Comemoramos todos os anos, no dia 19 de Abril, o Dia do Índio. Esta data foi criada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, através do decreto lei número 5.540.
Origem da data
Em 1940, foi realizado no México o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. Diversas autoridades governamentais da América estiveram presentes. Porém os vários líderes indígenas do continente, apesar de convidados, não compareceram nos primeiros dias do evento, pois estavam preocupados e temerosos. Este comportamento era compreensível, pois os índios há séculos estavam sendo perseguidos, agredidos e dizimados pelos “homens brancos”. No entanto, após algumas reuniões e reflexões, diversos líderes indígenas resolveram participar, após entenderem a importância daquele momento histórico.
Durante este congresso foi criado o Instituto Indigenista Interamericano, também sediado no México, com a função de zelar pelos direitos dos indígenas na América. O Brasil não aderiu imediatamente ao Instituto, mas após a intervenção do Marechal Rondon apresentou sua adesão e instituiu o Dia do Índio no dia 19 de abril.Marechal Rondon
Além das diversas comemorações, esse dia deve ser de reflexão sobre a importância da preservação dos povos indígenas, da manutenção de suas terras e respeito às suas manifestações culturais.
Dia 19 de abril é Dia do Índio! Que tal uma atividade para sala de aula que possibilite seus alunos a aprender sobre a rica cultura indígena? No site Conteúdos Educacionais há uma atividade especial para comemorar esta data!
A ideia é que os alunos se tornem agentes de viagens e montem um roteiro ecológico completo para visitar uma aldeia. Eles deverão montar um cartão postal publicitário com todas as informações de como será a viagem: como chegar; onde se hospedar; o que vai ser visitado, quando e como. Por fim, vão trocar este material por e-mail.
Esta atividade pode ser usada para mostrar a influência que os indígenas têm até hoje na nossa cultura e o quanto perdemos ao ignorá-la, pois toda sua riqueza cultural é um patrimônio que devemos reconhecer e valorizar.
Cadastre-se no site Conteúdos Educacionais e baixe esta e outras atividades! Todo mês temos conteúdo novo para você aplicar em sala de aula e ajudar os alunos a entenderem melhor e de forma interativa os conteúdos apresentados em sala de aula.
Não esqueça de deixar o seu comentário em nosso blog para dizer o que achou das atividades postadas. Seu comentário é muito importante para que possamos trazer toda semana materiais interessantes sobre educação!
Conversando pelo Twitter com minha amiga @ceila sobre cultura indígena e fábulas maravilhosas me indicou uma postagem que fez em seu blog Desabafo de Mãe o qual compartilho com vocês.
Enquanto trabalho que nem um robô na cozinha de casa em frente ao PC, ouço uma pergunta no fundo da sala: Mãe, tem índio que usa roupa e outros que não usam? Respondi que existia muito tipo de índio ainda hoje. Então, ela me explica que são muitas tribos e pergunta se depende de cada tribo para o uso da roupa. Respondi: acho que até mesmo dentro das próprias tribos deve ter índio que usa roupa e outros não.
Eu fiquei orgulhosa de ver minha filha questionar a pluralidade e os costumes do nosso povo. Ela sabe que índio não é aquele que só faz barulho, pega o arco, a flecha e canoa pra pescar. Índio conta história, usa roupa, fala língua diferente e ainda vira onça. Não dá pra explicar a alegria de ver uma criança de 5 anos entender uma cultura diferente da sua e ao mesmo tempo aprender com as fábulas indígenas como enfrentar seus medos infantis. Eu confesso que estou fascinada pelas fábulas de Iauaretê. Conheça mais sobre autor abaixo e, se tiver interesse de ler a estória para seu filho, comenta aqui!
19 de abril é o Dia Nacional do Índio, lembrado e comemorado em muitas aldeias e reservas indígenas espalhadas em nosso imenso país. Na verdade, o índio brasileiro tem muito pouco a comemorar. Continua lutando pela sua sobrevivência e contra uma política indigenista tacanha e retrógada que mais lhes tem prejudicado do que ajudado.
O seu órgão tutor e responsável, a Funai, continua, como sempre, omissa e inoperante, o que tem permitido aos índios cometer verdadeiras estripulias, como aconteceu aqui na reserva de José Boiteux. Mas em todo Brasil não tem sido diferente. Apesar de pouco produzir, querem a ampliação de suas reservas. Os índios no Brasil são representados por 215 etnias e habitam 606 áreas em vários Estados, correspondente a 12,5% do território nacional, o que equivale a um milhão de metros quadrados de terras. Uma área maior do que Alemanha, França e Itália juntas.
Apesar dos problemas que se registram em áreas indígenas, não se consegue uma explicação plausível para o crescimento espetacular da população indígena no Brasil nesses últimos tempos. Os censos demográficos do IBGE de 1991 a 2000 indicaram que mais de 10% da população brasileira se declararam indígenas, aumentando de 294 mil para 734 mil o número de índios. Consta que a atração maior é o fato de poderem se transferir para uma reserva, onde passam a viver sob a lei do índio, não pagam aluguel, água, luz, ganhando moradia, comida, assistência médica e terra para trabalhar, se quiserem. A demarcação de terras para aumentar as reservas é outra grande atração, pois consta que na Região Amazônica os índios estão concretizando a conquista de imensas e riquíssimas áreas.
Quanto a Reserva Duque de Caxias, em José Boiteux, depois que o Supremo Tribunal Federal proibiu a demarcação de novas terras, os índios sossegaram e deixaram de praticar desordem fora da reserva, principalmente depois também que a Justiça passou a tratar com o rigor necessário certos procedimentos incorretos de membros da sua liderança.
Pelo menos contra a estrutura da Barragem Norte não praticaram mais nenhum ato de vandalismo. Hoje, a reserva abriga 1,8 mil indígenas que vivem nas sete aldeias: Toldo (20), Palmeiras (420), Pavão (116), Bugin (399), Coqueiros (315), Figueiras (286) e Sede (261). Trinta por cento dos que residem na Reserva são brancos que se declararam índios.
Cama de gato é uma brincadeira infantil em que se constrói formas com barbantes presos às mãos. O jogo cama de gato foi criado por culturas indígenas, mas, hoje, crianças do mundo inteiro jogam.
Como jogar: Providencie um metro de barbante, una as duas pontas com um nó, convide um amigo e então, decidam quem começa o entrelace com as mãos. Depois que a primeira cama de gato estiver armada, o outro participante tem o desafio de transformá-la em uma nova sem desmontar e assim vai… Siga as instruções das imagens e tente não se enrolar!
Criando e Aprendendo com os indígenas
Os indígenas alimentam-se basicamente de caça, pesca, frutas e frutos. Para conseguir seus alimentos, utilizam instrumentos confeccionados na própria natureza. Para que as crianças possam fazer dessa aprendizagem um momento lúdico e vivenciar um pouco dessa experiência, auxilie-as a confeccionar algumas peças com materiais reaproveitáveis, além de dobraduras.
Canoa
Materiais:
* cola branca; * folhas de papel sulfite; * jornal; * pregador de roupas; * tesoura.
1 – recorte 18 pedaços de jornal com 14 x 16 cm e enrole cada um deles, a partir da lateral diagonal, para formar um canudinho. 2 – cole-os parelamente no centro de um pedaço de folha de sulfite no tamanho de 12 x 21 cm.
3 – torça cada uma das pontas laterais que sobraram da folha de sulfite, vire-as para dentro, cole-as e prenda-as com um pregador de roupas até a cola secar.
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Indígena
Materiais:
* barbante; * canetinhas coloridas; * cola branca; * folhas de papel sulfite de várias cores; * furador de papel; * papel pardo; * régua; * rolos de papel higienico vazios; * tesoura.
Confira o passo a passo:
A Lenda de Maní ( Lenda tradicional da Amazônia, recontada por Esperança Alves* )
“Há muito tempo, na Amazônia, em uma tribo indígena, pertencente à ancestral matriz Tupi, a mais bela “ cunhãtã” , filha do cacique, apareceu grávida, misteriosamente. O pai, muito contrariado por sua filha trair os costumes do seu povo, afinal não estava prometida a nenhum jovem guerreiro, quis sacrificá-la à “ Tupã” , mas, foi detido de seu intento, após um sonho. Neste, um homem branco lhe apareceu comunicando a inocência da mãe virgem, escolhida para uma importante missão.
Passadas 09 luas, a mãe deu à luz uma linda menina, muito alva, a quem deu o nome de ” Maní “. De início, todos acharam muito estranho a cor diferente de sua pele, mas com o tempo foram se acostumando, se encantando e vendo graça e beleza naquela criança por quem aprenderam a nutrir grande amor e respeito.
Um dia, misteriosamente, “ Maní” morreu sem ter adoecido. A comunidade inteira ficou desolada. A mãe e o avô ficaram muito, muito tristes. O Conselho das mulheres mais velhas orientou e cuidou de enterrá-la no centro da maloca do avô.
Dia e noite a mãe chorava sobre a sepultura de “ Maní” . Depois de certo tempo, para surpresa de todos, do chão brotou uma pequena e desconhecida planta. E o mais espantoso foi mesmo quando a terra se abriu e apareceram grandes e belas raízes. Um a um foi chegando para ver a grande novidade. Com grande apreensão e respeito colheram as raízes, percebendo que, por dentro, elas eram “branquinhas”, pelo que imediatamente associaram com o corpo de “ Maní”. Acreditaram ser uma nova manifestação de sua vida. Por isso, deram-lhe o nome de ” Maní-oca “, que significa casa ou corpo de “ Maní” , na língua tupi.
A partir de então, nunca mais a população daquela aldeia Tupi passou fome, tornando-se a “ maní-oca”, ou mandioca, seu principal e sagrado alimento.
* Esperança Alves – Educadora, Focalizadora de Danças Sagradas; Pesquisa as Danças, História, Mitologia e Espiritualidade dos Povos; Tem Iniciação em Psicologia, Formação Transdisciplinar-Holística e Curso Básico de Educação em Valores Humanos. Belém /PA. http://www.manamani.org.br/ Clique nas figuras para vê-las em tamanho aumentado
Objetivos: - Conhecer e refletir sobre a história dos índios; - Conhecer, analisar e debater os hábitos e costumes indígenas; - Conhecer, analisar e debater a influência indígena em nossa vida; - Aprender a respeitar os índios com a finalidade de construir a cidadania numa sociedade pluriétnica e pluricultural; - A partir do tema gerador desenvolver atividades nas diferentes Áreas de Estudo. Objetivo Proposto nos PCN’S de interesse no presente projeto:
- Conhecer e Valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais.
