A difícil relação entre pais e filhos

Estamos todos chocados com a morte e esquartejamento do executivo da Yoki Marcos Kitano Matsunaga praticados por sua mulher. Nem quero abordar este assunto, pois a mídia já o faz com bastante empenho. Porém, quero provocar uma reflexão e destacar o compromisso e responsabilidade dos pais, que já não vivem harmoniosamente seu casamento, para com seus filhos.

Na maioria das vezes, a separação vem envolvida de muitos atritos, muita mágoa e porque não dizer muita raiva da parte contrária. São poucos os casais que terminam seu casamento de forma racional, uma vez que o emocional é o mais potencializado inibindo a razão de atuar.

Nestes casos é comum ver tanto a mulher quanto o homem usarem seus filhos para “atingir” a parte contrária, uma vez que o amor pelos filhos não se altera diante da decisão da separação. A vontade de uma das partes magoar a outra faz com que tentem minimizar o amor do filho por eles.

A mulher fala mal do pai para o filho e o instiga a entrar em choque tanto com o pai quanto com a namorada, caso exista.

O pai em contrapartida segura o dinheiro. Limita-se a comparecer com uma pensão muito abaixo do padrão que proporcionava para a sua família. Se a mulher arranja um namorado então, ai é que a “mão fecha” e não abre de forma alguma. O homem sempre acha que a mulher irá sustentar o namorado com o dinheiro dele. E com estes pensamentos, tanto um quanto o outro acabam colocando os filhos na linha de combate.
Este comportamento, do pai ou mãe que se separam e instigam a raiva no filho contra o parceiro(a) é comum e devastadora.

Estas ações acabam por desencadear uma desestruturação emocional na criança que se sente insegura diante da separação dos pais, muitas vezes sem entender a proporção das consequências que esta separação poderá acarretar. Os filhos normalmente são plateia do confronto dos pais e acabam sofrendo muito com esta situação.

A separação, quando não há mais condição de co-habitar o mesmo teto, faz parte da nossa realidade. Então nada melhor do que aprender a conviver da melhor maneira possível com o fato, caso venha acontecer. Também é fundamental que não se perca o respeito pelo parceiro. A separação interrompe a convivência cotidiana, porém não afasta a participação quando se tem filho.

Momentos importantes como aniversário, formatura, casamento, nascimento do neto são algumas, dentre tantas, situações em que pai e mãe estarão juntos ao lado do filho.

E se após a separação um dos cônjuges encontrar um parceiro(a) nada melhor do que tentar conviver civilizadamente, afinal todo mundo tem direito de procurar a felicidade e refazer a sua vida.

Dar estrutura para que o filho se sinta o menos abatido em meio a separação dos pais é obrigação moral.

E você, conhece alguma situação em que após a separação foi mantida a boa convivência? Compartilhe conosco.

Meu amigo imaginário

Quem tem filho pequeno sabe bem do que estou falando, pois crianças entre 3 e 5 anos têm seu apogeu nos diálogos com o amigo imaginário. Muitas dão até nome e conversam com tanta frequência, com tanta naturalidade e intensidade que acabam deixando seus pais preocupados.

Antigamente as pessoas atribuíam a este comportamento das crianças a capacidade de conversar com “espíritos” de outra dimensão e, por esta razão, muitas mães tentavam bloquear esta fase impedindo que estas conversas acontecessem. Outras ficavam bravas e até castigavam seus filhos com medo de que outras pessoas presenciassem e viessem a discriminá-las. Porém esta é uma fase muito saudável, muito rica e importante para a criança, pois é uma estratégia de organização de pensamento. Na verdade ela está “conversando” consigo mesma, porém como temos sempre que dar uma justificativa às ações, explicamos que ela conversa com um amigo imaginário.

Está certo que muitas crianças batizam este amigo imaginário dando mais veracidade, mas o que ocorre é que a criança está aprendendo a lidar com diferentes sentimentos como raiva, medo, alegria, insatisfação e é justamente através deste diálogo que ela consegue compreendê-los. É como se ela, através deste personagem, desse vida a um destes sentimentos e conseguisse compreendê-lo melhor.

