O ECA e a Redução da Maioridade Penal

Valor de Ser Professor

Em comemoração aos 25 anos do ECA é aprovada a Redução da Maioridade Penal

Podemos analisar isso como fracasso?

Se sim, fracasso de quem?

Analisemos:

O artigo 227 da Constituição Federal de 1988 foi tomado como base para a criação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) o qual diz ser dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito

– à vida,

– à saúde,

– à alimentação,

– à educação,

– ao lazer,

– à profissionalização,

– à cultura,

– à dignidade,

– ao respeito,

– à liberdade e

– à convivência familiar e comunitária,

além de colocá-los a salvo de toda forma de

– negligência,

– discriminação,

– exploração,

– violência,

– crueldade e

– opressão”.

Obs.: A disposição de cada item acima foi feita por mim.

Qual ou quais desses itens listados acima fazem parte do cotidiano de toda criança e adolescente do nosso país? Em 1990 esses itens não integravam a vida de todas as crianças e adolescentes, caso contrário não teriam sido apontados como metas a serem cumpridas pelas famílias, sociedade e Estado.

O que foi feito nesses 25 anos para melhorar a condição de vida de nossas crianças e adolescentes?

Somos mais de 190 milhões de habitantes.

Temos 60 milhões de pessoas com menos de 18 anos os quais 29% pertencem a famílias que vivem na pobreza. As crianças pobres têm mais do que o dobro de chance de morrer em comparação às ricas, e as negras 50% a mais, em relação às brancas.

64% das crianças pobres não vão à escola durante a primeira infância.

60 mil crianças com menos de 1 ano são desnutridas.

Embora o Brasil tenha conseguido colocar na escola 98% das crianças de 7 a 14 anos, ainda têm 535 mil crianças com essa idade fora da escola, sendo que desse número 330 são negras.

O Brasil tem 21 milhões de adolescentes entre 12 e 17 anos. De cada 100 que cursam o fundamental, apenas 59 concluem, e apenas 40 chegam a concluir o Ensino Médio.

Nascem por ano cerca de 300 mil crianças filhos(as) de mães adolescentes.

Todos os dias são registrados cerca de 129 casos de violência psicológica, física e sexual contra crianças e adolescentes, além dos casos provocados por negligência. Isso significa que 5 casos são registrados por hora, sem computar os que não são denunciados. (Fonte: Unicef)

No ano de 2014 foram registrados através do Disk 100, 91.342 denúncias sobre violação dos direitos da criança e do adolescente (Fonte).

No caso dos meninos e meninas que vão para a Fundação Casa, as medidas socioeducativas não existem, muito pelo contrário, leia esses depoimentos:

“Os meninos chegam à unidade com bagagem muito grande de sofrimento, problemas na família, baixa autoestima, depressão por ver amigos assassinados. Precisariam de um tratamento psicológico eficiente. Em vez disso, sofrem violência física e emocional dentro das unidades com instrutores que não são capacitados” (Fonte – 13/07/2015);

“Entre os especialistas que atuam junto a crianças e adolescentes, ter um sistema de medidas adequado é o maior desafio do ECA. Na realidade, o que se constata é a superlotação dos centros educacionais, além de denúncias de tortura e maus tratos, efetivo de profissionais reduzido, altos índices de reincidência dos atos infracionais e o excesso do número de internações.” (Fonte – 13/07/2015).

A ex-ministra dos Direitos Humanos Ideli Salvatti explica que quando são aplicados os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no sistema socioeducativo a reincidência dos menores cometerem crimes tende a zero. “Se reintegramos de forma efetiva não teremos um aperfeiçoamento da criminalidade”, disse. Para ela, a sociedade e o governo também são responsáveis pelo adolescente e não só a família. (Fonte)

São 25 anos de ECA e a realidade ainda é a falta de comida, de estudos e de teto para um número imenso de crianças e adolescentes.

E então vem a redução da maioridade penal juramentar o fracasso do ECA.

Respondendo a pergunta inicial: Fracasso de quem?

Na verdade o fracasso é de todos nós.

Este artigo foi publicado originalmente no http://www.itu.com.br/colunistas/artigo.asp?cod_conteudo=51839

Fundação Gol de Letra – Inscrições abertas

Gol de letra

Fundação Gol de Letra capacita jovens do Caju para o mercado de trabalho

Instituição abre inscrições para nova turma em programa de formação profissional para moradores do bairro e entorno

A Fundação Gol de Letra, organização não governamental instituída pelos jogadores Raí e Leonardo, está com matrículas abertas para o Gol de Trabalho, programa de formação educacional e profissional de jovens. O programa já está em sua décima turma e formou até agora aproximadamente 600 moradores do Caju e arredores.