PLANEJAMENTO: Propostas de Atividades que trabalharão os temas transversais: Ética, Saúde, Meio Ambiente, Pluralidade Cultural e Cidadania. Sensibilização: - Propor aos alunos que pesquisem e levem para sala de aula recortes de fotos de pessoas que possam parecer descendentes indígenas. Com todas as fotos em mãos, o professor em círculo analisará juntamente com os alunos cada foto. Procurando incentivar para que todos dêem sua opinião. Em um segundo momento listar em um cartaz os conhecimentos que os alunos já tem sobre o assunto ( Conhecimentos Prévios ). - Provocar os alunos a se expressarem, fazer indagações e ir registrando em um cartaz. Logo em seguida, em um outro cartaz, listar as dúvidas provisórias dos alunos, ou seja, perguntar o que desejam saber sobre o tema e ainda não sabem, novamente provocar os alunos a fim de lançarem suas dúvidas.Por último, propor que os alunos ilustrem os cartazes com fotos e desenhos.
Propostas de Atividades de Integração das Áreas de Estudo:
GEOGRAFIA: - Localizar em Mapa ou Globo Terrestre pontos do território nacional onde ainda vivem tribos indígenas; - Comparar o modo de vida dos índios de outras regiões com o modo de vida dos índios que ainda habitam a floresta amazônica.
HISTÓRIA: - Reconhecer os modos de vida dos índios, sua cultura, sua alimentação, formas de trabalho e sobrevivência; - Refletir e opinar sobre o papel do índio na formação da nação brasileira
LÍNGUA PORTUGUESA: - Levantar o vocabulário usado pelos indígenas e descobrir seus significados; - Produzir, utilizando diferentes formas de expressão, textos individuais e coletivos sobre os debates e as reflexões do assunto; - Orientar os alunos para elaborarem pequenos textos sobre cada descoberta realizada; - Ler histórias originalmente indígenas ou que tratem do indígena e seus valores; - Organizar um dicionário ilustrado com as palavras indígenas.
ARTES: - Observar manifestações de arte da cestaria, da cerâmica, da plumaria e de outros objetos de cerdas vegetais e cordas, realizados pelos índios de hoje e de antigamente; - Observar ilustrações de artistas do tempo do Brasil – Colônia que retrataram o indígena e suas manifestações culturais; - Vivenciar através de músicas sobre o tema um pouco da cultura indígena – cantando e dramatizando; - Vivenciar através de atividades artísticas manuais e plásticas um pouco da cultura indígena, criando objetos e instrumentos musicais.
Formulação de Problemas: - Questionar em classe: - Ainda existe preconceito com os índios? - O que as crianças sabem, pensam e acham sobre isso? - O que podem e o querem fazer para ajudar a mudar o quadro dos preconceitos e discriminação? - A culinária indígena é usada na cozinha brasileira? Como? - Ainda são encontrados locais de agrupamentos e reservas indígenas? - Quais são essas tribos? Como vivem? Como se mantêm? Quais os seus atuais costumes? - Quais são as palavras e costumes de origem indígena? - Há influência dos índios na Língua Brasileira? - Há influência dos índios no artesanato? - Há influência dos índios na medicina caseira? E nos adornos pessoais?
Os indígenas têm um modo de vida diferente do nosso.
Eles são muito mais ligados à terra.
Não trabalham com o objetivo de juntar dinheiro, bens, nem nada desse tipo.
Trabalham em suas lavouras para garantir o sustento da aldeia; fora isso, alimentam-se dos frutos das árvores e dos animais que caçam.
Para os índios, a terra é muito importante, sagrada mesmo.
Não só porque é o lugar de onde tiram seu sustento, mas também porque é o que eles consideram como o lar deles.
Por isso a Constituição brasileira garante que as terras dos índios devem ser demarcadas (determinadas) pelo governo e devem ser respeitadas por todos.
Ás vezes esses direitos não são respeitados.
Alguns grandes proprietários de terras, madeireiros e garimpeiros tentam expulsar os índios de suas terras para explorá-las, e para isso, muitas vezes fazem uso de força bruta para tirá-los de lá.
A situação dos índios é grave em várias regiões, e infelizmente muitas comunidades indígenas já perderam grande parte de seus territórios.
Nas aldeias normalmente existem duas pessoas muito importantes na organização: o pajé e o cacique.
O cacique é o chefe da tribo, e o pajé é o sábio, o qual conhece a cura para as doenças e se comunica com os deuses.
Os índios acreditam em forças maiores: na natureza, em deuses e nos espíritos de seus ancestrais.
Cada sociedade indígena cria suas próprias explicações a respeito do mundo, dos fenômenos naturais, dos espíritos e dos seres sobrenaturais.
CRIANÇAS
CRIANÇAS
Assim como em qualquer sociedade, os índios também constroem brinquedos para seus filhos.
Os mais comuns são feitos de palha, madeira ou barro. Os adultos fabricam para as crianças dobraduras de palha, representando os animais da floresta.
Em geral, os brinquedos são miniaturas de objetos usados na sociedade e, além de fazerem as crianças se divertir, esses objetos as educam para as tarefas que terão de realizar quando se tornarem adultas.
Na maioria das aldeias, não existe videogame nem outros joguinhos eletrônicos, mas as crianças devem se divertir um bocado brincando com seus brinquedos de palha, subindo nas árvores e brincando com os animais, não é mesmo?
Até aprenderem a andar, os bebês vivem aconchegados a suas mães, numa espécie de bolsa que as mães prendem no corpo para carregá-los.
As crianças pequenas, de até 3 ou 4 anos, brincam com outras crianças e com seus brinquedos. Mas estão sempre próximas às mães, pois costumam mamar nelas até essa idade.
É comum, também, que uma irmã mais velha, adolescente, tome conta das crianças menores.
Desde novinhas, as crianças vão aprendendo as atividades que terão de desenvolver quando forem adultas. As meninas aprendem a: plantar, colher, carregar lenha, preparar alimentos e bebidas fermentadas, fiar algodão, confeccionar redes e cerâmica.
Já os meninos aprendem a: preparar o terreno para o plantio, caçar, confeccionar arco e flecha, fazer cestas e enfeites de plumas e construir casas.
Nas culturas indígenas, cabe aos pais a orientação nas tarefas e comportamentos que a comunidade julga corretos.
As crianças devem brincar e ter a mãe sempre por perto para protegê-las.
Os pais jamais devem levantar a voz, brigar ou bater em seus filhos; devem educar com autoridade, para desenvolver na criança a atenção, a observação e a importância da repetição de uma tarefa até a sua plena aprendizagem.
Nas tribos é dever de todos fazer a criança crescer com responsabilidade e respeito às regras da comunidade. Legal, hein?!
HÁBITOS INDÍGENAS
Você sabia que vários dos nossos hábitos são herdados da cultura indígena?
Um dos costumes mais importantes é o de tomar banho todos os dias.
Em outras culturas, como na dos países europeus, é comum as pessoas passarem dias sem tomar banho.
Que bom que os índios nos ensinaram isso, né? Assim somos um povo bem cheirosinho!
Também aprendemos com eles o uso de chás e plantas medicinais para curar doenças.
E como os índios têm muito conhecimento de ervas e plantas, muitos dos remédios que compramos hoje nas farmácias tiveram suas fórmulas baseadas em chás indígenas.
É influência deles também a utilização de redes para dormir, as várias danças, principalmente as da região Norte do Brasil.
E ainda várias canções e lendas do folclore brasileiro.
VIDA DE ÍNDIO
A repórter Xereta entrevistou alguém muito especial para a nossa reportagem: a índia Maria Helena Sarapó, que estava de passagem por Brasília.
Nossa entrevistada mora na tribo dos Fulni-ô, uma aldeia de 6 mil índios no interior do Pernambuco, e contou como é a vida em sua aldeia.
Você vai ver que ela é gente como a gente.
Como é a vida na sua tribo? O que vocês fazem no dia-a-dia?
A gente faz artesanato, cozinha e busca lenha no mato.
Os homens caçam e fazem artesanato também: arco, flecha e lança.
As crianças de manhã vão para a escola aprender português, e de tarde vão para a escola da nossa língua, o Iatê.
Normalmente ficamos mesmo na aldeia, mas no final de agosto a gente vai para a reserva passar três meses, onde praticamos nossos rituais e ensinamos às crianças as tradições da tribo.
A escola consegue atender a todas as crianças da tribo?
Sim, a escola tem 10 salas de aula, e todas as crianças estudam.
A tribo tem energia elétrica?
Na aldeia temos energia elétrica, sim, e também televisão, som, escola de computação, telefone e água encanada. Mas na reserva, que é uma área mais isolada, só tem água encanada; não tem energia porque o cacique prefere que não tenha, lá a luz é de lampião.
A escola de computação é para toda a comunidade?
Sim, para toda a aldeia, e tem acesso à internet. Só que são 10 computadores para a aldeia toda (de 6 mil índios).
Que tipo de brinquedos as crianças têm na tribo?
Os pais fabricam brinquedos, mas eles recebem muita doação de bola, carrinho e outros brinquedos.
Alguns índios têm mais condição e compram para os próprios filhos.
Alguns índios da minha aldeia são funcionários da prefeitura e do estado.
Esses têm mais condição, porque têm salário certo. Os que não têm, vivem das plantações, do artesanato e de doações.
Em que idade as crianças começam a ser consideradas adultas na tribo?
As meninas são consideradas adultas depois da menstruação, e os meninos, a partir dos 13 anos.
As crianças trabalham? Ajudam na plantação?
Só quando elas têm um tempinho, mas sempre a escola está em primeiro lugar.
O que a senhora acha de mais importante que os índios devem reivindicar?
A terra, pois as reservas não têm espaço suficiente.
A nossa área é de 11 mil hectares.
Antigamente era de 53 mil hectares, mas o branco foi tomando e só ficaram 11 mil.
É muito apertado para mais de 6 mil índios. Porque a gente planta muitas coisas: milho, feijão, algodão, verduras, frutas.
Para a senhora, qual a importância de ter um dia dedicado aos índios?
