Qual é o lugar certo para se aprender?

 

Curiosidade infantil

Este artigo foi publicado originariamente na Revista Educa 2

Existe lugar certo para se aprender?

É preciso mostrar para o aluno que o aprender se dá em qualquer lugar, em todo o lugar e a qualquer momento.

O fato da criança ou do adolescente acordar todos os dias, colocar o uniforme, pegar seu material e ir para a escola lhe dá a impressão de que é somente lá, nesse local, que ele aprenderá.  E que para aprender é preciso que haja um ritual como esse. É por isso que ele não se dá conta de que ele aprende o tempo todo, em todo lugar e a todo o momento.

 Ele também escuta que tem que ir para a escola para estudar, para ter uma profissão e ter um futuro melhor.  Então o aluno incorpora que é somente na escola que ele tem a oportunidade de aprender e acaba não dando importância para tudo o que acontece no seu entorno. Mesmo na escola, sob a ótica do aluno, o conteúdo da aprendizagem está ancorado na figura do professor. Isso ocorre muitas vezes porque o sistema escolar não valoriza a interação entre o aluno e seus pares, entre o aluno e o entorno, entre o aluno e o objeto de aprendizagem.

Para que a aprendizagem aconteça é preciso que haja interesse, vontade, criatividade, enfim, é preciso que o aluno esteja em movimento interagindo com o meio.

Muitas vezes, quando o professor adota uma prática menos convencional, o aluno estranha, se sente inseguro, se sente perdido sem saber se vai conseguir aprender.

Eu mesma, quando estava em sala de aula e ia trabalhar um tema novo, gostava de propor uma discussão para poder avaliar qual a bagagem que cada um tinha a respeito daquele assunto. Pois era comum aquele aluno metódico levantar a mão, e ao invés de interagir e contribuir com a discussão, perguntar se eu não ia dar aula. E também era comum aquele aluno muito participativo, que estava totalmente integrado no debate, diante da pergunta do colega sistemático, responder: “Não seja estraga prazer, deixa a professora enrolar. Você vai querer que ela dê matéria?” E eu, mesmo usando vários argumentos para convencê-los de que estávamos trabalhando a matéria, eles custavam a se convencer. É o modelo engessado que acaba imobilizando a todos.

É por causa desse conceito que tudo o que é vivenciado pelo aluno fora da escola não é visto nem por ele e nem pelas pessoas que o rodeiam como fonte de aprendizagem.  Se ele abrir um carrinho para verificar como se dá o seu funcionamento será recriminado, rotulado de destruidor, que não cuida das suas coisas e poderá até ser punido ou ameaçado de não ganhar mais nada. Porém, se a professora pedir para o aluno levar um carrinho para a escola para desmontar para ver como se dá o seu funcionamento ele não será criticado pela família, muito pelo contrário.

É preciso mudar esse conceito de que lugar de aprender é na escola. A partir do momento que esse paradigma for quebrado todos terão o olhar para o que acontece ao seu redor e poderão refletir, analisar, questionar, formar opinião enriquecendo ainda mais a sua bagagem cultural.

Uma experiência que me marcou muito foi uma viagem que fiz de excursão para as cidades históricas, pois o meu objetivo era justamente saber de cada detalhe sobre cada cidade, e antes de fechar a viagem me certifiquei de que o guia seria da cidade, pois assim teríamos acesso às particularidades que não encontramos em nenhum livro. Pois a maioria dos integrantes do grupo não prestava atenção no que a guia turística falava, a ponto de ela se recusar a voltar no dia seguinte. Por fim, eu e mais 5 pessoas fomos para a parte de baixo do ônibus juntamente com a guia para ouvirmos suas explicações enquanto o restante do pessoal ficava falando gracinhas e contando piadas durante o trajeto.

A filosofia da escola também determina que o professor seja professor somente enquanto está em sala de aula não cultivando a interação com os alunos fora do espaço físico e do período escolar. O professor que fica no recreio junto com os alunos é malquisto, inclusive, pelos seus colegas.  O professor que interage com seus alunos via redes sociais é criticado pelos gestores da escola e é visto com desconfiança pelos pais dos alunos.

Muitas vezes o fato de ele participar da mesma rede social que seus alunos pode lhe fornecer dados para que ele conheça melhor esse aluno e o possa ajudar caso tenha dificuldades. Mas essa possibilidade não é aventada porque a visão da escola é a de que a obrigação de aprender é do aluno e a obrigação de trabalhar o conteúdo é do professor, e que uma não tem relação com a outra. É por essa razão que o índice de aprendizagem é o mínimo.

