma patologia fonaudiológica grave. É leve. Mas poderá se tornar um problema sério se persistir, além da idade de aquisição normal, se a providência de terapia e compreensão pelos pais e professores do que realmente se trata e se há ou não um tipo de problema pela frente. O cebolinha tem uma dificuldade na articulação que propicia a troca do “R” pelo “L” , sendo necessário trabalhar então a sua fonética.
Segundo a professora Sandra Hahn, do Departamento de Letras-UFMS, os professores podem trabalhar com gibi em sala de aula, porque eles têm opções melhores para oferecer, segundo ela, a criança não pode ficar só com a ideologia latente do Pato Donald e Superman, mas aos mesmo tempo não é só pegar o Chico Bento para corrigir suas falas. Deve-se respeitar o regionalismo que existe, de forma a mostrar as duas formas da língua: culta e coloquial (1999, pag. 27).
Vale ressaltar que é de fundamental importância alertar aos educadores que é necessário ajudar a despertar o senso crítico da criança, principalmente promover uma reestruturação da sua linguagem, evitando o que chamamos do “imitar”, pois crianças adoram imitar o jeito que o cebolinha fala, a maneira como a “Xuxa” troca os “esses” pelo “x”. Os educadores devem trabalhar o conceito correto da linguagem, evitando modelos inadequados de fala.
O Chico Bento e um personagem com características voltadas para o zona rural que dentro da dialética, fala uma linguagem da sua região, onde os costumes e tradições influenciam na formação cultural da sua personalidade. Exemplo e que no sul se fala uma coisa e no nordeste outra. “barbaridade, tchê” no sul, “bichinho, avexado” no nordeste.
O educador deve se preocupar também em diferenciar do que e cultura e do que seja “modelo inadequado de fala”, pois em momentos da sua fala o Chico Bento realmente tem erros de linguagem, sendo necessário o professor ou os pais da criança mostrar o que e o certo e o errado na linguagem.
Maurício de Souza se defende desta afirmação de “modelo inadequado de fala”, ele afirma que com sua fala a moda caipira, o personagem Chico Bento já foi muito acusado de “confundir” as crianças, levando-as a reforçar erros de grafia. “É preconceituoso achar que o Chico Bento fala errado. Ele apenas fala diferente. Nossa língua é rica e comporta diferentes formas de falar. Não há motivo para criança desconhecer essa riqueza”, defende Maurício de Souza (1999, Pag 83). Para reforçar o que ele diz, ele lembra que o Chico Bento é o personagem mais vendido da Turma da Mônica e também o que faz mais sucesso no exterior. Maurício diz ainda que suas inovações na linguagem vão prosseguir e que, no momento, seus estúdios pesquisam a criação de personagens vindos de outras regiões, cada um com sua fala e hábitos típicos, como um nordestino, um gaúcho e até um português. Partindo da mesma opinião, Alice Vieira (1997) acredita que personagens assim enriquecem o universo infantil, por colocarem a criança em contato com realidades diferentes da sua. E, para evitar a eventual fixação de erros, ela sugere que se incentive a criança a transcrever falas como as do Chico Bento para a linguagem aprendida na escola.
O fato de uma criança já estar alfabetizada não significa que ela seja capaz de compreender uma narrativa. Para Vieira (1997), chegar a esse estágio exige tempo e treino. E, novamente, os quadrinhos podem ser aliados importantes:
1. Quando a criança estiver lendo uma estória, peça-lhe que pare no meio e advinhe o final. Por trabalhar com personagens caricatos, os quadrinhos facilitam esse tipo de exercício, que desenvolve a chamada predição, a capacidade de antecipar o que está escrito inconscientemente, é esta capacidade que todos ativam ao se interessar por uma leitura.
2. Incentive a criança a contar uma estória em quadrinhos. Se a alfabetização dela ainda está no inicio, deixe fazer a narração oralmente; senão, peça-lhe que escreva. Sem o auxilio da imagem, a criança e obrigado a escrever as ações para ser entendido. Dessa maneira, familiariza-se com o chamado discurso indireto, que é o mais usado nos livros.
3. O caminho inverso também é válido; sugerir que ele transforme, numa estória em quadrinhos, alguma coisa que tenha acontecido ou uma redação escolar.
Ao acompanhar a seqüência dos quadrinhos de uma estória, a criança realiza um treino importante e que, normalmente, passa despercebido: ela aprende o modo de leitura ocidental, da esquerda para a direita. Embora isso pareça óbvio, Balau que é educadora especializada em alfabetização de professores (1999, Pag 84 ), lembra que esta é uma característica cultural e que, no Japão, por exemplo, a leitura é feita no sentido inverso. Outro aspecto positivo, segundo Balau, é que os quadrinhos prediletos das crianças retratam situações e problemas típicos do cotidiano infantil. “A identificação que se cria, mais a percepção da criança de que é tudo fantasia, faz com que ela aprimore sua capacidade de representação simbólica”, (1999, Pag 85). Na prática, isso significa desenvolver sua imaginação e dar-lhe instrumentos para expressar de maneira criativa as emoções. Pode ajudá-la a transformar uma sensação de raiva, por exemplo, no desenho de um grande (e sonoro) SOC!!! (linguagem dos quadrinhos, Desvendando os Quadrinhos, 1995, Scott Mccloud), já é bem melhor do que bater de verdade.

Conclusão

Ler histórias em quadrinhos é muito bom, tornando-se um meio de comunicação, umas das mais fantásticas criações artísticas do homem, transporta-nos ao mundo da magia, do encantamento e do conhecimento. Os enredos cheios de imaginação, narrados por meio de imagens alegres e textos rápidos, são o nosso passaporte para o reino da fantasia, onde prevalece o delicioso sabor do faz-de-conta.
Podemos afirmar que o papel do gibi em todo o processo de aprendizagem, afetividade e emoções é de fundamental importância, pois por possuir uma linguagem prática, curta e colorida, tem a finalidade de despertar o interesse pela leitura e influenciar costumes e culturas, voltado basicamente para a nossa realidade. O Gibi faz parte de materiais pedagógicos usados em escolas, visando além de despertar a criatividade, provocar a sensibilidade, a sociabilidade, o senso crítico e a imaginação criadora.
O gibi é um instrumento de investigação, atuação e intervenção, bem como possibilita ao psicólogo, promover o diagnostico no processo de aprendizado, afetividade e personalidade.

Os quadrinhos a serviço da (boa) educação
Por Sidney Gusman

Alguns anos atrás, durante uma conversa absolutamente informal, disse que trabalhava com histórias em quadrinhos… Uma assistente social, que estava na “roda”, reagiu indignada, dizendo que os gibis eram nocivos e afastavam as crianças do hábito da leitura!