É bom para as pessoas lutarem pelos direitos dos índios, porque ainda tem muita gente que não gosta de índio.
Seria bom se as pessoas entendessem e apoiassem, porque de vez em quando tem questão de terra, com gente querendo tomar.
Até índio queimado já mataram aqui mesmo em Brasília (o índio Galdino Jesus dos Santos foi queimado por cinco jovens enquanto dormia num ponto de ônibus, em 20 de abril de 1997) .
Que mensagem deixaria para as crianças?
Eu falaria para as crianças não seguirem maus exemplos, que elas seguissem sempre bons exemplos, porque quando a pessoa é criada vendo bons exemplos ela vai fazer boas ações.
Vendo televisão, a gente vê tanta coisa ruim, mas quem tem um coração bom vai tentar ajudar para que o mal não aconteça mais.
Eu queria que as crianças crescessem tendo paz no coração.
Recado dado, né, pessoal? Os índios têm muito o que nos ensinar!
Cama de gato é uma brincadeira infantil em que se constrói formas com barbantes presos às mãos. O jogo cama de gato foi criado por culturas indígenas, mas, hoje, crianças do mundo inteiro jogam.
Como jogar: Providencie um metro de barbante, una as duas pontas com um nó, convide um amigo e então, decidam quem começa o entrelace com as mãos. Depois que a primeira cama de gato estiver armada, o outro participante tem o desafio de transformá-la em uma nova sem desmontar e assim vai… Siga as instruções das imagens e tente não se enrolar!
Criando e Aprendendo com os indígenas
Os indígenas alimentam-se basicamente de caça, pesca, frutas e frutos. Para conseguir seus alimentos, utilizam instrumentos confeccionados na própria natureza. Para que as crianças possam fazer dessa aprendizagem um momento lúdico e vivenciar um pouco dessa experiência, auxilie-as a confeccionar algumas peças com materiais reaproveitáveis, além de dobraduras.
Canoa
Materiais:
* cola branca; * folhas de papel sulfite; * jornal; * pregador de roupas; * tesoura.
1 – recorte 18 pedaços de jornal com 14 x 16 cm e enrole cada um deles, a partir da lateral diagonal, para formar um canudinho. 2 – cole-os parelamente no centro de um pedaço de folha de sulfite no tamanho de 12 x 21 cm.
3 – torça cada uma das pontas laterais que sobraram da folha de sulfite, vire-as para dentro, cole-as e prenda-as com um pregador de roupas até a cola secar.
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Indígena
Materiais:
* barbante; * canetinhas coloridas; * cola branca; * folhas de papel sulfite de várias cores; * furador de papel; * papel pardo; * régua; * rolos de papel higienico vazios; * tesoura.
Confira o passo a passo:
A Lenda de Maní ( Lenda tradicional da Amazônia, recontada por Esperança Alves* )
“Há muito tempo, na Amazônia, em uma tribo indígena, pertencente à ancestral matriz Tupi, a mais bela “ cunhãtã” , filha do cacique, apareceu grávida, misteriosamente. O pai, muito contrariado por sua filha trair os costumes do seu povo, afinal não estava prometida a nenhum jovem guerreiro, quis sacrificá-la à “ Tupã” , mas, foi detido de seu intento, após um sonho. Neste, um homem branco lhe apareceu comunicando a inocência da mãe virgem, escolhida para uma importante missão.
Passadas 09 luas, a mãe deu à luz uma linda menina, muito alva, a quem deu o nome de ” Maní “. De início, todos acharam muito estranho a cor diferente de sua pele, mas com o tempo foram se acostumando, se encantando e vendo graça e beleza naquela criança por quem aprenderam a nutrir grande amor e respeito.
Um dia, misteriosamente, “ Maní” morreu sem ter adoecido. A comunidade inteira ficou desolada. A mãe e o avô ficaram muito, muito tristes. O Conselho das mulheres mais velhas orientou e cuidou de enterrá-la no centro da maloca do avô.
Dia e noite a mãe chorava sobre a sepultura de “ Maní” . Depois de certo tempo, para surpresa de todos, do chão brotou uma pequena e desconhecida planta. E o mais espantoso foi mesmo quando a terra se abriu e apareceram grandes e belas raízes. Um a um foi chegando para ver a grande novidade. Com grande apreensão e respeito colheram as raízes, percebendo que, por dentro, elas eram “branquinhas”, pelo que imediatamente associaram com o corpo de “ Maní”. Acreditaram ser uma nova manifestação de sua vida. Por isso, deram-lhe o nome de ” Maní-oca “, que significa casa ou corpo de “ Maní” , na língua tupi.
A partir de então, nunca mais a população daquela aldeia Tupi passou fome, tornando-se a “ maní-oca”, ou mandioca, seu principal e sagrado alimento.
* Esperança Alves – Educadora, Focalizadora de Danças Sagradas; Pesquisa as Danças, História, Mitologia e Espiritualidade dos Povos; Tem Iniciação em Psicologia, Formação Transdisciplinar-Holística e Curso Básico de Educação em Valores Humanos. Belém /PA. http://www.manamani.org.br/ Clique nas figuras para vê-las em tamanho aumentado
Objetivos: - Conhecer e refletir sobre a história dos índios; - Conhecer, analisar e debater os hábitos e costumes indígenas; - Conhecer, analisar e debater a influência indígena em nossa vida; - Aprender a respeitar os índios com a finalidade de construir a cidadania numa sociedade pluriétnica e pluricultural; - A partir do tema gerador desenvolver atividades nas diferentes Áreas de Estudo. Objetivo Proposto nos PCN’S de interesse no presente projeto:
- Conhecer e Valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais.
PLANEJAMENTO: Propostas de Atividades que trabalharão os temas transversais: Ética, Saúde, Meio Ambiente, Pluralidade Cultural e Cidadania. Sensibilização: - Propor aos alunos que pesquisem e levem para sala de aula recortes de fotos de pessoas que possam parecer descendentes indígenas. Com todas as fotos em mãos, o professor em círculo analisará juntamente com os alunos cada foto. Procurando incentivar para que todos dêem sua opinião. Em um segundo momento listar em um cartaz os conhecimentos que os alunos já tem sobre o assunto ( Conhecimentos Prévios ). - Provocar os alunos a se expressarem, fazer indagações e ir registrando em um cartaz. Logo em seguida, em um outro cartaz, listar as dúvidas provisórias dos alunos, ou seja, perguntar o que desejam saber sobre o tema e ainda não sabem, novamente provocar os alunos a fim de lançarem suas dúvidas.Por último, propor que os alunos ilustrem os cartazes com fotos e desenhos.
Propostas de Atividades de Integração das Áreas de Estudo:
GEOGRAFIA: - Localizar em Mapa ou Globo Terrestre pontos do território nacional onde ainda vivem tribos indígenas; - Comparar o modo de vida dos índios de outras regiões com o modo de vida dos índios que ainda habitam a floresta amazônica.
HISTÓRIA: - Reconhecer os modos de vida dos índios, sua cultura, sua alimentação, formas de trabalho e sobrevivência; - Refletir e opinar sobre o papel do índio na formação da nação brasileira
LÍNGUA PORTUGUESA: - Levantar o vocabulário usado pelos indígenas e descobrir seus significados; - Produzir, utilizando diferentes formas de expressão, textos individuais e coletivos sobre os debates e as reflexões do assunto; - Orientar os alunos para elaborarem pequenos textos sobre cada descoberta realizada; - Ler histórias originalmente indígenas ou que tratem do indígena e seus valores; - Organizar um dicionário ilustrado com as palavras indígenas.
ARTES: - Observar manifestações de arte da cestaria, da cerâmica, da plumaria e de outros objetos de cerdas vegetais e cordas, realizados pelos índios de hoje e de antigamente; - Observar ilustrações de artistas do tempo do Brasil – Colônia que retrataram o indígena e suas manifestações culturais; - Vivenciar através de músicas sobre o tema um pouco da cultura indígena – cantando e dramatizando; - Vivenciar através de atividades artísticas manuais e plásticas um pouco da cultura indígena, criando objetos e instrumentos musicais.
Formulação de Problemas: - Questionar em classe: - Ainda existe preconceito com os índios? - O que as crianças sabem, pensam e acham sobre isso? - O que podem e o querem fazer para ajudar a mudar o quadro dos preconceitos e discriminação? - A culinária indígena é usada na cozinha brasileira? Como? - Ainda são encontrados locais de agrupamentos e reservas indígenas? - Quais são essas tribos? Como vivem? Como se mantêm? Quais os seus atuais costumes? - Quais são as palavras e costumes de origem indígena? - Há influência dos índios na Língua Brasileira? - Há influência dos índios no artesanato? - Há influência dos índios na medicina caseira? E nos adornos pessoais?
Os indígenas têm um modo de vida diferente do nosso.
Eles são muito mais ligados à terra.
Não trabalham com o objetivo de juntar dinheiro, bens, nem nada desse tipo.
Trabalham em suas lavouras para garantir o sustento da aldeia; fora isso, alimentam-se dos frutos das árvores e dos animais que caçam.
Para os índios, a terra é muito importante, sagrada mesmo.
Não só porque é o lugar de onde tiram seu sustento, mas também porque é o que eles consideram como o lar deles.
Por isso a Constituição brasileira garante que as terras dos índios devem ser demarcadas (determinadas) pelo governo e devem ser respeitadas por todos.
Ás vezes esses direitos não são respeitados.
Alguns grandes proprietários de terras, madeireiros e garimpeiros tentam expulsar os índios de suas terras para explorá-las, e para isso, muitas vezes fazem uso de força bruta para tirá-los de lá.
A situação dos índios é grave em várias regiões, e infelizmente muitas comunidades indígenas já perderam grande parte de seus territórios.
Nas aldeias normalmente existem duas pessoas muito importantes na organização: o pajé e o cacique.
O cacique é o chefe da tribo, e o pajé é o sábio, o qual conhece a cura para as doenças e se comunica com os deuses.
Os índios acreditam em forças maiores: na natureza, em deuses e nos espíritos de seus ancestrais.
Cada sociedade indígena cria suas próprias explicações a respeito do mundo, dos fenômenos naturais, dos espíritos e dos seres sobrenaturais.
CRIANÇAS
CRIANÇAS
Assim como em qualquer sociedade, os índios também constroem brinquedos para seus filhos.
Os mais comuns são feitos de palha, madeira ou barro. Os adultos fabricam para as crianças dobraduras de palha, representando os animais da floresta.
