Datas Comemorativas – Tiradentes


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Datas comemorativas – Tiradentes – 2009

Datas comemorativas – Tiradentes – 2008

TIRADENTE

Fonte: Smartkids

Tiradentes

Um grito de liberdade!

Em 21 de abril comemoramos o dia do primeiro sonho de um Brasil livre da colonização portuguesa, exato dia esse em que Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier, no ano de 1792, morreu enforcado.

A Inconfidência foi o início da mudança que pretendia a liberdade do Brasil do domínio colonial português. De lá para cá realmente muita coisa mudou, além de Portugal não ser mais nosso inimigo.

Frase de Tiradentes: “Esta terra há de ser um dia maior que a Nova Inglaterra!”

Desenho Tiradentes para colorir

TIRADENTES

TiradentesQuem foi Tiradentes?

O seu nome era Joaquim José da Silva Xavier, nasceu em 1746 na Vila de São José Del Rei (hoje Tiradentes), Minas Gerais. Seu pai era um pequeno fazendeiro. Ficou conhecido como Tiradentes por ser dentista, profissão que aprendeu com o tio após ficar órfão. Tiradentes não foi apenas dentista, mas também minerador entre outros ofícios. Como muitos, Tiradentes não aceitava os altos impostos cobrados na época por Portugal, essa revolta foi aumentando até que surgiu um movimento revolucionário chamado de Inconfidência Mineira que tinha como objetivo acabar com os impostos abusivos e também conseguir a independência brasileira. Este movimento foi denunciado antes de ser concretizado. Foi iniciado um processo contra todos os revolucionários, mas apenas Tiradentes, o único condenado a morte foi enforcado em praça pública em abril de 1792.

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Dia de Tiradentes – 21 de abril

Fonte: Larissa Carla

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Datas comemorativas – Tiradentes

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TIRADENTES

Fonte: Brasil Escola

No dia 21 de abril comemora-se o dia de Tiradentes. Joaquim José da Silva Xavier, nascido em São João Del Rei, em Minas Gerais, no ano de 1746, tornou-se o mártir da Inconfidência Mineira.

Tiradentes ficou órfão de mãe aos nove anos de idade, perdeu o pai aos onze anos, e foi criado pelo padrinho na cidade de Vila Rica, hoje conhecida como Ouro Preto.

O apelido de Tiradentes veio da profissão de dentista que exercera com muita responsabilidade, mas o ofício que mais lhe promoveu foi o de soldado, integrante do movimento da Inconfidência Mineira – que o levou à morte em praça pública, por enforcamento e esquartejamento.

A Inconfidência Mineira foi um abalo causado pela busca da libertação do Brasil diante da monarquia portuguesa, ocorrendo por longos anos, no final do século XVIII.

Na cidade de Vila Rica e nas proximidades da mesma eram extraídos ouro e pedras preciosas. Os portugueses se apossavam dessas matérias-primas e as comercializavam pelos países europeus, fazendo fortuna à custa das riquezas de nosso país, ou seja, o Brasil era grandemente explorado por essa nação.

O reinado de Portugal no Brasil cobrava impostos caríssimos (o quinto) e a população decidiu se libertar das imposições advindas do governo português. A sociedade mineira contrabandeava ouro e diamante, além de atrasar o pagamento dos impostos.

Com o fortalecimento das ideias contra os portugueses, aconteceu a Inconfidência Mineira, tendo como principais objetivos: buscar a autonomia da província; conseguir um governo republicano com mandato de Tomás Antônio Gonzaga; tornar São João Del Rei a capital; conseguir a libertação dos escravos nascidos no Brasil; dar início à implantação da primeira universidade da região; dentre outros.

Durante o movimento, as notícias de que os inconfidentes tentariam derrubar o governo de Portugal chegaram aos ouvidos do imperador, que decretou a prisão deles. Tiradentes, para defender seus amigos, assumiu toda a responsabilidade pelo movimento e foi condenado à morte.

O governo fez questão de mostrar em praça pública o sofrimento de Tiradentes, a fim de inibir a população de fazer manifestos que apresentassem ideologias diferentes. Em 21 de abril de 1792, Tiradentes percorreu o trajeto, chegando à cadeia pública da região, foi enforcado após a leitura de sua sentença condenatória.

Ainda hoje podemos ver o museu da Inconfidência Mineira, que está localizado na Praça Tiradentes, na cidade de Ouro Preto, local onde é preservada a memória desse acontecimento tão importante da história do Brasil, com o ciclo do ouro e as obras de arte de Aleijadinho.

INCONFIDENCIA MINEIRA E CONJURAÇÃO BAIANA



SUGESTÃO DE FILME

Tiradentes
Título Original: Tiradentes

Gênero: Cinebiografia

Origem/Ano: BRA/1999

Duração: 125 min

Direção: Oswaldo Caldeira

Elenco:

Humberto Martins…
Adriana Esteves…
Marco Ricca…
Giulia Gam…
Júlia Lemmertz…
Cláudio Cavalcanti…
Eduardo Galvão…
Emiliano Queiróz…
Rodolfo Bottino…
Janaína D.Guerra…
Heitor M.Mello…
Paulo Autran…
Cláudio C.e Castro…

Tiradentes
Bárbara Eliodora
Alvarenga Peixoto
Marília de Dirceu
Antônia
João R.Macedo
Tomás A.Gonzaga
Cláudio Manoel da Costa
Joaquim Silvério dos Reis
Irmã de Marília
Alvarez Maciel
Padre Pennaforte
Frei Veloso

Sinopse: Cinebiografia com uma uma versão irreverente da vida de Joaquim José da Silva Xavier (1756-1792), o Tiradentes. A trajetória do líder da Inconfidência Mineira, vivido por Humberto Martins, é temperada com suas peripécias amorosas e aventureiras.

Vemos vários fidalgos reunidos em torno de uma mesa comendo e conversando sobre os problemas da colônia (Brasil). De repente passam vários bandidos à galope perse-guidos por alguns oficiais. Dentre eles destaca-se Tiradentes que captura o famoso bandido Montanha, o terror da Mantiqueira. Tiradentes comemora alegremente com seus amigos bebendo em uma taberna, entre prostitutas, quando descobre ali, semi es-condida, sua ex-mulher Antônia. Ela argumenta que ele a expulsou de casa com sua filha, acusando-a de adultério e, portanto, não lhe deve mais satisfações.

Tiradentes está, agora, na casa de Macedo, o Don Corleone de Vila Rica. É na casa do magnata que a elite se encontra para curtir a happy hour entre bebidas, comidas e mu-lheres bonitas, ouvindo os últimos poemas satíricos clandestinos de Tomás Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Cláudio Manoel da Costa, (as famosas “Cartas Chilenas”) ridicu-larizando os abusos do Governador.

Entre eles, nesta tarde, está o poeta Alvarenga jogando gamão e comprando um magní-fico e caríssimo colar para a sua jovem esposa Bárbara Eliodora, naturalmente, pago por Macedo, a quem Alvarenga deve alguns milhões. O alegre entrevero é interrompido pelo alvoroço da rua e, quando chegam à sacada, percebem que se trata do novo governador, o Visconde de Barbacena, chegando e sendo aclamado pelo populacho. Alguns manifestam a esperança de melhores dias e o Tiradentes se exalta, dizendo que “quanto pior melhor”, quanto mais opressão mais estarão perto de se rebelarem contra os portugueses.

O exaltado Alferes é interrompido pelos frenéticos acenos de várias prostitutas do outro lado da rua e, como ninguem é de ferro, o nosso herói vai se encontrar com ela. Lá chegando, suas aflitas amigas dizem que Diana, a favorita do Alferes, está à beira da morte. Diana explica, nua, ao Alferes que a dor é “aqui” – apontando o coração oculto por um maravilhoso seio.

