Campanha contra a violência sexual infantojuvenil no Carnaval

Ontem fiz a postagem falando sobre o abuso sexual e orientando o professor a como proceder diante de um possível caso. Hoje completo a postagem porém com o foco no Carnaval.

A Fundação Telefônica em parceria com a Childhood  Brasil lança campanha publicitária para sensibilizar a população sobre a exploração sexual contra crianças e adolescentes que tende a crescer nesta época de Carnaval.

“Proteja as nossas crianças e adolescentes. Violência sexual é crime. Denuncie. A bola está com você”.

Essa mensagem será vista no carnaval deste ano em bolas gigantes circulando pelas arquibancadas, camisetas, abadás, abanadores e tatuagens temporárias dos foliões, nos bailes, blocos e escolas de samba.

A veiculação destas peças começa no dia 28 de fevereiro(segunda-feira) e vai até 18 de março. Os filmes que estão sendo produzidos irão ao ar na TV a partir do dia 05 até o dia 20 de março

Essa é a primeira vez que a campanha nacional contra a violência sexual infantojuvenil é realizada durante os desfiles de carnaval.“Queremos transformar a festa num espaço de defesa dos direitos da criança, articulando os setores estratégicos para contribuir com a redução dos índices de violência cometida contra crianças e adolescentes, com foco na prevenção e divulgação de canais de denúncia”, afirma Karina Figueiredo, secretária executiva do Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes.

A campanha faz parte da estratégia do projeto Ação Proteção, de enfrentamento ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, que é desenvolvido pelo programa Pró-Menino da Fundação Telefônica desde fevereiro de 2010, em conjunto com o Ministério Público do Estado de São Paulo e com a Childhood Brasil. “A população é peça-chave no combate à exploração e é preciso desmistificar a questão, esclarecer as pessoas e orientá-las a denunciar de forma responsável. Daí a importância da campanha”, afirma Sergio Mindlin, diretor-presidente da Fundação Telefônica.

A campanha foi desenvolvida pela Young & Rubicam. Foram feitos dois filmes para TV, em forma de animação, com 30 segundos cada, além de spot de rádio, com as vozes dos famosos Ana Hickmann, Roberto Justus, Luciana Mello, Jair Oliveira, Tânia Khalil, Jair Rodrigues e Simoninha.

A veiculação será realizada nos principais veículos de comunicação dos 30 municípios participantes do projeto, em seis regiões: Vale do Ribeira, Vale do Paraíba, região de Presidente Prudente, de São José do Rio Preto, Baixada Santista e Litoral Norte. Essa mesma campanha voltará a ser veiculada na semana de 18 de maio, quando se comemora o Dia Nacional do Enfrentamento contra a Exploração Sexual.

A iniciativa tem o objetivo de sensibilizar a população para a gravidade do problema e incentivar a denúncia de casos de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes. Para divulgar o Ligue 100 (Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes) e os Conselhos Tutelares de cada estado, os cartazes, banners, porta-documentos, adesivos de carro, sacolas plásticas e outros brindes trarão a frase “Tem coisas que não dá para fingir que não vê. “O Brasil recebe grande número de turistas neste período, principalmente no Nordeste, e precisamos conscientizar as pessoas, porque muitas vezes os organizadores fazem vista grossa, como se tudo fosse permitido”, diz Karina.

Vamos acabar com o abuso sexual – viralize esse assunto

Professor: como agir diante de um possível caso de

abuso sexual

Fonte: Childhood – pela proteção da infância

Ilustração de Michele Iacocca para a cartilha Navegar com Segurança da Childhood Brasil

Para a educadora italiana Rita Ippolito, há quase duas décadas no Brasil e organizadora do Guia Escolar: Métodos para identificação de sinais de abuso e a exploração sexual em crianças e adolescentes (2003), uma publicação conjunta da Secretaria Especial dos Direitos Humanos e do Ministério da Educação, a prática da cidadania passa pela escola; os professores e educadores são os protagonistas desse processo, que envolve o respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a garantia dos direitos de seus alunos. Assim, é possível que, em algum momento, o educador se depare com uma criança em situação de abuso sexual. O que fazer? A seguir, algumas breves orientações.

Suspeita – “Se o professor tem uma suspeita, é importante que ele fale com o aluno”, afirma Rita. “O primeiro interlocutor fundamental é a criança e, para isso, o educador precisa conquistar sua confiança. Afinal, se o menino ou a menina sofreu de fato um abuso, pode considerar aquele adulto também como um inimigo.”

Relato – “Uma vez que a criança deposite a confiança naquele adulto, vai contar o que está acontecendo com ela”, diz Rita. É importante que a conversa aconteça num ambiente tranquilo e seguro, sem interferência de outras pessoas. O professor deve se manter calmo, sem reações extremadas, para não influenciar o relato do aluno. “Se for necessário, deve pedir ajuda à direção da escola, sempre com discrição.”

Família – “É preciso entrar em contato com a família; mas, antes, o professor precisa ouvir da criança quais são as pessoas que ela aprova como interlocutores.”

Notificação – “Não difundir a história e agir com muita discrição, porque é um caso extremamente delicado. Também é necessário compreender exatamente o que está acontecendo com a criança”, diz Rita. “No momento em que tiver todos os indícios de que se trata mesmo de abuso, o educador deve avisar a família e notificar o Conselho Tutelar.”

Cuidado com a criança – “A criança é prioridade em toda essa história. É a parte mais vulnerável, pois passa a sentir culpa e pressão por parte da família” afirma Rita. “Muitas vezes, alguns familiares minimizam a violência à criança como se fosse um problema menor. Por exemplo: ora, como acusar o chefe da família de abuso? Por isso, a escuta, o acolhimento e a proteção do professor àquele aluno se torna muito importante. A criança se sente mais segura, se há alguém que conhece todas as minúcias de sua situação.”

Reinserção na escola – De acordo com Rita, caso a situação não tenha sido tão traumática, é possível trabalhar um programa de redução de danos para aquela criança abusada. “O histórico de abuso deve ser mantido em sigilo. É essencial respeitar a privacidade da criança. Além disso, o professor deve trabalhar a solidariedade, o respeito mútuo, compreender o tempo interno dessa criança e fazer com que ela não seja discriminada nem isolada, sendo capaz de continuar na escola e interagir normalmente com as outras crianças.”

Instituição – “O professor também precisa de suporte. Às vezes, sozinho não consegue fazer um acompanhamento adequado. Por isso, a instituição deve apoiá-lo e motivá-lo. A formação dos profissionais também se faz fundamental: saber lidar com situações de violência sexual e como atuar, a quem notificar, além de compreender o que é infância no século 21, o que diz o ECA, quais as condições sociais de seus alunos, como são suas famílias e o que fazer para garantir os direitos dessas crianças dentro da escola.”

Prevenção – Segundo Rita, é importante que as crianças e os adolescentes se conscientizem da própria sexualidade, conforme as características de cada faixa etária, e trabalhem a capacidade de falar de situações de perigo e de dizer ‘não’. “Com a orientação recebida na escola, a criança pode perceber se está sendo abusada e como ela é possível se defender”, conta. “A sexualidade precisa deixar de ser aquele monstro, aquela coisa terrível, e se tornar tema de diálogo, um assunto conversado dentro da escola de forma natural.”

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