Em geral, os brinquedos são miniaturas de objetos usados na sociedade e, além de fazerem as crianças se divertir, esses objetos as educam para as tarefas que terão de realizar quando se tornarem adultas.
Na maioria das aldeias, não existe videogame nem outros joguinhos eletrônicos, mas as crianças devem se divertir um bocado brincando com seus brinquedos de palha, subindo nas árvores e brincando com os animais, não é mesmo?
Até aprenderem a andar, os bebês vivem aconchegados a suas mães, numa espécie de bolsa que as mães prendem no corpo para carregá-los.
As crianças pequenas, de até 3 ou 4 anos, brincam com outras crianças e com seus brinquedos. Mas estão sempre próximas às mães, pois costumam mamar nelas até essa idade.
É comum, também, que uma irmã mais velha, adolescente, tome conta das crianças menores.
Desde novinhas, as crianças vão aprendendo as atividades que terão de desenvolver quando forem adultas. As meninas aprendem a: plantar, colher, carregar lenha, preparar alimentos e bebidas fermentadas, fiar algodão, confeccionar redes e cerâmica.
Já os meninos aprendem a: preparar o terreno para o plantio, caçar, confeccionar arco e flecha, fazer cestas e enfeites de plumas e construir casas.
Nas culturas indígenas, cabe aos pais a orientação nas tarefas e comportamentos que a comunidade julga corretos.
As crianças devem brincar e ter a mãe sempre por perto para protegê-las.
Os pais jamais devem levantar a voz, brigar ou bater em seus filhos; devem educar com autoridade, para desenvolver na criança a atenção, a observação e a importância da repetição de uma tarefa até a sua plena aprendizagem.
Nas tribos é dever de todos fazer a criança crescer com responsabilidade e respeito às regras da comunidade. Legal, hein?!
HÁBITOS INDÍGENAS
Você sabia que vários dos nossos hábitos são herdados da cultura indígena?
Um dos costumes mais importantes é o de tomar banho todos os dias.
Em outras culturas, como na dos países europeus, é comum as pessoas passarem dias sem tomar banho.
Que bom que os índios nos ensinaram isso, né? Assim somos um povo bem cheirosinho!
Também aprendemos com eles o uso de chás e plantas medicinais para curar doenças.
E como os índios têm muito conhecimento de ervas e plantas, muitos dos remédios que compramos hoje nas farmácias tiveram suas fórmulas baseadas em chás indígenas.
É influência deles também a utilização de redes para dormir, as várias danças, principalmente as da região Norte do Brasil.
E ainda várias canções e lendas do folclore brasileiro.
VIDA DE ÍNDIO
A repórter Xereta entrevistou alguém muito especial para a nossa reportagem: a índia Maria Helena Sarapó, que estava de passagem por Brasília.
Nossa entrevistada mora na tribo dos Fulni-ô, uma aldeia de 6 mil índios no interior do Pernambuco, e contou como é a vida em sua aldeia.
Você vai ver que ela é gente como a gente.
Como é a vida na sua tribo? O que vocês fazem no dia-a-dia?
A gente faz artesanato, cozinha e busca lenha no mato.
Os homens caçam e fazem artesanato também: arco, flecha e lança.
As crianças de manhã vão para a escola aprender português, e de tarde vão para a escola da nossa língua, o Iatê.
Normalmente ficamos mesmo na aldeia, mas no final de agosto a gente vai para a reserva passar três meses, onde praticamos nossos rituais e ensinamos às crianças as tradições da tribo.
A escola consegue atender a todas as crianças da tribo?
Sim, a escola tem 10 salas de aula, e todas as crianças estudam.
A tribo tem energia elétrica?
Na aldeia temos energia elétrica, sim, e também televisão, som, escola de computação, telefone e água encanada. Mas na reserva, que é uma área mais isolada, só tem água encanada; não tem energia porque o cacique prefere que não tenha, lá a luz é de lampião.
A escola de computação é para toda a comunidade?
Sim, para toda a aldeia, e tem acesso à internet. Só que são 10 computadores para a aldeia toda (de 6 mil índios).
Que tipo de brinquedos as crianças têm na tribo?
Os pais fabricam brinquedos, mas eles recebem muita doação de bola, carrinho e outros brinquedos.
Alguns índios têm mais condição e compram para os próprios filhos.
Alguns índios da minha aldeia são funcionários da prefeitura e do estado.
Esses têm mais condição, porque têm salário certo. Os que não têm, vivem das plantações, do artesanato e de doações.
Em que idade as crianças começam a ser consideradas adultas na tribo?
As meninas são consideradas adultas depois da menstruação, e os meninos, a partir dos 13 anos.
As crianças trabalham? Ajudam na plantação?
Só quando elas têm um tempinho, mas sempre a escola está em primeiro lugar.
O que a senhora acha de mais importante que os índios devem reivindicar?
A terra, pois as reservas não têm espaço suficiente.
A nossa área é de 11 mil hectares.
Antigamente era de 53 mil hectares, mas o branco foi tomando e só ficaram 11 mil.
É muito apertado para mais de 6 mil índios. Porque a gente planta muitas coisas: milho, feijão, algodão, verduras, frutas.
Para a senhora, qual a importância de ter um dia dedicado aos índios?
É bom para as pessoas lutarem pelos direitos dos índios, porque ainda tem muita gente que não gosta de índio.
Seria bom se as pessoas entendessem e apoiassem, porque de vez em quando tem questão de terra, com gente querendo tomar.
Até índio queimado já mataram aqui mesmo em Brasília (o índio Galdino Jesus dos Santos foi queimado por cinco jovens enquanto dormia num ponto de ônibus, em 20 de abril de 1997) .
Que mensagem deixaria para as crianças?
Eu falaria para as crianças não seguirem maus exemplos, que elas seguissem sempre bons exemplos, porque quando a pessoa é criada vendo bons exemplos ela vai fazer boas ações.
Vendo televisão, a gente vê tanta coisa ruim, mas quem tem um coração bom vai tentar ajudar para que o mal não aconteça mais.
Eu queria que as crianças crescessem tendo paz no coração.
Recado dado, né, pessoal? Os índios têm muito o que nos ensinar!
Novamente estamos chegando em abril e como que de súbito, as escolas brasileiras redescobrem o indígena brasileiro como os portugueses há 500 anos atrás. E nessa redescoberta, vários mitos também são ressuscitados, seja nas reportagens “especializadas” na questão indígena, seja por boa parte dos nossos livros didáticos. Neste texto, apresentarei alguns destes mitos gerados nestes 500 anos de conquista e preconceito em relação a estes povos.
Descoberta
Em relação à essa palavra muito já foi dito, mas, nunca é demais lembrar que o que aconteceu nas praias do Brasil em 22 de abril de 1500, não foi uma descoberta, mas, sim, uma conquista violentíssima, com conseqüências funestas para os povos originários destas terras. Falar em descoberta ou conquista, não é apenas uma questão de semântica, mas de postura histórica, a idéia de descoberta absolve o conquistador de todas suas vilezas e violência contra os povos colonizados, que, segundo esta versão, foram descobertos, não domesticados e subjugados. É uma visão oportunista da história construída e veiculada pelas classes dominantes na tentativa de camuflar os crimes coloniais perpetrados pelos povos europeus.
Os povos indígenas não foram descobertos; foram conquistados, o que é obviamente é bem diferente. Falar em descoberta, não é apenas ingênuo, antes disso, beira o oportunismo histórico e político.
Índios
Inicialmente não existem “índios brasileiros”, mas, sim, centenas de povos indígenas divididos e caracterizados por culturas distintas. São grupos culturais diversos possuidores de língua, costumes e universos religiosos próprios. Daí, ser complicado falar a famigerada frase; “os índios do Brasil eram assim…”, além de ser falsa, possui o marca da intolerância. Nas palavras de Albert Memmi: “O indígena/colonizado jamais é caracterizado de maneira diferencial: só tem direito ao afogamento coletivo anônimo. (“Eles são isso…Eles são todos os mesmo)”.
Esta marca do plural, utilizada indistintamente para designar os diversos povos indígenas do Brasil, termina por desumanizar e descaracterizar toda riqueza cultural destes grupos, entendidos como “’índios” e não como povos. Não se fala em povo Xavante, Guarani ou Xerente, como modos próprios de ser, mas, apenas e simplesmente, índios. Por tudo isso, deve-se evitar o termo “índios” e trabalhar com a perspectiva de povos indígenas.
Povos do passado
É bastante comum nos livros didáticos existirem frases do tipo: “Antigamente os índios do Brasil viviam dessa forma…”, “nos tempos da descoberta , os indígenas moravam dessa forma…”, como se atualmente estes povos não mais morassem e não mais vivessem de forma alguma. Estes diversos livros e textos didáticos nos falam de um indígena que não existe mais, e cuja lembrança não passa de um sombra longínqua perdida no tempo das caravelas. Ignorando, desta maneira, as dezenas de povos que atualmente existem e reivindicam sua etnicidade junto a sociedade não-índia, como os Pankararu da favela Real de Parque da grande São Paulo. Os povos indígenas, antes de tudo, são povos do presente e devem ser tratados, estudados e pesquisados neste âmbito.
Aculturação
Desde de muito cedo, um determinado indígena nos é apresentado como sendo legítimo: ele fala Tupi, crê em Tupã, mora na oca, veste-se de penas e tem um filho chamado curumim (que de certa forma é personificado pelo personagem Papa-Capim de Maurício de Sousa), pois bem, este indígena não existe. Na verdade existem povos Tupi como os Guarani, os Tenharim e os Parintintin, mas nenhum deles encaixa-se nesta representação que vem do período colonial e passa pelo romantismo brasileiro do século XIX. Porém, informado deste estereótipo, rotulamos todo e qualquer indígena que não possua estas caraterísticas como aculturado. É muito comum, após incursões as comunidades Guarani próximas aos grandes centros urbanos, os visitantes (sejam alunos, professores ou mesmo curiosos) regressarem com a nítida sensação de que estiveram com um grupo indígena aculturado. Não percebem que estes grupos continuam falando a língua materna e possuem um modo originalíssimo de ver e perceber o mundo. Mas, afinal, não usam penas – usam roupas, e consomem produtos manufaturados em vez de viverem da caça e da pesca (que sequer existe mais em suas pequenas reservas).