Nem é necessário dizer que, superada a estupefação, frente a tamanha demonstração de ignorância, tratei de defender os quadrinhos, mostrando, com vários exemplos (que a mulher, evidentemente, desconhecia), o quanto as HQs podem servir como instrumento de incentivo à leitura e de formação educacional.

O pior de tudo é que esse preconceito absurdo em relação aos quadrinhos não se limita a bate-papos sem compromisso. Quem tem mais de 25 anos deve se lembrar que, algum tempo atrás, foi noticiada amplamente na imprensa uma reivindicação para que o Chico Bento deixasse de lado o seu linguajar caipira, e passasse a se expressar no mais correto português. O Cebolinha também deveria parar de trocar o “R” pelo “L”. A razão? Os personagens de Mauricio de Sousa poderiam ensinar as crianças a falar e escrever errado!

Felizmente, o desocupado que teve essa idéia estapafúrdia foi esquecido, não se tocou mais na idéia e Chico Bento e Cebolinha continuam mantendo as características que os transformaram em grandes sucessos junto aos pequenos leitores. Ah, e nem por isso a criançada cresceu falando errado! Incrível, não?


O grande problema desses leigos que atacam os quadrinhos dessa maneira é o total desconhecimento de causa. Se procurassem se informar, saberiam que, em vários países, inclusive no Brasil, as HQs são utilizadas para contar a história dos seus povos para as crianças, de uma forma agradável e que instiga o jovem leitor a procurar saber mais sobre o assunto.

Vários capítulos da história de Portugal foram adaptados em bandas desenhadas (forma como eles chamam os quadrinhos). Na década de 80, a Editora Futura lançou a série Antologia da BD Portuguesa, contando as aventuras de seus heróis nacionais. Em O Caminho do Oriente, por exemplo, são narradas as aventuras do navegador Vasco da Gama, através de um garoto que acompanha suas viagens. Na França, é possível encontrar praticamente toda a história do país quadrinizada. O mesmo vale para a Espanha e a Itália.

Do Japão, podemos citar Gen Pés Descalços, lançado aqui pela Conrad Editora, escrito e desenhado por Keiji Nakazawa, que mostra as desventuras do garoto Gen (alterego do autor) desde os dias que precederam a destruição de sua cidade natal, Hiroshima, pela bomba atômica até os seus efeitos devastadores. A obra, considerada um clássico dos quadrinhos japoneses, foi adotada por escolas norte-americanas, para que seus alunos aprendessem, com uma HQ, a dura verdade sobre a segunda guerra mundial.

E você sabia que o Brasil também já teve o – bom – hábito de contar a sua história em forma de HQ? Foi na série História do Brasil em Quadrinhos, dois volumes belíssimos, lançados pela EBAL, em 1959 e 1962; com desenhos exuberantes do veterano Ivan Watsh Rodrigues, que recebeu o prêmio Angelo Agostini de 2000, como grande mestre do quadrinho nacional, com absoluto merecimento. Esse mesmo autor também publicou Rondon, O Último Bandeirante; O Tigre da Abolição, com a biografia de José do Patrocínio; e a espetacular quadrinização do clássico de Gilberto Freyre, Casa Grande & Senzala, em 1981, que ganhou uma versão colorizada, em 2000.

O mestre Flavio Colin também deu sua colaboração, no sentido de retratar nossa história, com A Guerra dos Farrapos, um trabalho belíssimo.


Recentemente, os quadrinhos parecem estar ganhando um novo impulso como instrumento didático no Brasil. Em 1999, a Cia. das Letras lançou Adeus, Chamigo Brasileiro – Uma história da Guerra do Paraguai, um excelente trabalho do roteirista e desenhista André Toral, que narra, de forma brilhante, fatos desse importante acontecimento de nossa história. O álbum traz ainda, no final da edição, um texto contando os detalhes que levaram à guerra, fotos e as conseqüências das batalhas.

Também merece destaque o projeto Literatura², que pretende publicar contos de Machado de Assis, um dos nossos maiores escritores, adaptados em quadrinhos. Os desenhistas escalados para essa missão são Spacca, Newton Foot, Jô de Oliveira e Gilberto Maringoni. No entanto, apesar da ampla divulgação que conseguiu pelo País inteiro, o autor da idéia, o jornalista Marcelo de Andrade, ainda não conseguiu viabilizar patrocínio para a empreitada. A princípio, seriam 30 mil exemplares, distribuídos apenas para estudantes das escolas de ensino médio de “maior risco social” – situadas em áreas de violência e pobreza da Grande São Paulo -, de acordo com um mapeamento feito pela Secretaria Estadual da Educação. O objetivo? Fazer os adolescentes tomarem gosto pela literatura.

E mais uma novidade vem por aí! O desenhista Newton Foot está preparando uma adaptação das Cartas Chilenas, do inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, que deverá sair ainda no primeiro semestre, num álbum da Editora Edra. A obra é uma poesia satírica, na qual são narrados os desmandos do governador Cunha de Meneses. Os diversos acontecimentos, sempre em seqüências curtas, fizeram que Foot optasse por contar essas histórias em formato de tiras, ainda INÉDITAS, e que você só confere aqui, no Universo HQ.


Cartas Chilenas: Tira INÉDITA de Newton Foot, EXCLUSIVIDADE do Universo HQ

O cartunista e criador do troféu HQ Mix , Jal, em parceria com a professora universitária Sonia M. Bibe Luyten, que assina a coluna Quadrinhos pelo Mundo, no UHQ, está preparando um livro sobre como as histórias em quadrinhos podem – e devem – ser utilizadas na formação educacional das crianças brasileiras.

Uma prova cabal disso vem da Bahia, onde os livros do Fala Menino!, de Luis Augusto Gouveia (que você pode acompanhar diariamente aqui no Universo HQ), foram adotados por várias escolas, que os utilizam para ajudar na educação das crianças.

Poderia enumerar muitos outros exemplos de como as HQs podem contribuir para gerar interesse pela leitura, para difundir a história de uma nação ou até mesmo para auxiliar na formação de um vocabulário amplo. Afinal, os quadrinhos possuem tantas e tantas possibilidades a serem exploradas…

No entanto, ainda existem muitos desinformados que desconhecem essas virtudes. E a árdua missão de mudar esse quadro cabe a nós, amantes da nona arte. Como fazer isso? Mostrando que, através dos quadrinhos, também se adquire cultura, conhecimento e, principalmente, boa educação.