E para finalizar vale mencionar que a escola não precisa incentivar a criança a ser protagonista da sua aprendizagem. A escola precisa somente não impedir que o protagonismo natural da criança se manifeste, porque sabemos que é na escola que o aluno escuta que agora não é a hora para perguntas, que agora não é a hora para compartilhar suas experiências, que agora não é a hora para falar nada.

A escola também não precisa se preocupar em despertar a criatividade nos seus alunos, ela precisa apenas não inibir a manifestação criativa natural de cada criança.

O brilho no olho diante da descoberta do saber #ValordeSerProfessor

Falei no vídeo anterior sobre o professor se utilizar da bagagem inata do aluno para ajuda-lo a se apropriar do conteúdo fazendo com que a aprendizagem aconteça.

Mas na maioria das vezes só usar esse recurso não é o suficiente. Quando a dúvida surge no meio do processo e está relacionada àquele tema, essa prática normalmente resulta em sucesso, porém quando o aluno já traz na sua bagagem uma lacuna imensa obtida nos anos anteriores, que não foram superadas, então a dificuldade de aprendizagem é mais séria e consequentemente a ação do professor terá que ser complexa.

O professor terá, primeiramente, que identificar onde foi que começou essa dúvida para que o aluno consiga superá-la e avançar. O desafio é imenso e na maioria das vezes o professor está sozinho nessa batalha, pois dificilmente consegue a colaboração da família, que se fosse atuante já teria ajudado o filho a superar, e muito menos do aluno que se sente desanimado, desmotivado e não coopera.

Nesses casos o professor passa a agir na tentativa e erro em consonância ao acesso à literatura, às pesquisas na internet, às leituras de grandes educadores até conseguir “atingir” certeiramente o aluno e fazê-lo superar a dificuldade.

Quando finalmente o aluno se apropria é como se uma janela imensa se abrisse iluminando o quarto que até então estava escuro. O olhar de satisfação do aluno é tão intenso que chega a emocionar o professor. É um momento sublime! A alegria que invade o professor é tamanha que normalmente ele não se contém e manifesta a sua satisfação das mais variadas maneiras.

Eu me lembro de uma situação simples, mas que me deu tanta alegria que serviu de norteador durante muito tempo. Eu estava com alunos do 2º ano do Ensino Fundamental que tinham dificuldades de relacionar o numeral com a quantidade que ele representa. Então levei para a escola 5 de latas de diferentes tamanhos e 6 latas pequenas do mesmo tamanho tipo de molho de tomate para trabalhar a noção de quantidade. Na sala de aula eu esvaziei uma prateleira e arrumei as 5 latas diversas (3 grandes e 2 pequenas) na prateleira de cima, e na prateleira de baixo coloquei as 6 latas pequenas.

Consequentemente as 5 latas grandes ocupavam na prateleira um espaço maior do que as 6 pequenas e era esse o objetivo, fazer com que eles identificassem a prateleira que tinha mais latas pela quantidade e não pelo espaço que ocupavam.
Eu chamava, um a um, e pedia para que me dessem a resposta e a justificativa em segredo (para que os demais não ouvissem a resposta). A maioria deles após duas ou três vezes experimentando, tirando e recolocando, contando as latas nas prateleiras me dava a resposta correta.

Porém teve um aluno que não conseguia dissociar a quantidade do espaço ocupado pelas latas. Minha criatividade em sugerir diferentes experimentações estava se esgotando quando, finalmente, ele percebe que embora as latas fossem menores de tamanho estavam em maior quantidade. Nesse momento a expressão dele mudou, o olho dele tinha um brilho diferente e a convicção na voz fez com que a classe toda vibrasse e todos nós, juntos, demos um grande abraço coletivo nele.

Foi um momento mais do que especial.

Só nós, professores, é que temos o privilégio de viver essas emoções. Você tem uma experiência legal? Emocionante? Complicada?
Compartilhe conosco! Vai ser muito bom ter o seu comentário aqui.

Vamos mostrar o #ValordeSerProfessor

Juntos somos mais fortes!

Até a próxima!

O professor e a bagagem inata do aluno #ValordeSerProfessor

O professor conhece muito bem cada um dos seus alunos justamente em razão do convívio diário.

