Quem vai dançá no arraiá?

Chapeu cybele meyer

Estamos em junho, mês das Festas Juninas. Há muita gente que gosta e espera ansiosa para poder usufruir das comidas típicas, das quadrilhas, do quentinho ao lado da fogueira e de se vestir a caráter, como “caipira”.

Também há aquelas que não gostam e que não fazem a menor questão de participar de nenhuma quermesse.

Eu respeito a opinião tanto de uma quanto de outra, porém como educadora acho importante manter viva esta, assim como tantas outras manifestações folclóricas que integram a história do nosso país. Estas festas fazem parte das nossas raízes e mesmo com toda a globalização elas não estão se perdendo graças ao empenho, principalmente, das escolas.

Estas festas foram trazidas para o Brasil pelos jesuítas portugueses uma vez que era costume em toda a Europa os festejos do solstício de verão e festejos de São João que foram incluídos a esta manifestação pelo Vaticano no ano VI.

Quando os Jesuítas iniciaram os festejo de São João no dia 23 de junho aqui no Brasil acendiam fogueiras e tochas provocando sensação entre os índios. Esta data era um dos rituais mais importantes da Europa e por esta razão, mesmo aqui sendo inverno, eles comemoravam por fidelidade aos seus costumes. Portugal, em razão de Santo Antonio ser português e ter nascido em 13 de junho, incluiu o santo nas festividades. Mais tarde a tradição cristã incluiu São Pedro em razão de sua morte ter sido em 29 de junho homenageando os três santos.

Na época colonial esse período era de muita fartura o qual as plantações de milho, amendoim, batata-doce, inhame, mandioca, banana estavam repletas favorecendo os encontros e as festas de onde saiam muitos acertos de casamento. As festas eram em agradecimento à fartura e ao fortalecimento dos laços de amizades e parentescos.

Até o início do século XX a população brasileira vivia no meio rural sendo natural os filhos se casarem e continuarem a viver nas fazendas. Com isso as famílias nutriam a relação de compadre e comadre inclusive como maneira de aproximar e fortalecer relações. Muitas vezes estes combinados eram realizados na beira da fogueira.

Com o passar do tempo, como nosso país prima pela diversidade em razão das misturas raciais, cada região passou a comemorar de acordo com as suas características tendo seu tipo de dança, sua vestimenta e suas comidas.

Aqui no sudeste nós conservamos a camisa xadrez, a calça remendada, o lenço no pescoço e o chapéu de palha para os homens e as mulheres com seus vestidos floridos, com uma calçola por baixo por causa do frio, um laço bonito amarrado na cintura, o cabelo bem arrumado com duas tranças muito bem trançadas e uma linda maquiagem que teriam as bochechas avermelhadas por causa do calor da fogueira.

Todo o resto que integra as festividades foram influências e contribuições trazidas no decorrer dos anos.

Como vocês sabem, moro no interior e as festividades são bem animadas. As grandes escolas, as paróquias e algumas ruas capricham nas comemorações. Há correio-elegante, barraca do beijo, maçã-do-amor, cadeia, muita música, muita comida, muita alegria.

As escolas aproveitam esta festividade para trabalhar o folclore com as crianças e aproximar a família do ambiente escolar uma vez que os pais participam desde a decoração da escola, a montagem das barracas que normalmente são de entidades filantrópicas da cidade bem como da comemoração em si. Enfim, o mês de junho e julho, mesmo sendo muito frio, as pessoas se animam e saem de casa para curtir as quermesses.

E ocê vem cum nóis participa da festança?

Então conte pra nóis suas experiências juninas.

* Esse texto foi publicado originalmente no site Itu.com