Sidney Gusman é editor-chefe do Universo HQ. Jornalista, escreve sobre HQs para diversos jornais, revistas e sites do Brasil, desde 1990. Atualmente, assina a coluna Quadrinhos em Foco, na revista Sci-Fi News. Defensor ardoroso das histórias em quadrinhos, ele jura que a mulher citada no início da matéria foi “convencida” pacificamente, sem que tenha sequer alterado o tom de voz. Sei, sei…

A GIBITECA COMO FORMA DE INTEGRAÇÃO ESCOLAR –


Criar a Gibiteca foi, antes de mais nada, um exercício de integração. Toda a escola se envolveu no projeto. Alunos, professores, direção, funcionários da limpeza, especialistas e funcionários técnico-administrativos. O processo de instalação da gibiteca durou cerca de um ano. Primeiro conseguimos o espaço físico, depois começamos a pedir e receber doações de HQ’s. As doações foram feitas por colecionadores particulares, professores, alunos, gibitecas[1] e editoras. Por época da inauguração, em 11 de maio de 2007, tínhamos um acervo aproximado de 1600 exemplares, em vários formatos e gêneros.

Mas não basta simplesmente criar o espaço na escola, é preciso também mostrar que ele é funcional e que pode ajudar no trabalho de todos os professores. Por esta razão organizamos o I Seminário sobre Quadrinhos, Leitura e Ensino[2]. O Seminário foi organizado pela escola com o apoio da Secretaria Municipal de Educação, tendo como público-alvo professores da educação infantil e do ensino fundamental. O objetivo era demonstrar que o uso das histórias em quadrinhos podia ser um caminho para o processo de ensino/aprendizagem e que elas poderiam ser usadas em todos os conteúdos, não sendo apenas prerrogativa das séries iniciais. O seminário atendeu a 230 professores das redes municipal de ensino de Leopoldina, pública e privada de Leopoldina..

A Gibiteca é um apoio para o professor que deseja diversificar as suas aulas. Ela não garante por si só o êxito do aluno, mas ela fornece a ele a possibilidade de ampliar seus horizontes e de desenvolver sua capacidade de ler. Por outro lado, ela também age diretamente na auto-estima dos professores. Eles passam a dar mais valor ao seu trabalho e a se sentirem também valorizados. O professor redescobre o prazer da leitura e, também, o prazer de ser um profissional do ensino, um educador.

O acervo diversificado permite que a gibiteca seja um grande laboratório de ensino/pesquisa. Possui HQ’s de vários gêneros (humor, suspense, históricas, ficção fantástica, etc.) e até raridades como o Gibi n. 01 e diversas HQ’s da EBAL, publicadas na década de 1970. Os alunos, principalmente as crianças dos anos iniciais, sentem-se atraídos pelo ambiente despojado e alegre da gibiteca, onde eles podem desenhar, deitar no tapete em meio a almofadas e transformar a leitura numa forma prazerosa de lazer. Para os adolescentes, ela se torna igualmente um lugar de descontração, principalmente para meninos e meninas que gostam de desenhar e usam o desenho como uma forma de expressão de seus sentimentos e suas idéias. As HQ’s estimulam esta habilidade e acabam transformando o desenhista em leitor.


A gibiteca age como um canalizador de sonhos. Ela transporta os leitores a um mundo de fantasia do qual ele estava até então alienado. Muitas de nossas crianças nunca tiveram em sua casa uma HQ. Entre os adultos que estudam no EJA (Educação para Jovens e Adultos) poder ler uma história em quadrinho na escola é muitas vezes vivenciar uma atividade da qual foram excluídos durante sua infância, seja por motivos econômicos, seja pela cultura familiar ou simplesmente por não saberem ler e escrever.

Em um artigo intitulado “Educar é fazer sonhar”[3] Francisco CARUSO e Maria Cristina Silveira de FREITAS afirmam que educar depende da capacidade de fazer o aluno sonhar e afirmam que despertar nele a criatividade é a melhor forma de prepará-lo para os desafios da vida, pois no mundo moderno ela é necessária para a sobrevivência. Atrevo-me a acrescentar que, além de fazer o aluno sonhar, é preciso fazer o professor sonhar junto com ele.

32 mil revistas da Turma do Xaxado


A Ecolimp e a Prefeitura de Itabuna adquiriram 32 mil exemplares da revista em quadrinhos Cidade Limpa, Povo Educado, da Turma do Xaxado. As revistas, totalmente coloridas e impressas em papel couchet, foram distribuídas nas escolas da rede municipal de ensino.
A revista Cidade Limpa… está disponível para qualquer empresa interessada em divulgar ações de responsabilidade social, com direito a personalizar a última capa da revista com a marca ou anúncios da empresa. Consulte valores.

Editora JBC lança o segundo volume do livro “Técnicas de Mangá”.

Se você gosta de fazer mangá é hora de dar o segundo passo para melhorar sua técnica.

No volume 2 do curso estão os recursos mais avançados de colorização de desenhos e de aplicação de retículas – além de novas técnicas importantes para a criação de personagens.

PROJETO: Montando a Gibiteca

A Gibiteca – Biblioteca de gibi, é um projeto que tem como objetivo principal incentivar a leitura de crianças e adolescentes. A intenção é despertar o interesse pela leitura com os quadrinhos, que contém uma linguagem prática, colorida e com textos curtos, o que prende a atenção da criança, fazendo enriquecer a sua criatividade. A Gibiteca possui cerca de vinte mil exemplares de diferentes tipos e a até internacionais.

A Gibiteca é um espaço alternativo de leitura e lazer, pois no local encontramos diferentes tipos de eventos, seja cultural, educacional e artístico. A Gibiteca funciona como se fosse um “clubinho”, onde a criança faz sua inscrição e recebe uma “carteirinha”, nada pagando para freqüentar a mesma. Temos cerca de quatrocentos sócios.
Além dos gibis, existe no espaço da Gibiteca uma sala de leitura, com aproximadamente dez mil livros (infantil, literatura, pesquisas, etc), onde as crianças e adolescentes fazem pesquisas, participam do reforço escolar e descobrem nos livros o prazer pela leitura.
O projeto que funciona desde 1995 em uma casa toda pintada de azul, vermelho e amarelo (que lembra a casa do Chico Bento, pois moramos em uma cidade com tradição na agricultura e pecuária), foi alcançado graças ao apoio das Embaixadas da França e Austrália, que doaram todos os equipamentos necessários para o funcionamento da Gibiteca.
A intenção é incentivar a leitura e o gibi vem ajudando muito. As crianças adoram. Toda semana realizamos Ciranda da Leitura e Oficinas de Redação, que vem contribuindo para o enriquecimento das atividades educacionais das crianças.

A Gibiteca e a comunidade

A Gibiteca é mantida por uma ONG (Organização Não-Governamental) e não possui funcionários, porém recebe apoio: Fundação de Promoção Social de Mato Grosso do Sul – Promosul, Prefeitura de Campo Grande e da Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, que coloca à disposição do projeto oito estagiários bolsistas, ou seja, eles trabalham meio período e em troca recebem uma bolsa de estudo da universidade.
Os acadêmicos de diferentes cursos (psicologia, pedagogia, matemática e comunicação social) desenvolvem atividades de reforço escolar, incentivo à leitura, dinâmica de grupo, organização de livros e preparam o lanche para a garotada.

