EUA substitui letra cursiva por teclado

Este final de semana participei de um debate polêmico cujo tema  foi a oficialização da substituição do ensino da letra cursiva pelo teclado no processo de alfabetização nos Estados Unidos.

Compartilho minhas reflexões e gostaria muito de obter a opinião de vocês.

Primeiramente, antes de registrar aqui o meu ponto de vista, quero deixar claro que sou totalmente digital, que sou formadora de professores para o uso da tecnologia em sala de aula e que escrevo muito mais digitando do que usando papel e lápis, porém quando tomo ciência deste tipo de mudança, confesso que fico profundamente preocupada.

Particularmente sou contra todo tipo de mudança radical, substituição e massificação do ser humano. Sou a favor do somar em detrimento do substituir. Sou a favor do livre arbítrio e para que este possa ser exercido o ser humano precisa ter acesso às opções. A partir do momento que suprem as opções acabando com o livre arbítrio e consequentemente sufocam a individualidade massificando as pessoas.

No caso do não mais ensinar a letra cursiva na fase de alfabetização estão interferindo na base, no início da aprendizagem do ler e escrever.

Algumas habilidades psicomotoras importantes são priorizadas e, portanto desenvolvidas no processo de alfabetização principalmente quando a letra cursiva começa a ser ensinada no primeiro ano escolar para crianças de 5 e 6 anos. Juntamente com o ensino da letra cursiva vem a importância da lateralidade (escrever da esquerda para a direita), da noção espacial (dosar o tamanho da letra entre uma linha e outra e escrever de cima para baixo), a pressão gráfica entre o lápis e o papel (encontrar o equilíbrio para alcançar maior destreza e consequente rapidez), aprender que as palavras são independentes e por esta razão não devem ser escritas unidas umas nas outras (ação normal nas crianças em processo de alfabetização). O espaço entre uma palavra e outra fica mais clara quando a criança escreve com letra cursiva uma vez que a palavra se forma com a união das letras. Diferente de quando é escrita com letra bastão (de forma) cujos caracteres são individuais.

É nesse momento que o professor tem a oportunidade de conhecer cada um dos seus alunos, de reconhecer suas dificuldades e particularidades e de trabalhá-las respeitando o tempo de cada um sabendo que esta construção implica em grande esforço cognitivo para o aluno.

Agora pergunto: “Será que o aprender a escrever com letra cursiva é um processo tão insignificante que pode ser substituído pelo teclado de forma tão impulsiva?

Será que vale a pena usar esta nova geração como cobaias num processo tão importante quanto o da alfabetização?

Após a apropriação da escrita cada pessoa caracteriza a sua grafia de acordo com a sua personalidade. Vocês que estão lendo agora este meu artigo não podem imaginar como é a minha caligrafia! Isto porque ela expressa a minha personalidade e faz com que a minha caligrafia, assim como eu, sejam únicas. Ser único é o privilégio que somente nós, seres humanos, podemos desfrutar com consciência.

Todos nós somos identificados em diferentes lugares pelo número do nosso Registro Geral (RG), porém não perdemos a identidade em razão disso, pois temos um nome –PESSOAL –  que veio antes deste registro GERAL. Acredito que o mesmo deva acontecer com a nossa caligrafia.  Podemos escrever a maior parte do tempo usando o teclado (igualmente estou fazendo agora), porém tenho uma caligrafia e posso ser, inclusive, identificada por ela.

É justo privarmos nossos alunos deste privilégio, uma vez que somente o ser humano é capaz de escrever cursivamente?

Vamos dar opções e liberdade para que cada um dos nossos alunos escolha quando quer escrever cursivamente e quanto quer usar o teclado e o editor de texto, afinal ele é da geração digital e não precisa de pressão para fazer uso deste recurso.

E você é a favor da substituição da letra cursiva, no processo de alfabetização, pelo uso do teclado?

Deixe sua opinião, ela é muito importante.

Alfabetização, porta de entrada para o mundo

Poderia começar este artigo elencando o número de analfabetos funcionais existentes na nossa sociedade. Poderia falar do fracasso da alfabetização como um todo assim como poderia imputar a culpa aos pais, à escola, aos dirigentes, enfim poderia discorrer sobre este assunto repetindo o que lemos e ouvimos diariamente nos diferentes veículos de comunicação.