Sabe aquele dia de prova?  O professor logo ao entrar na sala de aula e olhar para seus alunos, pela expressão facial de cada um,  o professor já tem uma noção de quem se preparou bem para realizar a prova e de quem não se preparou tão bem assim. Só pelo jeito do olhar do aluno, a forma de ele sentar na carteira já dá para identificar como está o seu emocional .

Durante a prova o professor já identifica quem está indo bem e quem está com dificuldades.

Essa observação integra a rotina do professor. Isso acontece o tempo todo durante todo o convívio, porque o professor enquanto está explicando,  busca no olhar do aluno se ele está entendendo, se está acompanhando o raciocínio, se está disperso, se está somente fisicamente na sala de aula, pois seu pensamento está bem longe dali.

Quando o professor  percebe que o aluno se distraiu ou que dúvidas ocorreram,  através de questionamentos  acessa a bagagem inata do aluno estabelecendo  uma conexão significativa das informações que ele detém com as com as novas informações oferecidas propiciando que o aluno faça a relação entre elas,  e com isso se aproprie das novas informações transformando-as em conhecimento, ou seja, fazendo com que a aprendizagem aconteça.

Como o professor fará isso?

Ele trará o aluno para o tema através de questionamentos em que ele mesmo,  o aluno, fornecerá o conteúdo necessário para que o professor utilize a seu favor.

Por exemplo: O professor de Geografia  está falando sobre relevo e de repente o aluno se dispersa. O professor então chama o aluno e pergunta se ele já viajou, se na estrada a paisagem era plana, se havia elevações,  e o aluno vai respondendo e com isso o professor vai utilizando esse conteúdo, ou seja, a bagagem do aluno para trazê-lo de volta para o tema de forma significativa.

Como é rica a relação professor aluno!

Por essa razão que eu insisto na importância de se partilhar as práticas vivenciadas em sala de aula, pois além de mostrar toda essa riqueza podem inspirar outros professores tanto a agirem de forma semelhante quanto motivá-los a partilharem também as suas experiências.

Então boas práticas e até  a próxima!

Valor de Ser Professor

O ECA e a Redução da Maioridade Penal

Valor de Ser Professor

Em comemoração aos 25 anos do ECA é aprovada a Redução da Maioridade Penal

Podemos analisar isso como fracasso?

Se sim, fracasso de quem?

Analisemos:

O artigo 227 da Constituição Federal de 1988 foi tomado como base para a criação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) o qual diz ser dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito

– à vida,

– à saúde,

– à alimentação,

– à educação,

– ao lazer,

– à profissionalização,

– à cultura,

– à dignidade,

– ao respeito,

– à liberdade e

– à convivência familiar e comunitária,

além de colocá-los a salvo de toda forma de

– negligência,

– discriminação,

– exploração,

– violência,

– crueldade e

– opressão”.

Obs.: A disposição de cada item acima foi feita por mim.

Qual ou quais desses itens listados acima fazem parte do cotidiano de toda criança e adolescente do nosso país? Em 1990 esses itens não integravam a vida de todas as crianças e adolescentes, caso contrário não teriam sido apontados como metas a serem cumpridas pelas famílias, sociedade e Estado.

O que foi feito nesses 25 anos para melhorar a condição de vida de nossas crianças e adolescentes?

Somos mais de 190 milhões de habitantes.

Temos 60 milhões de pessoas com menos de 18 anos os quais 29% pertencem a famílias que vivem na pobreza. As crianças pobres têm mais do que o dobro de chance de morrer em comparação às ricas, e as negras 50% a mais, em relação às brancas.

64% das crianças pobres não vão à escola durante a primeira infância.

60 mil crianças com menos de 1 ano são desnutridas.

Embora o Brasil tenha conseguido colocar na escola 98% das crianças de 7 a 14 anos, ainda têm 535 mil crianças com essa idade fora da escola, sendo que desse número 330 são negras.

O Brasil tem 21 milhões de adolescentes entre 12 e 17 anos. De cada 100 que cursam o fundamental, apenas 59 concluem, e apenas 40 chegam a concluir o Ensino Médio.

Nascem por ano cerca de 300 mil crianças filhos(as) de mães adolescentes.