Este comportamento também é muito importante para o desenvolvimento da criatividade no faz-de-conta onde ela pode ser a mãe imitando sua mãe, como pode ser a professora se ela estiver na escola como também pode ser a Barbie, a Poly ou quem mais ela quiser ser. Enquanto está representando estes personagens ela pode exercer ações como mandar, brigar, ensinar com total liberdade coisa que não acontece na vida real.

Nós, adultos, também nos pegamos falando sozinhos. Na verdade estamos refletindo em voz alta e já não usamos o “amigo imaginário” como justificativa. Quando refletimos somente em pensamento “voamos” algumas vezes para outros assuntos que nada tem a ver com o pensamento inicial. Já quando refletimos em voz alta estes pensamentos seguem uma linha de raciocínio que nos firma, como uma âncora, no foco não deixando que nos distanciemos com tanta facilidade.

Nas situações em que a criança com mais idade da indicada acima é repreendida pelos pais em razão de ter feito alguma “arte” e vai para seu quarto chorando, normalmente ela vai “reclamando” em voz alta. Esta é uma forma de reflexão sobre o episódio acontecido. Ela ao falar em voz alta esta refletindo sobre a ação dela e a “contra-ação” dos pais e é desta forma que ela consegue analisar e ter uma visão ampla interiorizando o ocorrido.

Então vocês podem me perguntar como devem agir diante desta situação. Eu respondo que normalmente, sem criticar e nem incentivar instigando para que seu filho convide o amigo imaginário para almoçar ou qualquer outro tipo de reforço.

Este é um momento do seu filho(a) e você deve respeitar sem interferir.

Os pais só devem se preocupar quando a criança valoriza demais a existência deste amigo deixando de lado os amigos reais ou quando justifica todas as suas ações como sendo realizadas pelo amigo imaginário.

Já ouvi relatos de mãe que quando manda o filho juntar os brinquedos ele coloca a culpa no amigo imaginário dizendo que só ele brincou e por isso não irá juntar. Os pais neste caso devem ser manter atentos para que o filho não se acostume a sempre se apoiar no “amigo imaginário” deixando de assumir responsabilidades. Isto começa a acontecer quando a criança tem 4 anos ou mais. A partir desta idade as crianças começam a ter maior compreensão das coisas e a tendência é o amigo imaginário ir desaparecendo.

Ter amigo imaginário faz parte da imaginação das crianças e não da dos pais, portanto não recrimine, mas também não incentive.

E você tem alguma experiência para compartilhar?

A importância de um amigo

“Amigo é coisa pra se guardar, do lado esquerdo do peito…” já dizia a música composta por Fernando Brant e Milton Nascimento e que serviu de tema de fundo para os funerais de Ayrton Senna caracterizando a importância da amizade.

O homem, sendo um ser social, desde o início da sua vida,sente a necessidade de ter um amigo. Aquele companheiro de todas as horas, uma pessoa em que se pode confiar, que lhe ajuda sem esperar nada em troca, que tem sempre uma palavra de conforto, que compreende sem grandes explicações, enfim, uma pessoa muito especial.

Amigos são parceiros que topam qualquer programa, mesmo que este seja para ficar em casa sem fazer nada valorizando somente a companhia. Amigo é aquela pessoa que se escolhe para se ter como um “irmão” sem a imposição do laço sanguíneo.

Estou tocando neste assunto porque temos que estar atentos e respeitar as escolhas dos nossos filhos. Desde que a criança entra na escola a família está propensa a ter a casa repleta de conhecidos e amigos dos filhos e temos que estar atentos para perceber quem é amigo de verdade e quem é somente colega ou conhecido. Os colegas e conhecidos normalmente têm passagem rápida, pois não se envolvem emocionalmente e priorizam a vantagem própria. Se acontece algo que não lhes agrada eles partem sem volta. Porém quando o filho(a) encontra um amigo de verdade este deve ser valorizado e tratado como se fosse da família.

Meus filhos, que como vocês sabem já são adultos, conservam cada um uma grande amizade que nasceu quando ainda eram bem pequenos. Hoje, embora não se encontrem com muita frequência por trilharem caminhos profissionais diferentes, se falam através das mídias sociais e estão presentes nos momentos importantes. Meu filho que se casou em maio do ano passado fortaleceu ainda mais a amizade de infância chamando seu grande amigo para ser seu padrinho de casamento. Minha filha mais velha é madrinha da filha da sua melhor amiga desde os tempos de colégio, e a minha caçula não deixa de passar a virada do ano em companhia da amiga que era nossa vizinha de porta no prédio que moramos assim que mudamos para Indaiatuba, quando elas tinham 5 anos.