No bordel, Tiradentes encontra Freire, seu superior, que recomenda que ele vá ao rio refrescar a cabeça e aproveite para receber seu cunhado Alvares Maciel, jovem enge-nheiro químico recém chegado da Europa. De fato Maciel é um garoto super esperto e traz na algibeira o apoio de Jefferson em homens, armas e navios. Maciel presenteia Tiradentes com um precioso livrinho, é a nova Constituição da América do Norte, que leva Tiradentes ao delírio. E é com a constituição na mão que o Alferes retorna à pro-víncia colocando dentes nas bocas e idéias subversivas nas cabeças, ouvindo música épica no ar.

Marília e sua jovem irmã, saltitantes e displicentes nos trajes de dormir, como moci-nhas matreirinhas. O poeta Ganzaga enlouquece ao vislumbrar partes nuas dos corpos sob vestes desgrenhadas de sua amada exaurindo-se em desejo. Do outro lado, por trás do biombo, a irmã de Marília desnuda-se completamente, diante da janela aberta, para os olhos gulosos, cruéis e draculianos de Silvério dos Reis. No dia seguinte, insone e desgrenhado Gonzaga confessa a seu amigo Alvarenga que ele exaure-se, dia-a-dia, esfaimado desse amor maldito, não conseguindo mais nem sequer trabalhar, passando dias e noites a espreitar a amada, proibido de unir-se a ela por um pai tirano que o considera pobre e velho demais para entregar-lhe a mão suculenta da filha.

Freire, empolgado com as pregações de Tiradentes pela liberdade, tenta convencer Alvarenga a juntar-se ao grupo nas próximas reuniões. Alvarenga não acredita nas tais ajuda de França. Na Estalagem das Cabeças, um oficial pardo informa ao Coronel Bri-to Malheiros, homem brutal, que está sendo armado um levante. “Só se for um levante de putas” retruca o nobre oficial lusitano. E começa a gritar com todos à volta, desafi-ando-os e insultando brasileiros e negros como a pior espécie de gente. Calmo, o Tira-dentes se levanta de uma esteira, enfrenta-o e exalta os negros presentes através de um poema de Alvarenga.

Finalmente é realizada uma grande reunião dos conspiradores acertando as linhas ge-rais da conspiração. Tiradentes quer eleições livres e imediata libertação dos escra-vos. Maciel teme que esta medida desorganize a economia. Gonzaga recebe um bilhete anônimo para correr ao sítio da família de Marília e, lá chegando, alucinado, encontra a irmã de Marília com Silvério.

Todos os grandes amigos de Alvarenga comparecem à festa do batizado em São João Del Rei. Os homens presentes brindam Bárbara como a nova Rainha do Brasil. Marília entra triunfal pelos braços do pai, que finalmente cede sua mão a Gonzaga. A euforia vai aumentando e já se fala em promover o Padre Toledo a Papa e cortar, imediatamente, a cabeça do governador. Alvarenga consegue demovê-los a custo lembrando que hoje é o batizado de seu filho. Enquanto isso Tiradentes se diverte no prostíbulo, prometendo tudo às prostitutas, até mesmo ruas forradas de ouro. Acaba por dançar com elas um delirante minueto onírico e tropical. A música persiste enquanto vemos armas sendo distribuídas, gazetas de mão em mão, garruchas escondidas atrás de órgãos de igrejas, até desabar a grande ducha fria: foi suspensa a derrama. Os conspiradores ficam desarvorados. Uns falam em recuar, outros em resistir, estão perdidos, divididos. Tiradentes parte para o Rio de Janeiro. Mal vira as costas, Silvério entra no Palácio do Governador para a denúncia. Barbacena ordena que ele siga os passos do Alferes até o Rio de Janeiro. No Rio o filme transforma-se num thriller, com becos escuros, ruelas soturnas, conspiração à luz de velas, enquanto se sucedem as frenética tentativas do Tiradentes, sempre frustadas, marcadas pela perseguição implacável dos granadeiros e de Silvério.

Em Vila Rica uma figura sinistra, vestida de negro, como um vampiro, assombra os inconfidentes, anunciando a prisão para breve. Gonzaga depara-se com o abutre sinis-tro e saca a espada detendo-se diante da voz de Marília, oculta pela capa preta. Marí-lia entrega-se apaixonadamente a ele, rogando que ele não a abandone, conduzindo-o ao abismo fatal. Todos são presos. Cláudio é assassinado na cela. O carcereiro Her-mes pede a Tiradentes que cuide de seus dentes. E assim, mais uma vez, o escultor antropofágico esculpe os dentes dos que o devoram pouco a pouco.

Distribuição em Vídeo: Riofilme

Datas Comemorativas – TIRADENTES

SÉRIES INICIAIS

21 de Abril – TIRADENTES

Extraído do Criança faz Arte

Quem foi Joaquim José da Silva Xavier?
Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, nasceu no Estado de Minas Gerais em 1746. Ele perdeu os pais quando ainda era criança e foi criado pelo padrinho na cidade de Vila Rica, que é atualmente chamada de Ouro Preto. Aos 18 anos, entrou para a carreira militar e foi soldado da cavalaria. Ele também tinha conhecimentos de mineração, hidráulica e joalheria.

A Inconfidência Mineira

Tiradentes já havia declarado que estava descontente com o governo português quando se envolveu com a Inconfidência Mineira. Este foi o movimento que aconteceu em 1789, em Vila Rica, visando a libertação do Brasil da Corte Portuguesa. Após viajar para o Rio de Janeiro, onde Tiradentes teve contato com novas idéias vindas da Europa, ele voltou para Vila Rica e começou a divulgar o movimento.

Mas o coronel Joaquim Silvério dos Reis denunciou o movimento, porque ele estava devendo ao governo e, assim, não precisaria mais pagar a dívida. Com isso, todos os integrantes do grupo foram presos, e Tiradentes passou três anos preso no Rio de Janeiro, onde assumiu sozinho a responsabilidade da conspiração, livrando os outros condenados.

A sentença de Tiradentes foi a morte. Ele morreu enforcado no dia 21 de abril de 1792, no campo da Lampadosa, onde é hoje a Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Mesmo assim, o movimento teve seu efeito, já que trinta anos depois o Brasil se tornou independente de Portugal. Em 1822, Tiradentes foi reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira e, a partir de 1890, passou a ser considerado herói nacional.

CURIOSIDADE

Por que ele era chamado Tiradentes?

Tiradentes trabalhou como dentista, após aprender essa profissão com seu padrinho, que era cirurgião-dentista. Mas o curioso é que, apesar do apelido, ele não gostava de arrancar dentes e preferia prevenir os pacientes para que os dentes fossem conservados. Ele foi um dentista inovador, pois implantava dentes esculpidos por ele mesmo, usando suas habilidades de joalheiro.

Fotos extraídas do Plenarinho

O Descartável – Jeito descontraído de relatar a História

Tiradentes: o homem que sonhou com a liberdade

FUNDAMENTAL I

Extraído do Plenarinho


Tiradentes foi enforcado aos 46 anos de idade em 21 de abril de 1792 no Largo da Lampadosa (foto), onde é hoje a Praça Tiradentes, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Seu corpo foi esquartejado (cortado), sua cabeça foi erguida em um poste em Vila Rica (MG), destruiram a casa em que morava e declararam infames (indignos, detestáveis, odiosos) os seus parentes e descendentes.

Mas por que tanta crueldade? Porque Tiradentes queria libertar o Brasil do domínio dos portugueses. Como tudo aconteceu você vai saber nesta reportagem especial que o Plenarinho preparou para esta sexta-feira, 20, véspera de uma das datas mais lembradas em nosso País.

A Inconfidência Mineira

Tiradentes chamava-se Joaquim José da Silva Xavier (foto) e foi um dos principais nomes do Movimento pela Liberdade do Brasil, conhecido como Inconfiência Mineira e também como Conjuração Mineira, que foi uma revolta ocorrida em 1789, na então Capitania de Minas Gerais, no Brasil, contra o governo português.


