Filho sem autonomia pode ser um aluno protagonista da sua aprendizagem?

É possível o aluno agir com autonomia na escola sendo totalmente dependente em casa?

A chance de você responder não é quase de 100%. Porque não há como ser dependente e agir com autonomia porque uma ação inibe a outra.

Cobramos da escola que ela estimule a autonomia do aluno para que ele seja protagonista da sua aprendizagem.

Excelente!

Agora pergunto: Como conseguir isso sem a colaboração da família?

 Autonomia estimula o protagonismo. E para que a criança e o jovem sejam protagonistas das suas aprendizagens é preciso que a família estimule a autonomia desde os primeiros anos de vida.

Quando eu dava aula no Fundamental 1, e mesmo quando tinha a minha escola de Educação Infantil este tópico era um dos que eu mais insistia nas reuniões:

Valor de ser professor1– Deixe seu filho(a) colocar o uniforme sozinho, colocar a meia e o tênis.

– Deixe seu filho(a) carregar a mochila. Arrumar o material para vir para a escola;

– Faça com que seu filho(a) guarde os brinquedos depois de brincar;

Mas era sempre o mesmo argumento: Não tenho esse tempo. Se eu deixar ele se arrumar sozinho eu chego atrasada ao trabalho.

Quantas vezes presenciei pais trazendo parte do material que o filho esqueceu em casa!

Aluno carregando a mochila dava para contar nos dedos. Quem carregava a mochila, normalmente, era a mãe ou o pai.

E na escola, quando o professor diz que o aluno tem que ser responsável pelo próprio material, que compete a ele o guardar, o cuidar e tantas outras recomendações, o aluno responde que se ele perder ou estragar o pai compra outro.

Caso estude em escola pública, o qual a mesma fornece o material, o aluno responde que a escola tem obrigação de dar outro caso venha a perder ou estragar. Provavelmente está repetindo o que ouve em casa.

A escola pregar que é preciso desenvolver a autonomia do aluno para que ele seja protagonista da sua aprendizagem é fácil, porém há um abismo entre o falar, o querer e o fazer, principalmente porque tanto a autonomia quanto o protagonismo, para estar presente no aluno, é preciso estar presente também fora da escola, ou seja, junto da família.

Para que mudanças na Educação ocorram é preciso que a escola mude, que a família mude e, consequentemente, que o aluno mude.

Então, se queremos alunos agindo com autonomia e sendo protagonista da sua aprendizagem temos que cobrar da família e da escola.

Essa parceria tem que estar sempre presente!

#ValordeSerProfessor #MomentodaEducacao

O professor e a bagagem inata do aluno #ValordeSerProfessor

O professor conhece muito bem cada um dos seus alunos justamente em razão do convívio diário.

Sabe aquele dia de prova?  O professor logo ao entrar na sala de aula e olhar para seus alunos, pela expressão facial de cada um,  o professor já tem uma noção de quem se preparou bem para realizar a prova e de quem não se preparou tão bem assim. Só pelo jeito do olhar do aluno, a forma de ele sentar na carteira já dá para identificar como está o seu emocional .

Durante a prova o professor já identifica quem está indo bem e quem está com dificuldades.

Essa observação integra a rotina do professor. Isso acontece o tempo todo durante todo o convívio, porque o professor enquanto está explicando,  busca no olhar do aluno se ele está entendendo, se está acompanhando o raciocínio, se está disperso, se está somente fisicamente na sala de aula, pois seu pensamento está bem longe dali.

Quando o professor  percebe que o aluno se distraiu ou que dúvidas ocorreram,  através de questionamentos  acessa a bagagem inata do aluno estabelecendo  uma conexão significativa das informações que ele detém com as com as novas informações oferecidas propiciando que o aluno faça a relação entre elas,  e com isso se aproprie das novas informações transformando-as em conhecimento, ou seja, fazendo com que a aprendizagem aconteça.

Como o professor fará isso?

Ele trará o aluno para o tema através de questionamentos em que ele mesmo,  o aluno, fornecerá o conteúdo necessário para que o professor utilize a seu favor.

Por exemplo: O professor de Geografia  está falando sobre relevo e de repente o aluno se dispersa. O professor então chama o aluno e pergunta se ele já viajou, se na estrada a paisagem era plana, se havia elevações,  e o aluno vai respondendo e com isso o professor vai utilizando esse conteúdo, ou seja, a bagagem do aluno para trazê-lo de volta para o tema de forma significativa.