Eu também gosto deles como se fossem “meio” meus filhos, pois os vi crescer acompanhando toda a trajetória até os dias atuais.

Assim como ter amigos influi diretamente na autoestima e no sentimento de parceria o não ter amigos pode provocar uma sensação de solidão e causar afastamento social.

O fato de os pais conservarem amizades de infância serve de exemplo para que os filhos também valorizem suas amizades. Eu conservo duas amigas de escola desde os tempos de primário (era assim que se chamava o Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série) e como moramos em cidades diferentes nos encontramos pelos menos uma vez por ano, normalmente na época de Natal e Ano Novo, onde colocamos os assuntos em dia.

Aproveite toda oportunidade para conhecer e nutrir sentimentos de bem-querer aos amigos dos seus filhos, assim como alertá-los sobre falsas amizades. A amizade é verdadeira quando existe parceria e troca.

E seu filho tem uma grande amizade? Conte para nós como é esta relação.

Cadê os pais que estavam aqui?

Cadê o toucinho que estava aqui? O gato comeu…

Lembram-se desta brincadeira? Talvez os mais novos nunca tenham ouvido falar. Isto porque hoje é bem mais difícil pai/mãe sentar com a criança no colo e brincar de “Hoje é domingo, pede cachimbo…” ou mesmo “Janela, janelinha, porta, campainha” apertando o nariz do filho e tantas outras brincadeiras simples, porém revestidas de muito carinho e interação.

Há quem diga que hoje este tipo de brincadeira não faz sucesso. Que as crianças só se interessam por videogame, TV por assinatura e computador.

Sentar no colo! Isso é coisa do passado.

Hoje os pais não têm tempo para estes momentos. Estão com o foco no trabalho para poder proporcionar bem estar para a família, outros em ser o gatão da academia e a gatíssima da porta da escola que acabam por não enxergar o filho que está ao redor.

A cobrança consumista, machista e da beleza a qualquer custo imposta pela sociedade acaba induzindo o pai a incentivar o filho pequeno a “desejar” as menininhas da rua, incentiva a mãe a induzir as filhas adolescentes a fazerem lipo, colocar botox, aumentar os lábios e os seios para ficarem sensuais.

Seria maravilhoso se o tempo que é destinado a essas atitudes fosse utilizado para compartilhar feitos e experiencias que promovessem maior interação entre a família.

Este comportamento gera uma educação que valoriza o TER deixando de lado a formação do SER. É preciso reverter este quadro. Há que se valorizar o ser pai e mãe. Esta responsabilidade não pode ser deixada de lado e muito menos esquecida através dos tempos.

Temos que ter pais atuantes, presentes, que participem da vida de seus filhos, que os escute falar, que os repreenda, que os oriente, que lhes dê carinho, que os eduque.

Chega de pais ausentes, que viram para o lado a fim de não ver o que o filho está fazendo para não precisar chamar a atenção.

Queremos pais presentes, atuantes, comprometidos, participativos, responsáveis.

Chega de pais “bonzinhos”!

Queremos bons pais.

As Férias estão chegando!

Há famílias que programam para que as férias do trabalho coincidam com as férias escolares e então realizam viagens para toda a família(16%). Há os que viajam ou mandam as crianças para a casa de parentes, normalmente avós (27%), e há uma minoria que não interrompe a rotina da criança deixando-as no curso de férias, normalmente, na própria escola (3%). Porém, a grande maioria deixa os filhos em casa (54%) para que possam curtir o espaço que também é deles e que no período de aula, pouco desfrutam.

É muito importante que a criança goste de ficar em casa e que valorize o espaço que também é dela. Ter um cantinho, normalmente o quarto, que seja só dela é fundamental para a construção da sua identidade. No seu espaço a criança terá oportunidade de arrumar seus brinquedos de acordo com a sua concepção de ordem, poderá brincar com os jogos que mais gosta, poderá até ficar sem fazer nada o tempo que quiser. Estes momentos de “liberdade” são fundamentais e é uma fonte incrível de dados para que os pais possam conhecer um pouco mais do seu filho.