Nessa época, a Coroa portuguesa (os reis de Portugal eram os donos do Brasil) aumentou tanto a cobrança de impostos e a vigilância sobre a riqueza do Brasil, que os brasileiros ricos ficaram sem dinheiro e os pobres, miseráveis. Descontentes com a situação, um grupo desses brasileiros começaram se reunir. Eles queriam acabar com o poder dos portugueses e criar um país livre. A forma de governo escolhida foi o de uma República, como a França e os Estados Unidos.

A idéia

Tiradentes, outro descontente com o governo português, depois que viajou para o Rio de Janeiro, onde encontrou-se com pessoas que vieram da Europa com novas idéias de liberdade, decidiu criar o movimento contra os portugueses.

Daí, uniu-se a outros descontentes, entre eles Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto e sua mulher Bárbara Heliodora, Freire de Andrade, José Alvares Maciel, e juntos, resolveram que era mesmo preciso proclamar a república, adotar uma bandeira com o lema “Libertas quae será tamem” (liberdade, embora tardia), mudar a Capital para São João del-Rei, libertar os escravos e criar uma universidade. Estava criado o movimento Inconfidência Mineira sob a chefia de Tiradentes.

Traição


Mas o que os inconfidentes não contavam era com uma traição naquela altura dos acontecimentos. Quem foi o Judas? Foi um coronel chamado Joaquim Silvério dos Reis. Ele denunciou o movimento porque estava devendo muito ao governo e, assim, não precisaria mais pagar a dívida. Que coisa mais feia, não?

Então, com isso, todos os integrantes do grupo foram presos e Tiradentes levado para o Rio de Janeiro. Depois de três anos na prisão, assumiu sozinho a responsabilidade do conspiração (revolta). Com esse comportamento, livrou os amigos da cadeia, mas recebeu a sentença de morte.

Mas o movimento iniciado por Tiradentes não foi em vão. Embora tenha demorado mais trinta anos, o Brasil se tornou independente de Portugal. Em 1822, Tiradentes foi reconhecido como mártir (pessoa que se sacrifica por alguma causa) da Inconfidência Mineira e, a partir de 1890, passou a ser considerado herói nacional.

Quem era o nosso herói

Nasceu na antiga Vila de São José Del’Rei (MG), na Fazenda do Pombal. Seu pai foi vereador e cobrador de impostos. Depois de ficar órfão de pai e mãe, Tiradentes foi morar com padrinho, que na época vivia na cidade de Vila Rica (MG), que é hoje chamada de Ouro Preto. Aos 18 anos, entrou para a Milícia de Minas Gerais (carreira militar) e foi soldado da cavalaria.

Um inovador

Antes de ser militar, inteligente e curioso que só, Tiradentes já sabia extrair (tirar) riquezas da terra (minerador), mexer com escoamento de água (hidráulica) e fazer jóias. Depois foi dentista (daí o seu apelido), profissão que aprendeu com seu padrinho, que era cirurgião-dentista.

E como dentista, ele foi um inovador. Já naquela época, em que ninguém se importava com a saúde da boca, ele já não gostava de arrancar dentes e preferia prevenir os pacientes para que os dentes fossem conservados. E mais: implantava dentes esculpidos por ele mesmo, usando suas habilidades de joalheiro. Aos 20 anos reivindicou a maioridade (o normal naquela época era aos 25 anos) e tornou-se dono do seu nariz. Danado, hein?

Curiosidades


Museu da Inconfidência

Localizado em Ouro Preto (MG), o museu possui uma valiosa coleção de objetos do tempo da inconfidência. É lá que estão os pedaços da forca onde morreu Tiradentes.

Reconhecimento

A 6 de dezembro de 1889, o governo provisório estadual muda o nome da São José del Rei para Tiradentes, acatando uma sugestão do escritor republicano Silva Jardim e do Clube Republicano Tiradentes.


Viagem no tempo
Que tal programar com seus pais um passeio por Tiradentes e fazer uma viagem no tempo? Além do circuito histórico da cidade, você pode fazer o trajeto de 12 Km até São João Del’Rei. A viagem é feita numa Maria Fumaça, locomotiva construída nos Estados Unidos na virada do século. Além de belas paisagens (vista para a Serra de São José), andar de Maria Fumaça é reviver uma época em que o trem era o símbolo máximo de modernidade. O barulho do motor com suas caldeiras é uma divertida experiência. Para os mais aventureiros, sugerimos caminhadas por antigos caminhos calçados com pedras por escravos. Uma subida até a Serra de São José também é uma ótima pedida

A Inconfidência Mineira

FUNDAMETNAL II

Extraído do História Net

INTRODUÇÃO

O movimento mineiro foi o primeiro a realmente manifestar com clareza a intenção da colônia de romper suas relações com a metrópole. Outras rebeliões já haviam ocorrido na colônia que, no entanto, possuíam reivindicações parciais, locais, que nunca propuseram a Independência em relação a Portugal.
A importância da Inconfidência Mineira reside no fato de exprimir a decadência da política colonial e ao mesmo tempo a influência das idéias iluministas sobre a elite colonial que, na prática, foi quem organizou o movimento

Museu da Inconfidência

AS RAZÕES DO MOVIMENTO

Vários foram os motivos que determinaram o início do movimento, reunindo proprietários rurais, intelectuais, clérigos e militares, numa conspiração que pretendia eliminar a dominação portuguesa e criar um país livre no Brasil, em 1789

A Crise Econômica:

O século XVIII foi caracterizado pelo brutal aumento da exploração portuguesa sobre sua colônia na América. Apesar de o Brasil sempre ter sido uma colônia de exploração, ou seja, ter servido aos interesses econômicos de Portugal, durante o século XVIII, a nação portuguesa conheceu uma maior decadência econômica, entendido principalmente pelos déficits crescentes frente a Inglaterra, levando-a a aumentar a exploração sobre suas áreas coloniais e utilizando para isso uma nova forma de organização do próprio Estado, influenciado pelo avanço das idéias iluministas, que convencionou-se chamar “Despotismo Esclarecido”

Nesse sentido, a política pombalina para o Brasil, normalmente vista como mais racional, representou na prática uma exploração mais racional, com a organização das Companhias de Comércio monopolistas, que atuaram em diversas regiões do Brasil
Em Minas Gerais, especificamente, que se constituía na mais importante região aurífera e diamantífera brasileira, o peso da espoliação lusitana se fazia sentir com maior intensidade.

A exploração de diamantes era monopolizada pela Coroa desde 1731, que demarcara a região, proibindo o ingresso de particulares em tal atividade. Ao mesmo tempo, as jazidas da região aurífera se esgotavam com muita repidez, em parte por ser o ouro de Aluvião, em parte pelas técnicas precárias que eram empregadas na atividade e esse esgotamento refletia-se na redução dos tributos pagos a Coroa, fixado em “Um Quinto”, portanto vinculado à produção. Para a Coroa, no entanto, a redução no pagamento de impostos devia-se a fraude e ao contrabando e isso explica a mudança na política tributária: Em 1750, o quinto foi substituído por um sistema de cota fixa, definido em 100 arrobas por ano (1500 Kg). Como a produção do ouro continuava a diminuir, tornou-se comum o não pagamento completo do tributo e a cada ano a dívida tendeu a aumentar e a Coroa resolveu, em 1763, instituir a Derrama. Não era um novo imposto, mas a cobrança da diferença em relação à aquilo que deveria ter sido pago. Essa cobrança era arbitrária e executada com extrema violência pelas autoridades portuguesas no Brasil, gerando não apenas um problema financeira, mas o aumento da revolta contra a situação de dominação.