Estes olhares não conseguem penetrar além da aparência física e perceber que ali existe uma cultura distinta em constante reelaboração, o que não quer dizer, uma cultura dominada e morta. É necessário entender estas culturas como sujeitas a acréscimos e reorganizações constantes. Aliás, como qualquer cultura.
O que fazer?
Como já disse o Guarani Luís Euzébio, da comunidade de Brakuí no Rio de Janeiro: “no dia do índio façam qualquer coisa, mas não fantasiem as crianças de índios e venham para a aldeia sem sequer avisar ou pedir autorização para as lideranças”. Provavelmente, a melhor coisa a fazer é, quando possível, refletir com os alunos sobre a atual situação destes povos, assim como elaborar projetos nos quais os alunos possam não só discutir sobre a temática indígena, como intervir. Em 1995 em Itanháem/SP, foi elaborado uma proposta para a Semana do Índio junto a escolas estudais e municipais que culminaram em centenas de cartas para o então presidente da República Itamar Franco, exigindo a demarcação das terras indígenas.
Discuta quais povos existem no estado, qual sua situação, suas terras são demarcadas? Ou seja, na Semana do Índio (que deveria ser Semana dos Povos Indígenas) importa mais discutir sobre o presente e o futuro destes povos, do que sobre seu passado, afinal, a única aliança que é possível constituir é com gente de carne e osso, real, como os povos indígenas que continuam existindo (e crescendo demograficamente!) em todo território brasileiro. E por último, nunca é demais lembrar a necessidade de trabalhar com a temática indígena durante o ano inteiro através de projetos relacionados a cidadania, e não apenas cinco dias de abril. Os povos indígenas agradecem.
Recomendações de Leitura:
Essa terra tinha dono – FDT Benedito Prezia e Eduardo H.
As veias abertas da América Latina – Paz e Terra Eduardo Galeano
Ymã, ano mil e quinhentos: relatos e memórias indígenas sobre a conquista – Mercado de Letras Paulo Humberto Porto Borges
Uirá sai em busca de Deus – Paz e Terra Darcy Ribeiro
Retrato do colonizador precedido pelo retrato do colonizado – Paz e Terra Albert Memmi
Aproxima-se o dia 19 de abril e muitos estudantes são levados a pesquisarem sobre nós, indígenas do Brasil, devido à falta de material didático, capaz de transmitir aos alunos da rede pública ou particular de ensino conhecimento sobre cultura indígena.
Em primeiro lugar, existe um equívoco no ensino brasileiro, expresso nos livros de História do Brasil. Lá se fala de um “Descobrimento do Brasil”, quando na verdade um território foi invadido, nações inteiras foram dizimadas, milhões de pessoas mortas, em um genocídio de proporções incomparáveis em todo planeta. Aguardamos uma revisão historiográfica, a fim de que seja transmitida a verdadeira história do Brasil. Não se constrói uma nação sobre mentiras, pois assim jamais um povo se sentirá sustentado em bases sólidas. Sem raízes, não há base sobre o que se sustentar.
Nesse período do ano, as escolas públicas costumam “fantasiar” os alunos de “índios”, talvez pela falta de criatividade e senso crítico. Com isso, são transmitidas idéias distorcidas e fora da realidade, gerando nesses futuros adultos uma visão equivocada, que promove a segregação.
Nós, Povos Autóctones, habitantes desse continente, não delimitamos ou demarcamos territórios. Cada Nação possui sua organização, umas possuem chefes, outras não. Cada Nação tem suas peculiaridades culturais, seus saberes, sua forma ímpar de lidar com a organização de sua comunidade.
Entre as comunidades indígenas existe algo em comum: a forma de se relacionar com a Natureza, e com tudo que nela existe, porque acreditamos que para haver vida, é preciso cuidar do meio ambiente em que vivemos. Enquanto hoje se discute uma forma racional de consumo, tentando-se a todo custo conscientizar a população da necessidade de preservar o meio ambiente, nós, Povos Autóctones, desde pequenos lidamos com o consumo consciente. Não somos gananciosos, nem usurários, não acumulamos riquezas, por acreditarmos que devemos viver cada dia como se fosse o último, partilhando o que produzimos, sendo um corpo coletivo. E tudo que aqui existe deve ser cuidado para as futuras gerações.
Nossos saberes são muitas vezes hostilizados pela sociedade, somos vistos como primitivos, porém o produto de nosso solo e nossos saberes são usados como matéria-prima pelas indústrias farmacêuticas e de cosméticos. A “verdade científica” se apropria de uma prática comunitária milenar bebendo na fonte do senso comum.
Com a invasão de nossos territórios, somos obrigados até hoje a conviver com as violações que nos foram impostas pelos colonizadores: demarcação de território (impedindo-nos o direito de ir e vir); etnocídio; epistemicídio, ou seja: uma destruição de conhecimentos, idéias e culturas; genocídio (até hoje somos objetos de caça); estupro, miscigenação imposta.
Ainda hoje, somos 230 etnias, e mais de 180 línguas são faladas, em todo território brasileiro, e, no entanto, insistem em usar o tempo verbal do passado, quando falam sobre nós. Descaracterizam-nos, chamando-nos de “índios”, pejorativamente, como se não fôssemos humanos, mas simplesmente selvagens.
Possuímos religião, moral e ética. Em nossas organizações, não existem sistemas prisionais – cadeias – para punir os que praticam atos delituosos. Vivemos em comunidade, e não em sociedade: isso não significa que não existam conflitos, mas, cada povo tem sua forma de lidar com eles, sem coação.
Se hoje a maioria do nosso Povo não consegue viver dentro dos moldes da civilização ocidental foi devido a um choque de culturas. Mesmo assim continuamos resistindo para manter nossa culturas e tradições. A falta de respeito da cultura ocidental, ainda existente em relação a nós, Povos Autóctones, nos marginaliza.
Deixo aqui um apelo aos pedagogos, professores: Aproximem-se de nós, conheçam a realidade do indígena hoje, transmitam aos seus pupilos uma história mais próxima da verdade, nos colocando em contato, seja nas escolas, seja nas aldeias. Assim transformaremos o dia 19 de abril na esperança de um mundo melhor, onde todos possam estar próximos, respeitando as diferenças existentes! Yakuy Tupinambá e-mail: yakuy@indiosonline.org.br
Os pankararu em São Paulo
Os pankararu, originário da aldeia brejo dos padres, próximos às margens do rio São Francisco (sertão de Pernambuco), começaram a migrar para são Paulo a partir de 1950, fugindo da seca, da fome e do conflito com posseiro da terra. Alguns retornaram para suas terras falando da possibilidade de trabalho, principalmente na construção civil na maior metrópole da América do sul, criando, desde então, um fluxo entre os dois estados.
Na aldeia permanecem cerca de 6.000 índios que convive com a Dura realidade da ocupação de dois terço de sua terra original por 400 famílias de trabalhadores rurais (aproximadamente 3600 posseiros, alguns deles vivendo no local a cerca de 200 anos). Na grande são Paulo vivem 1.500 índios distribuídos pelas regiões periféricas da cidade: Capão redondo, jardim Elba, paraisopolis, Grajaú, jardim das palmas, jardim Sônia Maria, jardim Irene e nos município colados à cidade como Guarulhos, Osasco, Francisco Morato, Mauá, São Mateus, muitos morando em favela, principalmente no Real Parque e Paraisopolis (cercanias do Morumbi, bairro de classe media alta), as margens do rio pinheiro.
No real parque, em 2003, nasceu a ONG AÇÃO CULTURAL INDIGENA PANKARARU.Que vem lutando pela legitimação da identidade do grupo.
Além da rede de parentesco que se institui entre esses bairros, ela se realimenta continuamente através da idas e vindas de membros pankararu de São Paulo às suas aldeias de origem em Pernambuco. Porque escolheram essa cidade? Que sonhos faziam antes de conhecê-la? Que imaginário é produzido por ambos grupos sobre a fronteira geográfica e cultural que os separa? O que mudou ao longo desse 50 anos? Que projeto e utopias são construídos? Esses são alguns dos desafios do presente docomentário.
Os índios da região nordeste do Brasil, entre eles os Pankararu, foram os primeiros ao grande impacto da colonização européia a partir do século XXI. Desde então, lutam para preservar sua identidade, apesar da proximidade com as frentes ocidentais, representadas pelos posseiros (com os quais convivem desde o século XX) e com os núcleos urbanos a partir do século XX até os dias de hoje. Em qualquer um destes contextos enfrentam preconceito de serem índios mestiços, nordestinos pobres. A tenção e os conflitos outrora entre estado e estado e colônia foram substituídos ou sobrepostos aos conflitos com a população que formam a sociedade envolvente, seja no ambiente rural ou urbano. PAULA MORGADO
Os ÍNDIOS do estado de ALAGOAS
No Brasil do ano 2008, 1.000.000 (um milhão) de pessoas se declararam indígenas. O governo reconhece a existência de 240 etnias. Em Alagoas temos os: ACONÃ (Traipu), GERIPANCÓ (Pariconha), KALANKÓ ( Água Branca), KARAPOTÓ (São Sebastião), KARIRI-XOCÓ (Porto Real do Colégio), KARUAZÚ (Pariconha), KATOQUIM (Pariconha), KOIUPANKÁ (Inhapi), TINGUI-BOTÓ (Feira Grande), XUCURU-KARIRI (Palmeira dos Índios), WASSU COCAL (Joaquim Gomes), quer disser que no estado de Alagoas existem hoje 11 nações indígenas, somando mais de 20.000 índios.
A Aldeia Kariri-Xocó aparece nas margens do Rio São Francisco, apresentando com casas de alvenaria, de tijolos, energia elétrica, saneamento básico, água tratada, telefones público. Estar organizada no aspecto urbano em diversas ruas: Rua da Frente, do Portão, Rua do Posto, Conjunto Novo e Rua da Baia. Tem uma caixa d água com capacidade de 42.000 litros. Um serviço de abastecimento próprio, tem Posto de Saúde, embora desativado, Posto da FUNAI fora da área indígena na cidade. As ruas da aldeia são de terra batida, arborizadas, com pessoas conversando nas portas,meninos brincando sem preocupação alguma. Ao amanhecer os pescadores saem com seus remos, pegam as canoas para pescar no Rio São Francisco.