Na correria do dia-a-dia onde cada um tem que cumprir seu horário, o entrar e sair de casa é tão rápido que praticamente ninguém observa ninguém.

Perceber como o filho cuida dos brinquedos, se divide os brinquedos com amigos, qual o brinquedo que mais lhe chama a atenção, se consegue brincar sozinho, qual o seu tempo de concentração e outras informações servirão de respaldo para compreender melhor as avaliações que o professor faz durante as reuniões escolares.

A observação é um ato importantíssimo e deve ser exercida sem interrupção da ação observada para que se tenha conhecimento inclusive do desfecho. Mesmo que você presencie uma atitude inaceitável, não interfira de imediato. Observe se a criança chega à conclusão de que sua atitude não é das melhores, e somente então chame-a para a análise e reflexão.

Nós pais, temos a responsabilidade de formar cidadãos e um dos quesitos principais para esta formação é a orientação. É levar a criança a pensar sobre suas atitudes. Fazer com que ela mesma enxergue onde não acertou.

Quando os pais têm esta preocupação em também analisar o filho, o trabalho de parceria entre pais e escola é muito mais intenso e quem sai ganhando é a criança.

Aproveitem as férias para conhecer um pouco mais o seu filho e ajudá-lo na construção da sua identidade.

Exibindo o filho como troféu

As crianças antigamente entravam para a escola quando completavam sete anos. Somente então tomavam contato com a alfabetização e outros processos de aprendizagem. Hoje, em razão da mulher também trabalhar fora para contribuir no orçamento familiar, as crianças vão para a escola assim que acaba a licença maternidade.

Até aqui posso afirmar que não há nada de preocupante.

Ocorre que, desde o final do século passado, alguns pais iniciaram cobranças no processo de alfabetização antes dos seis anos. Eles ficam maravilhados e seu ego quase que explode quando exibem seus filhos, menores de quatro anos, que já sabem escrever o próprio nome e o nome de todos os familiares, bem como sabem contar e identificar os numerais até 15, sabem o nome das figuras geométricas e dos sólidos geométricos e muitos outros conteúdos que incorporam a “apresentação”.

Os pais, embora em sua maioria não tenham conhecimento pedagógico, exigem resultados palpáveis, ou seja, querem ver seus filhos escrevendo, contando até15, 20… e se envaidecem como se seus filhos fossem “objetos” de apreciação.

Muito mais importante do que escrever o nome e contar com apenas 2 ou 3 anos é a preparação físico-motor-intelectual que se faz com a criança.

Antigamente as crianças brincavam na rua e desenvolviam habilidades que auxiliavam no processo de alfabetização. Ao brincar de amarelinha, por exemplo, a criança desenvolvia a noção espacial e lateralidade, o ritmo e a coordenação, quesitos fundamentais utilizados pela criança quando inicia o uso do caderno. Se a criança tem uma noção espacial bem desenvolvida ela saberá se situar no caderno, que apresenta um espaço bem limitado. Se ao brincar ela desenvolveu sua lateralidade, ela saberá se posicionar escrevendo da esquerda para a direita. Se seu ritmo foi bem estimulado através das brincadeiras, ela terá uma boa movimentação em sua coordenação motora quando iniciar a grafia das primeiras letras obtendo um movimento contínuo e não seccionado como é o caso das crianças que “desenham” letras em sequencia previamente memorizadas.

A essência de uma boa alfabetização está justamente neste preparo prévio da criança.

Na Educação Infantil são proporcionadas brincadeiras com objetivos pedagógicos onde a criança desenvolve estas habilidades de forma lúdica.

Precisamos mudar o conceito de menosprezo quando se referem que a criança vai para a “escolinha” só para brincar. Ela vai mesmo para a escola para brincar. Esta brincadeira é muito séria e comprometida com o desenvolvimento da criança. Será através desta brincadeira que ela será preparada para a alfabetização.

Apressar este processo pulando fases pode promover aos pais momentos de exibicionismo, porém para a criança acabará acarretando sequelas, muitas vezes, difíceis de serem superadas.

Posso parecer intransigente, mas é que acompanho, no meu dia-a-dia na escola, situações semelhantes onde pais estão mais preocupados com a apresentação que farão dos filhos nos finais de semana do que com o desenvolvimento propriamente dito.

Educação é assunto sério e a criança também!