Soma-se a isso as dificuldades dos mineradores em importar produtos essenciais como ferro, aço e mesmo escravos, produtos esses que tinham seus preços elevados constantemente. Um dos principais exemplos dessa situação foi o “Alvará de proibição Industrial” baixado em 1785 por D. Maria I, a louca, que proibia a existência de manufaturas no Brasil. Os efeitos do alvará foram particularmente desastrosos para a população interiorana, que costumava abastecer-se de tecidos, calçados e outros gêneros nas pequenas oficinas locais ou mesmo domésticas e que, a partir daí, dependeria das tropas que traziam do litoral os produtos importados, por preços muito elevados e em quantidade nem sempre suficiente.

Igreja em Vila Rica

Influências Externas

O ideal Iluminista difundiu-se na Europa ao longo do século XVIII, principalmente a partir da obra de filósofos franceses e teve grande repercussão na América; primeiro influenciando a Independência dos EUA e posteriormente as colônias ibéricas.
Ao longo do século XVIII tornou-se comum à elite colonial, enviar seus filhos para estudar na Europa, onde tomaram contato com as idéias que clamavam por direitos, liberdade e igualdade. De volta a colônia, esses jovens traziam não só os ideais de Locke, Montesquieu e Rousseau , mas uma percepção mais acabada em relação a crise do Antigo Regime, representada pela decadência do absolutismo e pelas mudanças que se processavam em várias nações, mesmo que ainda controladas por monarcas despóticos.

Outra importante influência que marcou a Inconfidência Mineira foi a Independência das 13 colônias inglesas na América do Norte, que apoiadas nas idéias iluministas não só romperam com a metrópole, mas criaram uma nação soberana, republicana e federativa. A vitória dos colonos norte americanos frente a Inglaterra serviu de exemplo e estímulo a outros movimentos emancipacionistas na América ibérica, incluindo o Brasil.

Percebe-se essa influência, através da atitude do estudante brasileiro José Joaquim da Maia que, em Paris, entrou em contato com Thomas Jefferson, representante do governo dos EUA na França, para solicitar o apoio dos norte americanos ao movimento de rebelião contra a dominação portuguesa, que estava prestes a eclodir no Brasil.

Em uma das cartas mais famosas de Maia a Thomas Jefferson, o estudante brasileiro escreveu: “Sou brasileiro e sabeis que minha desgraçada pátria geme em um espantoso cativeiro, que se torna cada dia menos suportável, desde a época de vossa gloriosa independência, pois que os bárbaros portugueses nada pouparam para nos tomar desgraçados, com o temor que seguíssemos os vossos passos; … estamos dispostos a seguir o marcante exemplo que acabais de nos dar… quebrar nossas cadeias e fazer reviver nossa liberdade que está completamente morta e oprimida pela força, que é o único direito que os europeus possuem sobre a América… Isto posto, senhor, é a vossa nação que acreditamos ser a mais indicada para nos dar socorro, não só porque ela nos deu o exemplo, mas também porque a natureza nos fez habitantes do mesmo continente e, assim, de alguma maneira, compatriotas”.

A CONSPIRAÇÃO

Tiradentes

A Inconfidência Mineira na verdade não passou de uma conspiração, onde os principais protagonistas eram elementos da elite colonial, homens ligados à exploração aurífera, à produção agrícola ou a criação de animais, sendo que vários deles estudaram na Europa e que organizavam o movimento exatamente em oposição as determinações do pacto colonial, enrijecidas no século XVIII.

Além destes, encontramos ainda alguns indivíduos de uma camada intermediária, como o próprio Tiradentes, filho de um pequeno proprietário e que, após dedicar-se a várias atividades, seguiu a carreira militar, sendo portanto, um dos poucos indivíduos sem posses que participaram do movimento. Essa situação explica a posição dos inconfidentes em relação a escravidão, muito destacada nos livros de história; de fato, a maior parte dos membros das conspirações se opunha a abolição da escravidão, enquanto poucos, incluindo Tiradentes, defendiam a libertação dos escravos.

As idéias liberais no Brasil tinham seus limites bem definidos, na verdade a liberdade era vista a partir do interesse de uma minoria, como a necessidade de ruptura dos laços com a metrópole, porém, sem que rompessem as estruturas socioeconômicas. Mesmo do ponto de vista político, a liberdade possuia limites. A luta pela independencia incluía ainda a definição do regime político a ser adotado, embora a maioria defendesse a formação de uma República que fosse Federativa, porém não garantia o direito de participação política a todos os homens. Na verdade os inconfidentes não possuíam uma orientação política definida, mas um conjunto de propostas, que tratavam de questões secundárias, como a organização da capital em São João Del Rei ou ainda a criação de uma Universidade em Vila Rica.

O movimento conspiratório tornou-se maior após a chegada do Visconde de Barbacena, nomeado novo governador da capitania de Minas Gerais e incumbido de executar uma nova derrama, utilizando-se de todo o rigor necessário para garantir a chegado do ouro a Portugal. De setembro de 1788 em diante, as reuniões tornaram intensas, onde eram alimentadas várias discussões sobre temas variados e o entusiasmo exagerado contrastava com a falta de organização militar para a execução da independencia. Tiradentes e outros membros da conspiração procuravam garantir o apoio dos proprietário rurais, levando suas propostas de “revolução” a todos que, de alguma forma, pudessem apoiar.

Um os mineradores contatados foi o coronel Joaquim Silvério dos Reis que, a princípio aderiu ao movimento, pois como a maioria da elite, era um devedor de impostos, no entanto, com medo de ser envolvido diretamente, resolveu deletar a conspiração. Em 15 de março de 1789 encontrou-se com o governador, Visconde de Barbacena e formalizou por escrito a dnúncia de conspiração. Com o apoio das autoridades portuguesas instaladas no Rio de Janeiro, iniciou-se uma sequência de prisões, sendo Tiradentes um dos primeiros a ser feito prisineiro, na capital, onde se encontrava em busca de apoio ao movimento e alguns dias depois iniciava-se a prisão dos envolvidos na região das Gerais e uma grande devassa para apurar os delitos.

Num primeiro momento os inconfidentes negaram a existência de um movimento contrário a metrópole, porém a partir de novembro vários participantes presos passaram a confessar a existência da conspiração, descrevendo minuciosamente as reuniões, os planos e os nomes dos participantes, encabeçada pelo alferes Tiradentes.

Tiradentes sempre negou a existência de um movimento de conspiração, porém, após vários depoimentos que o incriminava, na Quarta audiência, no início de 1790, admitiu não só a existência do movimento, como sua posição de líder .

A devassa promoveu a acusação de 34 pessoas, que tiveram suas sentenças definidas em 19 de abril de 1792, com onze dos acusados condenados a morte: Tiradentes, Francisco de Paula Freire de Andrade, José Álvares Maciel, Luís Vaz de Toledo Piza, Alvarenga Peixoto, Salvador do Amaral Gurgel, Domingos Barbosa, Francisco Oliveira Lopes, José Resende da Costa (pai), José Resende da Costa (filho) e Domingos de Abreu Vieira.
Desses, apenas Tiradentes foi executado, os demais tiveram a pena comutada para degredo perpétuo por D. Maria I. O Alferes foi executado em 21 de abril de 1792 no Rio de Janeiro, esquartejado, sendo as partes de seu corpo foram expostas em Minas como advertência a novas tentativas de rebelião.

Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes:

O herói dos “grandes sonhos dos homens”

Cecília Meireles, profundamente tocada pela saga de Tiradentes e os ideais da Inconfidência Mineira, escreveu uma das obras-primas da nossa literatura, o “Romanceiro da Inconfidência”. Captando com extrema sensibilidade o sentimento popular – o que transparece na escolha do tipo de verso que usa, que lembra todo tempo o cancioneiro popular – Cecília transmitiu, mais do que o heroísmo e a indignidade da traição, a identidade que sempre houve entre Tiradentes e o povo – e entre este e o seu herói. Abaixo, trechos desse poema narrativo escrito em 1953

“Ele era o Alferes Tiradentes,

enforcado naquela praça:

muitas coisas não se compreendem,

tudo se esquece, tempo passa…

mas essa crisólita, sempre,

parece diamante sem jaça”

CECÍLIA MEIRELES

RELÓGIO DE TIRADENTES

O relógio de algibeira encontrado com Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, no momento de sua prisão, em 1789, era um exemplar de origem inglesa, do século XVIII, que foi arrolado nos Autos do Seqüestro de seus bens, quando o relojoeiro avaliou a peça em 12.800 réis, anotando o número de série: 5503.