Projeto Gibiteca na Escola


O projeto Gibiteca na Escola surgiu da necessidade de melhorar a qualidade das minhas aulas de história, prejudicadas pela grande dificuldade de interpretação e leitura de meus alunos. Como eu já trabalhava com quadrinhos – em atividades extra-classe, exercícios e pequenos trabalhos em sala de aula – resolvi abraçar a idéia de que a leitura de hqs poderia incentivar e desenvolver a capacidade de interpretação dos meus alunos. Muitos deles me ajudaram nos primeiros meses, limpado a sala que eu havia conseguido da direção, carregando caixas, estantes de aço e separando e carimbando as doações que nós começamos a recever. Os alunos das séries iniciais da escola também estão sendo envolvidos no projeto. a Gibiteca deve começara a funcionar ainda este mês, com um acervo inicial de aproximadamente 1400 hqs. Com a gibiteca os professores das séries iníciais e avançadas do ensino fundamental poderão desenvolver projetos tendo como ponto de partida das hqs. Além disso, faz parte do projeto o incentivo à produção literária e artística. No decorrer do ano serão produzidas pequenas oficinas de desenhos, fanfics e outros tipos de produção voltados á leitura, escrita e interpretação. A vantagem da gibiteca é que ela transforma a leitura em um prazer e abre caminho para que o jovem leitor de hqs se torne um leitor universal

SITE DA MAFALDA
http://www.mafalda.net/pt/index.php

O GIBI E AS DISCIPLINAS

PROFESSSORES DE FISICA

APRESENTAÇÃO
Nosso objetivo aqui é oferecer ao professor um conjunto de fichas associadas a diferentes tirinhas de física, trazendo dicas de como usá-las, para auxiliá-lo em suas aulas.
Nossa intenção não é substituir o livro didático, mas complementá-lo com nossas tirinhas, contribuindo para uma forma mais lúdica e dinâmica de ensino.
Além das dicas específicas que cada ficha contém, apresentamos a seguir algumas sugestões gerais que podem ser adaptadas a qualquer tirinha.
• apresentar as tirinhas como motivação antes de discutir o assunto proposto;
• ratificar a informação dada, utilizando a tirinha como exemplo;
• pedir aos alunos que criem seus próprios quadrinhos;
• distribuir os alunos em pequenos grupos, após a discussão do conteúdo, e pedir que identifiquem
• o(s) conceito(s) exposto(s) nas “tirinhas”, promovendo uma discussão participativa;
• criar exercícios e problemas a partir de histórias em quadrinhos;
• dar aos alunos “quadrinhos” com distorções conceituais, e solicitar a eles (divididos em grupos ou não)
• que encontrem e corrijam as distorções.

3ª Lei de Newton: Ação e Reação

Isaac Newton nasce em Woolsthorpe, Inglaterra, no ano de 1642. Começa a estudar na Universidade de Cambridge com 18 anos e aos 26 já se torna catedrático. Em 1687, publica o famoso Princípios Matemáticos da Filosofia Natural. Dois anos depois é eleito membro do Parlamento como representante da Universidade de Cambridge. Já em sua época é reconhecido como grande cientista que revoluciona a Física e a Matemática. Preside a Royal Society (Academia de Ciências) por 24 anos. Nos últimos anos de vida dedica-se exclusivamente a estudos teológicos. Morre em 1727.
Enuncia a terceira lei: “Sempre que um corpo exerce uma força sobre outro, esse outro exercerá sobre o primeiro uma força de mesmo módulo e em sentido contrário.”
A terceira lei tem diversas aplicações, inclusive sobre os meios de locomoção.
Trabalhando com a tirinha: Podemos usar a tirinha 108 para ilustrar a lei. Depois apresente a tirinha 80 e pergunte porquê a terceira lei é responsável pelo movimento do nadador. Pergunte como a terceira lei é responsável pela locomoção do homem. Peça aos alunos para desenhar tirinhas com outros exemplos.
Para saber mais: – Fonte Boa, M. & Guimarães, L. A.; Física; São Paulo; Ed. Futura; 2004.
Para saber mais: – http://www.conhecimentosgerais.com.br/fisica/fisica-classica.html

Veja muito mais no http://www.cbpf.br/~eduhq/html/aprenda_mais/jurema/fichas_links.htm

Projeto Informática

As tirinhas de informática foram feitas através de um projeto que faz analogias do dia-a-dia com os conceitos básicos de informática. Esse projeto foi realizado com o objetivo de facilitar o entendimento por parte de pessoas leigas no assunto ou que possuem pouco conhecimento, tendo em vista a grande dependência da informática na atualidade em nossa sociedade. Este trabalho foi inspirado em um trabalho já concluído pela bolsista Luiza Vidal e pelo orientador Prof. F Caruso (“tirinhas de física” / CBPF.)

Veja muito mais no
http://mesonpi.cat.cbpf.br/tirinhas/

Aprenda inglês com o Superman
Por Eduardo Nasi


Foi lançado nesta semana nos Estados Unidos o curioso Aprende Ingles Con Superman 1: Arriba, Arriba Y Fuera! O projeto, voltado para falantes de espanhol, é uma parceria do instituto de línguas Berlitz com a DC Comics.

O volume de 112 páginas reúne algumas das histórias baseadas no desenho animado do Homem de Aço e foram escritas por Mark Millar (Authority, Supremos) e desenhadas pelo brasileiro Aluir Amâncio, com arte-final de Terry Austin.

A diferença é que os balões misturam inglês com palavras em espanhol, para facilitar a compreensão. As margens ainda trazem notas didáticas sobre o que o leitor está vendo.

Histórias em quadrinhos nas aulas de educação física

Em um dos muitos textos que tenho lido sobre quadrinhos e ensino aparece um questionamento: pode-se usar quadrinhos nas aulas de educação física? Talvez fosse melhor esta pergunta ser respondida por um por um professor da área, mas me arrisco a dar um palpite: pode sim!

Ao contrário do que muita gente pensa aulas de educação física são muitas vezes divididas entre a teoria e a prática. Muitos professores passam fundamentos e regras esportivas, além de dicas sobre cuidados com a saúde, postura alimentação e higiene nas salas de aula. A prática esportiva, em si, seria o exercício destes conhecimentos.