Para o segundo semestre serão disponibilizadas 60 vagas, sendo que 30 para o período da manhã e as outras 30 para o período da tarde. Após a matrícula, os candidatos são chamados para fazer uma prova de seleção contendo as seguintes disciplinas: português, matemática, informática e conhecimentos gerais. Os selecionados são chamados para fazer uma entrevista social e a matrícula.

Durante o programa, os participantes terão aulas de inglês, informática, matemática, português, rotinas administrativas e formação pessoal, que aborda temas como apresentação pessoal, diversidades (culturais, religiosas, etc.) e ética pessoal. Após o término do projeto, os alunos são encaminhados para processos seletivos em empresas parceiras. “Este é um projeto que nos enche de orgulho. Temos casos reais de transformação, de alunos que passaram pelo Gol de Trabalho e hoje estão empregados ou abrindo seu próprio negócio”, comemora Beatriz Pantaleão, diretora executiva da Fundação Gol de Letra.

Os interessados devem fazer a matrícula na sede da Fundação Gol de Letra (Rua Carlos Seidl, nº 1141 – Caju). É necessário levar RG, comprovante de residência e certificado de conclusão do ensino médio. Mais informações podem ser obtidas através do telefone (21) 3895-9001.

Sobre a Fundação Gol de Letra

A Fundação Gol de Letra é uma organização não governamental que promove o desenvolvimento integral de crianças e jovens de comunidades populares, por meio de atividades esportivas, educativas, fortalecimento familiar e desenvolvimento comunitário. Criada em 1998, pelos ex-jogadores de futebol Raí e Leonardo, atende cerca de 2.100 crianças, adolescentes e jovens de 6 a 30 anos, nas comunidades do Caju e Barreira do Vasco (Rio de Janeiro – RJ), e Vila Albertina (São Paulo – SP).

Reconhecida em 2001 pela UNESCO como instituição modelo, desde 2009 a Gol de Letra também atua por meio da sistematização e disseminação de suas práticas socioeducativas para outras comunidades, em parceria com empresas e organizações locais.

www.goldeletra.org.br

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Educação: Mitos X Fatos debate sobre vários tópicos na sua 3ª Edição

Convite Cybele Meyer

Aconteceu nessa terça-feira, dia 23 de junho, a 3ª edição do seminário Educação: Mitos X Fatos o qual reuniu nomes como André Gravatá, Anna Penido, Sintian Schmitd e Fernando Gabeira com a mediação de Maria Beltrão para debater sobre os seguintes temas: “O jovem não se interessa pela escola”; “A família perdeu o controle, o jovem só estuda se quiser” e “As novas tecnologias atrapalham os estudos”.

O grande diferencial desse seminário é que ele dá voz às pessoas. Foram ouvidas mais de 150 pessoas de diferentes cidades dos estados de São Paulo (SP), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA) e os depoimentos foram compartilhados com todos os presentes através dos telões.

Cybele Meyer 1

Sobre a primeira questão os jovens entrevistados afirmaram que se interessam sim pela escola e que esperam que ela adote um formato mais dinâmico para que eles possam participar mais ativamente interagindo, colaborando, enfim trabalhando junto com o professor, em parceria, focando em um crescimento mútuo.

Sobre a questão da família muitos opinaram sobre o fato de ela estar perdida e não saber ao certo qual seu papel diante da educação do seu filho. Foi debatido entre os convidados que a parceria família e escola é fundamental para o desenvolvimento integral do aluno, porém é preciso que escola e família se disponibilizem para que essa parceria se torne real e ativa dando, dessa forma, amparo ao aluno e motivando-o a estudar.

Em relação ao fato de as novas tecnologias estarem ativas também na escola foi muito bem abordado, principalmente quando os debatedores afirmaram que ela deve ser somente mais um recurso, que não deve ser destacada e sim usada normalmente, como se usa o lápis e o caderno e como deve também auxiliar o professor em suas atividades.

Um tópico que foi muito bem abordado foi em relação à valorização do professor, e esse tema me interessa e muito uma vez que tenho tratado aqui no blog  através dos posts, também em vídeos e também no Facebook usando a #ValordeSerProfessor sobre a mudança de conceito em relação à valorização da profissão do professor

Cybele Meyer 2Minha amiga, agora não mais virtual pois a conheci pessoalmente no seminário, Sintian Schmitd se manifestou sobre a necessidade de “revolucionar a percepção da valorização do professor”. Nós fazemos parte de um grupo de discussão sobre Educação chamado blogs_educativos há mais de 7 anos e agora tivemos a oportunidade de nos conhecermos pessoalmente, pois eu sou de SP e ela do RS.