Como é rica a relação professor aluno!

Por essa razão que eu insisto na importância de se partilhar as práticas vivenciadas em sala de aula, pois além de mostrar toda essa riqueza podem inspirar outros professores tanto a agirem de forma semelhante quanto motivá-los a partilharem também as suas experiências.

Então boas práticas e até  a próxima!

Valor de Ser Professor

Educação: Mitos X Fatos debate sobre vários tópicos na sua 3ª Edição

Convite Cybele Meyer

Aconteceu nessa terça-feira, dia 23 de junho, a 3ª edição do seminário Educação: Mitos X Fatos o qual reuniu nomes como André Gravatá, Anna Penido, Sintian Schmitd e Fernando Gabeira com a mediação de Maria Beltrão para debater sobre os seguintes temas: “O jovem não se interessa pela escola”; “A família perdeu o controle, o jovem só estuda se quiser” e “As novas tecnologias atrapalham os estudos”.

O grande diferencial desse seminário é que ele dá voz às pessoas. Foram ouvidas mais de 150 pessoas de diferentes cidades dos estados de São Paulo (SP), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA) e os depoimentos foram compartilhados com todos os presentes através dos telões.

Cybele Meyer 1

Sobre a primeira questão os jovens entrevistados afirmaram que se interessam sim pela escola e que esperam que ela adote um formato mais dinâmico para que eles possam participar mais ativamente interagindo, colaborando, enfim trabalhando junto com o professor, em parceria, focando em um crescimento mútuo.

Sobre a questão da família muitos opinaram sobre o fato de ela estar perdida e não saber ao certo qual seu papel diante da educação do seu filho. Foi debatido entre os convidados que a parceria família e escola é fundamental para o desenvolvimento integral do aluno, porém é preciso que escola e família se disponibilizem para que essa parceria se torne real e ativa dando, dessa forma, amparo ao aluno e motivando-o a estudar.

Em relação ao fato de as novas tecnologias estarem ativas também na escola foi muito bem abordado, principalmente quando os debatedores afirmaram que ela deve ser somente mais um recurso, que não deve ser destacada e sim usada normalmente, como se usa o lápis e o caderno e como deve também auxiliar o professor em suas atividades.

Um tópico que foi muito bem abordado foi em relação à valorização do professor, e esse tema me interessa e muito uma vez que tenho tratado aqui no blog  através dos posts, também em vídeos e também no Facebook usando a #ValordeSerProfessor sobre a mudança de conceito em relação à valorização da profissão do professor

Cybele Meyer 2Minha amiga, agora não mais virtual pois a conheci pessoalmente no seminário, Sintian Schmitd se manifestou sobre a necessidade de “revolucionar a percepção da valorização do professor”. Nós fazemos parte de um grupo de discussão sobre Educação chamado blogs_educativos há mais de 7 anos e agora tivemos a oportunidade de nos conhecermos pessoalmente, pois eu sou de SP e ela do RS.

O debate foi maravilhoso, assim como as outras duas edições que eu também estive presente, e será transmitido amanhã, sábado, dia 27 de junho às 21 horas na GloboNews. Vale muito a pena acompanhar.

Se você quiser saber mais sobre as escolas que foram visitadas e sobre os jovens que estiveram engajados acesse essa matéria publicada ontem pela GloboEducação: “Globo realiza 3ª edição de seminário sobre mitos da educação brasileira”.

Encontro com a autora #MomentodaEducacao

No dia 13 de setembro de 2013, a convite da Emeb Maria José Ambiel Marachini em Indaiatuba, fui conversar com os alunos do 3º ano sobre o livro Menina Flor, tema do Projeto elaborado pelas professoras Lúcia Meyer Corrêa e Marli Menucelli

Os alunos estavam eufóricos enquanto acabavam de dar os últimos ajustes na sala onde se daria o encontro.

O capricho e o carinho eram visíveis.

Chegaram todos e se acomodaram na Biblioteca.

Falei sobre a importância do escrever e convidei a todos para uma viagem através da leitura.

Compartilhei com os alunos qual foi o episódio que me motivou a escrever o livro Menina Flor.