Todos os dias são registrados cerca de 129 casos de violência psicológica, física e sexual contra crianças e adolescentes, além dos casos provocados por negligência. Isso significa que 5 casos são registrados por hora, sem computar os que não são denunciados. (Fonte: Unicef)

No ano de 2014 foram registrados através do Disk 100, 91.342 denúncias sobre violação dos direitos da criança e do adolescente (Fonte).

No caso dos meninos e meninas que vão para a Fundação Casa, as medidas socioeducativas não existem, muito pelo contrário, leia esses depoimentos:

“Os meninos chegam à unidade com bagagem muito grande de sofrimento, problemas na família, baixa autoestima, depressão por ver amigos assassinados. Precisariam de um tratamento psicológico eficiente. Em vez disso, sofrem violência física e emocional dentro das unidades com instrutores que não são capacitados” (Fonte – 13/07/2015);

“Entre os especialistas que atuam junto a crianças e adolescentes, ter um sistema de medidas adequado é o maior desafio do ECA. Na realidade, o que se constata é a superlotação dos centros educacionais, além de denúncias de tortura e maus tratos, efetivo de profissionais reduzido, altos índices de reincidência dos atos infracionais e o excesso do número de internações.” (Fonte – 13/07/2015).

A ex-ministra dos Direitos Humanos Ideli Salvatti explica que quando são aplicados os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no sistema socioeducativo a reincidência dos menores cometerem crimes tende a zero. “Se reintegramos de forma efetiva não teremos um aperfeiçoamento da criminalidade”, disse. Para ela, a sociedade e o governo também são responsáveis pelo adolescente e não só a família. (Fonte)

São 25 anos de ECA e a realidade ainda é a falta de comida, de estudos e de teto para um número imenso de crianças e adolescentes.

E então vem a redução da maioridade penal juramentar o fracasso do ECA.

Respondendo a pergunta inicial: Fracasso de quem?

Na verdade o fracasso é de todos nós.

Este artigo foi publicado originalmente no http://www.itu.com.br/colunistas/artigo.asp?cod_conteudo=51839

Educação Emocional

educação emocional

Estava lendo e refletindo sobre Educação Emocional, pois é um assunto muito importante e deve ser tratado com o maior cuidado, afinal falar sobre sentimentos é tão delicado quanto mexer num vespeiro. Abordo dessa forma porque vem de longe a educação que sempre ensinou o homem e a mulher a camuflarem os sentimentos.

A mocinha apaixonada tinha que disfarçar seu amor e mostrar-se desinteressada para que o rapaz se sentisse motivado a conquistá-la. Caso ela demonstrasse seu amor, seria desprezada, pois homem não gosta de “mulher fácil”. Este termo “mulher fácil” era muito usado quando eu era adolescente e eu não me conformava com essa prática.

Outro modelo exigido era em relação ao homem que, quando se dizia apaixonado corria o risco da mulher “traí-lo”, pois ao se sentir segura do amor do companheiro procurava emoções em outros braços. É até engraçado para não dizer trágico ter essa prática como verdade.

Havia também restrições quanto a manifestação de alegria, pois ao se sentir imensamente feliz, havia sempre alguém para dizer que ao rir muito hoje iria chorar amanhã.A educação que se recebeu até o século passado era a de que não se deveria demonstrar a felicidade, pois a inveja dos outros acabaria atraindo más energias que acabariam com a nossa alegria. O sucesso também nunca deveria ser compartilhado, por receio de se perder o que se havia conseguido. Estes conceitos colocavam em risco inclusive a autoestima, dando maior força à parte contrária do que ao próprio talento.

Ouvíamos isso, como uma ladainha, a cada manifestação de qualquer uma destas situações.

Agora os elogios e os pedidos de desculpas nunca receberam igual importância, muito pelo contrário, nunca foram estimulados e muito menos ocuparam lugar de destaque. Porém, a raiva, o desprezo, os insultos, estes sim, sempre foram valorizados e nunca foram mantidos escondidos. Diante de qualquer situação em que um homem se sentisse atingido, partiria para a briga, e caso se saísse bem seria aclamado como herói. Porém aquele que usasse o bom senso e não revidasse, principalmente usando as mãose sim a inteligência,era tido como fraco e sem “brios”.

Estes conceitos e comportamentos foram passando de pai para filho através do tempo e foram se enraizando. Os que tiveram consciência de que estes conceitos eram uma grande bobagem podiam não agir dessa forma, mas não faziam nada para valorizar o inverso.