Porém não o farei porque acredito que já está mais do que na hora de mudarmos estas falas substituindo-as por uma indagação: O que é que cada um de nós faz para estimular a alfabetização no nosso semelhante seja ele criança, jovem, adulto ou idoso.

A Alfabetização, independente da idade que se tenha, é a mais importante fase do aprendizado, pois é ela que abre caminho para todos os demais. É através da Alfabetização que a pessoa entra em sintonia com o mundo que a cerca.

Ao falar sobre Alfabetização não estou me referindo somente ao ato de representar graficamente o som da fala. Estou indo além. Estou falando da Alfabetização como um mágico veículo de comunicação com o qual a pessoa, progressiva e ininterruptamente, abre seus canais passando a interagir diretamente com todo tipo de informação que estiver ao seu alcance tendo a possibilidade de registrá-la sob a sua ótica.
Estar alfabetizada é muito mais do que saber escrever o próprio nome. Estar alfabetizada é saber se manifestar significativamente, envolvida de reflexão crítica, se tornando formadora de opinião.

E de que forma cada um de nós pode estimular esta alfabetização no nosso semelhante? Na minha opinião é através do estimular o gosto pela leitura, ou melhor dizendo, não coibir o gosto pela leitura, pois a criança, mesmo antes de ter o primeiro contato com as letras, já lê o que está a sua volta, e por falta de estímulo, vai deixando de ler até se tornar alfabetizada.

Quem nunca viu uma criança dando vida aos seus brinquedos e desenvolvendo diálogos incríveis com eles? Que criança que ao ter um livrinho sem palavras nas mãos nunca contou uma linda história somente olhando para suas ilustrações?

É sobre esta Alfabetização que estou falando, que vem através do prazer pela leitura, e que sempre tem gosto de “quero mais”.

A leitura é a melhor ferramenta de construção e deve ser estimulada através do exemplo e do incentivo e nunca através da imposição. Ler é prazer e devemos desenvolvê-lo nas pessoas que estão á nossa volta sejam elas nossos filhos, amigos, vizinhos, parentes, o padeiro, a ajudante do lar, ou até mesmo o desconhecido que podemos surpreendê-lo presenteando-o com um livro sem que estivesse esperando por isso.
Se cada um fizer a sua parte, muito em breve teremos muitos mais leitores e, é claro, muito menos analfabetos funcionais.

Ao estimular a Alfabetização estaremos abrindo as portas do mundo para estas pessoas.

Assim sendo, aproveite a data de 14 de novembro – DIA NACIONAL DA ALFABETIZAÇÃO, e leia contaminando todos a sua volta, somente assim seremos um país Alfabetizado.

Interpretação de hipóteses de escrita

Fonte: Nova Escola

Língua Portuguesa

Alfabetização inicialPrática pedagógicaEscrita pelo aluno

Você sabe interpretar as hipóteses de escrita de seus alunos?

Identificar corretamente as hipóteses de escrita dos alunos é fundamental para um bom planejamento das atividades e para a formação de grupos produtivos.

As crianças, os jovens e os adultos não alfabetizados formulam ideias sobre o funcionamento da língua escrita, antes mesmo de frequentarem (ou voltarem a frequentar) a escola. Essas teorias internas evoluem por meio de reflexões que o próprio aluno faz sobre o sistema de escrita ao longo do tempo (e ninguém pode fazer por ele) e também por meio das interações que realiza com as informações que o ambiente lhe oferece. Trata-se de uma evolução conceitual e não exclusivamente gráfica.

Por isso, o professor precisa buscar descobrir o que o aluno está pensando sobre a escrita naquele momento, mais do que avaliar se consegue desenhar bem cada uma das letras. Identificar as hipóteses de escrita de cada aluno é condição primordial para planejar as atividades adequadas e, principalmente, os agrupamentos produtivos na turma.

Clique na imagem abaixo e faça o teste para ver se você está realmente apta a interpretar as hipóteses de escrita dos seus alunos.

Aproveito para compartilhar o PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES ALFABETIZADORES promovido pelo MEC.

Excelente material! Você pode salvá-lo no seu computador e acessar sempre que necessário.

Para acessá-lo clique AQUI