Ao final dei dicas sobre os pontos que devem ser considerados no momento de escrever um livro, uma Redação ou mesmo um simples bilhete.

A interação foi uma constante!

Ao final os alunos me entregaram desenhos e bilhetes que fizeram sobre o livro Menina Flor.

O meu agradecimento especial para as professoras Lúcia Meyer Corrêa e Marli Menucelli, à Diretora Andrea Lopes e à Coordenadora Rosânia Peres.

Foi uma manhã muito especial!

Momento da Educação – Período de adaptação escolar

Estamos no inicio do ano e os pais estão visitando várias escolas e creches para escolher qual será a melhor para matricular seu filho. Feito isso passaremos para o próximo passo a preparação de pais e filho para a adaptação escolar. Sim, os pais também passam pelo momento de adaptação, pois haverá mudanças na rotina e a insegurança se fará presente em muitos momentos.

Tanto os pais quanto a criança se sentem angustiados e acabam ficando estressados com o fato. A criança assim como a mãe/pai sentem ansiedade, medo e insegurança diante do novo. Todos estes sentimentos são normais, afinal é uma experiência nova que será vivida e compartilhada entre ambos.

A criança começará a frequentar um lugar, que é até então para ele estranho, e também estará experimentando o sentimento de separação. A separação parece ser um episódio ruim, mas na verdade estará fortalecendo o desenvolvimento emocional tanto da criança quanto dos pais. A vida é repleta de encontros e separações. A escola não é diferente. Ela irá promover que esta criança encontre outras crianças da mesma idade e um ambiente todo voltado para ela, e promoverá a separação, por pouco tempo, da família.

Estas mesmas angustias são vividas pela mãe. Ocorre que a mãe tem que se manter segura para passar segurança para seu filho. A mãe tem que ter consciência de que seu filho passará a frequentar um local totalmente preparado para ele. Tudo ali é do tamanho dele e está li para acolhê-lo. Também não deve esquecer que é na escola que a criança vai iniciar a sua convivência numa sociedade mais ampla da até então convivida – A família.

Os pais ocupam papel importantíssimo nessa experiência e devem dar todo o apoio, ajuda e motivação. Toda criança irá enfrentar o “primeiro dia de aula” e terá que absorver que a separação existente é momentânea e que, com certeza, sua mãe não a está abandonando e que logo voltará para buscá-la. Porém, como a criança pequena não tem noção de tempo, o período que a mãe vai deixa-la na escola significará um abandono total. Porém, à medida que ela for percebendo que sua mãe a deixa ali, mas volta para buscá-la, ela começará a se sentir segura e então vai se soltar e começar a participar da rotina da escola mostrando que superou o período de adaptação.

É justamente para transmitir esta segurança que a mãe tem que estar segura e mostrar para o filho que ela volta logo. E tem que voltar mesmo. Neste início é importante ela chegar um pouco antes da saída dos outros coleguinhas, porque se a criança que está em adaptação percebe que os amiguinhos estão indo embora e ela não, ela vai pensar que foi abandonada. Por isso a mãe não pode se atrasar para buscar o filho nos primeiros dias de aula, mesmo que seu filho já tenha ido para a escola no ano anterior. Isto se chama respeito e é fundamental neste processo

A mãe tem que ajudar o filho neste momento tão importante da vida dele. Na verdade este processo começa desde a escolha da escola onde a criança deve participar das visitas e sua opinião, se gostou ou não, deve ser respeitada.

É importante ressaltar também que a parceria entre pais e escola começa ai– na adaptação da criança.

Vamos agora abordar os tipos de adaptação. Para as crianças da Educação Infantil podemos enquadrar em três tipos:

Primeiro: Quando a criança chega feliz na escola, deslumbrada por estar vestindo o uniforme. Mostra para todo mundo, exibe a mochila nova, a lancheira. Entra na escola, dá a mão para a professora e muitas vezes até se esquece de dar um tchauzinho para a mamãe que está ansiosa no portão de entrada e que acaba se sentindo “desprezada” porque a criança nem ao menos olhou para trás. Neste tipo de adaptação a criança apresenta este comportamento sempre. Nunca chora e nunca demonstra resistência para ir para a escola. Este tipo de adaptação é mais raro. Não é exceção, mas também não é muito frequente. E a participação da mãe é fundamental, pois se ela ficar no portão de entrada chamando a criança para dar tchau e tornar este momento uma “grande despedida” pode ser que a criança venha a chorar e passe a integrar o segundo tipo de adaptação. Que é quando a criança se comporta exatamente igual ao modo como descrevi acima, pode ser até por uma semana como descrevi acima e depois deste período ela começa a chorar e não quer mais ir para a escola. Não consegue nem olhar para o uniforme.  Toda vez que escuta a palavra escola ou professora, começa a chorar desesperadamente. Este tipo de adaptação é a mais complicada principalmente em relação aos pais que logo pensam que algo muito grave aconteceu na escola, porque ela ia tão bem, adorava e de repente não quer mais ir e demonstra aversão.

Na verdade o que acontece é que a criança na primeira semana se deslumbra com o “novo” e quer explorar tudo que existe lá. Depois de uma semana o novo deixa de existir e ela quer então retornar à sua rotina anterior, ou seja, à sua “zona de conforto” que é a sua casa onde ela pode fazer tudo aquilo que já está acostumada, na hora que ela quer, não precisa obedecer a uma rotina que na existe.  Na escola ela tem que aprender a compartilhar os brinquedos com os colegas, tomar lanchinho junto dos amiguinhos, terá que ir ao parquinho só quando todos forem e assim por diante. Este tipo de adaptação irá exigir uma postura firme dos pais no sentido de insistirem e não deixarem de levar o filho para a escola. Dependendo da personalidade da criança, ela vai chorar, espernear, vomitar, algumas perdem o fôlego e tantos outros “argumentos” que a criança usará para convencer a não leva-la mais para a escola. Normalmente, assim que os pais vão embora a criança se entretém e para de chorar rapidinho, afinal tudo lá é voltado para a criança. Se a mãe ficar muito preocupada deve entregar o filho(a) para a professora e permanecer na secretaria sem que a criança a veja. Ela vai perceber que logo a criança vai parar de chorar e ela então poderá ir embora mais aliviada.  Sei que é um período difícil, mas para o bem da própria criança a mãe não deverá deixar de levar a criança para a escola nenhum dia, nem que seja para ela ficar 5 minutos, pois se a mãe ceder, uma única vez e levar o filho embora ela estará reforçando este tipo de comportamento e no dia seguinte ela chorará o dobro imaginando que em algum momento ela irá “ganhar” a batalha novamente e quem irá sofrer mais com tudo isso, será justamente a criança.

E finalmente há a adaptação em que a criança chora logo no primeiro dia. Não quer ir para o colo da professora. Se agarra no pescoço da mãe, enfim tenta de todas as maneiras não ficar. Neste caso a mãe também deve insistir e nunca deve levar a criança de volta para casa. As professoras irão tentar usando todos os recursos para despertar o interesse da criança para alguma brincadeira, levando-a ao parquinho, ao tanque de areia, enfim agirá usando toda a sua bagagem, A criança irá se entreter, irá chorar um pouquinho, depois irá se entreter novamente e voltará a chorar e agirá assim até se adaptar completamente. A mãe tem que ser firme. É por este motivo que a mãe/pai tem que se sentir segura de que chegou o momento de levar seu filho(a) para a escola. Iniciado o processo não deverá, de forma alguma, retroceder para o bem, principalmente, da criança. Somente com a continuidade é que a criança criará vínculos com a professora e com a escola.

No meu livro Inteligências na Prática Educativa abordo ações e reações que comunicam quais os tipos de inteligências a criança tem mais aflorada e de como o saber identificar estas inteligências pode ajudar no processo de adaptação escolar.

Só para exemplificar, a criança interpessoal se sente bem quando está rodeada de pessoas diferentemente da intrapessoal que leva mais tempo para se relacionar. Portanto, nos primeiros dias de aula da criança intrapessoal o contato com os demais coleguinhas deve acontecer de forma lenta e gradual propiciando que neste começo ele fique mais perto da professora se assim o desejar. Diferentemente a criança interpessoal deve ser estimulada a participar das atividades junto com os demais colegas para que se entretenha e se adapte mais rapidamente.

Os pais devem passar para a professora todas as informações importantes para que ela tenha subsídios para ajudar a criança neste momento de adaptação.