Mulheres ceramistas com seus potes de barro secando ao Sol, crianças caminhando para a escola da tribo. Passa pelas ruas da aldeia de vez em quando, cavalos, ovelhas dos criadores indígenas, carroças paradas nas portas. A tarde passam os jogadores dos times de futebol, para treinar no campo perto da escola, não falta platéia de torcedores até o por do Sol. Os programas de TV, colocam espectadores na sala, com desenhos animados, novelas, filmes e jogos. A Rádio FM Ilha de Propriá, deixam os indígenas sintonizados, com músicas sertanejas, românticas e notícias.
Essa é a descrição cotidiana tribal, neste período contemporâneo, com suas mudanças, a Rodovia AL 225 com seus automóveis de Porto Real do Colégio á São Bráz. Quando morre uma pessoa na cidade ou na aldeia, o carro com serviço de auto-falante, anuncia o falecimento, para toda a comunidade. Outras vezes aparece carros de propagandistas, anunciando seus produtos para venda, calçados, água sanitária, roupas e afins. Nhenety Kariri-Xocó.
Bom, hoje em dia, no Nordeste ninguém mais vive pelado. A ropa foi imposta e hoje é normal o uso dela por parte dos indígenas, mas isso não quita que os indígenas tenham suas vestes tradicionais, vestes de palha de Ouricuri, palha de Croa ou outras que eles conhecem como preparar para transformar, por exemplo, em saias.
Muitos indígenas pintam seus corpos, e para eles isso as vezes também se parece com vestir roupa; porque pintandose se protegem, pintandose se comunicam, se embelecem… pela pintura de cada um vem muita informação. Há pinturas diferentes para diferentes ocasiões.
Mas o que comem? Antigamente quando a Natureza estava preservada e os índios podiam circulam por grandes espaços de Terra, todo o alimento vinha da Natureza.
Porem, atualmente, após as barragens os peixes dos rios estão muito escassos; as caças nas matas já não existem, porque quase que nem as matas existem… O Rio São Francisco secando, as matas sendo derrubadas para cana de açúcar… Tudo isso faz com que os indígenas hoje vivam um pouco da agricultura, do plantio de feijão, milho, mandioca… mas vivam também de comprar feijão, arroz, carne no supermercado da cidade. Os índios ainda sabem caçar e ainda ate caçam alguma coisa, mas preferem preservar e buscar a recuperação da Natureza e todos seus seres vivos.
E as Ocas? As casas? Muitos índios vivem em casas de taipa, construídas em sistema de mutirão: através de muitos índios juntos que em um dia tapam com barro um esquema de barras, caibos e madeiras que fazem o esqueleto da casa. Hoje os indígenas já sabem fazer tijolos, telhas. Hoje muitos começam a fazer suas casas no mesmo padrão que o resto dos Alagoanos que vivem perto deles.
Mas…Se comem, vestem e vivem igual a seus vizinhos… Por que são índios? Os índios não são índios pelo que comem, pelo que vestem ou pela casa em que moram. Os índios são índios porque tem sua cultura. Porque tem uma tradição especifica que constroe a sua identidade.
Vamos entrelaçar dois fatores:
1) Biológico: Os índios tem no DNA de seu sangue informações “precolombinas” (antes de Colombo (antes de invadir América – No caso de Brasil: “precabralinas” (antes de Cabral invadir esta terra que depois passou a se chamar Brasil)) 2) Social: Os indígenas mantêm entre si relações sociais de identificação, por exemplo, seguir uma tradição comum, praticar um ritual, conhecer sua própria Historia, compartilhar conhecimentos e ciencias especificas: criando, como todos, suas próprias verdades. Verdades essas, que o sistema vem há 500 anos desqualificando, chamando essas verdades de mitos, de lendas!
Para você entender melhor, para aprender, te convidamos a vivenciar…. Encontra um indígena conversa com ele. Sebastián – Colaborador da Rede. e-mail: Sebastian.thydewas@gmail.com
ÍNDIOS
Vídeo enviado pela professora Jaqueline Godinho
ATIVIDADES
PINTURA DE ÍNDIO: usando a mão das próprias crianças, com guache.
Corte um quadrado no tnt do tamanho da criança; Corte a parte da cabeça um decote V, que dê para passar a cabeça da criança. Cole as laterais da roupa, deixando o buraco da manga. Faça as tiras e decore com eva.
Para a lança, faça um canudinho de jornal, penas de galinha tingida com anilina, caso não queira as penas da galinha, faça com papéis coloridos.
Para o cocar, da mesma forma, use o jornal para fazer o apoio da cabeça, penas coloridas, pedacinhos de eva.
Cada etnia indígena tem suas brincadeiras próprias. A seguir estão alguns exemplos:
1. No Parque do Xingu no Mato Grosso, os pequenos índios Mehinaku brincam de “onça” (a que chamam de Yanokama). Uma criança se esconde no capinzal, e seu papel é surpreender as demais crianças, pulando sobre elas como se fosse o bote de uma onça.
??? 2. Entre os índios Tenetehara, do Maranhão e Pará, há um jogo chamado “caça ao veado”. Um indiozinho faz o papel do veado e tem de fugir de outra criança que representa o caçador e de várias outras que representam os cachorros.
??? 3. Entre os índios Canela, do Maranhão, as crianças formam uma fila, começando pelos mais fortes e altos. Cada criança abraça forte a da frente, passando os dois braços por baixo do colega. Uma das crianças fica fora da fila e representa um Gavião. Ele vai falando com cada um da fila dizendo que tem fome e ataca sempre a última da fila. Enquanto o Gavião tenta apanhar esse último, o grupo – sempre abraçado – tenta cercar o Gavião.
??? 4. As crianças Kamayurá, do Parque do Xingu, também formam uma fila, todos sentados e abraçados ao colega da frente. O primeiro da fila se agarra firme a um toco. Um outro grupo tenta arrancar o último da fila e se utiliza de cócegas, arranhões e puxões bem firmes.
??? 5. Há brincadeiras que são representações do papel do adulto dentro da sociedade indígena. Entre os Mehinaku, as crianças fingem estar doentes e imitam procedimentos de cura dos pajés adultos. Há também a imitação do casamento, onde os meninos fingem que saem para caçar, trazem folhas representando a caça e as entregam às meninas, que fingem preparar o alimento. Esse jogo tem variações interessantes: às vezes as meninas fingem arrumar amantes enquanto o menino está fora caçando; quando este chega em casa, finge ter raiva da mulher enquanto o amante foge.
??? 6. Um brinquedo bastante comum entre etnias de todo o Brasil é a chamada “cama-de-gato”, onde as crianças entrelaçam um barbante nos dedos das mãos formando figuras.
Uma outra diferença importante entre a infância dos índios e não-índios é o grau de autonomia que gozam as crianças indígenas. São sempre criadas com muita liberdade e raramente repreendidas. Um bom exemplo dessa autonomia é mostrado em um filme chamado “Das Crianças Ikpeng para o Mundo”, feito por um adolescente Ikpeng dentro do projeto Vídeo nas Aldeias. Nesse filme, dois garotos de uns 10 anos, apresentam o cotidiano da aldeia e das crianças dessa etnia, índios que vivem no Parque do Xingu. Em uma cena as crianças organizam uma pescaria. Saem umas doze crianças, com idades variando de 5 a 10 anos – somente elas – remando por um rio gigantesco até uma ilhota no meio do rio. Pescam, mergulham, brincam, e voltam remando sozinhas até a aldeia. Em outra cena, um dos meninos pega um facão, quase de sua altura. Fica parecido com um samurai japonês. E então esculpe um aviãozinho num pedaço de madeira. São ações que fariam uma mamãe não-índia arrepiar os cabelos, mas que por outro lado fortalecem a autoconfiança do índio desde pequeno. Fonte: www.iande.art.br
A Brincadeira do Sapo Tuxáua Brincadeira dos índios Tukano – Alto Rio Negro, AM
????? O Tuxáua (chefe) Sapo reúne seus parentes numa fila em sua aldeia, para perguntar o que cada um quer comer. Os sapos só podem responder mosquitos (carapanã). Aqueles que falarem outros alimentos como frutas (cuki, uacu e umari) ganham veneno do Tuxáua Sapo e morrem. Só sobreviverão os que acertarem a verdadeira alimentação dos sapos: os insetos. Como prêmio, os vencedores farão parte do grupo do chefe.
Novamente estamos chegando em abril e como que de súbito, as escolas brasileiras redescobrem o indígena brasileiro como os portugueses há 500 anos atrás. E nessa redescoberta, vários mitos também são ressuscitados, seja nas reportagens “especializadas” na questão indígena, seja por boa parte dos nossos livros didáticos. Neste texto, apresentarei alguns destes mitos gerados nestes 500 anos de conquista e preconceito em relação a estes povos.
Descoberta
Em relação à essa palavra muito já foi dito, mas, nunca é demais lembrar que o que aconteceu nas praias do Brasil em 22 de abril de 1500, não foi uma descoberta, mas, sim, uma conquista violentíssima, com conseqüências funestas para os povos originários destas terras. Falar em descoberta ou conquista, não é apenas uma questão de semântica, mas de postura histórica, a idéia de descoberta absolve o conquistador de todas suas vilezas e violência contra os povos colonizados, que, segundo esta versão, foram descobertos, não domesticados e subjugados. É uma visão oportunista da história construída e veiculada pelas classes dominantes na tentativa de camuflar os crimes coloniais perpetrados pelos povos europeus.
Os povos indígenas não foram descobertos; foram conquistados, o que é obviamente é bem diferente. Falar em descoberta, não é apenas ingênuo, antes disso, beira o oportunismo histórico e político.
Índios
Inicialmente não existem “índios brasileiros”, mas, sim, centenas de povos indígenas divididos e caracterizados por culturas distintas. São grupos culturais diversos possuidores de língua, costumes e universos religiosos próprios. Daí, ser complicado falar a famigerada frase; “os índios do Brasil eram assim…”, além de ser falsa, possui o marca da intolerância. Nas palavras de Albert Memmi: “O indígena/colonizado jamais é caracterizado de maneira diferencial: só tem direito ao afogamento coletivo anônimo. (“Eles são isso…Eles são todos os mesmo)”.
Esta marca do plural, utilizada indistintamente para designar os diversos povos indígenas do Brasil, termina por desumanizar e descaracterizar toda riqueza cultural destes grupos, entendidos como “’índios” e não como povos. Não se fala em povo Xavante, Guarani ou Xerente, como modos próprios de ser, mas, apenas e simplesmente, índios. Por tudo isso, deve-se evitar o termo “índios” e trabalhar com a perspectiva de povos indígenas.
