O que fazer com as crianças nas férias escolares?

Quando o período das Férias se aproxima a preocupação dos pais é sempre a mesma:

– O que fazer com os filhos durante o período de recesso? Eis a questão…

Há famílias que programam para que as férias do trabalho coincidam com as férias escolares e então realizam viagens para toda a família.

Há os que viajam ou mandam as crianças para a casa de parentes, e há uma minoria que não interrompe a rotina da criança deixando-as no curso de férias, normalmente, na própria escola.

Porém, a grande maioria deixa os filhos em casa para que possam curtir o espaço que também é deles e que no período de aula, pouco desfrutam.

É muito importante que a criança goste de ficar em casa e que valorize o espaço que também é dela. Ter um cantinho, normalmente o quarto, que seja só dela é fundamental para a construção da sua identidade. No seu espaço a criança terá oportunidade de arrumar seus brinquedos de acordo com a sua concepção de ordem, poderá brincar com os jogos que mais gosta, poderá até ficar sem fazer nada o tempo que quiser. Estes momentos de “liberdade” são fundamentais e é uma fonte incrível de dados para que os pais possam conhecer um pouco mais do seu filho.

Na correria do dia-a-dia onde cada um tem que cumprir seu horário, o entrar e sair de casa é tão rápido que praticamente ninguém observa ninguém.

Perceber como o filho cuida dos brinquedos, se divide os brinquedos com amigos, qual o brinquedo que mais lhe chama a atenção, se consegue brincar sozinho, qual o seu tempo de concentração e outras informações servirão de respaldo para compreender melhor as avaliações que o professor faz durante as reuniões escolares.

A observação é um ato importantíssimo e deve ser exercida sem interrupção da ação observada para que se tenha conhecimento inclusive do desfecho. Mesmo que você presencie uma atitude inaceitável, não interfira de imediato. Observe se a criança chega à conclusão de que sua atitude não é das melhores, e somente então chame-a para a análise e reflexão.

Nós pais, temos a responsabilidade de formar cidadãos e um dos quesitos principais para esta formação é a orientação. É levar a criança a pensar sobre suas atitudes. Fazer com que ela mesma enxergue onde não acertou.

Quando os pais têm esta preocupação em também analisar o filho, o trabalho de parceria entre pais e escola é muito mais intenso e quem sai ganhando é a criança.

Aproveitem as férias para conhecer um pouco mais o seu filho e ajudá-lo na construção da sua identidade.

Acampar ou não acampar eis a questão!

Muitos pais se sentem inseguros quando o(a) filho(a) vem com a novidade de que TODOS os amigos vão acampar e que ele(a) não pode ficar de fora. Deste momento em diante o sossego acabou, igual está acontecendo com algumas mães leitoras do Educa Já!  que já se mostram preocupadas com a chegada das Férias e a oportunidade destes programas.

Acampar sempre foi uma boa opção para desenvolver a autonomia e a responsabilidade, afinal não terão a “mamãe” do lado dizendo para não esquecerem o tênis jogado, para arrumarem a cama, guardarem a roupa e outras coisas tão comuns entre as crianças e adolescentes. Também desenvolve a socialização e a interação com o grupo, outra situação difícil, pois sabemos que não é nada fácil conviver diariamente com uma porção de pessoas.

Estas situações têm que ser orientadas pelos pais em uma conversa franca, sem rodeios, para que o filho(a) não seja surpreendido(a) com reações pouco satisfatórias dos outros componentes do acampamento. Ninguém gosta de pessoa “espaçosa”, bagunceira e que não gosta de fazer nada, ou seja, folgado(a).

Quando se vai autorizar a ida do filho(a) a um acampamento estas orientações são fundamentais, caso contrário, ele(a) aprenderá da pior forma possível.

É importante que os pais tenham conhecimento de como é o local onde o(a) filho(a) ficará acampado(a), se há lugares perigosos, que tipos de insetos, que tipo de roupa, calçado terá que levar e tantas informações quanto forem necessárias. Não hesite em perguntar tudo que lhe ocorrer. Conforme for lembrando, vá anotando, para quando chegar o momento, não esquecer de perguntar nada.

Depois vêm as recomendações sobre segurança, sobre não querer ser o(a) aventureiro(a) da turma, sobre agir com cautela e responsabilidade. É muito importante deixar bem claro que toda ação tem uma reação e que se ele(a) resolver se arriscar terá que arcar com as consequências.

No caso de adolescentes que vão acampar com um grupo e junto vai o namorado(a), a mesma conduta quanto as recomendações deve ser adotada. Na verdade este diálogo deve existir sempre, com ou sem acampamento. Os pais devem orientar sobre os riscos de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez prematura e deixar bem claro que o sexo deve ser visto com responsabilidade assim como todas as decisões que se toma na vida.

Precisamos educar nossos filhos para que eles sejam os mesmos tanto na nossa frente quanto na nossa ausência. Não poderemos andar grudados neles por toda a vida. Temos que ensiná-los a caminhar sozinhos.

Esta é a grande prova de amor!

Este post foi originalmente publicado no site Mãe com Filhos