Os quadrinhos podem ser utilizados, neste sentido, para introduzir fundamentos esportivos, para explicar a origem dos esportes, para informar sobre regras, para difundir valores esportivos, etc. Os alunos podem usar hqs como uma espécie de cartilha esportiva ou podem ser convidados para produzirem suas próprias hqs. Aliás, se formos pensar bem, a produção de hqs pode ser um recurso usado em todos os conteúdos.

Na prática eu descobri uma experiência com o uso dos quadrinhos por professores de educação física. Foi no litoral carioca onde um grupo de voluntários da Faculdade de Educação Física da PUC-Campinas realizou até de 8 a 15 de julho deste ano a Semana Venha Remar, que desenvolve uma série de atividades educativas com cerca de 40 crianças da comunidade de Ilha Grande.
“O projeto é ligado ao Grupo de Estudos em Esportes e Atividades de Aventura (GEEAA), da Faefi, criado em 2005 e que tem como objetivo divulgar o esporte de aventura, como mergulho, surfe, escalada, canoa havaiana e trilhas, e verificar o envolvimento dos moradores daquela região com essas atividades. Há dois anos e meio, alunos e professores realizam pesquisas com moradores, turistas e agências de viagens no litoral carioca. A bordo de um veleiro, a equipe navega pela costa da ilha em busca de material que subsidie o trabalho.” [1]

O grupo da Educação Física conta com a ajuda de cinco alunos do 4º ano de Jornalismo realizaram um projeto de comunicação para o Venha Remar. Durante o trabalho do grupo na ilha, alguns problemas foram identificados na região, como o uso de drogas e a questão do lixo. Entre as propostas para ajudar a solucionar o problema está a criação de um gibi educativo, “cujo roteiro será feito pelo jornalista Dario Carvalho Júnior, o DJ, especializado em Histórias em Quadrinhos (HQ) e professor da PUC-Campinas. A ilustração será feita pelo cartunista Bira. O gibi deverá ser concluído entre agosto e setembro e terá como personagens algumas crianças da comunidade.”[2] Trata-se, portanto, de um projeto interdisciplinar cujo objetivo é tentar melhorar a qualidade de vida das pessoas daquela localidade.

Faitô! Faitô! – Conhecendo o Universo dos Animes e Mangás de Esporte


Como o assunto dos últimos dias tem sido hqs e esportes, pedi a Valéria Fernandes que me ajudasse com um texto sobre esportes e mangá. Ela me enviou um texto adaptado de uma coluna publicada originalmente no site Anime-Pró (http://www.animepro.com.br/). Espero que gostem!

No Japão, os mangás de esporte, assim como o esporte em si, ajudaram a resgatar o orgulho nacional terrivelmente abalado depois da derrota na Segunda Guerra Mundial. Enfatizando valores já conhecidos na tradição samurai como disciplina, honra, sacrifício, os mangás – e também os animes que vieram depois – são cheios de heróis e heroínas dispostos a todo e qualquer esforço e sofrimento pelo bem da equipe ou para atingirem um ideal.

Talvez a melhor encarnação desse tipo de perspectiva tenha sido Ashita no Joe (Joe do Amanhã), mangá publicado na Shonen Magazine de 1968 a 1973. Nesse mangá – e depois séria animada – Joe Yabuki, jovem órfão que se torna lutador de boxe, e é alçado do anonimato à fama, passando por derrotas e vitórias, lutas eletrizantes, até que por fim supera o seu grande adversário, e a si mesmo, morrendo no ringue com um sorriso nos lábios.

Começando com as artes marciais típicas do Japão, como o judô e o caratê, e outras nem tanto, como o boxe ou o boxe tailandês, as séries de esporte passaram a abarcar toda a sorte de modalidade esportiva: o baseball, o tênis, o basquete, o vôlei, o golfe, e até o jogo de GO, uma espécie de xadrez japonês. Cheios de drama, humor, personagens complexas e cativantes, e tramas desenvolvidas para além da partida, da corrida da luta, o esporte atravessa tanto o shounen (para garotos) quanto o shoujo (para garotas) e produz verdadeiras sagas inesquecíveis e transforma alguns quadrinistas como Mitsuru Adachi em grandes ídolos.


Mitsuru Adachi começou sua carreira ainda nos anos 70 e fez sua fama construindo mangás de esporte. Dono de um time de baseball e entusiasta da modalidade – que pode ser considerada o esporte nacional japonês – ele criou uma das séries mais bem sucedidas até hoje. Touch que foi publicada na revista Shonen Sunday entre 1981 e 1987, gerou série animada de 101 episódios e 5 filmes – sendo o último de 2000.

Touch se centra no trio de protagonistas, dois rapazes gêmeos e uma moça, que foram sempre vizinhos, na amizade entre eles e no triângulo amoroso que se forma depois, a série mostra mais do que partidas de baseball e surpreende os leitores com uma tragédia inesperada que transforma a vida das personagens. Para se ter uma idéia da importância de Touch, basta dizer que a série de tv reprisada todos os anos no Japão e Minami, a protagonista, está sempre no topo das listas das personagens mais amadas pelos japoneses. Mas Touch é a obra máxima de Adachi mas ele tem criado mangá que falam de vários esportes, como a natação, o box e a ginástica ritmica.

O interesse por outros esportes não fez com que as artes marciais ficassem de lado e um grande exemplo é Yawara! De Naoki Urasawa, saiu na conceituada revista adulta (masculina) Big Comics Spirits. Esse mangá – depois anime e live action – retrata o drama de uma moça que só queria poder ser “normal”. Na história isso significa poder namorar, ir ao shopping, e arranjar, até se casar, um emprego em um escritório, mas a pobre Yawara tem um avô, Jigoro, que deseja transformá-la na maior judoca que jamais se viu. O velho Jigoro faz da vida da neta em um verdadeiro inferno tudo para que sua única herdeira siga os seus passos de campeão. Tanto o mangá (1987-1993), quanto o anime (de 1989-1992) fazem a contagem regressiva até a Olimpíada de Barcelona (1992) onde pela primeira vez as mulheres estariam na competição de judô oficialmente. Para se ter uma idéia, durante os seus 124 capítulos, Yawara! sempre esteve entre as dez maiores audiências da tv japonesa e a japonesinha, campeã olímpica em Barcelona, recebeu o carinhoso apelido de Yawara.

O shoujo de esportes se estabeleceu também a partir da fascinação das Olimpíadas, depois que as japonesas ganharam a medalha de ouro no vôlei em Tóquio. Impulsionado pela conquista e pela popularidade entre as meninas, surgiu Attack nº1 em 1968, seguido pelo anime em 1969. Outras séries centradas no voleibol se seguiram e, pelo menos os mangás, as japonesas são grandes campeãs. A última série a tratar do assunto chama-se Crimson Hero e mostra a luta de uma garota, contra tudo e contra todos, para reestruturar o time de voleibol da escola. É a partir dos campeonatos escolares que despontam as grandes estrelas do esporte, ou pelo menos é assim em países como Japão, Estados Unidos e outros.