Povos do passado
É bastante comum nos livros didáticos existirem frases do tipo: “Antigamente os índios do Brasil viviam dessa forma…”, “nos tempos da descoberta , os indígenas moravam dessa forma…”, como se atualmente estes povos não mais morassem e não mais vivessem de forma alguma. Estes diversos livros e textos didáticos nos falam de um indígena que não existe mais, e cuja lembrança não passa de um sombra longínqua perdida no tempo das caravelas. Ignorando, desta maneira, as dezenas de povos que atualmente existem e reivindicam sua etnicidade junto a sociedade não-índia, como os Pankararu da favela Real de Parque da grande São Paulo. Os povos indígenas, antes de tudo, são povos do presente e devem ser tratados, estudados e pesquisados neste âmbito.
Aculturação
Desde de muito cedo, um determinado indígena nos é apresentado como sendo legítimo: ele fala Tupi, crê em Tupã, mora na oca, veste-se de penas e tem um filho chamado curumim (que de certa forma é personificado pelo personagem Papa-Capim de Maurício de Sousa), pois bem, este indígena não existe. Na verdade existem povos Tupi como os Guarani, os Tenharim e os Parintintin, mas nenhum deles encaixa-se nesta representação que vem do período colonial e passa pelo romantismo brasileiro do século XIX. Porém, informado deste estereótipo, rotulamos todo e qualquer indígena que não possua estas caraterísticas como aculturado. É muito comum, após incursões as comunidades Guarani próximas aos grandes centros urbanos, os visitantes (sejam alunos, professores ou mesmo curiosos) regressarem com a nítida sensação de que estiveram com um grupo indígena aculturado. Não percebem que estes grupos continuam falando a língua materna e possuem um modo originalíssimo de ver e perceber o mundo. Mas, afinal, não usam penas – usam roupas, e consomem produtos manufaturados em vez de viverem da caça e da pesca (que sequer existe mais em suas pequenas reservas).
Estes olhares não conseguem penetrar além da aparência física e perceber que ali existe uma cultura distinta em constante reelaboração, o que não quer dizer, uma cultura dominada e morta. É necessário entender estas culturas como sujeitas a acréscimos e reorganizações constantes. Aliás, como qualquer cultura.
O que fazer?
Como já disse o Guarani Luís Euzébio, da comunidade de Brakuí no Rio de Janeiro: “no dia do índio façam qualquer coisa, mas não fantasiem as crianças de índios e venham para a aldeia sem sequer avisar ou pedir autorização para as lideranças”. Provavelmente, a melhor coisa a fazer é, quando possível, refletir com os alunos sobre a atual situação destes povos, assim como elaborar projetos nos quais os alunos possam não só discutir sobre a temática indígena, como intervir. Em 1995 em Itanháem/SP, foi elaborado uma proposta para a Semana do Índio junto a escolas estudais e municipais que culminaram em centenas de cartas para o então presidente da República Itamar Franco, exigindo a demarcação das terras indígenas.
Discuta quais povos existem no estado, qual sua situação, suas terras são demarcadas? Ou seja, na Semana do Índio (que deveria ser Semana dos Povos Indígenas) importa mais discutir sobre o presente e o futuro destes povos, do que sobre seu passado, afinal, a única aliança que é possível constituir é com gente de carne e osso, real, como os povos indígenas que continuam existindo (e crescendo demograficamente!) em todo território brasileiro. E por último, nunca é demais lembrar a necessidade de trabalhar com a temática indígena durante o ano inteiro através de projetos relacionados a cidadania, e não apenas cinco dias de abril. Os povos indígenas agradecem.
Recomendações de Leitura:
Essa terra tinha dono – FDT Benedito Prezia e Eduardo H.
As veias abertas da América Latina – Paz e Terra Eduardo Galeano
Ymã, ano mil e quinhentos: relatos e memórias indígenas sobre a conquista – Mercado de Letras Paulo Humberto Porto Borges
Uirá sai em busca de Deus – Paz e Terra Darcy Ribeiro
Retrato do colonizador precedido pelo retrato do colonizado – Paz e Terra Albert Memmi
Aproxima-se o dia 19 de abril e muitos estudantes são levados a pesquisarem sobre nós, indígenas do Brasil, devido à falta de material didático, capaz de transmitir aos alunos da rede pública ou particular de ensino conhecimento sobre cultura indígena.
Em primeiro lugar, existe um equívoco no ensino brasileiro, expresso nos livros de História do Brasil. Lá se fala de um “Descobrimento do Brasil”, quando na verdade um território foi invadido, nações inteiras foram dizimadas, milhões de pessoas mortas, em um genocídio de proporções incomparáveis em todo planeta. Aguardamos uma revisão historiográfica, a fim de que seja transmitida a verdadeira história do Brasil. Não se constrói uma nação sobre mentiras, pois assim jamais um povo se sentirá sustentado em bases sólidas. Sem raízes, não há base sobre o que se sustentar.
Nesse período do ano, as escolas públicas costumam “fantasiar” os alunos de “índios”, talvez pela falta de criatividade e senso crítico. Com isso, são transmitidas idéias distorcidas e fora da realidade, gerando nesses futuros adultos uma visão equivocada, que promove a segregação.
Nós, Povos Autóctones, habitantes desse continente, não delimitamos ou demarcamos territórios. Cada Nação possui sua organização, umas possuem chefes, outras não. Cada Nação tem suas peculiaridades culturais, seus saberes, sua forma ímpar de lidar com a organização de sua comunidade.
Entre as comunidades indígenas existe algo em comum: a forma de se relacionar com a Natureza, e com tudo que nela existe, porque acreditamos que para haver vida, é preciso cuidar do meio ambiente em que vivemos. Enquanto hoje se discute uma forma racional de consumo, tentando-se a todo custo conscientizar a população da necessidade de preservar o meio ambiente, nós, Povos Autóctones, desde pequenos lidamos com o consumo consciente. Não somos gananciosos, nem usurários, não acumulamos riquezas, por acreditarmos que devemos viver cada dia como se fosse o último, partilhando o que produzimos, sendo um corpo coletivo. E tudo que aqui existe deve ser cuidado para as futuras gerações.
Nossos saberes são muitas vezes hostilizados pela sociedade, somos vistos como primitivos, porém o produto de nosso solo e nossos saberes são usados como matéria-prima pelas indústrias farmacêuticas e de cosméticos. A “verdade científica” se apropria de uma prática comunitária milenar bebendo na fonte do senso comum.
Com a invasão de nossos territórios, somos obrigados até hoje a conviver com as violações que nos foram impostas pelos colonizadores: demarcação de território (impedindo-nos o direito de ir e vir); etnocídio; epistemicídio, ou seja: uma destruição de conhecimentos, idéias e culturas; genocídio (até hoje somos objetos de caça); estupro, miscigenação imposta.
Ainda hoje, somos 230 etnias, e mais de 180 línguas são faladas, em todo território brasileiro, e, no entanto, insistem em usar o tempo verbal do passado, quando falam sobre nós. Descaracterizam-nos, chamando-nos de “índios”, pejorativamente, como se não fôssemos humanos, mas simplesmente selvagens.
Possuímos religião, moral e ética. Em nossas organizações, não existem sistemas prisionais – cadeias – para punir os que praticam atos delituosos. Vivemos em comunidade, e não em sociedade: isso não significa que não existam conflitos, mas, cada povo tem sua forma de lidar com eles, sem coação.
Se hoje a maioria do nosso Povo não consegue viver dentro dos moldes da civilização ocidental foi devido a um choque de culturas. Mesmo assim continuamos resistindo para manter nossa culturas e tradições. A falta de respeito da cultura ocidental, ainda existente em relação a nós, Povos Autóctones, nos marginaliza.
Deixo aqui um apelo aos pedagogos, professores: Aproximem-se de nós, conheçam a realidade do indígena hoje, transmitam aos seus pupilos uma história mais próxima da verdade, nos colocando em contato, seja nas escolas, seja nas aldeias. Assim transformaremos o dia 19 de abril na esperança de um mundo melhor, onde todos possam estar próximos, respeitando as diferenças existentes! Yakuy Tupinambá e-mail: yakuy@indiosonline.org.br
Os pankararu em São Paulo
Os pankararu, originário da aldeia brejo dos padres, próximos às margens do rio São Francisco (sertão de Pernambuco), começaram a migrar para são Paulo a partir de 1950, fugindo da seca, da fome e do conflito com posseiro da terra. Alguns retornaram para suas terras falando da possibilidade de trabalho, principalmente na construção civil na maior metrópole da América do sul, criando, desde então, um fluxo entre os dois estados.
Na aldeia permanecem cerca de 6.000 índios que convive com a Dura realidade da ocupação de dois terço de sua terra original por 400 famílias de trabalhadores rurais (aproximadamente 3600 posseiros, alguns deles vivendo no local a cerca de 200 anos). Na grande são Paulo vivem 1.500 índios distribuídos pelas regiões periféricas da cidade: Capão redondo, jardim Elba, paraisopolis, Grajaú, jardim das palmas, jardim Sônia Maria, jardim Irene e nos município colados à cidade como Guarulhos, Osasco, Francisco Morato, Mauá, São Mateus, muitos morando em favela, principalmente no Real Parque e Paraisopolis (cercanias do Morumbi, bairro de classe media alta), as margens do rio pinheiro.
No real parque, em 2003, nasceu a ONG AÇÃO CULTURAL INDIGENA PANKARARU.Que vem lutando pela legitimação da identidade do grupo.
Além da rede de parentesco que se institui entre esses bairros, ela se realimenta continuamente através da idas e vindas de membros pankararu de São Paulo às suas aldeias de origem em Pernambuco. Porque escolheram essa cidade? Que sonhos faziam antes de conhecê-la? Que imaginário é produzido por ambos grupos sobre a fronteira geográfica e cultural que os separa? O que mudou ao longo desse 50 anos? Que projeto e utopias são construídos? Esses são alguns dos desafios do presente docomentário.