E até hoje vivenciamos situações em que este comportamento prevalece.Percebemos o quanto as pessoas relutam e sentem dificuldades em pedir desculpas, em dizer “eu gosto de você”, “eu torço por você”. É por esta razão que tanto a família quanto a escola precisamvalorizar e trabalhar as emoções.

É muito importante que o indivíduo consiga entender e lidar com as próprias emoções. Este aprendizado é muito importante principalmente quando se trabalha valores. Companheirismo, solidariedade, respeito humano são valores que devem ser desenvolvidos através da educação emocional, pois não há como explicar estes sentimentos sem ser através da emoção.

Deixo claro aqui que não estou pregando que deva ser introduzida mais uma matéria no currículo escolar para trabalhar a Educação Emocional, mas sim que devemos estar sempre atentos para diante de uma oportunidade exaltar esses tópicos, afinal aprendemos o tempo todo, em todos os lugares e com todas as pessoas e situações.

Portanto, como sabemos que as crianças aprendem por modelos, tanto os pais quanto os professores precisam agir com a emoção atrelada à responsabilidade para que possam promover bons exemplos. E, a partir do momento que o indivíduo desenvolver bons pensamentos e boas emoções em relação às suas ações e em relação às ações do outro teremos, quem sabe, uma convivência de melhor qualidade.

E você, o que pensa sobre isto? Você se preocupa em trabalhar valores emocionais no seu filho?

Esse texto foi originariamente publicado na minha coluna no site www.itu.com.br

Educação: Mitos X Fatos debate sobre vários tópicos na sua 3ª Edição

Convite Cybele Meyer

Aconteceu nessa terça-feira, dia 23 de junho, a 3ª edição do seminário Educação: Mitos X Fatos o qual reuniu nomes como André Gravatá, Anna Penido, Sintian Schmitd e Fernando Gabeira com a mediação de Maria Beltrão para debater sobre os seguintes temas: “O jovem não se interessa pela escola”; “A família perdeu o controle, o jovem só estuda se quiser” e “As novas tecnologias atrapalham os estudos”.

O grande diferencial desse seminário é que ele dá voz às pessoas. Foram ouvidas mais de 150 pessoas de diferentes cidades dos estados de São Paulo (SP), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA) e os depoimentos foram compartilhados com todos os presentes através dos telões.

Cybele Meyer 1

Sobre a primeira questão os jovens entrevistados afirmaram que se interessam sim pela escola e que esperam que ela adote um formato mais dinâmico para que eles possam participar mais ativamente interagindo, colaborando, enfim trabalhando junto com o professor, em parceria, focando em um crescimento mútuo.

Sobre a questão da família muitos opinaram sobre o fato de ela estar perdida e não saber ao certo qual seu papel diante da educação do seu filho. Foi debatido entre os convidados que a parceria família e escola é fundamental para o desenvolvimento integral do aluno, porém é preciso que escola e família se disponibilizem para que essa parceria se torne real e ativa dando, dessa forma, amparo ao aluno e motivando-o a estudar.

Em relação ao fato de as novas tecnologias estarem ativas também na escola foi muito bem abordado, principalmente quando os debatedores afirmaram que ela deve ser somente mais um recurso, que não deve ser destacada e sim usada normalmente, como se usa o lápis e o caderno e como deve também auxiliar o professor em suas atividades.

Um tópico que foi muito bem abordado foi em relação à valorização do professor, e esse tema me interessa e muito uma vez que tenho tratado aqui no blog  através dos posts, também em vídeos e também no Facebook usando a #ValordeSerProfessor sobre a mudança de conceito em relação à valorização da profissão do professor

Cybele Meyer 2Minha amiga, agora não mais virtual pois a conheci pessoalmente no seminário, Sintian Schmitd se manifestou sobre a necessidade de “revolucionar a percepção da valorização do professor”. Nós fazemos parte de um grupo de discussão sobre Educação chamado blogs_educativos há mais de 7 anos e agora tivemos a oportunidade de nos conhecermos pessoalmente, pois eu sou de SP e ela do RS.

O debate foi maravilhoso, assim como as outras duas edições que eu também estive presente, e será transmitido amanhã, sábado, dia 27 de junho às 21 horas na GloboNews. Vale muito a pena acompanhar.

Se você quiser saber mais sobre as escolas que foram visitadas e sobre os jovens que estiveram engajados acesse essa matéria publicada ontem pela GloboEducação: “Globo realiza 3ª edição de seminário sobre mitos da educação brasileira”.