Dentre os mangás esportivos para meninas, talvez Ace Wo Nerae (1972-1975) seja o mais famoso. A série mostra o crescimento e amadurecimento de uma jovem, Hiromi Oka, que apesar de estar no clube de tênis da escola só para apreciar dois de seus ídolos, acaba sendo reconhecida pelo treinador como um talento nato para o tênis. Entre uma partida e um treinamento, Hiromi se torna mulher, seus relacionamentos se adensam, sofre perdas inestimáveis, supera em talento e competência o seu ídolo, Reika Ryuzaki, e se torna, claro, uma grande tenista.
Outro mangá shoujo de esportes bem marcante foi Hikari no Densetsu (A Lenda de Hikari) de 1986. Girando em torno da ginástica rítmica, acompanha o sonho de uma japonesinha em superar as grandes ginastas do Leste Europeu. Foi um sucesso, divulgou o esporte no Japão, e gerou uma série animada.

Uma série de esportes que me prendeu – foi mais de um ano garimpando o anime na Internet – e emocionou muito foi Princess Nine. Essa série foi baseada em um conto e mostra a luta de um grupo de meninas e da diretora de uma conceituada escola para terem seu time de baseball feminino aceito na liga colegial. Detalhe é que assim como no futebol, lá no Japão baseball é visto como esporte masculino e o prestigiado campeonato é só para rapazes. Meninas por lá devem jogar o softball. A discriminação, que impede as meninas de jogarem no fabuloso Estádio Koshien – o similar do nosso Maracanã – e é claro fecha as portas de uma carreira muito rentável. Princess Nine é uma história dramática, com momentos de humor, personagens tridimensionais e um final surpreendente que entristece e enche de esperança ao mesmo tempo, afinal, o mundo não muda em um passe de mágica, mas ele muda.

Como são bem pouco licenciados na América – Italianos, Franceses e Espanhóis têm mais sorte – a Internet é que tem ajudado a divulgar os animes e mangás de esporte. Aqui no Brasil, o único manga de esportes publicado é Slam Dunk, do mesmo autor de Vagabond, e tem como tema o basquete e os campeonatos juvenis. Essa série é campeã de popularidade entre os japoneses de ambos os sexos. Seu protagonista é um garoto desajustado, quase um delinqüente, que acaba se encontrando no esporte. O anime bem que poderia ser trazido para o Brasil.

Sem a Internet, eu não teria me interessado por esse tipo de anime e mangá já que ele é muito pouco conhecido, e até discriminado, no Brasil. Contam os mais velhos que eu – eu nasci em 1976 e o primeiro anime que me recordo é Speed Racer – que dois dos primeiros animes a passarem no nosso país e conquistarem muitos fãs foram exatamente duas séries de esporte: Sawamu (Kick no Oni), anime de 1970 que contava a história real de um famoso lutador japonês de boxe tailandês, Tadashi Sawamura.


Muitos diriam que os melhores representantes do gênero são séries de baseball ou basquete, eu concordaria em parte, até porque, amo Touch e Princess Nine, entretanto, I’ll sobre basquete poderia uma ser boa opção de publicação. Aliás, no Brasil, trazer um Love Junkies parece mais rentável do que experimentar publicar um mangá de esportes que poderia ser até sobre a vida de Airton Senna (Sim, foi lançado um mangá sobre ele no Japão).

Nossas tvs poderiam deixar os olhos abertos para excelentes animes de esporte como Tennis no Oujisama ou o maravilhoso Yawara!. Nas TVs, em especial por assinatura, temos alguma séries de esporte sendo exibidas: Hungry Heart e Capitão Tsubasa, sobre futebol; Dear Boys, sobre basquete; Tennis no Oujisama, sobre tênis, claro. Só que as séries são tão pouco comentadas que não sei dizer se são populares ou não ou se cumprem a função de estimular o gosto pelos esportes, como no caso do Japão.

Outra coisa que me intriga é o desinteresse entre os fanzineiros – pelo menos os que eu conheço – em falar de esporte em suas histórias. Nem quadrinho de futebol aparece. Eu gosto de futebol e não acho o futebol deva ser abandonado em favor de outros esportes. Ter um esporte nacional é algo normal, mas ser um país de um esporte só, a não ser em época de mundial, Pan ou Olimpíada, é uma lástima. Mangás e animes de esporte, geralmente têm ótimas histórias e cumprem a função social queria muito que editoras e tvs pudessem perceber isso, e que o governo e as escolas cumprissem também a sua parte para que nos tornássemos uma potencia esportiva.
Valéria Fernandes

Esportes e atletas nos quadrinhos nacionais


No Brasil temos muitos personagens de quadrinhos nacionais que foram inspirados em grandes atletas ou mesmo personagens criados a partir de um esporte específico. E, embora o futebol tenha sido a maior fonte de inspiração para a criação destes personagens, outras modalidades esportivas também tiveram seus ídolos transportados para os quadrinhos.

Um dos primeiros personagens dos quadrinhos nacionais cuja origem se relacionava ao esporte foi o Judoka. O Judoka, que estreou em outubro de 1969 pela EBAL. (Editora Brasil América Ltda.), com desenhos de Pedro Anísio, Mario Lima e outros e roteiro de Eduardo Baron. O Judoka era um jovem estudante que se torna um lutador de Judô e junto com sua namorada passa a combater o crime em varias partes do Brasil. O Judô é uma das modalidades esportivas de maior relevância no Brasil, responsável pela conquista de várias medalhas olímpicas e títulos em campeonatos mundiais e regionais. Para quem não sabe, o Judô é uma arte marcial criada no século XVII no Japão baseado nos movimentos do Jiu-Jitsu, que serve como defesa, sem estimular a violência. Em japonês a palavra significa suave. Esta modalidade de luta usa a força do oponente para derrubá-lo sem usar socos ou chutes. Cada luta oficial dura cinco minutos. A revista do Judoka durou 4 anos e foi criada em meio à ditadura e tinha um cunho patriótico que procurava exaltar as virtudes do Brasil.


Outro personagem que fez muito sucesso foi o Pelezinho, que estreou em tirinhas de jorn al em outubro de 1976, sob o traço de Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica. Em agosto de 1977 o garoto craque de bola virou título de uma revista em quadrinhos. Os personagens que contracenavam com Pelezinho eram todos baseados nos amigos de infância de Pelé, que participou ativamente da produção do personagem e até colaborou para alguns roteiros através de suas recordações de infância. Pelezinho e seus amigos formavam um núcleo à parte não dependendo de outros personagens de Maurício de Souza como a Mônica, Cascão e Cebolinha. A revista durou 57 números e foi encerrada em 1982. Foram feitas depois republicações de algumas de suas histórias e tiras em almanaques especiais e algumas participações em historias da Turma da Mônica além de um especial, em 1990 comemorando os 50 anos do Pelé (Pelezinho Especial – 50 anos de Pelé).