Os índios da região nordeste do Brasil, entre eles os Pankararu, foram os primeiros ao grande impacto da colonização européia a partir do século XXI. Desde então, lutam para preservar sua identidade, apesar da proximidade com as frentes ocidentais, representadas pelos posseiros (com os quais convivem desde o século XX) e com os núcleos urbanos a partir do século XX até os dias de hoje. Em qualquer um destes contextos enfrentam preconceito de serem índios mestiços, nordestinos pobres. A tenção e os conflitos outrora entre estado e estado e colônia foram substituídos ou sobrepostos aos conflitos com a população que formam a sociedade envolvente, seja no ambiente rural ou urbano. PAULA MORGADO
Os ÍNDIOS do estado de ALAGOAS
No Brasil do ano 2008, 1.000.000 (um milhão) de pessoas se declararam indígenas. O governo reconhece a existência de 240 etnias. Em Alagoas temos os: ACONÃ (Traipu), GERIPANCÓ (Pariconha), KALANKÓ ( Água Branca), KARAPOTÓ (São Sebastião), KARIRI-XOCÓ (Porto Real do Colégio), KARUAZÚ (Pariconha), KATOQUIM (Pariconha), KOIUPANKÁ (Inhapi), TINGUI-BOTÓ (Feira Grande), XUCURU-KARIRI (Palmeira dos Índios), WASSU COCAL (Joaquim Gomes), quer disser que no estado de Alagoas existem hoje 11 nações indígenas, somando mais de 20.000 índios.
A Aldeia Kariri-Xocó aparece nas margens do Rio São Francisco, apresentando com casas de alvenaria, de tijolos, energia elétrica, saneamento básico, água tratada, telefones público. Estar organizada no aspecto urbano em diversas ruas: Rua da Frente, do Portão, Rua do Posto, Conjunto Novo e Rua da Baia. Tem uma caixa d água com capacidade de 42.000 litros. Um serviço de abastecimento próprio, tem Posto de Saúde, embora desativado, Posto da FUNAI fora da área indígena na cidade. As ruas da aldeia são de terra batida, arborizadas, com pessoas conversando nas portas,meninos brincando sem preocupação alguma. Ao amanhecer os pescadores saem com seus remos, pegam as canoas para pescar no Rio São Francisco.
Mulheres ceramistas com seus potes de barro secando ao Sol, crianças caminhando para a escola da tribo. Passa pelas ruas da aldeia de vez em quando, cavalos, ovelhas dos criadores indígenas, carroças paradas nas portas. A tarde passam os jogadores dos times de futebol, para treinar no campo perto da escola, não falta platéia de torcedores até o por do Sol. Os programas de TV, colocam espectadores na sala, com desenhos animados, novelas, filmes e jogos. A Rádio FM Ilha de Propriá, deixam os indígenas sintonizados, com músicas sertanejas, românticas e notícias.
Essa é a descrição cotidiana tribal, neste período contemporâneo, com suas mudanças, a Rodovia AL 225 com seus automóveis de Porto Real do Colégio á São Bráz. Quando morre uma pessoa na cidade ou na aldeia, o carro com serviço de auto-falante, anuncia o falecimento, para toda a comunidade. Outras vezes aparece carros de propagandistas, anunciando seus produtos para venda, calçados, água sanitária, roupas e afins. Nhenety Kariri-Xocó.
Bom, hoje em dia, no Nordeste ninguém mais vive pelado. A ropa foi imposta e hoje é normal o uso dela por parte dos indígenas, mas isso não quita que os indígenas tenham suas vestes tradicionais, vestes de palha de Ouricuri, palha de Croa ou outras que eles conhecem como preparar para transformar, por exemplo, em saias.
Muitos indígenas pintam seus corpos, e para eles isso as vezes também se parece com vestir roupa; porque pintandose se protegem, pintandose se comunicam, se embelecem… pela pintura de cada um vem muita informação. Há pinturas diferentes para diferentes ocasiões.
Mas o que comem? Antigamente quando a Natureza estava preservada e os índios podiam circulam por grandes espaços de Terra, todo o alimento vinha da Natureza.
Porem, atualmente, após as barragens os peixes dos rios estão muito escassos; as caças nas matas já não existem, porque quase que nem as matas existem… O Rio São Francisco secando, as matas sendo derrubadas para cana de açúcar… Tudo isso faz com que os indígenas hoje vivam um pouco da agricultura, do plantio de feijão, milho, mandioca… mas vivam também de comprar feijão, arroz, carne no supermercado da cidade. Os índios ainda sabem caçar e ainda ate caçam alguma coisa, mas preferem preservar e buscar a recuperação da Natureza e todos seus seres vivos.
E as Ocas? As casas? Muitos índios vivem em casas de taipa, construídas em sistema de mutirão: através de muitos índios juntos que em um dia tapam com barro um esquema de barras, caibos e madeiras que fazem o esqueleto da casa. Hoje os indígenas já sabem fazer tijolos, telhas. Hoje muitos começam a fazer suas casas no mesmo padrão que o resto dos Alagoanos que vivem perto deles.
Mas…Se comem, vestem e vivem igual a seus vizinhos… Por que são índios? Os índios não são índios pelo que comem, pelo que vestem ou pela casa em que moram. Os índios são índios porque tem sua cultura. Porque tem uma tradição especifica que constroe a sua identidade.
Vamos entrelaçar dois fatores:
1) Biológico: Os índios tem no DNA de seu sangue informações “precolombinas” (antes de Colombo (antes de invadir América – No caso de Brasil: “precabralinas” (antes de Cabral invadir esta terra que depois passou a se chamar Brasil)) 2) Social: Os indígenas mantêm entre si relações sociais de identificação, por exemplo, seguir uma tradição comum, praticar um ritual, conhecer sua própria Historia, compartilhar conhecimentos e ciencias especificas: criando, como todos, suas próprias verdades. Verdades essas, que o sistema vem há 500 anos desqualificando, chamando essas verdades de mitos, de lendas!
Para você entender melhor, para aprender, te convidamos a vivenciar…. Encontra um indígena conversa com ele. Sebastián – Colaborador da Rede. e-mail: Sebastian.thydewas@gmail.com
ÍNDIOS
Vídeo enviado pela professora Jaqueline Godinho
ATIVIDADES
PINTURA DE ÍNDIO: usando a mão das próprias crianças, com guache.
Corte um quadrado no tnt do tamanho da criança; Corte a parte da cabeça um decote V, que dê para passar a cabeça da criança. Cole as laterais da roupa, deixando o buraco da manga. Faça as tiras e decore com eva.
Para a lança, faça um canudinho de jornal, penas de galinha tingida com anilina, caso não queira as penas da galinha, faça com papéis coloridos.
Para o cocar, da mesma forma, use o jornal para fazer o apoio da cabeça, penas coloridas, pedacinhos de eva.
Cada etnia indígena tem suas brincadeiras próprias. A seguir estão alguns exemplos:
1. No Parque do Xingu no Mato Grosso, os pequenos índios Mehinaku brincam de “onça” (a que chamam de Yanokama). Uma criança se esconde no capinzal, e seu papel é surpreender as demais crianças, pulando sobre elas como se fosse o bote de uma onça.
??? 2. Entre os índios Tenetehara, do Maranhão e Pará, há um jogo chamado “caça ao veado”. Um indiozinho faz o papel do veado e tem de fugir de outra criança que representa o caçador e de várias outras que representam os cachorros.
??? 3. Entre os índios Canela, do Maranhão, as crianças formam uma fila, começando pelos mais fortes e altos. Cada criança abraça forte a da frente, passando os dois braços por baixo do colega. Uma das crianças fica fora da fila e representa um Gavião. Ele vai falando com cada um da fila dizendo que tem fome e ataca sempre a última da fila. Enquanto o Gavião tenta apanhar esse último, o grupo – sempre abraçado – tenta cercar o Gavião.
??? 4. As crianças Kamayurá, do Parque do Xingu, também formam uma fila, todos sentados e abraçados ao colega da frente. O primeiro da fila se agarra firme a um toco. Um outro grupo tenta arrancar o último da fila e se utiliza de cócegas, arranhões e puxões bem firmes.
??? 5. Há brincadeiras que são representações do papel do adulto dentro da sociedade indígena. Entre os Mehinaku, as crianças fingem estar doentes e imitam procedimentos de cura dos pajés adultos. Há também a imitação do casamento, onde os meninos fingem que saem para caçar, trazem folhas representando a caça e as entregam às meninas, que fingem preparar o alimento. Esse jogo tem variações interessantes: às vezes as meninas fingem arrumar amantes enquanto o menino está fora caçando; quando este chega em casa, finge ter raiva da mulher enquanto o amante foge.
??? 6. Um brinquedo bastante comum entre etnias de todo o Brasil é a chamada “cama-de-gato”, onde as crianças entrelaçam um barbante nos dedos das mãos formando figuras.
Uma outra diferença importante entre a infância dos índios e não-índios é o grau de autonomia que gozam as crianças indígenas. São sempre criadas com muita liberdade e raramente repreendidas. Um bom exemplo dessa autonomia é mostrado em um filme chamado “Das Crianças Ikpeng para o Mundo”, feito por um adolescente Ikpeng dentro do projeto Vídeo nas Aldeias. Nesse filme, dois garotos de uns 10 anos, apresentam o cotidiano da aldeia e das crianças dessa etnia, índios que vivem no Parque do Xingu. Em uma cena as crianças organizam uma pescaria. Saem umas doze crianças, com idades variando de 5 a 10 anos – somente elas – remando por um rio gigantesco até uma ilhota no meio do rio. Pescam, mergulham, brincam, e voltam remando sozinhas até a aldeia. Em outra cena, um dos meninos pega um facão, quase de sua altura. Fica parecido com um samurai japonês. E então esculpe um aviãozinho num pedaço de madeira. São ações que fariam uma mamãe não-índia arrepiar os cabelos, mas que por outro lado fortalecem a autoconfiança do índio desde pequeno. Fonte: www.iande.art.br
A Brincadeira do Sapo Tuxáua Brincadeira dos índios Tukano – Alto Rio Negro, AM
????? O Tuxáua (chefe) Sapo reúne seus parentes numa fila em sua aldeia, para perguntar o que cada um quer comer. Os sapos só podem responder mosquitos (carapanã). Aqueles que falarem outros alimentos como frutas (cuki, uacu e umari) ganham veneno do Tuxáua Sapo e morrem. Só sobreviverão os que acertarem a verdadeira alimentação dos sapos: os insetos. Como prêmio, os vencedores farão parte do grupo do chefe.