Blogagem coletiva no Dia do estudante #estudarvaleapena

Hoje, 11 de agosto, Dia do Estudante estou integrando a Blogagem Coletiva #estudarvaleapena mobilizada pela @samegui do blog A Vida como a Vida Quer que tem como foco principal a evasão escolar principalmente no nível Ensino Médio.

O Dia do Estudante ficou tendo o dia 11 de agosto em razão de D. Pedro I ter instituído no Brasil os dois primeiros cursos de Ciências Jurídicas (Direito) no Brasil sendo um em São Paulo – Faculdade de Direito do Largo São Francisco e outro em Recife quase um ano mais tarde.

Cem anos após a criação dos cursos de direito, Celso Gand Ley propôs que a data fosse escolhida para homenagear todos os estudantes. Foi assim que nasceu o Dia do Estudante, em 1927. [W]

Assim sendo, no dia 11 de agosto os estudantes de Direito passaram a comemorar o aniversário da Faculdade do Largo São Francisco.

Ocorre que estas comemorações deram origem também ao “Dia do Pindura” uma vez que os estudantes se dirigiam ao restaurante localizado perto da Faculdade e faziam a refeição de comemoração pela data. Ao final, o estudante mais desinibido e com o dom da oratória fazia um belo discurso elogiando os garçons, o cozinheiro e o dono do estabelecimento e firmava o compromisso de que tão logo se formasse voltaria para quitar a dívida do jantar, e que enquanto isso o dono do restaurante deveria “pendurar” a conta ficando no aguardo.

Hoje, esta prática já não mais é válida primeiro porque todo estudante se sente no “direito” de praticar o “Pindura” e o faz usando de má fé comendo os pratos mais caros, bebendo os vinhos mais especiais saindo do restaurante sem pagar pegando o dono de surpresa. É por esta razão que a maioria dos restaurantes prefere fechar as portas no dia de hoje do que ficar vulnerável a esta situação e acabar se aborrecendo, além do prejuízo financeiro, é claro.

Eu mesma nunca pratiquei o Pindura, mesmo tendo feito Direito. A essência já não era a mesma dos anos iniciais, então nunca me senti confortável em praticá-lo achando, inclusive, injusto.

Hoje, acredito ser muito mais válido abraçarmos causas mais justas, como a do “estudarvaleapena e comemorarmos o Dia do Estudante com ações que venham, cada vez mais, dar condições para que jovens, principalmente de 15 a 17 anos, estejam na escola cursando o Ensino Médio e se preparando para ingressar no mercado de trabalho.

Dados de 2009 apontam que dos 10,3 milhões de jovens nesta faixa etária somente 50,9% cursavam o Ensino Médio. Sem completar o Ensino Básico o jovem tem diminuída sua chance de conseguir um bom trabalho, se submetendo a serviços temporários e de baixa remuneração reforçando o ciclo de pobreza da população.

Ainda por conta da blogagem coletiva #estudarvaleapena voltarei a abordar este tema que muito me interessa e que muito tem para se fazer.

Se você se interessa por este assunto deixe aqui o seu comentário, divulgue a blogagem para seus contatos, coloque o selo no seu blog, enfim participe ativamente.

Falando do Ensino Médio

Não tenho como começar a falar sobre Ensino Médio e não me reportar à qualidade do ensino fundamental, pois um é conseqüência do outro. Temos um ensino fundamental deficitário o qual o aluno vai somando lacunas no decorrer dos anos e quando chega na conclusão do ensino fundamental se vê dentro de um enorme “buraco de dificuldades” que acaba se sentindo incapaz de continuar a estudar e ingressar no Ensino Médio.

Agora pergunto: Tornar obrigatório o cursar o Ensino Médio garantirá uma melhor educação do nosso povo?

As estatísticas apontam que 1,5 milhões de jovens na faixa de 15 a 17 anos estão fora da escola. Qual o motivo que leva um jovem a abandonar os estudos? Segundo os próprios jovens, além de um ensino deficitário no Fundamental é a ausência de sentido que o frequentar a escola faz na vida deles. Nada é acrescentado uma vez que a didática da escola não consegue caminhar em sintonia com os avanços vivenciados pela sociedade. A escola continua com o mesmo formato tanto físico (cadeiras enfileiradas, giz, lousa, etc.) quanto didático (o professor fala e o aluno escuta), caminhando à margem do que está acontecendo ao seu redor.

Há uma dicotomia no frequentar a escola, pois ela tem como objetivo preparar o aluno para viver e produzir em sociedade, e o aluno ao freqüentar a escola se sente como se estivesse num mundo à parte, pois a escola não acompanha a evolução, como o uso das novas tecnologias, permanecendo estagnada em suas estruturas arcaicas.

Nos dias de hoje tudo caminha muito rápido e com isso a escola fica cada vez mais distante da realidade vivida pelo jovem estudante. Ainda presa a currículos disciplinares previamente elaborados, embasados em definições e conceitos, a escola se mantém distante dos problemas socioambientais provocados pelo progresso desenfreado perdendo a oportunidade de “educar” conscientemente o aluno para uma vivência harmoniosa entre o homem e a natureza.

Também não prepara o aluno para a multiplicidade de profissões que surgiram ao longo destes últimos anos promovendo condições para que possa optar, dentre tantas, pela que o motivará a cursar uma universidade ou se especializar através de cursos profissionalizantes, construindo seu projeto de vida.

 

Na verdade as escolas com Ensino Médio preparam o aluno somente para que este passe no exame vestibular, de preferência nas primeiras colocações, e com isso possam se promover em cima do índice de aprovação alcançado. São praticamente três anos de “treino” para a “grande apresentação” que trará uma satisfação momentânea ao candidato e um retorno eficaz à escola. O objetivo maior que deveria ser o “preparar” fica num plano secundário.

Diante destes resultados desanimadores é preciso que a escola desista de vez de enxergar, desde a Pré-escola até o Ensino Médio, a classe como um todo e passe a ver cada aluno como único. O respeitar o tempo de cada um é fundamental para o sucesso do aprendizado. Também saber enxergar quais os interesses, as habilidades, a diversidade e a realidade da comunidade em que a escola está inserida, e se apropriar destes itens utilizando-os como fonte inesgotável de aprendizagem.

A escola tem que propiciar e ensinar o aluno a pensar, desenvolvendo habilidades cognitivas ao mesmo tempo em que desenvolve habilidades sociais estimulando a inteligência emocional que envolverá o controle dos sentimentos, a automotivação, a empatia. Enfim, deverá propiciar que o aluno se torne capaz de conviver e produzir em sociedade.

Adequando o Ensino Médio dentro da realidade tornando-o mais atraente, a obrigatoriedade se tornará um quesito “pequeno” uma vez que eles mesmos se sentirão motivados a cursar.

Para finalizar gostaria de citar a socióloga Helena Singer fundadora do Instituto Politeia Educação Democrática e diretora pedagógica da Cidade Escola Aprendiz  que diz:

“Considerando que o objetivo maior do ensino médio é possibilitar aos estudantes o desenvolvimento das competências necessárias para o mundo do trabalho e a construção de um projeto de vida, o educador tem como principal tarefa acompanhar um processo de emancipação que vem da autoconfiança, do prazer do aprendizado, da motivação e do engajamento no próprio processo de conhecimento e na superação de desafios. Este processo começa com o acolhimento e continua com a descoberta dos talentos que irão possibilitar a realização de projetos de vida. Afinal, o aprendizado é permanente, começando no nascimento, e talvez por isso mesmo não faça muito sentido falar em educação básica, ensino médio, fim de etapa…”