Em 2005, Pelezinho reapareceu ao lado de Dieguito em uma ilustração produzida e divulgada por Mauricio de Sousa para celebrar o encontro dos dois craques – Diego Maradona e Pelé -, naquele ano, em um programa de TV na Argentina. O desenho apresentou Dieguito ao grande público e foi acompanhado da divulgação de suas tiras jamais publicadas. Criado nos anos por Maurício de Sousa em homenagem a Maradona, o personagem não chegou a estrear na mídia.


A criação mais recente de Maurício de Sousa relacionada diretamente aos esportes é o personagem de Ronaldinho Gaúcho, que estreou em 2006, ano da Copa do Mundo. “O Ronaldinho de Maurício de Sousa é um garoto de cerca de sete anos que adora jogar bola. Da vida real, há algumas referências, como o fato de a família torcer pelo Grêmio, falar com sotaque gaúcho e gostar de churrasco.”[2] O Ronaldinho de Maurício é diferente do Pelezinho e ainda está construindo seu espaço e sua identidade dentro dos quadrinhos. Ele é um personagem neutro, que estimula os leitores fãs de futebol – que atualmente envolve um grupo bem heterogêneo formado por meninos e meninas – e oferece a possibilidade de trabalhar o esporte dentro dos quadrinhos da Turma da Mônica.

Saindo dos gramados para as pistas de corrida, temos um personagem carismático que é não apenas uma homenagem como passou a representar a continuidade e o desenvolvido dos projetos sociais de Ayrton Senna. Senninha nasceu em 1994 inspirado no então bicampeão de fórmula 1 Ayrton Senna. Seus criadores são Rogério Martins e Ridaut Dias Jr. O Senninha era um projeto pessoal do piloto de fórmula 1 que desejava estar mais próximo de seu público infantil. Ayrton Senna partiu, mas o Senninha ficou, tornando-se um personagem ativo dos quadrinho e encabeçando várias campanhas educativas, como o gibi Senninha em Trânsito Legal, para sensibilizar o público infantil sobre segurança no trânsito, lançado em outubro de 2004.


Outro atleta que conquistou espaço nos quadrinhos foi o jogador de basquete Oscar Schmidt, cuja hq foi lançada no final do ano de 1997. O personagem de Oscar nos quadrinho é muito semelhante fisicamente ao atleta. O Oscarzinho é um amante do basquete que procura sempre tirar uma boa lição do esporte para a vida. Não é tão carismático quanto o Pelezinho e o Senninha, mas representou uma forma de incentivo ao basquete, esporte conhecido mas ainda pouco praticado no Brasil, muitas vezes pela falta de espaço físico e recursos. O personagem Oscarzinho, assim como aconteceu com Pelezinho, Senninha e, mais recentemente, com Ronaldinho Gaúcho, também se tornou uma marca comercial, sendo estampado em mochilas, cadernos, tênis, bolas, etc.
Cada um destes personagens adaptados para os quadrinhos tornou-se um símbolo de uma ou mais gerações que se identificaram com os ideais dos esportes e com o que eles poderiam representar em suas vidas. Neste sentido, deixando de lado o fator comercial, as histórias em quadrinhos acabam se tornando uma ponte para o desenvolvimento do esporte uma vez que penetram na vida das crianças e mesmo de adolescentes e adultos de uma forma simples e criativa, despertando o desejo de torcer, praticar conhecer aquele esporte e contribuindo até mesmo para a sua valorização. O uso de hqs ou mesmo sua produção nas aulas de educação física pode significar um ponto positivo para o desenvolvimento de futuros atletas e de jovens e adultos mais saudáveis. Não seria este um ponto interessante a ser debatido?

Quadrinhos e esporte no Brasil


Quadrinhos e esporte. É possível fazer esta associação? Claro que é! Para tanto eu preparei uma ligeira pesquisa sobre o esporte nos quadrinhos, onde vou tentar apresentar publicações, personagens e idéias sobre o tema. Meu primeiro passo foi procurar o que já se publicou especificamente sobre esportes em quadrinhos no Brasil. Não há necessariamente uma grande quantidade de publicações. A maioria delas ocorreu em tempos de Copa do Mundo e de Olimpíadas. São manuais e hqs especiais sobre esportes que tem a maioria delas, o objetivo de introduzir as crianças no mundo dos esportes ou mesmo fazer uma homenagem a uma determinada modalidade esportiva. Consegui encontrar alguns, mas creio que deve haver muito mais material, portanto, qualquer indicação é bem-vinda.

Manual da Copa do Mundo (“Gol!”), estreado pelo Zé Carioca e publicado a cada quatro anos entre 1974 e 1998. O Almanaque apresenta informações sobre as Copas do Mundo, além de dados sobre as seleções e os jogadores. Não entra em muitos detalhes e é dirigido ao público infantil, para quem reserva uma linguagem simples e direta.

Manual de Esportes do Cascão, publicado em 2001. O Manual do Cascão trata de vários esportes, incluindo vôlei, basquete, automobilismo, atletismo, natação e até judô. Ele apresenta brincadeiras que simulam os esportes e oferece sugestões para brincadeiras, como “fazer seu jogo de botão com cápsulas de Kinder Ovo”. [1]

Manual dos Jogos Olímpicos Disney, estreado pelo Pateta e publicado em 1880 e 1992. O Pateta Atleta apresenta os Jogos Olímpicos, mostrando como é cada modalidade olímpica e a história do evento.

Manual do futebol do Ronaldinho Gaúcho, publicado em 2006. Faz parte da Coleção Manuais da Turma da Mônica. Além das informações básicas (como as regras e as táticas do esporte), apresenta alguns dos grandes craques da bola em todos os tempos e informa tudo sobre os maiores campeonatos nacionais e internacionais e todas as Copas do Mundo. O manual possui também “ilustrações inéditas da galeria de personagens das turmas da Mônica e do Ronaldinho Gaúcho, além de brincadeiras, poesias, brinquedos para montar e outras atrações”.


Turma da Mônica – Uma aventura com o Cauê e a Turma nos Jogos Pan-Americanos, apresentando cinco histórias em que os principais personagens de Mauricio de Sousa fazem um passeio pelos pontos turísticos do Rio de Janeiro e nos locais das competições do Pan 2007, ao lado da mascote oficial do evento.[3]

Você Sabia? – Turma da Mônica: Futebol, especial sobre a Copa do Mundo, publicada em 2006, pegando carona com a Copa do Mundo. A hq conta a história do esporte mais popular do mundo e como ele chegou ao Brasil, enfatizando a Copa do Mundo e os maiores craques e seleções do campeonato. Maluquinho por Futebol, publicado em junho de 2006. Este álbum especial do Menino Maluquinho que reúne várias histórias do personagem e de Julieta, envolvendo futebol, além de aventuras inéditas.