O debate foi maravilhoso, assim como as outras duas edições que eu também estive presente, e será transmitido amanhã, sábado, dia 27 de junho às 21 horas na GloboNews. Vale muito a pena acompanhar.

Se você quiser saber mais sobre as escolas que foram visitadas e sobre os jovens que estiveram engajados acesse essa matéria publicada ontem pela GloboEducação: “Globo realiza 3ª edição de seminário sobre mitos da educação brasileira”.

Momento da Educação – Dica preciosa para o professor – #ValordeSerProfessor

Olá professor, hoje a minha dica é para você!

Sim, para você que está sempre envolvido em inúmeras atividades, projetos, providenciando o material que vai utilizar para desenvolver sua aula.

Você professor, que se empenha em falar diferentes linguagens porque a diversidade ocupa a sua sala de aula, afinal você tem de 35 a 40 alunos com realidades diferentes, com bagagens culturais diferentes, histórias de vida diferentes e tem que se comunicar com todos eles para que todos consigam entender qual a proposta da atividade.

Diante de tudo isso e muito mais, o tempo é curto, mesmo porque você tem também que desenvolver outras atividades que lhes são atribuídas, como fazer relatórios sobre o aproveitamento dos alunos, corrigir provas, entregar o diário de classe, enfim, essas são algumas de tantas outras que você exerce fora da sala de aula.

Assim sendo, não lhe sobra tempo para compartilhar e divulgar o resultado do seu trabalho.

Há professores que desenvolvem atividades excelentes, com resultados incríveis, mas estão tão envolvidos com o processo, preocupados em saber se a aprendizagem está acontecendo, se todos estão participando que nem se lembram de registrar o passo-a-passo para divulgar.

Existem inúmeros Projetos maravilhosos, mas que não são divulgados, e com isso fica uma sensação de que o professor não produz nada de valor. Fica a impressão de que ele é apenas um repetidor de conteúdo, sem qualquer interferência na aprendizagem do aluno.

E isso não é verdade.

Afinal, quem está sentado na carteira da Universidade é o aluno da Educação Básica. Quem está ocupando a cadeira da diretoria de alguma grande empresa é o aluno da Graduação.

É por essa razão que aqui vai a minha dica:

– Professor, registre as suas atividades, projetos e divulgue.

Pode até ser que você pense: “Mais uma incumbência?”

Então te respondo: Sim, mas pelo menos essa incumbência trará algum retorno para você. Porque todas as outras que você desempenha o retorno é para o outro.

Pense nisso!

Valor de Ser professor!

Encontro com a autora #MomentodaEducacao

No dia 13 de setembro de 2013, a convite da Emeb Maria José Ambiel Marachini em Indaiatuba, fui conversar com os alunos do 3º ano sobre o livro Menina Flor, tema do Projeto elaborado pelas professoras Lúcia Meyer Corrêa e Marli Menucelli

Os alunos estavam eufóricos enquanto acabavam de dar os últimos ajustes na sala onde se daria o encontro.

O capricho e o carinho eram visíveis.

Chegaram todos e se acomodaram na Biblioteca.

Falei sobre a importância do escrever e convidei a todos para uma viagem através da leitura.

Compartilhei com os alunos qual foi o episódio que me motivou a escrever o livro Menina Flor.

Ao final dei dicas sobre os pontos que devem ser considerados no momento de escrever um livro, uma Redação ou mesmo um simples bilhete.

A interação foi uma constante!

Ao final os alunos me entregaram desenhos e bilhetes que fizeram sobre o livro Menina Flor.

O meu agradecimento especial para as professoras Lúcia Meyer Corrêa e Marli Menucelli, à Diretora Andrea Lopes e à Coordenadora Rosânia Peres.

Foi uma manhã muito especial!

Momento da Educação – Como escolher a melhor escola

Você está confusa sobre como escolher a melhor escola para seu filho ou filha?

Assista ao vídeo e saiba o que deve ser priorizado no momento da visita às escolas.

Como escolher a melhor escola

Este ano seu filho irá para a escola e a insegurança em relação a esta nova experiência vai fazer com que você, dentre tantas opções, não saiba como escolher a melhor.

Em primeiro lugar você não precisa ter pressa. Você deve visitar várias escolas. Você deve também verificar se os princípios e valores vivenciados pela escola são semelhantes aos adotados por sua família para que não haja choque de conceitos. É importante também você verificar se a personalidade do seu filho é compatível com a proposta da escola. Se uma criança calma é colocada em uma escola extremamente dinâmica, isso pode vir a interferir negativamente fazendo com que a criança não se sinta confortável, e o inverso também é verdadeiro.