A peça, confeccionada em prata, ouro e esmalte, apresenta a inscrição não apenas do número de série como também o nome do fabricante “S. Elliot”. Após a avaliação e registro do relógio, o mesmo foi arrematado por José Mariano Azeredo Coutinho.

Ao longo dos séculos, o relógio de algibeira de Tiradentes passou por alguns proprietários, sendo resgatado em um leilão, pelo então governador de Minas Gerais, o diamantinense Juscelino Kubitschek, em 1953. Juscelino comprou o objeto no intuito de doá-lo ao acervo do Museu da Inconfidência, recuperando, assim, parte da nossa história. A peça encontra-se atualmente exposta na Sala das Relíquias, no 1º piso do museu.

CARTA DE DENÚNCIA DE JOAQUIM SILVÉRIO DOS REIS

Meu Senhor: – Pela forçosa obrigação que tenho de ser leal vassalo à nossa Augusta Soberana, ainda apesar de se me tirar a vida, como logo se me protestou na ocasião em que fui convidado para a sublevação que se intenta, prontamente passeia pôr na presença de V. Excia. o seguinte: – Em o mês de fevereiro deste presente ano; vindo da revista do meu Regimento, encontrei no arraial da Laje o Sargento-Mor Luís Vaz de Toledo; e falando-me em que se botavam abaixo os novos Regimentos, porque V. Excia. assim o havia dito, é verdade que eu me mostrei sentido e queixei-me ao sargento-mor: me tinha enganado, porque em nome da dita Senhora se me havia dado uma patente de coronel, chefe do meu Regimento, com o qual me tinha desvelado em o regular e fardar, e muita parte à minha custa e que não podia levar à paciência ver reduzido à inação o fruto do meu desvelo, sem que eu tivesse faltas do real serviço; e juntando mais algumas palavras em desafogo da minha paixão. Foi Deus servido que isso acontecesse para se conhecer a falsidade que se fulmina.

No mesmo dia viemos dormir à casa do Capitão José de Resende; e chamando-me a um quarto particular, de noite, o dito Sargento-Mor Luís Vaz, pensando que o meu ânimo estava disposto para seguir a nova conjuração pelos sentimentos e queixas que me tinha ouvido, passou o dito sargento-mor a participar- me, debaixo de todo o segredo, o seguinte:

Que o Desembargador Tomás Antônio Gonzaga, primeiro cabeça da conjuração, havia acabado o lugar de ouvidor dessa Comarca, e que, isto posto, se achava há muitos meses nessa vila, sem se recolher a seu lugar da Bahia, com o frívolo pretexto de um casamento, que tudo é idéia porque já se achava fabricando leis para o novo regime da sublevação que se tinha disposto da forma seguinte:

Procurou o dito Gonzaga o partido e união do Coronel Inácio José de Alvarenga e do Padre José da Silva e Oliveira, e outros mais, todos filhos da América, valendo-se para seduzir a outros do Alferes (pago) Joaquim José da Silva Xavier; e que o dito Gonzaga havia disposto da forma seguinte: que o dito Coronel Alvarenga havia mandar 200 homens pés-rapados da Campanha, paragem onde mora o dito Coronel; e outros 200, o dito Padre José da Silva; e que haviam de acompanhar a este vários sujeitos, que já passam de 60, dos principais destas Minas; e que estes pés-rapados, haviam de vir armados de espingardas e facões, e que não haviam de vir juntos para não causar desconfiança; e que estivessem dispersos, porém perto da Vila Rica, e prontos à primeira voz; e que a senha para o assalto haviam ser cartas dizendo tal dia é o batizado; e que podiam ir seguros porque o comandante da Tropa Paga, tenente-coronel Francisco de Paula, estava pela parte do levante e mais alguns oficiais, ainda que o mesmo sargento-mor me disse que o dito Gonzaga e seus parciais estavam desgostosos pela frouxidão que encontravam no dito comandante e que, por essa causa, se não tinha concluído o dito levante.

E que a primeira cabeça que se havia de cortar era a de V.Excia. e depois, pegando-lhe pelos cabelos, se havia de fazer uma fala ao povo que já estava escrita pelo dito Gonzaga; e para sossegar o dito povo se havia levantar os tributos; e que logo passaria a cortar a cabeça do Ouvidor dessa vila, Pedro José de Araújo, e ao Escrivão da Junta, Carlos José da Silva, e ao Ajudante-de-Ordens Antônio Xavier; porque estes haviam seguir o partido de V. Excia. e que, como o Intendente era amigo dele, dito Gonzaga, haviam ver se o reduziam a segui-los; quando duvidasse, também se lhe cortaria a cabeça.

Para este intento me convidaram e se me pediu mandasse vir alguns barris de pólvora, o que outros já tinham mandado vir; e que procuravam o meu partido por saberem que eu devia a Sua Majestade quantia avultada; e que esta logo me seria perdoada; e quê, como eu tinha muitas fazendas e 200 e tantos escravos, me seguravam fazer um dos grandes; e o dito sargento-mor me declarou vários entrados neste levante; e que se eu descobrisse, se me havia tirar a vida como já tinham feito a certo sujeito da Comarca de Sabará. Passados poucos dias fui à Vila de São José, aonde o vigário da mesma, Carlos Correia, me fez certo quanto o dito sargento-mor me havia contado; e disse-me mais: que era tão certo que estando o dito pronto para seguir para Portugal, para o que já havia feito demissão da sua igreja a seu irmão, o dito Gonzaga lhe embaraçara a jornada fazendo-lhe certo que com brevidade cá o poderiam fazer feliz, e que por este motivo suspendera a viagem.

Disse-me o dito Vigário que vira já parte das novas leis fabricadas pelo dito Gonzaga e que tudo lhe agradava menos a determinação de matarem a V. Excia. e que ele, dito Vigário, dera o parecer ao dito Gonzaga que mandasse antes a V. Excia. botá-lo do Paraibuna abaixo e mais a Senhora Viscondessa e seus meninos, porque V. Excia. em nada era culpado e que se compadecia do desamparo em que ficavam a dita senhora e seus filhos com a falta de seu pai; ao que lhe respondeu o dito Gonzaga que era a primeira cabeça que se havia de cortar porque o bem comum prevalece ao particular e que os povos que estivessem neutros, logo que vissem o seu General morto, se uniriam ao seu partido.

Fez-me certo este Vigário, que, para esta conjuração, trabalhava fortemente o dito Alferes Pago Joaquim José, e que já naquela comarca tinha unido ao seu partido um grande séquito; e que cedo havia partir para a capital do Rio de Janeiro a dispor alguns sujeitos, pois o seu intento era também cortar a cabeça do Senhor Vice-Rei; e que já na dita cidade tinham bastante parciais.

Meu senhor, eu encontrei o dito Alferes, em dias de março, em marcha para aquela cidade, e pelas palavras que me disse me fez certo o seu intento e do ânimo que levava; e consta-me, por alguns da parcialidade, que o dito Alferes se acha trabalhando este particular e que a demora desta conjuração era enquanto se não publicava a derrama; porém que, quanto tardasse, sempre se faria.

Ponho todos estes tão importantes particulares na presença de V. Excia. pela obrigação que tenho de fidelidade, não porque o meu instinto nem vontade sejam de ver a ruma de pessoa alguma, o que espero em Deus que, com o bom discurso de V. Excia., há de acautelar tudo e dar as providências sem perdição de vassalos. 0 prêmio que peço tão somente a V. Excia., é o rogar-lhe que, pelo amor de Deus, se não perca a ninguém.