A História do Futebol no Brasil através do Cartum, livro organizado pela dupla Jal e Gual e publicado em 2004, pelo Editor Bom texto. Uma homenagem ao esporte com cerca de 340 ilustrações de várias épocas.
Dez na área, um na banheira e ninguém no gol, álbum, publicado pela Via Lettera, em 2002. Apresentou 11 histórias produzidas pelos quadrinhos Fábio Moon, Gabriel Bá, Allan Sieber, Custódio, Fábio Zimbres, Lélis, Leonardo, Osvaldo Pavanelli, Emílio Damiani, Spacca, Samuel Casal, Maringoni e Caco Galhardo, com prefácio do ex-jogador Tostão.

O futebol, aliás, sempre teve um espaço especial nas hqs brasileiras, visto ser o esporte mais popular do Brasil. “O Brasil, como país do futebol, tem vários outros exemplos dessa bem-sucedida união entre dois dos melhores entretenimentos que existem. Já em 1932, os moleques Reco-Reco, Bolão e Azeitona, criações de Luis Sá, apareciam batendo uma bolinha.” [4]
Além destes manuais e edições especiais, há também publicações que abordam diretamente ou indiretamente o mundo dos esportes. Uma das mais editadas e reeditadas em todo o mundo é Astérix nos Jogos Olímpicos, de Goscinny e Uderzo. Nesta aventura os irredutíveis gauleses resolvem participar dos Jogos Olímpicos e desembarcam em Atenas. Com muito humor Goscinny e Uderzo transportam as tradição dos esportes para os quadrinhos. Ainda sobre Jogos Olímpicos, há disponível na internet uma hq da Turma da Mônica e os Jogos Olímpicos no link http://www.monica.com.br/comics/esportes/welcome.htm

Eu particularmente estranho só encontrar uma hq sobre o Pan-Americano. Aliás, acho que seria muito interessante a elaboração de uma hq com a mascote do Pan até mesmo como forma de divulgação do esporte, não apenas no Rio de Janeiro, como em todo o Brasil. Teria sido uma boa oportunidade para se divulgar e incentivar a prática de vários esportes no país.

Os quadrinhos são ótimos para a iniciação à leitura

Ler é vital em qualquer idade, e tudo começa com os pais.O hábito de contar histórias para os filhos, tão esquecido hoje, é primordial. Depois, vêm as histórias em quadrinhos, os livrinhos, etc. O ideal é que se estimule a criança sempre.A escola também tem um papel importante no incentivo à leitura. Com certeza, há escolas que trabalham bem a literatura; e outras, não. O fundamental mesmo é que os professores incentivem sempre a leitura. E que isso encontre eco nos pais. Afinal, em casa a criança também tem de ler. Nesse aspecto, os quadrinhos têm um aspecto lúdico para a criança, ótimo para a iniciação à leitura. A junção de texto e imagem, a noção de movimento, cada descoberta após virar a página, tudo isso desperta o interesse pela leitura. E já há até pesquisas, inclusive no Brasil, mostrando que crianças que lêem gibis têm mais facilidade de aprendizado. Ler exercita a imaginação, aguça a curiosidade e desperta o interesse pelo desconhecido. As crianças que lêem os meus gibis, por exemplo, me enviam e-mail perguntando coisas das mais variadas, como se o Cebolinha gosta da Mônica e vice-versa; se eles vão casar, quando o Cascão tomará banho, como a Magali não engorda, como a Dorinha “enxerga” o mundo por ser cega e muito mais. A imaginação das crianças não tem limite e é ótimo que não tenha. E a Turma da Mônica, por exemplo, propõe diversão aos baixinhos. O bacana é que a Turminha é tão diversificada, que sempre a criançada vai encontrar um personagem que se pareça com algum amiguinho.


Mauricio de Sousa
Jornalista, cartunista e empresário, criador da Turma da Mônica

http://gibitecacom.blogspot.com/
http://www.xaxado.com.br/noticias/noticias01.html
http://www.anime.com.br/
http://www.quadrinho.com/index.php?option=com_content&task=view&id=275&Itemid=1
http://www.bigorna.net/index.php?secao=lancamentos
http://www.ucdb.br/gibiteca/index.php
http://www.mafalda.net/pt/index.php
http://www.cbpf.br/~eduhq/
http://gibitecacom.blogspot.com/search/label/educa%C3%A7%C3%A3o%20f%C3%ADsica
http://gibitecacom.blogspot.com/search/label/esporte
http://www.universohq.com/quadrinhos/beco_01.cfm
http://falamenino.locaweb.com.br/index.html
http://subterraneo.zine.zip.net/

Produza seu próprio filme

Que tal produzir um filme com personagens feitos pelos seus alunos?

Que excelente oportunidade de incentivar o desenvolvimento da criatividade, do trabalho em grupo, da divisão de tarefas, do desenvolvimento da linguagem oral, enfim um excelente exercício para o desenvolvimento de  competências e habilidades

Pois muito bem, então mãos à obra!

Peça para os alunos formarem grupos e criarem uma história em forma de roteiro cujos personagens possam ser escolhidos nestas opções a seguir elencadas  como também eles mesmos podem criar seus próprios personagens. Para escolher os personagens podem entrar no Cubeecraft, Toypaper ou AawToys e clicar no modelo que mais se encaixar ao roteiro e então poderão imprimi-los e montá-lo.

Se for o caso da criação dos personagens  poderão acessar o Paper Critters e quando este estiver pronto, também poderão imprimi-lo.

Com os personagens prontos o grupo poderá gravar a leitura da história usando o Sound Record existente no seu computador. Para acessá-lo basta entrar em ProgramasAcessóriosEntretenimentoSound Record.

Em seguida as cenas devem ser montadas e fotografadas  seguindo o roteiro da história.

Com tudo isso estiver pronto o grupo passará para a próxima fase que é a de dar movimento à história. Para isso poderá ser utilizado o Windows Movie Maker. Siga as instruções nos slides abaixo.

Movie Maker

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Caso você queira disponibilizar o vídeo no YouTube veja como fazê-lo:

Do Movie Maker Para O YouTube

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Será interessante apresentar os vídeos em sala de aula e após cada grupo deve compartilhar as dificuldades encontradas, a motivação de fazê-lo e as suas impressões pessoais.

É um trabalho muito rico!

Este post foi originalmente postado no Mãe com Filhos