Comece perguntando sobre como são trabalhados os direitos e deveres na escola? Pergunte quais são as regras de convivência? Verifique se há equilíbrio nestas regras? Se há limites?  Pergunte se há uma rotina a ser seguida? E muito importante perguntar como a escola age diante de um mau comportamento do aluno? Verifique se ela coloca-o em situação vexatória ou conversa com ele e o leva à reflexão? Estas respostas ajudarão na formação de opinião sobre ser esta escola a melhor opção para o seu filho ou não! Também é importante saber se a instituição valoriza a parceria família-escola-aluno.  A família tem que atuar ativamente neste processo uma vez que a sua participação é fundamental no desenvolvimento do aluno principalmente na Educação Infantil e nas séries iniciais.

Falando da parceria família-escola é importante ressaltarmos a comunidade. Quando a criança entra na escola a família passa a conviver obrigatoriamente com a comunidade onde a escola está inserida, pois haverá contato com os pais dos coleguinhas, com os colegas dos filhos, eventos realizados dentro ou fora da escola, saídas pedagógicas, aniversários, enfim… Este contato interferirá diretamente no comportamento do filho, pois a gente sabe que existe a diversidade. O filho vai se identificar com algum coleguinha e este coleguinha poderá se tornar amigo do filho e esta amizade poderá acompanha-lo durante toda a vida, o que é muito saudável.

É pertinente também perguntar se a integração na escola é feita como um todo, ou seja, se a gestão trabalha em sintonia com o corpo docente, corpo discente e pessoal do apoio, enfim, com todos que trabalham na escola. É fundamental que na escola todos trabalhem de forma integrada. A partir do momento que os pais passarem a questionar sobre esta prática a chance das escolas priorizarem este procedimento será muito maior.

Para os pais de “primeira viagem”, ou seja, aqueles que estão colocando seu filho ou filha pela primeira vez na escola, eu sugiro que elaborem um Checklist com os tópicos mais relevantes para que não deixem de fora nenhum quesito importante. Você irá encontrar uma série de sugestões para os diferentes níveis escolares em vários sites e blogs da web.

Neste momento gostaria de me deter em outro ponto de igual relevância e que independe da linha pedagógica seguida pela escola escolhida pelos pais.

Trata-se de entrar em contato com o professor e saber dele como ele enxerga a sala de aula e seus alunos. Questionar se ele enxerga cada aluno como sendo único ou ele sempre tem um olhar para a sala de aula como um todo? Ele conhece seus alunos? Ele percebe que cada aluno é um ser “total” e possuidor de uma pluralidade de inteligências?

O professor está com seus canais abertos para entender a linguagem que o aluno fala e falar a linguagem que o aluno entende?

Suas aulas são mescladas pelas comunicações orais, auditivas e cinestésicas? Você sabia de que há estatísticas de que quando simplesmente vemos e ouvimos, sem qualquer interação temos 30% de assimilação e quando vemos, ouvimos e interagimos esta assimilação sobe para 70%. Este resultado confirma o princípio didático de que “Se escuto, esqueço. Se vejo, lembro. Se faço, aprendo”. É claro que não temos os três canais desenvolvidos na mesma intensidade, mas com certeza usamos os três para reter informações e, consequentemente evoluirmos cognitivamente.

Porém, não basta que o professor desenvolva sua aula utilizando várias linguagens se ele não souber a quem atingir. Para isso ele tem que ter um olhar atento para poder identificar na sala de aula quais são os alunos visuais, quais os auditivos e quais os cinestésicos e só então passar a utilizar a linguagem ideal para cada aluno. Este olhar atento abrirá caminho para que o professor possa cada vez mais identificar e desenvolver as inteligências múltiplas.

O professor estabelecendo uma comunicação efetiva com seu aluno a aprendizagem será uma consequência, e com isso haverá um aumento da autoestima e da autoconfiança do aluno fazendo com que ele se desenvolva de forma natural mostrando que há diferentes caminhos para se aprender. Com isso estará levando o aluno a pensar, estará instigando este aluno a descobrir novas formas e novos caminhos, estará proporcionando que este aluno faça escolhas e que reconheça suas inteligências.

O professor abrindo este canal de comunicação com seus alunos estará dando um grande passo no sentido de mudar o autoconceito do aluno quanto este for negativo, tipo “eu não vou acertar, com certeza eu vou errar, eu não vou aprender”, fazendo com que o aluno acredite no seu potencial e reformule o conceito que ele tem de si mesmo. Por isto é tão importante que o professor conheça cada um dos seus alunos bem como os pais dos alunos que agirão da mesma forma em casa trabalhando em parceria.

Livros da autora:

Inteligências na Prática Educativa – Editora IBPEX

Menina Flor – Litteris Editora

O Diário de Juliana – e-Book – Amazon