Meu senhor, mais algumas coisas tenho colhido e vou continuando na mesma diligência, o que tudo farei ver a V. Excia. quando me determinar. Que o céu ajude e ampare a V. Excia. para o bom êxito de tudo. Beijo os pés de V. Excia., o mais humilde súdito.

Joaquim Silvério dos Reis, Coronel de Cavalaria dos Campos Gerais.
Fonte: www.terra.com.br

SENTENÇAS DE CONDENAÇÃO
O “18 de abril de 1792.

ACCORDÃO em Relação os da Alçada etc.

Vistos este autos que em observância das ordens da dita senhora se fizeram summários aos vinte e nove Réus pronunciados conteudos na relação folhas 14 verso, devassas, perguntas apensos de defesa allegada pelo Procurador que lhe foi nomeado etc, Mostra-se que na Capitania de Minas alguns Vassallos da dita Senhora, animados do espírito de perfídia ambição, formaram um infame plano para se subtrahirem da sujeição, e obediência devida a mesma senhora; pretendendo desmembrar, e separar do Estado aquella Capitania, para formarem uma república independente, por meio de urna formal rebelião da qual se erigiram em chefes e cabeças seduzindo a uns para ajudarem, e concorrerem para aquella perfida acção, e communicando a outros os seus atrozes, e abomináveis intentos, em que todos guardavam maliciosamente o mais inviolável silêncio; para que a conjuração pudesse produzir effeito, que todos mostravam desejar, pelo segredo e cautela, com que se reservaram de que chegasse à notícia do Governador, e Ministros porque este era o meio de levarem avante aquelle horrendo attentado, urgido pela infidelidade e perfídia: Pelo que não só os chefes cabeças da Conjuração, e os ajudadores da rebelião, se constituíram Réus do crime de Lesa Magestade da primeira cabeça, mas também os sabedores, e consentidores della pelo seu silêncio; sendo tal a maldade e prevaricação destes Réus, que sem remorsos faltaram à mais incomendável obrigação de Vassallos e de Catholicos, e sem horror contrahiram a infâmia de traidores, sempre inherente, e anexa a tão enorme, e detestável delicto.

Mostra-se que entre os chefes, e cabeças da Conjuração o primeiro que suscitou as idéias de república foi o Réu Joaquim José da Silva Xavier por alcunha o Tiradentes, Alferes que foi da Cavallaria paga da Capitania de Minas, o qual a muito tempo, que tinha concebido o abominável intento de conduzir os povos daquella Capitania a uma rebelião; pela qual se subtrahissem da justa obediência devida á dita senhora, formando para este fim publicamente discursos sediciosos que foram denunciados ao Governador de Minas atencessor do atual, e que então sem nenhuma razão foram despresados como consta a folhas 74 folhas 68 verso folhas 127 verso e folha 2 do appenso numero 8 da devassa principiada nesta cidade; e suposta que aquelles discursos não produzissem naquelle tempo outro efeito mais do que o escândalo a abominação que mereciam, contudo como o Réu viu que o deixaram formar impunemente aquellas criminosas práticas, julgo por occasião mais oportuna para continual-as com maior efficácia, no anno de mil setecentos, e oitenta e oito em que o actual Governador de Minas tomou posse do governo da Capitania, e travava de fazer lançar a derrama, para completar o pagamento de cem arrobas de ouro, que os povos de Minas se obrigaram a pagar annualmente, pelo oferecimento voluntário que fizeram em vinte e quatro de março de mil setecentos e trinta e quatro; aceito e confirmado pelo Alvará de três de dezembro de mil setecentos e cincoenta em lugar da Capitação desde então abolida.

Porem persuadindo-se o Réu, de que o lançamento da derrama para completar o computo das cem arrobas de ouro, não bastaria para conduzir os novos à rebellião, estando elles certos, em que tinham oferecido voluntariamente aquelle computo, como um subrogado muito favoravel em lugar do quinto de ouro que tirassem nas Minas, que são um direito real eTn todas as Monarchias; passou a publicar que na derrama competia a cada pessoa pagar as quantias que arbitrou, que seriam capazes de atemorizar os povos, e pretender fazer contemeratio atrevimento, e horrendas falcidades, odioso o suavíssimo e ilustradíssimo governo da dita senhora, e as sábias providências dos seus Ministros de Estado, publicando que o actual governador de Minas tinha trazido ordem para opprimir, e arruinar os leais Vassallos da mesma senhora, fazendo com que nenhum delles pudesse ter mais de dez mil cruzados, o que jura Vicente Vieira da Morta a folhas 60 e Basilio de Brito Malheiro a folhas 52 verso ter ouvido a este Réu, e a folha 108 da devassa tirada por ordem do Governador de Minas, e que o mesmo ouvira a João da Costa Rodrigues a folhas 57, e o Conego Luiz Vieira a folhas 60, verso da devassa tirada por ordem do Vice-Rei do Estado.

Mostra-se que tendo o dito Réu Tiradentes publicado aquellas horríveis e notórias falcidades, como alicerce da infame machine, que pretendia estabelecer, comunicou em setembro de mil setecentos e oitenta e oito as suas perversas idéias, ao Réu José Alves Maciel visitando-o nesta cidade a tempo que o dito Maciel chegava de viajar por alguns Reinos estrangeiros, para se recolher a Vila Rica donde era natural, como consta a folhas 10 do appenso n. 1 e folhas 2 verso, do appenso n. 12 da devassa principiada nesta Cidade, e tendo o dito Réu Tiradentes encontrado no mesmo Maciel, não só approvação mas também novos argumentos que o confirmaram nos seus execrandos projectos como se prova a folhas 10 do dito appenso n. 1 e a folhas 7 do appenso n. 4 da dita devassa; saíram os referidos dois Réus desta Cidade para Vilia Rica Capital da Capitania de Minas ajustados em formarem o partido para a rebelião, e com effeito o dito Réu Tiradentes foi logo de caminho examinando os animos das pessoas a quem falava como foi aos Réus José Aires Gomes, e ao Padre Manoel Rodrigues da Costa; e chegando a Villa Rica a primeira pessoa a quem os sobreditos dois Tiradentes e Maciel falaram foi ao Réu Francisco de Paula Freire de Andrade que então era Tenente Coronel comandante da tropa paga da Capitania de Minas cunhado do dito Maciel; e supposto que o dito Réu Francisco de Paula hesitasse no princípio conformar-se com as idéias daqueles dois perfidos Réus, o que confessa o dito Tiradentes a folhas 10 verso do dito appenso n. 1; contudo persuadido pelo mesmo Tiradentes com falsa asserção, de que nesta Cidade do Rio de Janeiro havia um grande partido de homens de negocio promptos para ajudarem a sublevação, tanto que ella se effectuasse na Capitania de Minas; e pelo Réu Maciel seu cunhado com a phantastica promessa, de que logo que se executasse a sua infame resolução teriam socorro de Potências estrangeiras, referindo em confirmação disto algumas práticas que dizia ter por lá ouvido, perdeu o dito Réu Francisco de Paula, todo o receio como consta a folhas 10 verso e folhas 11 do appenso n. 1 e a folhas 7 do appenso n. 4 da devassa desta cidade, adotando os perfidos projectos dos ditos Réus para formarem a infame conjuração, de estabelecerem na Capitania de Minas uma república independente.

Mostra-se que na mesma Conjuração entrara o Réu Ignácio José de Alvarenga Coronel do primeiro regimento auxiliar da Companhia do Rio Verde ou fosse convidado e induzido pelo Réu Tiradentes, ou pelo Réu Francisco de Paula, como o mesmo Alvarenga confessa a folhas 10 do appenso n. 4 da devassa desta Cidade e que também entrara na mesma Conjuração do Réu Domingos de Abreu Vieira, Tenente Coronel de Cavallaria Auxiliar de Minas Novas convidado, e induzido pelo Réu Francisco de Paula como declara o Réu Alvarenga a folhas 9 do dito appenso n. 4 ou pelo dito Réu Paula juntamente com o Réu Tiradentes, e Padre José da Silva de Oliveira Rolim como confessa o mesmo Réu Domingos de Abreu a folhas 10 verso da devassa desta Cidade; e achando-se estes Réus conformes no detestável projecto de estabelecerem uma república naquella Capitania corno consta a folhas 11 do appenso n. 1 passaram a conferir sobre o modo da execução, ajuntando-se em casa do Réu Francisco de Paula a tratar da sublevação nas infames sessões que tiveram, como consta uniformemente de todas as confissões dos Réus chefes da conjuração nos, appensos das perguntas que lhe foram feitas; em cujos ventículos não só consta que se achasse o Réu Domingos de Abreu, ainda que se lhe communicava tudo quanto nelles se ajustava corno consta a folhas 10 do appenso n. 6 da devassa da Cidade, e se algumas vezes se conferisse em casa do mesmo Réu Abreu sobre a mesma matéria entre elles e os Réus Tiradentes, Francisco de Paula, e o Padre José da Silva de Oliveira Rolim; sem embargo de ser o lugar destinado para os ditos conventículos a casa do dito Réu Paula, para os quaes eram chamados estes Cabeças da Conjuração, quando algum tardava como se vê, a folhas 11 verso do appenso 1 da devassa desta Cidade, e do escripto folhas 41 da devassa de Minas do Padre Carlos Corrêa de Toledo para o Réu Alvarenga dizendo-lhe que fosse logo que estavam juntos.

Mostra-se que sendo pelo princípio do anno de mil setecentos e oitenta e nove se ajuntaram os Réus chefes da Conjuração em casa do Réu Francisco de Paula lugar destinado para os torpes, execrandos conventiculos, e ahi depois de assentarem uniformemente em que se fizesse a sublevação e motim na occasião em que se lançasse a derrama, pela qual suppunham que estaria o povo desgostoso, o que se prova por todas as confissões dos Réus nas perguntas constantes dos appensos; passaram cada um a proferir o seu voto sobre o modo de estabelecerem a sua ideada república, e resolveram que lançada a derrama se gritaria uma noite pelas ruas da dita Villa Rica – Viva a liberdade – a cujas vozes sem duvida acudiria o povo, que se achava consternado, e o Réu Francisco de Paula formaria a tropa fingindo querer rebater o motim, manejando-a com arte de dissimulação, enquanto da Cachoeira aonde assistia o Governador Geral, não chegava a sua cabeça, que devia ser-lhe cortada, o segundo voto de outros bastaria que o mesmo General fosse preso, e conduzido fora dos limites da Capitania dizendo-lhe que fosse embora, e que dissesse em Portugal que já nas Minas se não necessitava de Governadores; parecendo por esta forma que o modo de executar esta atrocissima acção ficava ao arbitrio do infame executor prova-se o referido do appenso n. l folhas 12 appenso n. 5 folhas 7 verso appenso 4 folhas 9 verso e folhas 10 pelas testemunhas folhas 103 e folhas 107 da devassa desta cidade e folhas 84 da devassa de Minas.

Mostra-se que no caso de ser cortada a cabeça do General, seria conduzido à presença do povo, e da tropa, e se lançaria um bando em nome da república, para que todos seguissem o partido do novo Governo consta do appenso n. 1 a folhas 12 e que seriam mortos todos aquelles que se lhe oppuzessem que se perdoaria aos devedores da Fazenda Real tudo quanto lhe devessem consta a folhas 89 verso da devassa de Minas e folhas 118 verso da devassa desta Cidade; em que aprehenderia todo o dinheiro pertencente à mesma Real Fazenda dos cofres reaes para pagamento da tropa consta do appenso n. 6 a folhas 6 verso e testemunhas folhas 104 e folhas 109 da devassa desta Cidade e a folhas 99 verso da devassa de Minas; assentando mais os ditos infames Réus na forma da bandeira e armas que deveria ter a nova república consta a folhas 3 verso appenso n. 12 a folhas 12 verso appenso n. 1 folhas 7 appenso n. 6 da devassa desta Cidade; em que se mudaria a Capitania para São João d’El-Rei, e que em Villa Rica se fundaria uma Universidade; que o ouro e diamantes seriam livres, que se formariam Leis para o governo da republica, e que o dia destinado para dar princípio a esta execranda rebellião, se avisaria aos Conjurados com este disfarce – tal dia é o baptisado – o que tudo se prova das confissões dos Réus nos appensos das perguntas; e ultimamente se ajustou nos ditos conventiculos o socorro, e ajuda com que cada um havia de concorrer.

Mostra-se, quanto ao Réu Joaquim José da Silva Xavier por alcunha o Tiradentes, que esta monstruosa perfídia depois de recitar naquellas escandalosas, e horrorosas assembléias as utilidades, que resultaria do seu enfame, se encarregou de ir cortar a cabeça do General consta a folhas 103 verso, e folhas 107, e dos appensos n. 4 a folhas 10 e n. 5 a folhas 7 verso da devassa desta cidade a folhas 99 verso da devassa de Minas, e conduzindo-a a faria patente ao povo e tropa, que estaria formada na maneira sobredita, não obstante dizer o mesmo Réu a folhas 11 verso do appenso n. 1 que só se obrigou a ir prender o mesmo General e conduzi-lo com a sua família fora dos limites da Capitania dizendo-lhe que se fosse embora parecendo-lhe talvez que com esta confissão ficaria sendo menor o seu delicto.

Mostra-se mais que este abominável Réu ideo a forma da bandeira que ia ter a república que devia constar de três triangulos com allusão as três pessoas da Santissima Trindade o que confessa a folhas 12 verso do appenso n. 1 ainda que contra este voto prevaleceu o do Réu Alvarenga que se lembrou de outra mais allusiva a liberdade que foi geralmente approvada pelos conjurados; também se obrigou o dito Réu Tiradentes a convidar para sublevação a todas as pessoas que pudesse confessa a folhas 12 appenso n. 1 satisfez ao que prometeu falando em particular a muitos cuja fidelidade pretendeu corromper principiando por expor-lhes as riquezes daquella Capitania que podia ser um Império florente, como foi a Antonio da Fonseca Pestana, a Joaquim José da Rocha, e nesta Cidade a João José Nunes Carneiro, e a Manoel Luiz Pereira, furriel do regimento de artilharia a folhas 16 e folhas 18 da devassa desta Cidade os quaes como atalharam a prática por onde o réu costumava ordinariamente principiar para sondar, os animos, não passou avante comunicar-lhe com mais clareza os seus malvados o perversos intentos confessa o Réu a folhas 18 verso appenso n. 1.

Mostra-se mais que o Réu se animou com sua costumada ousadia a convidar expressamente para o levante do Réu Vicente Vieira da Motta confessa este a folhas 73 verso e no appenso n. 20 chegando a tal excesso o descaramento deste Réu que publicamente formava discursos sediciosos aonde quer que se achava ainda mesmo pelas tavernas com mais escandaloso atrevimento, como se prova pelas testemunhas folhas 71 folhas 73 appenso n. 8 e folhas 3 da devassa desta Cidade e a folhas 58 da devassa de Minas; sendo talvez por esta descomedida ousadia com que mostrava ter totalmente perdido o temor das justiças, e o respeito e fidelidade de vida á dita senhora, reputado por um heroe entre os conjurados consta a folhas 102 e appenso n. 4 a folhas 10 da devassa desta Cidade.

Mostra-se mais que com o mesmo perfido animo, e escandalosa ousadia partiu o Réu de Villa Rica para esta Cidade em março de mil setecentos e oitenta e nove, com intento de publica e particularmente com as suas costumadas praticas convidar gente para o seu partido, dizendo a Joaquim Silvério dos Reis, que reputava ser do numero dos conjurados encontrando-o no caminho perante várias pessoas – Cá vou trabalhar para todos – o que juram as testemunhas folhas 15 folhas 99 verso folhas 142 verso folhas 100 e folhas 143 da devassa desta Cidade; e com effeito continuou a desempenhar a perfida commissão, de que se tinha encarregado nos abominaveis conventiculos falando no caminho a João Dias da Morta, para entrar na rebellião e descaradamente na estalagem da Varginha perante os Réus João da Costa Rodrigues e Antonio de Oliveira Lopes, dizendo a respeito do levante que – não era levantar que era restaurar a terra – expressão infame de que já tinha usado em casa de João Rodrigues de Macedo sendo reprehendido de falar em levante, consta a folhas 61 da devassa desta Cidade e a folhas 36 da devassa de Minas.

Mostra-se que nesta cidade falou o Réu com o mesmo atrevimento e escandalo, em casa de Valentim Lopes da Cunha perante várias pessoas, por occasião de se queixar o soldado Manoel Corrêa Vasques, de não poder conseguir a baixa que pretendia ao que respondeu o Réu como louco furioso que era muito bem feito que sofresse a praça, e que o assentasse, porque os cariocas americanos (sic) eram fracos vis de espíritos baixos porque podiam passar sem o julgo que soffriam, e viver independentes do Reino, e o toleravam, mas que se houvesse alguns como elle Réu talvez, que fosse outra cousa, e que elle receava que houvesse levante nas Capitanias de Minas, em razão da derrama que se esperava, e que em semelhantes circunstâncias seria facil de cujas expressões sendo repreendido, pelos que estavam presentes, não declarou mais os seus perversos e horríveis intentos consta a folhas 17 folhas 18 da devassa desta Cidade; e sendo o Vice-Rei do Estado já a este tempo informado dos aborninaveis projectos do Réu, mandou vigiar-lhe os passos, e averiguar as casas aonde entrava, de que tendo elle alguma noticia ou aviso, dispoz a sua fugida pelo sertão para as Capitanias de Minas sem dúvida para ainda executar os seus malévolos intentos se pudesse occultando-se para este fim em casa do Réu Domingos Fernandes, aonde foi preso achando-se-lhe as cartas dos Réus Manoel José de Miranda, e Manoel Joaquim de Sá Pinto do Rego Forte, para o Mestre de Campo Ignácio de Andrade o auxiliar na fugida […]

Portanto condenam ao Réu Joaquim José da Silva Xavier por alcunha o Tiradentes Alferes que foi da tropa paga da Capitania de Minas a que com baraço e pregão seja conduzido pelas ruas publicas ao lugar da forca e nella morra morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Villa Rica aonde em lugar mais publico della será pregada, em um poste alto até que o tempo a consuma, e o seu corpo será dividido em quatro quartos, e pregados em postes pelo caminho de Minas no sitio da Varginha e das Sebolas aonde o Réu teve as suas infames práticas e os mais nos sitios (sic) de maiores povoações até que o tempo também os consuma; declaram o Réu infame, e seus filhos e netos tendo-os, e os seus bens applicam para o Fisco e Câmara Real, e a casa em que vivia em Villa Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique e não sendo própria será avaliada e paga a seu dono pelos bens confiscados e no mesmo chão se levantará um padrão pelo qual se conserve em memória a infamia deste abominavel Réu; igualmente condemnam os Réus Francisco de Paula Freire de Andrade Tenente Coronel que foi da Tropa paga da Capitania de Minas, José Alves Maciel, Ignácio José de Alvarenga, Domingos de Abreu Vieira, Francisco Antonio de Oliveira Lopez, Luiz Vás de Toledo Piza, a que com baraço e pregão sejam conduzidos pelas ruas públicas ao lugar da forca e nella morram morte natural para sempre, e depois de mortos lhe serão cortadas as suas cabeças e pregadas em postes altos até que o tempo as consuma as dos Réus Francisco de Paula Freire de Andrade, José Alves Maciel e Domingos de Abreu Vieira nos lugares de fronte das suas habitações que tinham em Villa Rica e a do Réu Ignácio José de Alvarenga, no lugar mais publico na Villa de São João de El-Rei, a do Réu Luiz Vaz de Toledo Piza na Villa de São José, e do Réu Francisco Antonio de Oliveira Lopes defronte do lugar de sua habitação na porta do Morro; declaram estes Réus infames e seus filhos e netos tendo-os, e os seus bens por confiscados para o Fisco e Câmara Real, e que suas casas em que vivia o Réu Francisco de Paula em Villa Rica aonde se ajuntavam os Réus chefes da conjuração para terem os seus infames conventiculos serão também arrasadas e salgadas sendo próprias do Réu para que nunca mais no chão se edifique. Igualmente condemnam os Réus Salvador Carvalho de Amaral Gurel, José de Resende Costa Pae, José de Resende Costa Filho, Domingos Vidal Barbosa, que com baraço e pregão sejam conduzidos pelas ruas públicas, lugar da forca e nella morram morte natural para sempre, declaram estes Réus infames e seus filhos e netos tendo-os e os seus bens confiscados para o Fisco e Câmara Real, e para que estas execuções possam fazer-se mais comodamente, mandam que no campo de São Domingos se levante uma forca mais alta do ordinario. Ao Réu Claudio Manoel da Costa que se matou no carcere, declaram infame a sua memoria e infames seus filhos e netos tendo-os e os seus bens por confiscados para o Fisco e Câmara Real. Aos Réus Thomás Antonio Gonzaga, Vicente Vieira da Morta, José Aires Gomes, João da Costa Rodrigues, Antonio de Oliveira Lopes condemnam em degredo por toda a vida para os presidios de Angola, o Réu Gonzaga para as Pedras, o Réu Vicente Vieira para Angocha, o Réu José Aires para Embaqua, o Réu João da Costa Rodrigues para o Novo Redondo; o Réu Antonio de Oliveira Lopes para Caconda, e se voltarem ao Brasil se executará nelles a pena de morte natural na forca, e applicam a metade dos bens de todos estes Réus para o Fisco e Camara Real. Ao Réu João Dias da Morta condemnam em dez anos de degredo para Benguela, e se voltar a este Estado do Brasil e nelle for achado morrerá morte natural na forca e applicam a terça parte dos seus bens para o Fisco e Camara real. Ao Réu Victoriano Gonçalves Veloso condemnam em açoutes pelas ruas publicas, tres voltas ao redor da forca, e degredo por toda a vida para a cidade de Angola, achado morrerá morte natural na forca para sempre, e applicam a metade de seus bens para o Fisco e Camara Real. Ao Réu Francisco José de Mello que faleceu no carcere declaram sem culpa, e que se conserve a sua memória, segundo o estado que tinha. Aos Réus Manoel da Costa Capanema e Faustino Soares de Araújo absolvem julgando pelo tempo que tem tido de prisão purgados de qualquer presumpção que contra elles podia resultar nas devassas. Igualmente absolvem aos Réus João Francisco das Chagas e Alexandre escravo do Padre José da Silva de Oliveira Rolim, a Manoel José de Miranda e Domingos Fernandes por se não provar contra elles o que basta para se lhe impor pena, e ao réu Manoel Joaquim de Sá Pinto do Rego Fortes fallecido no carcere declaram sem culpa e que conserve a sua memória segundo o estado que tinha; aos Réus Fernando José Ribeiro, José Martins Borges condemnam ao primeiro em degredo por toda a vida para Benguela e em duzentos mil para as despesas da Relação, e ao Réu José Martins Borges em açoutes pelas ruas publicas e dez annos de galés e paguem os Réus as custas. Rio de Janeiro,18 de Abril de 1792.

Fonte: www.internext.com.br